O Plano B
8 VII –The Sweet Taste of Revenge.
Notas iniciais
—Surpreendente. –A expressão de Raito era pura incredulidade, depois que ele e Ryuuzaki finalmente irromperam por aquela porta protegida por meia centena de senhas e chaves do aclamado quarto dele. ...E não era como se fosse se conformar muito cedo, pois todas as suas expectativas foram amargamente frustradas assim que deitou o seu primeiro olhar sobre o local. É. Aquilo que L chamava de quarto estava mais para uma confusão de papéis, doces e... Papéis de doces. Bem diferente do que havia premeditado. Mas mesmo com o perigo de ser expulso dali a pontapés com qualquer mínimo vacilo, assim que deu o seu primeiro passo sobre o chão do recinto, não conseguiu se deixar perder a oportunidade de debochar. — “O mundo vai acabar antes de irmos para o meu quarto, Raito.” -Ele fez uma tentativa –bem ridícula, por sinal- de imitar o timbre azedo de L quando pronunciara aquelas 12 palavrinhas, não mais do que algumas horas atrás. – Devo pressupor que o mundo já acabou e só eu que não fui capaz de perceber?
Se não fosse tão péssimo fazer piadinhas, L com certeza faria uma –e bem sarcástica, aliás- depois de ouvir aquela ironia.
Apenas disse algo melhor:
—Não.
—Não?!... –Raito se sentiu indignado com a pouca- para não dizer inexistente- expressividade daquela resposta. -Como assim não?! –Mas L não parecia nem escutá-lo, quanto mais se importar com ele, enquanto lhe dava as costas para voltar a lacrar todas as trancas de novo, só que pelo lado de dentro do quarto. –Responda!
Ryuuzaki lhe deixou bem claro que não havia lugar para imperativos ali, em seu território particular, preferindo cultivar o próprio silêncio e inexpressão –mesmo que pudesse estar dando gargalhadas, internamente- até a última fechadura se encontrar trancada.
Raito logo pareceu entender o recado, mesmo que a contragosto, porque resolveu não insistir mais com seu deboche anódino. Aproveitou a distração de L para caminhar pelo aposento. Os estrépitos de seus passos contra o piso se tornaram cada vez menos audíveis, o que traduzia ao detetive cada mínimo movimento seu de exploração do local, sem que tivesse de se virar para encará-lo.
Se Raito (embora ‘Kira’ soasse como melhor escolha lexical, talvez) esperava encontrar alguma coisa minimamente importante por suas estantes e gavetas, em sua rápida inspeção pelo local, suas tentativas logo se provariam totalmente falhas, pois era óbvio a qualquer um em um raio de meio milhar de quilômetros que L já havia escondido todo e qualquer material secreto que lhe pudesse causar algum problema, se visto por olhos que não fossem os seus.
Seu único e real intuito ao trazê-lo ali poderia muito bem ser resumido em uma única palavra: Vingança.
E não era como se tivesse tempo a perder com joguinhos infantis, e outras artimanhas impostas por Yagami. Já era ruim demais ter de ceder tempo de investigações – de suas verdadeiras investigações, não daquela farsa no QG- mas já que aquilo estava atormentando o seu ser, e não conseguiria pensar racionalmente até que descontasse subjugação por subjugação, era bom que aproveitasse aquele tempo reservado com o que verdadeiramente importava...:
A Tortura. Lenta, deliciosa e... Doce, assim como o próprio sabor da Vingança. Um sabor que L apreciava já por antecipação...
Ele simplesmente não conseguia resistir ao que era doce.
—Você não deveria pressupor absolutamente nada, Raito-kun. –Decidiu responder, de repente, depois daquela dose de sei-lá-quantos minutos de seu silêncio. Girou, ficando com as costas encostadas na porta, enquanto seu olhar se pregava na figura pitoresca que era Raito, alguns metros a frente, fingindo que não estivera encarando, segundos antes, sua desarrumada cama de casal.
O rapaz ajeitou a gravata –um gesto inútil, se soubesse quais eram os planos de L para o futuro- enquanto tingia a própria face com tons de ceticismo e diversão.
—Por acaso está se recusando a admitir que eu venci o nosso pequeno desafio?
—Eu nunca cheguei a dizer que era mesmo um desafio. Você quem preferiu encarar isso como um. Além do mais... Eu tenho todo o direito de mudar de opinião, não acha?
