O Plano B

7 VI - It Is Not Only You Who Are Making Evil Plans.


Notas iniciais
Yooo, minna-sama! ^^ Sim, eu sei que demorei horrores para postar. Mas é que eu tinha que rever completamente as ideias de plano B...Eu sou muito perfeccionista, e quero que tudo saia ajeitadinho e fiel com o que eu imaginei. Mas em compensação estou postando um capítulo com quase 4000 palavras. Não dá pra reclamar, né? :D Enfim, não sei se vocês vão gostar muito...Aos pervs, o lemon é só no próximo, mesmo! Gomen! Mas vai ser bem intenso, para compensar haha :3 Só tenho que dar meus agradecimentos especiais a Danoninha,à Gih, e à Isa, que sempre me estimulam a escrever mais... Afirmar que fiquei muito muito muito feliz com a recomendação que recebi da Danna! Foi uma das mais lindas e bem escritas que já recebi e que me senti muito honrada! *--* E agradecer aos leitores novos, que me deixaram reviews lindos e felizes: Bluee, Hewlett, Bytesot, e Bernarbruno!♥ Ou seja, me sinto muito grata à todos vocês! Obrigada por tornarem os meus dias mais felizes! Espero que gostem do capítulo e que tenham uma boa leitura! *--* E como sempre, sou vagabunda, e não revisei :P Relevem eventuais erros.

Raito perdeu a conta dos minutos que passou ali, deitado na suntuosa cama de seu aposento privado, apenas contemplando o nada enquanto ouvia a música do silêncio e navegava em seus próprios devaneios...

Só sabia que havia sido muitos.

O sorriso que dava ao vazio naquele instante era um misto de alegria, ceticismo, realização, vitória...

Mas o que mais se sobressaltava mesmo, era a sua felicidade. Sim, Raito estava feliz. Muito, muito feliz, diga-se de passagem.

E com razão.

Afinal, o plano que havia elaborado em menos de alguns minutos, contra L...Mostrara ser um perfeito sucesso!

E nem adiantava negar.

As reviravoltas que Ryuuzaki havia tentado dar, com joguetes e palavras, estratégias para diminuir seu êxito... De nada serviram, pois ao fim de tudo, a única coisa que Raito pode fazer fora apenas concluir que não podia ter dado mais certo.

Até se sentiu um pouco estúpido, no começo, por ter se subestimado e achado que poderia acabar falhando...

Raito nunca falhava.

Havia nascido para ser um vencedor.

Nas poucas vezes que errara, fora porque alguém havia desempenhado um papel diferente do esperado...

Como por exemplo, o que aconteceu com seu plano A, e que tinha culminado na urgência de inventar um plano B.

Em seu plano A, Raito havia feito os assassinatos continuarem, logo depois de Higuchi morrer. Naquele momento, queria que as suspeitas de haver um novo Kira apontassem diretamente para Misa. L logo notaria e usaria todas as táticas para poder provar que era ela em ação, e que ela havia sido de fato o Segundo Kira. Testaria o Death Note, e veria que a regra dos 13 dias era falsa, então Misa seria incriminada – e ambos os seus passados como Kira confirmados e ambas as suas inocências confiscadas.

O plano A tratava-se de pressupor que Remu interferiria nessa parte, matando L antes de ele tomar medidas que levariam à morte de sua garota. Mas a Shinigami não o alertara anteriormente que se tivesse que se sacrificar para salvar Misa, iria leva-lo junto para o outro mundo. Apenas na hora H ela revelou que não faria o que ele queria.

Ou seja, essa omissão foi o que fez tudo dar errado.

Agora, não só era péssimo que os assassinatos de criminosos tivessem voltado a acontecer, como tinha de impedir que L testasse o Death Note e descobrisse tudo. Quando a Regra se comprovasse falsa, tudo de pior aconteceria...

Basicamente, seu plano B tinha de ser criado, e de funcionar, o quanto antes possível.

