O Plano B
14 XIII. -Surrender.
Notas iniciais
Estou dedicando o capítulo a Bloody Tsuki, pela linda recomendação que fez e me deixou muito feliz ><
E também a D-sama, essa diva maravilhosa sem a qual eu não conseguiria viver e não arranjaria forças para escrever(:
E é claro, que só pelo fato de ser um capítulo, também há uma parte dedicada a todos vocês leitores lindjos >
Obrigada por me fazer feliz, e espero que apreciem a leitura dessa vez ;*
Beiijitoos *-*
L.B.
Perturbado com os danos que um mero vislumbre do rosto dele podia causar, agora que havia finalmente ouvido aquelas palavras, Yagami não hesitou em cerrar os olhos, mais uma vez, e acabou que, em determinado momento -sem saber ao certo como- sua cabeça foi deslizando e deslizando até arrumar abrigo no lugar mais inusitado que poderia encontrar: o lado esquerdo do peito de L — da onde se emanava um pequeno e delicado som, bem parecido com algum tipo de marcha.
Tum-Tum. Tum-Tum. Tum-Tum.
Ele estava num ritmo um pouco mais frenético que o normal, mas esta, por sua vez, era uma característica bem interessante. A mera perspectiva de que suas ações é que estavam provocando aquilo conseguia ser o suficiente para enaltecer o rosto de Raito. Ainda que, nesse momento de descanso, sua concentração estivesse somente presa na tarefa de expulsar aqueles pensamentos contraditórios que lhe invadiam a mente:
Afinal, que diabos de atitudes eram aquelas?! Apreciar batimentos cardíacos acelerados. Colocar a destruição de L como sinônimo de arrancar pedaços. Ouvir a declaração dele com uma emoção que não tinha nada a ver com o progredir do Plano. Beijá-lo com um impulso irrefreável e querer continuar beijando-o para toda eternidade...
Pelos infernos!
Desse jeito estava até parecendo que havia se esquecido de quem realmente era.
E havia!
Só que a culpa não era sua se as palavras de um estúpido detetive infantil e teimoso eram fortes o suficiente para lhe afetar assim.
Era no mínimo impressionante que L tivesse se deixado envolver por aquela onda de emoções. Quase tanto quanto o fato de querer confessá-las. Ele sempre buscava ser o retrato da insensibilidade, mas agora estava admitindo que com Raito era algo novo. Ele até parabenizara Kira, como se nem a periculosidade de nutrir vínculos com seu pior inimigo fosse algo ruim perto da magnitude de ter alguém conseguindo alcançá-lo. Como se o amor, aquela sensação que ele desconhecia até então, fosse muito mais significativo que o risco iminente de morte ou de estar sendo enganado.
E só o que Yagami conseguia enxergar diante disso, é que nunca um reconhecimento havia o deixado tão eufórico.
Jamais.
Sempre que o elogiavam, sentia-se como se fosse só mais um professor doutorado que impressionara um aluninho de três anos; era insignificante.
Mas dessa vez não.
Ter uma declaração de L era como ter mil estrelas diferentes cortejando-o. E a verdade, por mais que pisasse em seus ideais, é que também não conseguia ser indiferente a ele, ainda que tudo, a princípio, fosse um plano, e que o odiasse por bloquear seu Novo Mundo.
A única conclusão que conseguia tirar é que tinha caído na maldita armadilha– não conseguira sacrificá-la a tempo- e provavelmente acabaria arrastando sua outra metade para o abismo, junto com o detetive, quando tivesse que fazer o que tinha que ser feito.
Mas agora não era hora de refletir sobre isso. Ainda havia tempo. Bastante tempo. E se quisesse usufruir de sua fraqueza, enquanto a ainda a cultivava, não havia o que temer.
Era o momento perfeito.
–Você não vai se arrepender de mim, L. – No instante em que decretou a sentença, Raito soube que não havia uma melhor ou mais impactante que pudesse ser dita. Inclinou a cabeça para cima — apenas o suficiente para poder olhar de novo nos olhos dele -, e embora L não respondesse nada, numa clara demonstração de ceticismo, isso não mudava o fato de que não mediria esforços para fazer essas palavras virarem realidade. -Provarei que você está errado. –Continuou, aproveitando a circunstância para desferir outro de seus sorrisos ínfimos, melindrantes. –Que não sou Kira, e que jamais faria qualquer coisa para te prejudicar... –Era óbvio que desta vez, não tinha como não ser mentira; mas a farsa lhe era tão natural que quase beirava à ingenuidade...