—Hmmm...É claro. –Ele estava evidentemente irritado. Mas logo a irritação foi dar espaço ao escárnio. -O que poderia fazer o tão aclamado detetive L mudar de opinião...?
Escárnio não. Sarcasmo.
—Adivinhe.
—Hm. Não faço a mínima ideia...
—Tem certeza?
—Não. Mas eu só consigo apostar alto demais.— Frisou, enquanto não refreava o próprio sorriso, ao notar que L finalmente se desgrudara daquela porta para vir caminhando imponentemente –se é que dava para ser imponente, quando se andava de forma encurvada- em sua direção, parando apenas no percurso para guardar aquela filmagem –cuja ausência, no futuro, viria a ser justificada como uma falha de hardware- numa das inúmeras gavetas de uma cômoda branca, à sua esquerda. Somente quando o detetive finalmente se aproximou o suficiente para que conseguisse tocá-lo — se esticasse os dois braços- é que decidiu implantar seu melhor olhar arrebatador, e progredir com as incertezas, fundamentadas em suas melhores calúnias. — Será que, depois do que aconteceu, e depois de fazer suas reflexões noturnas, suas suspeitas de que eu possa ser Kira foram finalmente eliminadas? Será que você finalmente percebeu que eu estou obviamente apaixonado por você... Ryuuzaki?
Aquela era primeira vez que via L se permitindo transparecer tanta irrisão nas entrelinhas dos lábios. Sem dúvidas ele não havia se afetado por sussurrar seu nome fictício. É. Mais um motivo para saber o nome dele de verdade.
—Tsc, tsc... Achei que pudesse fazer melhor do que isso, Yagami-kun.
Raito cruzou os braços.
—O que é?
—É o contrário.
—O contrário?!
Raito não via como algo ao contrário daquelas insinuações poderia ter feito o detetive mudar de ideia sobre arrastá-lo para o quarto. Perceptível, embora discretamente, L chegou mais perto.
Bem mais perto.
— Para mim, é muito melhor pensar que esse seu novo comportamento é algum esquema, como Kira, para afetar minhas suspeitas. –Aqueles olhos sombriamente negros dele estavam começando a incomodá-lo. — Provavelmente o sensato seria evitá-lo depois de toda a sua perversão para comigo ontem... Não seria?
—Racional. Então por que não está fazendo isso?! – Simplesmente não pôde se refrear. Alguma coisa no modo com que L estava tratando aquela conversa atordoava seus pensamentos e fazia seu timbre aumentar vários decibéis. — Será que simplesmente não consegue resistir a mim..?!
Só queria ouvi-lo confessando. Sabia que tinha de ser paciente, mas algo em seu interior, movido sob aquele olhar contundente, queria ouvi-lo dizendo logo.
—Eu poderia resistir a tudo que eu quisesse. –Raito não sabia o que o deixava mais irritado. Se era o fato de já saber por antecipação que a resposta não seria satisfatória, ou se era o orgulho incontido nos contornos da frase de L. Somente suspirou, e quando se preparava para fugir um pouco do peso de ser observado daquela forma, foi surpreendido pelo detetive, segurando-o pelo colarinho da camisa, subitamente impedindo-o de desviar. Havia algo de estritamente maléfico prescrito naquela íris agora. Quase ameaçador. –Ouça-me. O que me fez mudar de ideia foi me lembrar de que já havia determinado que nada entre nós vai fazer com que as minha suspeitas sejam afetadas. –Ok. É claro que Raito já ouvira aquilo. Mas não era como se um dia fosse mesmo acreditar que essa “determinação” era perpétua. Na verdade, era apenas um combustível, para continuar em sua meta de atingir os pontos fracos de L... Até ele se desestabilizar. E como se estivesse lendo seus pensamentos, o detetive o encurralou, não havendo mais espaço para fuga alguma além da cama branca desarrumada, exatamente atrás de si. –Quando eu determino alguma coisa, Raito-kun, é uma regra. E eu nunca descumpro as minhas próprias regras. Ou seja, agora nada mais pode me impedir de fazer isso daqui. –Foi L quem desestabilizou o equilíbrio de Raito, empurrando-o para cama, sem segurar o riso da cara de garotinho indefeso que o rapaz inconsciente esboçou ao cair deitado sobre ela. Coragem. Coragem para continuar. Foi exatamente o aquilo lhe transmitiu... –Ou isso daqui...