Era uma questão de vida ou morte.

Por sorte, nunca poderia ter imaginado maneira mais eficaz de agir do que mexer com a parte fraca de L.

A parte dos seus sentimentos.

Ele já estava totalmente inebriado fisicamente. Tentara negar, naquela discussão que tiveram... Mas ele havia cedido, havia entregado sua confiança... E nada nem ninguém poderiam apagar isso.

Estava tatuado no passado, simplesmente.

L dissera com a maior pose de orgulho que nada daquilo interviria em suas suspeitas ou no Caso Kira. Consequentemente, quisera dizer que mesmo que se unissem fisicamente e emocionalmente – admitindo que fora uma surpresa vê-lo confessar que conseguiria tocá-lo emocionalmente- estaria imune de todos os perigos. Mas Raito sabia que não era bem assim...

Ryuuzaki estava andando numa corda bamba, muito mais próximo do perigo do que poderia querer notar.

Yagami sabia que podia tocar o detetive em sua parte mais profunda, e afetá-lo de formas que ninguém jamais conseguiria. Podia arrancar a inexpressividade dele. Vira isso no reflexo de seus olhos, enquanto o beijava bem lentamente e dizia estar apaixonado...

Mesmo sendo tão óbvio quanto o azul do céu o fato de que não estava.

É.

Que tipo de idiota se apaixonaria por seu pior inimigo???! Podia até desejar Ryuuzaki (um pouquinho só!), como fora capaz de notar aquela noite... Mas paixão? Amor? Pff. Preferia deixar esses sentimentos para L. Sabia que o detetive queria –e muito- acreditar em sua paixão e em suas mentiras... E logo não seria mais capaz de continuar a resistir.

E quando o tivesse completamente apaixonado, seduzindo-o e dizendo que também estava apaixonado, o teria na palma da mão. E teria também seu nome e sobrenome.

Porque se assim não fosse, teria de acabar com L de outra forma. Uma forma que não necessitasse de nome nenhum.

Era sujo, mas o único jeito.

Aparentemente o detetive ainda não havia associado –ou tinha preferido não dizê-lo em voz alta- a volta dos assassinatos com a liberdade de Misa. E também não tinha dito nada sobre testar o Death Note com as próprias mãos.

Nas semanas que se decorreram, em que ele pedia para que investigassem o Caso juntos na madrugada, ficavam apenas tentando notar alguma frequência ou irregularidade na maneira de assassinar... Se os criminosos que morriam eram dos padrões anteriores ou dos padrões de Higuchi. Debatendo sobre o porquê de Higuchi ter morrido naquele momento.

Um perfeito tédio, já que Ele havia matado Higuchi, e Ele é quem havia mandado Misa matar os criminosos, todos que não estivessem arrependidos.

E também uma perfeita frustração, porque sabia que L não falava tudo o que pensava, apenas o mantinha ali para vigiá-lo... Não queria lhe dar a verdadeira liberdade, mas também não queria trata-lo como inocente, como uma verdadeira ajuda no Caso...

Ele próprio havia feito a Confirmação naquela noite, de que ainda cultivava suspeitas.

E este era o principal problema.

Queria ver como continuariam investigando com o caso, nos dias que se sucedessem àquele... Será que continuaria aquele tédio total? ... Será que deveria sugerir suspeitar de Misa, já que ele ainda não o havia feito?

Não, isso não... Seria desviar o foco para um lado errado e muito arriscado.

O correto mesmo era continuar esperando... E efetuando positivamente o Plano B. Pois tudo o precisava mesmo era que esse Plano fosse ser seguido por uma onda de consecutivos sucessos. Que tê-lo aquela noite fosse só o primeiro deles!

E assim, imaginando uma nova estratégia para deixar o coração de L acelerado e arrebatado, na manhã seguinte... Yagami Raito acabou adormecendo. Sem sequer considerar que, há algumas paredes de distância, havia um detetive furioso e sedento de vingança... Que também era capaz de elaborar planos tão perversos quanto os seus.

x-x

Sexta-Feira. O Dia seguinte. 9 horas e 23 minutos da Manhã.