–Hm. -L arqueou os ombros. Pôde senti-lo mover-se abaixo de si, como se tivesse ficado um tanto quanto desconfortável com a sentença. -Sabe de uma coisa interessante, Raito-kun...? –Ele perguntou, e nesse momento, o mais novo se viu tão ansioso que quase teve –ao tom da ironia da frase- um súbito ataque cardíaco.
–O quê...?!
–Essa é a primeira vez que me vejo gostando da perspectiva de estar errado. –L confessou, como se estivesse fazendo um comentário qualquer sobre o tempo. –Você conseguiu sobrepujar uma reputação de infalibilidade que eu venho cultivando por centenas de casos. –Ele poderia até ter tentando soar mais orgulhoso de sua carreira do que envergonhado com o fato de querer que Raito a manchasse. Mas a coloração de suas bochechas conseguia simplesmente negá-lo. -Queira não me decepcionar. –Frisou, e o garoto, que até aquele instante parecera estar a um passo de alcançar as nuvens, parou de sonhar e contraiu fortemente os músculos da face.
Pareceu indignado só pelo fato de L ter ousado cogitar aquela ideia.
–Eu jamais faria isso. –Assegurou. Mas não importava mais o que ele dissesse. A verdade seria escrita dali a nove dias. E L tinha que parecer propenso a acreditar que agora poderiam viver um eterno paraíso juntos. Sem lamentar ter a certeza de que tudo isso tinha um prazo de validade- 13 dias –sendo que quatro já haviam passado.
–Jamais?
–Aham. – Raito ergueu a cabeça do peito de L, e aproximou o rosto do dele, esticando-se o bastante para dar um pequeno beijo no meio de sua testa. — Decepcioná-lo sempre foi o último de todos os meus desejos, Ryuuzaki...
Mas quando ia se reclinar para conferir como o mais velho reagiria a isto, acabou sendo arrastado. As mãos dele ainda não haviam soltado seu pijama, e agora o puxavam para tão perto quanto os limites da física permitiam.
Tanto que fora quase privado do próprio fôlego, no processo, e seus corpos sobrepuseram-se de modo a manter os corações no mesmo nível — com o diferencial de que, desta vez, L afrouxara o espaço entre as pernas, permitindo que se acomodasse ali.
–Deixe-me lhe mostrar qual é o primeiro dos meus desejos, Raito-kun... –Ele o pegou desprevenido, rompendo a linha indistinta entre seus rostos, e indo sussurrar no canto de seu ouvido, aproveitando para desferir uma pequena mordida no lóbulo. – Você me tortura demais quando resolve bancar o papel de difícil...
Um de seus braços se fechou em volta do corpo do Yagami, aprisionando-o para si e massageando sua cintura, enquanto o outro se infiltrou ainda mais entre o atrito dos corpos, buscando refúgio dentro do pijama cinza.
–...Não. Você me tortura mais quando finge que não está nem aí para mim... -Pela primeira vez, Raito deu graças por Ryuuzaki não estar com os olhos nos seus. Aquela era, provavelmente, a maior demonstração de humilhação que já havia dado, e os dedos dele fazendo círculos em sua pele definitivamente não estavam ajudando. -Eu já estava imaginando que tinha apostado minhas fichas numa causa perdida e-
–A culpa não é minha se você é idiota o bastante para acreditar em singelas demonstrações de indiferença. –O detetive interrompeu, com um pequeno ar prepotente dominando seu timbre rouco habitual. — Se olhasse um pouco mais para baixo... Er, você sabe muito bem onde eu quero chegar, não sabe?
O Yagami esboçou um sorriso incontido.
–Estava se referindo a isso...?
Descaradamente, friccionou suas masculinidades, que haviam ficado extremamente próximas quando o detetive oferecera aquele encaixe peculiar entre os corpos – talvez ignorante de que isso viria a ser uma inovadora ferramenta para tentá-lo.
–O que você acha, Raito-kun? –L rolou os olhos, com uma nota de escárnio e irritação abundantes, concebidas apenas para disfarçar o quanto aquele mínimo contato o tirava do sério, e fazia sua excitação crescer volumetricamente, assim como o maldito rubor em suas bochechas.
–Hm. Só acho que é irresistível quando você fica vermelhinho...- E se a intenção de Raito era deixar o detetive ainda mais vermelho com a sentença, pode-se dizer que ele definitivamente havia conseguido. Aproveitou seu livre acesso ao pescoço desnudo de L, e sem fazer qualquer pedido, deixou seus dentes se apossarem dele, mordiscando a pele à mostra com intenções tão cruéis quanto as que o detetive tivera alguns dias atrás.