Forjando a melhor expressão maliciosa que conseguia, o detetive arrancou a própria camiseta, e em menos de uma fração de segundo, arremessou-a para bem longe, em um dos quatro cantos do espaçoso quarto. Como se tal ato já não tivesse deixado Yagami suficientemente perplexo, L tratou de subir na cama e sentar-se bem em cima dele, como se tivesse sido convidado a tentá-lo. Não se deixou perder o pique ou hesitar em esfregar suas intimidades, algo que, à vista grossa poderia soar insignificante, mas bem mais que suficiente para driblar o autocontrole de ambos.
Nem perto de estar satisfeito, simplesmente debruçou-se sobre ele e deixou seus rostos mais perto do que imaginava ser capaz.
Perto o suficiente para se afrontarem.
Raito não havia conseguido sentir o perfume que emanava dos fios do cabelo de L, até aquele momento.
Era algo... Um pouco agridoce. Meio indescritível. Muito tentador.
E que o fez responder ao recém-formado sorriso perverso do detetive com um dos melhores de sua coleção. Sua intenção, que de imediato era a de inverter os ramos do embate, transformou-se repentinamente em mergulhar a língua através da maciez irresistível daqueles lábios bem desenhados. Explorar cada mínimo canto daquela boca, até ser capaz de esboçar um mapa sobre ela.
Não sabia o porquê se sentia assim, apenas sabia que subitamente queria fazê-lo.
Queria, porque Ryuuzaki não deixou que acontecesse. Antes que pudesse fazer qualquer coisa além de se agitar, os dentes dele se cravaram em seu lábio inferior, com força suficiente para abrir um corte na gengiva.
Mal acreditou que L conservara ousadia àquele ponto, e um lado seu quis protestar, mas foi de súbito calado pela manifestação de outro lado... Que estava sendo mais forte, naquele momento. Um lado peculiar, que apreciava aquele beijo de L e o gosto férrico do sangue e café nos arredores dele, assim como apreciava o desespero óbvio nos movimentos lascivos e murmurava no pé de seu ouvido que era exatamente assim que precisava ser.
Sem dúvida que aquele beijo já era capaz de driblar qualquer sanidade, irritação ou ressentimento sobreviventes de sua discussão anterior, mas era com as mãos que L realmente munia sua maior arma.
Antes que Raito se desse conta do que estava acontecendo, o detetive já havia desafivelado seu cinto e libertado suas calças. Distraído com o beijo sanguinolento, só foi perceber verdadeiramente o incidente, quando os dedos espertos dele passaram a apalpar o volume por cima da boxer, atiçando-o quase que espontaneamente.
Raito não se retraiu ao toque. Muito pelo contrário. Instintivamente, impulsionou-se a ele, como que para induzi-lo a continuar. Era bom.
Sua boxer também não demorou muito a ser descartada, como se fosse apenas mais um empecilho, impedindo-os de chegar na melhor parte. E realmente, logo que essa barreira se deu por quebrada –leia-se: arrancada e jogada em qualquer maldito canto do lugar- o trabalho dos dedos de L tornou-se algo bem mais potente para Raito.
Começou com um toque tímido, apenas um apalpar discreto, que mesmo “despertando-o” em seu patamar mais avançado, lhe deu confiança para acreditar que logo teria de recorrer e assumir os controles de jogo. Mas isso foi antes de Ryuuzaki começar a tocá-lo de verdade, comprimindo os dedos diametralmente ao redor do membro e trafegando lentamente por toda a extensão, enquanto o dedo mínimo brincava uma brincadeira tortuosa com a glande, fazendo cócegas em seu contorno.
Nunca esteve tão claro quanto naquele momento que L estava plenamente determinado a controlar aquela nova disputa, mas, mesmo um tanto entorpecido, Raito estava preocupado, muito preocupado, ponderando se deveria ou não impedi-lo.
Se conseguiria ou não, impedi-lo.