O detetive L estava encurvado sobre a mesa da central (que, por sinal, lhe trazia algumas lembranças não exatamente agradáveis da noite anterior) terminando de providenciar um embrulho tosco para um DVD, com algumas folhas sulfite e com plástico.

Estava sozinho, e dava graças aos céus por isso, pois só desprovido de companhia é que fora capaz de pegar as gravações – sem muito estômago para analisa-las, ainda- de todas as câmeras da Central, nas primeiras horas da madrugada, e exprimi-las inteiras naquele único DVD.

Naquela única cópia original.

Argh.

Só de pensar que da Sala de Watari, poderia se ter tido uma visão completa daquelas imagens, na noite passada, sua garganta acumulava um bolo interminável de angústias — e sua mente se perguntava como fora capaz de ser tão irresponsável.

Eu não fui responsável. Lawliet é quem foi. Ele é o idiota que se deixou levar. Sua consciência brigava consigo mesma, mas era inútil, pois L tinha ciência de que Lawliet era uma parte de si, e desprezar essa parte, era o mesmo que desprezar a si próprio...Algo que, definitivamente, não estava em condições de efetuar, naquele momento.

Ao menos, podia se conformar, agora, com a sensação de que tudo estava acabado.

As únicas provas de suas infrações estavam naquele DVD, agora totalmente embrulhado com papel A4 e plástico. E só seriam assistidas se quisesse, ou se julgasse ter fôlego o suficiente para aguentar.

L segurou com as pontas dos dedos sua obra-prima, e analisou-a, feliz, por alguns instantes. Satisfeito, por ter sido tão fácil apagar seus vestígios delinquentes... Todas as provas de sua humilhação a Yagami Raito.

Mas justamente nesse instante único de vitória, L acabou por ser surpreendido, com dois braços quentes familiares o envolvendo pela cintura.

Assustou-se tanto que acabou derrubando o próprio DVD em qualquer lugar desprotegido do chão, e deu um pulo tão alto que até os gatos mais capazes lhe sentiriam inveja.

Argh.

O risinho que se sucedeu ao incidente não poderia ser mais irritante, idiota ou previsível, e tudo que L pôde fazer naquele instante foi grunhir furioso, muito mais irritado do imaginava que poderia ficar ao ser surpreendido por alguém.

—Yagami!!! –Protestou em sua coléra. Como não podia ter percebido a sorrateira aproximação do rapaz?! –O que é que você pensa que está fazendo?!

O timbre irritado que não conseguiria refrear, só havia servido para estimular Raito a deixar aquele abraço em seu corpo, ainda mais apertado. Se é que isso era mesmo possível.

—O que estou fazendo? –O imbecil, apenas permanecia rindo às suas custas.–... Queria apenas te dizer bom dia, da melhor maneira possível. –Como se tivesse todo o direito, Raito aproximou os lábios gélidos de sua nuca, e pressionou-os ali. Um toque tão singelo, que L teve de fechar os olhos para reter a raiva, e morder os lábios para conter os palavrões que se acumulavam em sua garganta ao senti-lo. –Assim...-Ele então tirou os lábios de sua nuca, mas só para poder mordiscar de leve o lóbulo de sua orelha, tentadoramente, e então soprar em seu ouvido num murmúrio arrepiante. –Bom dia, meu Ryuuzaki...

—BOM DIA, PESSOAL! –Quase como se tivesse ouvido o que Raito dissera, a voz corta-clima de Matsuda simplesmente irrompeu pela sala, como se ele tivesse simplesmente se materializado ali. Precipitadamente, o garoto afastou seus lábios da pele de L, e o soltou, mas não rápido o suficiente para que, ao aparecer na sala, o agente não tivesse tido a impressão de vê-los abraçados de uma maneira esquisita, e ficado boquiaberto com isso. A expressão não tão inexpressiva de L e sorriso forçado de Yagami também não contribuíram nada para forjar uma cena natural, quando Matsuda começou a encará-los, um tanto quanto constrangido. –Er... Ryuuzaki... Raito...Por acaso vocês estavam...hm...abraçados?!