Tão rápido quanto podia, tratou de somar as pequenas mordidas a beijos e chupões, que iam da nuca até o contorno do queixo do mais velho, e se seus olhos não estivessem parcialmente fechados teriam brilhado ao som dos pequenos e doces grunhidos que ele tentava inutilmente reprimir.
Os dedos dele, que antes apenas acariciavam a pele debaixo de seu pijama, apertavam-na firmemente agora, como se em qualquer ímpeto violento pudesse arrancar pedaços, e sedento por mais dessas demonstrações de luxúria, o Yagami se reclinou –sem nunca afastar-se consideravelmente ou sair do meio das pernas dele- e fez passar a camiseta do pijama pela cabeça, o mais rápido que considerou ser capaz, mais ainda assim insuficiente, pois L deduzira seus passos e fizera a mesma coisa em uma fração de segundo tão ínfima, que agora encarava sua surpresa por encontrá-lo despido diante de si com um sorriso desafiador – e nada inocente, diga-se de passagem.
–Nossa... Não sabia que você era tão apressadinho, Ryuuzaki. –Provocou-o, com um erguer de sobrancelhas impudico e mordaz.
–Eu esperei quatro dias, Yagami-kun. E não quero esperar nem um segundo a mais, então trate de calar a boca e continuar com isso imediatamente. -O detetive o puxou pela segunda vez naquela noite, e ao invés de ficar irritado com o imperativo, Raito percebeu que as ordens conseguiam enchê-lo com um desejo ainda mais fervoroso.
L o enjaulou com os joelhos, envolvendo as pernas em torno de si para que não pudesse fugir de novo, e ao sentir a rigidez dele roçar em sua própria e em suas coxas, voltou a avançar leoninamente, mal se dando ao tempo de admirar aquela visão tentadora que era a fragilidade do corpo dele sob o seu, e migrando os lábios para os botões avermelhados que enfeitavam sua pele alvejada.
Envolveu a maciez de um deles com a língua, tornando-o rijo, e desenhou seu contorno várias vezes incansáveis, ao que L correspondia jogando a cabeça para trás, sem reter os sons de prazer, que eram apenas uma introdução para todos os que Raito queria ouvi-lo gemer naquela noite.
Repetiu o processo com o outro mamilo, e desta vez incluiu os dentes, o que lhe rendeu um bom castigo das unhas de L, que se antes passeavam por suas costas e barriga amigavelmente, agora o arranhavam de maneira lasciva e sádica, eriçando todos os mínimos pelos que possuía.
–Pelos infernos, L... –Praguejou, ao mesmo tempo que aproveitou o momento da fala para sanar seu apetite de ver as expressões irresistíveis dele, erguendo o olhar para focalizá-lo, e se arrependendo quase no mesmo instante — pois o detetive estava um verdadeiro tesão, com o rosto ruborizado e as pupilas dilatadas, praticamente suplicando por mais contato. –Puta merda... –Não conteve a exclamação, voltando imediatamente a beijar a pele dele, dessa vez no canto do pescoço, e quando o detetive estava achando que já era capaz de refrear os próprios gemidos, o mais novo, com a mão direita, desabotoou seu jeans e adentrou sua cueca, localizando seu membro e acariciando-o, quase como se precisasse disso. –Eu não sei como consegui aguentar todo esse tempo...
–Ahn...nnn...Nem eu... –L fechou os olhos com força, totalmente rendido ao prazer que o movimento dos dedos de Yagami conseguiam proporcionar, desafrouxando o nó de suas pernas em torno dele, para apoiar os pés nos lençóis e se impulsionar de acordo com as carícias. –Foi... Horroroso... -Raito aproveitou a liberdade para posicionar-se em cima dele joelhos, apoiando-se no colchão com uma única mão, de modo a conseguir enxergá-lo e masturbá-lo com maior acesso e eficácia. –Uhn..nnnn... — Recebeu um longo e sem fôlego gemido como recompensa – mas foi uma recompensa torturante, pois fazia seu próprio membro latejar e clamar por atenção, mais do que qualquer outra vez em sua vida. –Ma-maiss...!