Não sabia se era por causa de ser L quem estava ali em cima dele, naquele momento. Só sabia que estava, pela primeira vez em toda sua vida, realmente se sentindo um refém. Não queria admitir aquilo, nem para si mesmo, mas o desejo que físico que Ryuuzaki sentia por ele, parecia quase ser mútuo, se analisado por suas reações físicas. Mesmo sendo inconcebível, nunca fora tão obrigado a reprimir gemidos e grunhidos, com alguns pequenos toques.
E aquilo o irritava profundamente, pois queria ter de fingir que estava gostando. E não estar gostando de verdade!
Mas já que assim era o caso, faria questão de usar esse desejo recíproco em seu benefício.
Só precisava saber como...
Infelizmente, aquele vai-e-vem que Ryuuzaki lhe aplicava, era simplesmente delicioso demais para obter uma resposta. Capaz de pisotear até mesmo seus mais ardilosos pensamentos.
É claro que, agora que já haviam perdido o fôlego, os beijos que L aplicava em seu pescoço contribuíam drasticamente para o deixar mais excitado. Quando foi que aquele docecólotra ficara tão atrevido assim?! Na verdade, não era como se fossem exatamente beijos. Eram lascivos demais para isso!
Chupões e lambidas eram termos bem mais adequados, naquele caso.
—Ahh...Ai!–Yagami teve de protestar vorazmente quando um desses chupões se transformou em uma mordida, bem mais dolorosa do que prazerosa, em seu pescoço. — O que pensa que está fazendo, Ryuuzaki?!
—Me vingando. –Exemplificou L, simplesmente, sugando o local onde seus dentes ficaram marcados logo depois, e arrancando um espasmo do garoto, abaixo de si, apenas por ter aumentado levemente o ritmo lá embaixo. –Deixando marcas que farão você se lembrar de mim por um longo, longo tempo... É...
—Ahn...O quê?!! Longo tempo?! Mas, Ryuuzaki...Ahhh...! –Raito não resistiu à vontade de cerrar os olhos, deixando um pequeno gemido fugir, quando a mão esquerda de L fez uma parceria à masturbação, alisando perigosamente seus testículos. –Eu... Eu não posso ter marcas. Eu sou um garoto perfeitinho e arrumadinho, esqueceu-se disso?
—Não. Claro que não esqueci. Acontece que isso não é problema meu. –Yagami quase deixou um “filho da puta” escapar, com aquela, mas refreou-se, temendo sua voz soar mais gemido do que repreensão. — Mas não se preocupe tanto, Raito-kun. A maioria delas será deixada em lugares estratégicos demais para se fazer notar. E serão apreciadas apenas por você, pelo espelho...E por mim. Não sei se já comentei, mas eu sou muito possessivo em relação aos meus...consortes. Quero exclusividade. – L lhe deu uma folga de estar inteiramente subjugado, apenas para poder desabotoar com pressa os botões de sua camisa. Porém isso fazia sua ereção roçar novamente com a dele, agora já perceptível até mesmo por debaixo do jeans. Era quase uma questão de orgulho encará-lo enquanto ia sendo despido, mas Raito nunca imaginou que fosse sentir suas bochechas esquentando, apenas por conta disso. Cara, devia ser mesmo uma ator impecável –o motivo de estar corando, obviamente, adivinha do fato de querer fazer uma boa performance de garotinho inseguro e apaixonado para L. Não podia, e nunca seria, nada diferente disso. Mas não era como se o detetive pudesse desconfiar. A expressão dele, ao ter o mínimo vislumbre de seu semblante, foi tão convencida e prepotente, que ele parecia ter recebido a sequência de troféus mais infinita do Universo. – Exijo exclusividade.
Raito já se sentia prestes a contra-argumentar quanto àquilo, alegando que por conta de Misa –sua suposta namorada- a exclusividade não poderia ser tão concretizada assim...O que seria uma provocação a mais numa lista com mais um milhão que gostaria de poder entregar ao detetive.. Mas no mesmo momento em que usá-la, L o surpreendeu, terminando de ajustar as contas com sua gravata e camisa e simplesmente decidindo unir seus corpos, suas pernas, suas peles, e a boca... em seu mamilo esquerdo.
As mãos do rapaz, que antes estiveram apenas inertes, involuntariamente contornaram aquele corpo próximo ao seu, dedilhando suas costas esguias, e empurrando-o até que ele estivesse o mais perto que as Leis da Física conseguiam permitir.