L lançou um olhar do tipo “se eu tivesse o poder de incinerar com os olhos você não passaria de cinzas agora” para Raito, e subitamente pareceu se lembrar de que tinha um assunto muito importante a tratar com o chão, abaixando-se nele. Automaticamente, transferindo para Raito a esplêndida tarefa de oferecer as devidas explicações a um Matsuda que não poderia estar mais sem-graça naquele instante.

—Er...Bom dia, Matsuda! Então...Sim! Eu estava ...hm, cumprimentando o Ryuuzaki aqui, porque.... –L era um babaca. Só sabia ficar calado, abaixado e inútil quando a situação se complicava. Ao menos, tinha a arte de selecionar mentiras boas nesses momentos de tensão...Mas estava hesitando mais do que o normal. Argh, que situação mais podre. Não estava no script serem interrompidos por Matsuda, bem nessa hora H! -Nós dois acabamos de tirar ótimas conclusões sobre o novo Kira que está em ação!

—É??! Sério mesmo?! –Felizmente, Matsuda logo pareceu estar bem aliviado, como se a mentira de Raito fosse completamente crível, embora parecesse mais que ele nem queria considerar a hipótese de ser algo diferente disso. –Nesse caso...Que bom! Vocês são geniais! Estou ansioso para ouvir essas conclusões!... Ei...chefe! Descemos no momento certo! Ryuuzaki e Raito acabaram de tirar conclusões sobre o novo Kira!

Passos na escada anunciaram o Sr.Yagami descendo as escadas, e Raito teve de engolir em seco por isso. Talvez L tivesse um pouco de razão com toda sua raiva...Não era mesmo muito sensato efetuar “ataques” aquela hora da manhã.

—Já disse que não sou nenhum chefe, Matsuda. –Repreendeu Soichiro, ajeitando os óculos enquanto irrompia pela sala.

—Desculpe. É que é difícil de me acostumar.

Soichiro, como sempre, apenas o ignorou, caminhando pela sala até alcançar Raito.

—Raito... –Chamou o filho, assim que o viu, sorrindo de uma maneira muito convincente. –É verdade isso sobre Kira?! ... Onde é que está Ryuuzaki?

—Estou aqui, Yagami-san. –O detetive surgiu dos arredores do chão, segurando um objeto circular encapado entre os dedos. –Raito-kun...o que é que você tem a dizer ao seu pai?

Era impossível não notar algo de peculiar nessa pergunta de Ryuuzaki, enquanto ele olhava para Raito como se estivesse empurrando uma grande pressão sob seus ombros.

Além disso, no canto dos lábios do detetive, havia um sorriso estranho...Como se ele quisesse ouvir bem que tipo de mentira Raito era capaz de inventar em situações críticas como aquela a que haviam sido submetidos.

—Ahn, sim, é verdade, Pai. Nós tiramos algumas conclusões... Mas acho que Ryuuzaki pode explicá-las melhor...Não é mesmo, Ryuuzaki?

Raito piscou.

Mas L não retribuiu com nem metade se sua empolgação. Muito pelo contrário. Devolveu o olhar dele, incriminando-o, e tudo que o garoto fez foi dar de ombros, e forjar uma expressão inocente.

Quem ele achava que era para repassar a responsabilidade de sua mentira? Que infeliz... !

Mas vendo por outro ângulo, até poderia ser melhor, pois Raito poderia acabar dizendo coisas que o contradiriam, futuramente.

—Sim.

—Explique então, Ryuuzaki. Por favor. Qualquer coisa relacionada à Kira é de extrema importância para mim.