E como o verdadeiro justiceiro que era, o Yagami não pôde ficar apático diante daquela iniquidade. Parou de estimular o detetive, e cronometrando mentalmente, não demorou mais de dois segundos para que ele começasse a grunhir em protesto e abrisse raivosamente os olhos, antes entrefechados, para ameaça-lo.
–Você quer morrer, não quer, Raito-kun?!
O garoto apenas reprimiu o riso, balançando a cabeça de um lado para o outro, numa negativa perversa, que conseguia deixar o mais velho simplesmente indignado.
–Às vezes é preciso aprender a deixar o egoísmo de lado, sabia, Ryuuzaki...? –Sorriu maliciosamente, e antes que o detetive se desse conta de como, a mão que ele estivera usando para enlouquecê-lo, segundos atrás, capturou a sua, e a conduziu deliberadamente para dentro do próprio pijama, até conseguir repousar em sua intimidade.
Por um momento ou dois, L ficou praticamente embasbacado com tal atrevimento, mas isso não era nada comparado ao fato de sua respiração estar presa na garganta, prestes a sufocá-lo, diante de ter o calor úmido e pulsante de Raito entre seus próprios dedos, e diante daquele sorriso metido que só ele sabia dar.
Se estivesse em sã consciência, muito provavelmente, teria o apertado até que ele sentisse dor e aprendesse a não ser tão orgulhoso e babaca, mas L se esquecera até mesmo daquilo que as pessoas chamavam de consciência, de modo que iniciou uma carícia no membro do mais novo, parecida com a que ele estivera realizando em si momentos atrás, e se sentiu extremamente satisfeito quando ele começou a ter reações parecidas com suas, também lançando a cabeça para trás, e mordendo o lábio inferior para segurar eventuais ruídos fugazes.
Mas a coisa ficou ainda melhor quando Raito, lutando contra a insanidade, apoiou mais uma vez a mão em sua masculinidade exposta, e passou a estimulá-lo como L queria que ele tivesse feito desde o começo. Os dois nunca haviam imaginado o número de suspiros e gemidos que uma punheta dupla daquele nível conseguia fornecer, de modo que até demorou para que Raito conseguisse, como era seu plano inicial, se inclinar o bastante para sussurrar sensualmente perto do ouvido de L...
–Dessa vez vamos fazer como você mais gosta, né...? –Mordeu o lóbulo de sua orelha, no intuito de deixá-lo totalmente entorpecido. –Você vai ser inteirinho meu...
Mas quando o orgulho masculino de L conseguiu interpretar que Yagami estava, na verdade, não só se colocando na posição de ativo, como também insinuando que ele gostava mais de quando as coisas funcionavam assim, ele automaticamente foi levado a interromper as carícias que fazia no prodígio e a tentar empurrá-lo para longe -sentindo-se extremamente envergonhado e furioso- mas antes que isso pudesse acontecer, Raito agiu, tão ágil quanto uma raposa, impedindo-o de se esquivar e segurando seus dois pulsos, até empurrá-los forçosamente contra o colchão.
–Seu... -Antes que L pudesse começar a protestar ou a se debater, foi descendo com os lábios e fazendo uma trilha de beijos e chupões para apaziguá-lo, de modo que quando chegou à altura da virilha, e abocanhou seu membro rijo, os argumentos de insatisfação que ele poderia ter guardado transformaram-se instantaneamente em gemidos guturais e contorções. -...B-bastardo!
Raito espontaneamente passou a chupá-lo, com força, envolvendo a ereção nos lábios da maneira mais completa que conseguia.
–Ahh..hn... R-Raito-k-kun...- Acomodou-a na garganta, sem diminuir por um segundo o ritmo das sucções, e não entendia porque parecia ser tão boa a sensação de conseguir proporcionar um prazer daquele tipo a alguém que, supostamente, deveria ser seu pior inimigo. Só sabia que era algo inevitável, e em meio aos muitos gemidos de L, foi surpreendido por um seu próprio, que pareceu ter deixado o detetive ainda mais frenético, fazendo-o mover o quadril para frente e para trás. -Por favor...Ahhn... M-mais...! –Ele parecia estar fazendo um imenso esforço para falar, em meio àquela respiração acelerada, e o garoto não pôde deixar de rir, pois teve que interromper o sexo oral somente três segundos depois do pedido.
Dessa vez, L se sentia realmente disposto a matar aquele idiota audacioso e babaca, e o obrigaria a continuar nem que tivesse que força-lo, pois era simplesmente injusto demais ser provocado daquela maneira só para ser largado à mercê da tensão e do desejo carnal -como se fosse um objeto qualquer- mas quando foi abrir os olhos para conferir o que diabos Yagami Raito estaria fazendo, foi surpreendido pela visão do garoto lambendo e sugando os dedos, com um olhar malicioso que não prometia nada muito agradável.