A contorção que o acometeu pela diferença de temperatura entre sua pele e a língua de L foi quase insignificante, se comparada ao grunhido que lhe escapou pelo detetive estar sugando tão esfomeadamente aquela região demasiado sensível, tornando-a rija.
O conceito de “Marca” estava realmente sendo redefinido em sua mente... Mas quem L achava que era para ter o direito de aplicar sucções tão pesadas e mordidas tão ariscas naqueles locais?
Pela forma doentia com que ele foi descendo, beijando, sugando, lambendo e mordendo, toda a extensão de seu peito e tórax, alguém muito, muito importante...
Durante meio segundo, Raito chegou a considerar a hipótese de L o estar confundindo com um pedaço de bolo. E era o que queria, quando deu inicio ao jogo na noite anterior...Mas não era para Ryuuzaki estar descontando o preço assim, daquela maneira... Yagami nunca havia se sentido tão subjugado e impotente.
E só com meras preliminares!
Agora era a hora certa. Tinha de fazer algo urgente que mudasse isso ou...
Tarde demais. Suas ideias foram brutalmente interrompidas pela corrente elétrica que o atravessou assim que os lábios de L desceram em uma região perigosamente mais baixa.
—Ahn... –O gemido escapou de surpresa. Porque o contato mais breve já foi capaz de fazê-lo entrar num limbo desprovido de lógica, e sentir-se aflito ao noticiar que seu único e maior desejo daquele instante era apenas que aquilo não cessasse.
E, ah, por sorte não cessou. A língua macia e úmida de L deslizou pela glande, provocando-lhe arrepios e espasmos.
Mas sabia que era desejar demais que ele continuasse atendendo a seus desejos secretos, sem cobrar um preço. Um alto preço.
Aquilo era somente um petisco, algo totalmente vagaroso... Que o tirava do sério, simplesmente.
Raito tinha perfeita noção de que era somente para torturá-lo e fazê-lo implorar por mais. Ryuuzaki próprio já declarara que queria vingança. E conforme resistia, o jeito de provocar ia mudando... Ora ele movia a língua em torno do fastígio...Ora pressionava levemente com os lábios e escorria os dedos...
Era tão quente... Tão lento...
—Ahhh...Vá mais depressa com isso, Ryuuzaki! -Não sabia quanto tempo conseguiria aguentar, sem apoiar as mãos na cabeça do detetive para fazê-lo sugar ou ir mais rápido... Precisou dizer. E era isso que ele queria ouvir, não era? Raito sabia que, por questões de honra, não poderia ter cedido... Não quando a ideia inicial de jogar assim havia sido sua... Mas aquela teimosia de L estava conseguindo despistar totalmente seu controle.
—Como é que é, Raito-kun? – Yagami nunca odiou tão tanto o divertimento, quanto no momento em que o ouviu estampado no tom de voz de L, logo após ele lhe afugentar os lábios de leve.
—Argh, não se faça de tonto. Eu mandei você ir mais rápido!
—Mandou? Tsc, tsc...Ninguém me manda faz...
—Pedi. –Corrigiu a contragosto, depois de compreender rápido demais aonde ele queria chegar. Não importava. Estava apenas excitado e ansioso demais para deixar que aquela discussão se prolongasse. –Que seja, detetive maldito. Digo o que diabos você quiser que eu diga pra você, mais tarde! Agora... –Seu tom era inebriado. -Apenas...Continue com isso. –Tomou fôlego para olhar abaixo, e só então foi capaz de visualizar o olhar enfadonho e incisivo que L lhe enviava. Subitamente se lembrou de adicionar um último detalhe. –Ah. Por favor...
Yagami aproveitou também para fazer sua melhor expressão de chantagem. Argh. É, com direito a biquinho e tudo mais.
Seu único e real objetivo naquele instante era persuadir L a fazer.
Er...É claro que seu foco deveria estar sempre no plano B, mas não contava que fosse ser submetido a uma dose intensa de ‘tortura’, capaz de fazê-lo se esquecer de tal fato.
E não era como se aquilo não ajudasse, também, que ele e L aprofundassem suas relações físico-sentimentais...
Uma riso inesperado, não-familiar, que nunca poderia soar mais irritante ou menos provocativo aos ouvidos de Raito, sonoramente inundou o ambiente.