—E para mim! –Matsuda interveio, exultante. Não que isso não fosse normal de sua parte, é claro.

—Seria sensato chamar Mogi também?

—Hmmm...Acho que sim. – Ryuuzaki finalmente teve uma boa ideia sobre como despistá-los. –Na verdade, tenho algumas tarefas para atribuir a vocês.

—Aahh, que bom! Eu quero ser bem útil na investigação!

—Ótimo! Pode começar buscando o café.

—O quê???! –O pobre Matsuda quase teve um infarto com as palavras incisivas de L. -De novo essa história de café, Ryuuzaki?

—Sim. E o açucareiro também, por favor.

—Ahn...-Resmungando, Matsuda abandonou-os para ir buscar o café.

O pai de Raito aproveitou o instante para inquirir algo que sua perspicácia havia notado assim que Ryuuzaki ressurgira estranhamente daquele chão.

—O que é isso que você está segurando, Ryuuzaki?

—O quê?...Isso daqui?—Aquela foi a primeira vez que o Sr. Yagami viu o rosto perfeitamente pálido de L mudar para um tom um tanto mais avermelhado. –Er...Nada não. Nada que seja importante.

Depois de alguns segundos encarando o embrulho suspeito de L, e notar seu formato circular, Raito finalmente deduziu do que poderia se tratar...E inevitavelmente, um riso de divertimento escapou por entre seus lábios...Seria por isso que ele estava tão tenso quando o pegou de surpresa naquela manhã?

—Voltei, Ryuuzaki. –Matsuda voltou mais rápido do que o esperado, segurando uma bandeja com cinco xícaras de café, e um açucareiro quase transbordando de cubinhos brancos. -Encontrei Mogi-san no caminho e pedi para ele me acompanhar.

O ex-policial acompanhava Matsuda com uma expressão sonolenta, mas inteiramente determinada.

—Que ótimo. Vamos nos reunir aqui. –Ryuuzaki apontou para os sofás próximos a escada, que contornavam uma pequena mesa, utilizada postumamente por Matsuda, para apoiar a bandeja.

L caminhou vagarosamente, até poder se acomodar no sofá menor. Aquele, que só tinha lugar para dois.

Mas mesmo assim Raito o seguiu, determinado a sentar-se ao seu lado, e não parecendo nem um pouco incomodado quando seus ombros roçaram no ato, já que Ryuuzaki tinha de sentar à sua maneira.

Incrível como tinha uma vontade enorme de chutar Raito, só por encarar o implícito sorrisinho cínico que ele sempre parecia carregar no canto esquerdo do lábio. Era melhor fingir que ele não estava lá... Apenas para não deixar transparecer nada além de inexpressividade enquanto estivesse relatando os fatos.

Depois de estarem todos acomodados, e do silêncio pairar por alguns segundos no ar, Matsuda, ansioso como sempre, simplesmente apressou aquela equação.

—E então, Ryuuzaki? Quais são as conclusões sobre o novo Kira?!

O ar de curiosidade de Matsuda parecia contaminar até o oxigênio que respiravam.

L suspirou.

Cravou os dedos do pé no sofá, enquanto se debruçava para pegar sua xícara de café... Não sem antes por cubinhos de açúcar suficientes para massacrar meia centena de pâncreas, é claro.

Bebeu tudo em dois goles só.

—Não se exalte tanto, Matsuda. Não é nada de extraordinário, para dizer a verdade. –É claro que não era extraordinário. Primeiro, porque aquela fora uma grande mentira de Raito, para disfarçar. Segundo, porque as verdadeiras investigações, não estavam ali naquela Central de Investigações, e muito menos sendo compartilhadas. Mas era bom atribuir serviços a eles, e fingir que estavam trabalhando no caso, com muita especificidade. Bem útil, agora que precisava ganhar tempo, mais algumas semanas, para tudo correr conforme planejado. –Eu e Raito-kun trabalhamos muito ontem à noite no Caso Kira.