–É, dessa vez você com certeza será meu, detetive. –Raito sentenciou, e para o total desespero de L, afastou ainda mais suas pernas e terminou de arrancar suas calças, para poder localizar sua entrada, e penetrá-la, sem delongas, com um de seus dois dedos umidificados.
O detetive soltou algo parecido com um urro, e o prodígio teve que imobilizá-lo para que ele não se debatesse (ou o espancasse) como muito provavelmente era seu intuito inicial, tratando logo de baixar a cabeça, e reiniciar as manobras labiais, para que ele não se desvencilhasse, e ficasse tranquilo com mais uma dose de suas sucções ritmadas.
Assim que L passou a corresponder aos estímulos um humor um pouco mais ameno e aceitável, Raito iniciou um lento vai e vem com o indicador, amando se lembrar do quanto as paredes dele eram estreitas e apertadas, e louco para o momento que não fosse só o seu dedo a apreciá-las.
–S-eu..Ahh...Bastardo...Desgraçado...Hhnnn...Mi..serável!
Esses foram os únicos xingamentos que Raito conseguiu compreender, em meio a uma multidão de muitos outros, a maioria na própria língua mãe do detetive, e não sabia explicar porque vê-lo irritado conseguia ser tão excitante e simultaneamente engraçado.
–Pare de ser dissimulado, L. Está mais do que óbvio que você vai adorar... –Yagami afastou os lábios para responder, apreciando o sabor do líquido pré-seminal que o mais velho, sem conseguir evitar, liberara em sua garganta, e subindo o corpo até poder visualizar o rosto dele, para inebriar-se com aquela expressão de redenção que só ele sabia dar. –Aliás, você já está adorando... –Lambiscou o queixo dele, e logo em seguida introduziu um novo dedo, ganhando um suspiro longo e delicioso em resposta, que o encorajou a retomar o vai e vem, apreciando cada mínimo detalhe da agonia que L manifestava.
–Yagami. E-Eu não sou um masoquista p-para...F-ficar contente com essa maldita dor e...Ahhhhhhhhhh! E-esse... Esse lugar... –O detetive aproveitou a proximidade do mais novo e, sem pensar duas vezes, fincou os dentes nos ombros dele, fechando os olhos para não demonstrar o quanto eles se reviravam de prazer.
–O que tem esse lugar, L? –Raito se fez se inocente, ao mesmo tempo em que buscava acesso para um terceiro dedo, dirigindo-o para o mesmo local, que só podia ser a próstata de L -enquanto sentia seu ombro arder pela mordidas.
–Eu quero você...Mnn... Nele.
Raito se perguntou qual era a probabilidade de se ter um orgasmo com um simples efeito sonoro de algumas palavras, e concluiu que era potencialmente gigante quando se tratava daquele timbre rouco e sexy que L nutria, principalmente quando dizia coisas como aquela, capazes de encher seu ego até explodir em faíscas de felicidade.
–Você quer...? – Tratou de conferir se não estava delirando, pois seria realmente desapontador quando fosse dar cabo ao plano maquiavélico que sua mente acabara de estruturar.
–S-simm...
–Hm, então vem aqui buscar.
Raito retirou, instantaneamente, os três dedos que estavam levando L à loucura, e se afastou dele até atingir o polo oposto da cama, com o maior sorriso de satisfação que já havia dado decorando seus lábios, até se espatifar em cima dos lençóis e edredons, esperando –somente esperando- para saber qual seria a maneira do detetive reagir a essa pequena e última provocação inusitada.
Seria natural que, no mínimo, L mandasse o Yagami ir à merda, ou a qualquer outro lugar que o valesse, mas já fazia muito tempo que não havia nada de natural acontecendo entre eles, de modo que, sem conseguir refrear o instinto, e o desejo de sentir aquela estimulação arrebatadora de novo, o detetive engatinhou até Raito, e arrancou de uma vez o resto das calças dele, com um fervor nunca antes apreciado pelo menor.