—Ok, ok. Eu vou continuar. Você não precisava ter feito essa cara de cachorro que caiu da mudança, Raito-kun... – O riso de L transformou-se num sorriso –era adversa demais a imagem dele sorrindo- e ele logo estava descendo os lábios novamente... -Afinal...Não é como se eu fosse fazer isso sem tirar nenhum proveito.- Ryuuzaki disse num tom de voz baixo demais, provavelmente para só ele mesmo escutar. O que não deu certo, pois Raito também ouviu, e estava se perguntando o significado por trás disso. Mas o detetive não lhe deu tempo, e logo voltou a abocanhar seu membro -todo ele- dessa vez, com muito menos ‘tortura’.
Passou a sugá-lo intensamente, com mais vontade do que seria possível pressupor, indo com a cabeça para trás e para frente e tentando executar a manobra com nada mais menos, nada menos que perfeição.
—Ahn...-O garoto, que até então estava meio arrebatado, mas estável, teve de comprimir os olhos com força e tentar ignorar uma onda de espasmos e contorções que começaram a tomar conta de seu corpo inteiro, da cabeça aos pés. — Ahh...Ahh...Isso! M-mais rápido!... Não pare!
L não sabia o porquê Raito estava tão preocupado. Ele não iria parar. Não só por ser ele quem estava gemendo como uma garotinha agora... Mas também, porque aquilo era bom, aquela subjugação era boa...Sempre achou que quem pagava era quem se sentia humilhado, mas muito pelo contrário. Raito estava enlouquecendo em suas mãos –ou boca, naquele caso- e sabia que não era fingimento, pois seria impossível demais para qualquer um, se contorcer ou gemer daquela forma...
Seria o tão perfeito Kira, imperfeito nesse aspecto, afinal?
Ryuuzaki podia parar naquele exato instante. Impedi-lo de atingir o ápice, ou qualquer coisa mais cruel que pudesse lhe ocorrer...
—Ah...R-Ryuuzaki...- Mas não iria fazê-lo, simplesmente. Ouvir seu suposto nome sendo murmurado por Raito somente colaborou para que se sentisse ainda mais excitado. Cada gesto dele correspondente às suas sucções o deixava mais duro, com o que sobrara das roupas irritando profundamente.
Não havia nada que queria mais naquele momento do que senti-lo se desfazendo em sua boca... Vê-lo sendo entregue diante de seus olhos... Como ele havia feito, opostamente, outrora.
Retribuindo da mesma forma.
E não era como se não fosse interessante... Ver que tudo o que lera até aquele momento sobre aquilo, não podia nem se comparar... Seu coração estava acelerado. Fora do ritmo. Mas o que o consolava –e recompensava- era saber que o do outro também estava. E muito.
Dançou nele com os dedos, e aplicou nele uma sucção bem generosa, muito mais forte que todas as outras e reforçada por sua língua... Aquilo foi capaz de fazer Raito, prestes a entrar no estado de clímax, cravar as unhas com desespero nos seus lençóis... O ambiente ficou preenchido com o som do tecido rasgando, mas isso logo foi abafado por um último gemido dele –e como era bom poder ouvi-lo gemer.
—Ahhhhhhh...-Foi também o mais longo e extasiado.
Simplesmente não dava para ser irreal. Foi tudo o que conseguiu fazer L pensar que toda a coragem e ousadia que tivera para fazer seus planos valeram realmente a pena.
E também o fez dar um sorriso malicioso, que comicamente, logo contrastou com o sêmen que o garoto havia despejado, ao atingir o ápice, em sua boca.
Ela estava suja.
Suja dele.
Mas daquela forma, até dava para acreditar que era chantilly. Sabe, também era de seu feitio se lambuzar com o doce, e depois limpar tudo –fingindo ser higienicamente correto- com as costas da mão.
Ryuuzaki levantou-se –havia se ajoelhado no chão ao descer para o membro dele- para ter o prestigiado vislumbre da situação de seu rival, após aquilo. E para sua alegria, Raito estava num estado completamente deplorável...
Duvidava que pudesse ter parecido pior, na noite anterior. Ofegante, de olhos cerrados, suando. Quase parecendo derrotado.
Ele provavelmente nunca iria adivinhar que a verdadeira diversão –ou verdadeira vingança- estava somente prestes a começar...
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