Ele estava pensando em fazer L suplicar pelo que desejava, implorar, até clamar, mas bastou pousar os olhos pelas nádegas voluptuosas e brancas dele para que subitamente mudasse de opinião, com o crescente desejo de possuí-lo reverberando em cada partícula sua, num impulso desgraçado, uma coisa que nunca sonhara sentir antes, ou sequer imaginara que se desse para se sentir. Observou-o, com admiração, contornar seu corpo com as pernas e se debruçar diante si, mas Raito, sabendo que explodiria se fosse tão lento quanto o detetive almejava, repousou as duas mãos em volta da cintura dele, e o conduziu excitadamente até seu membro, até poder se enfiar naquele canal apertado e irresistível, com uma só estocada, longa e intensa, que provavelmente faria L choramingar, se ele não estivesse tão excitado e louco de desejo para se importar com a própria dor.
Raito retirou-se por completo e invadiu ainda mais fundo em uma questão de milésimos, e não era como se estivesse consciente dos urros desesperados que saiam do fundo de sua garganta, entrelaçando-se com os dele. Sua visão estava péssima, a ponto de enxergar apenas alguns pontos escuros desfocados aonde deveria enxergar aquele que tirava seu fôlego, que fazia seu coração bater, mas é que agora nada se comparava com a satisfação de tê-lo, sucumbido, dentro de seu ser.
Queria muito que os gemidos dele fossem como os seus, do mais puro êxtase, mas a verdade era que não conseguia pensar em mais nada que não fosse entrar nele até perder suas forças vitais. Foi muito sacrifício que, desviando-se do torpor que estava sentindo, tentou localizar, uma vez mais, aquele lugar que L tanto prezara para que conseguisse estar. Mas foi só depois da quarta estocada que o atingiu, quando apurou seus ouvidos o bastante para captar o tom mais agudo da voz do detetive — o mesmo que estivera enfeitando seu timbre alguns momentos atrás.
Passou então a se dirigir somente àquele local, e conseguiu sentir mais velho ajudando-o, apoiando as mãos em suas coxas e movimentando os quadris na mesma direção, o que tornava sexo ainda mais mútuo e entontecedor -quase insano. Raito sentia que não ia aguentar por muito mais tempo, conseguia sentir o sangue quente e a própria pressão arterial reduzida, mas ao mesmo tempo não queria que se desfizesse sem estar olhando para os olhos de L — queria que ele visse refletido em sua íris cada pormenor daquela magnitude de emoções desconhecidas.
Tentou entreabrir as pálpebras, mais uma vez, e como se alguém estivesse ouvindo os seus pedidos, conseguiu contemplar, em meio as estocadas, sem pontos escuros ou falhas, o seu detetive mordendo os lábios, transtornado, com o rosto embebido por uma cascata de cabelos negros como breu.
Yagami odiou-se, mas teve certeza absoluta de que nunca iria querer uma visão diferente desta quando estivesse prestes a sucumbir, independente do que acontecesse, de quem ele era, ou de quem viria a ser.
E então, como que por magia, L também conseguiu escapar do êxtase. Liberou o acesso as suas pérolas negras, e quando seus olhos finalmente se cruzaram, finalmente se atravessaram, eles puderam traduzir, muito mais do qualquer palavra, e muito além de qualquer plano, o que eles realmente sentiam um pelo outro.
E nunca um orgasmo conseguiu ser tão maravilhoso, ou tão simultâneo como esse estava sendo. Raito sentiu as paredes do interior de L se comprimirem em torno de si, e isso era o bastante para ter espasmos irrefletidos e praticamente uivar, mas continuou investindo dentro dele, com a maior intensidade que era capaz de manter, até senti-lo arranhando seus braços, e escutar aquilo que lhe pareceu ser o som mais doce que alguém já havia proferido.
Ao mesmo tempo em que sentiu-se estourar seus próprios limites, o líquido viscoso e quente de L deslizou em sua barriga, e foi com avidez que o preencheu da mesma forma, gemendo tão alto que poderia ser ouvido a vinte paredes de distância – não que fizesse qualquer diferença, agora.
Sua consciência estava em algum lugar bem, bem distante, junto com sua integridade física, e quando seu córtex cerebral voltou a trabalhar, foi só para se perguntar porque L não estava mais ali dentro, ou para tentar achar alguma palavra para descrever aquele momento de êxtase e euforia.
Obviamente, essa palavra nunca foi encontrada.
Mas L, que havia caído na cama ao seu lado, e agora o abraçava por trás, carinhosamente, conseguiu achar uma coisa que conseguia chegar perto –realmente perto: -Eu te amo, imbecil...
E foi engraçado, realmente engraçado, o modo como nem teve que pensar em nada, para responder, quase que automaticamente:
–Eu também.
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