Ryuuzaki sentiu Raito se mover ao seu lado, como se estivesse controlando os próprios risos, e perguntou-se se ele não seria capaz de engolir essas reações instintivas, já que era tão bom em fazer sua performance de garoto inocente e apaixonado.

Ah, eles até haviam trabalhado mesmo...Antes, é claro, de Ryuuzaki subitamente perguntar o que Raito estava pensando e resultar naquilo tudo.

—Não duvido de que tenham trabalhado muito. –Alegou Soichiro. — Estão passando muitas madrugadas insones. Tem certeza de que está tudo bem, Raito? Você parece bem cansado.

—É tudo por um propósito maior, Pai. O sono é realmente irrelevante, quando posso passar o meu tempo trabalhando com Ryuuzaki...

L tentou interpretar todos os duplos sentidos que havia naquela frase de Raito, aparentemente descontraída, mas acabou desistindo, notando que poderia acabar virando um pimentão e estragando tudo, só de parar para pensar.

—Uhn, obrigado, Raito. Acho. Enfim, o fato é que depois de muitas pesquisas...Acabamos concluindo que o método de matar desse Novo Kira é muito semelhante ao do Primeiro Kira. Ambos só matam criminosos realmente “maus”, e não qualquer um que seja noticiado por aí. Agora sei que o primeiro Kira não pode ter sido Raito, como pressupus de início, por conta daquela Regra dos 13 dias...Então só podemos concluir que há outro Death Note no mundo dos humanos, e ele está em mãos do primeiro Kira que estudamos inicialmente. Este, que não era Higuchi, pois Higuchi tinha outro método de matar, e matava em prol da Yotsuba. –Hm...Blábláblábláblá. Ryuuzaki sentia muito em ter de mentir sobre suas verdadeiras conclusões, colocando em pauta aquelas deduções convincentes –mas totalmente furadas- apenas para despistá-los, e enganar Raito também, fingindo que não concluíra nada diferente disso.

Pela primeira vez, permitiu-se desviar os olhos para ele, com a periférica. Será que seus planos estariam funcionando?

—Então você não desconfia mais nem um pouco de Raito, certo? –Perguntou o Sr.Yagami, parecendo soar feliz.

—Não. São as Regras do Death Note... –Mentiu. A única mentira que Raito sabia que era mesmo mentira.

—Isso é ótimo! E essas conclusões são surpreendentemente excelentes.

— Nada diferente do esperado de Ryuuzaki e de Raito, trabalhando juntos! –Exclamou Matsuda.

—Mas onde nós entramos nisso, Ryuuzaki? – Quis saber Mogi, que também estava instigado sobre onde àqueles rumos de conclusões iriam conduzi-los.

—Simples. Quero que confirmem tudo isso que falei, por mim. Quero que listem todos os assassinatos de criminosos em cada localidade e identifiquem mortes suspeitas, que possam ser relacionadas ao caso. Somente se os padrões baterem eu poderei concluir que se trata mesmo do primeiro Kira.

— Mas isso pode demorar algumas semanas, Ryuuzaki. São muitos assassinatos. –Pontuou Soichiro.

—Eu sei disso, Yagami-san. Por isso atribuo a vocês em conjunto, toda essa tarefa. Falem com Watari, pois ele irá ajudá-los a obter tudo o que precisam, e a fazer os relatórios para mim. –Todos eles assentiram para L, que se permitiu dar um semi-sorriso, mesmo que tal gesto lhe fosse totalmente anormal. Estava contente por poder contar com eles...Mas o melhor de tudo, é que nem se sentia mal por estar sendo mentiroso e omisso. Isso só podia ser um sinal de que sua frieza ainda permanecia tão intacta quanto antes. E agora sim, tinha o caminho totalmente livre para que pudesse agir. Subitamente, voltou a repousar sua xícara na bandeja, e se ergueu do sofá, num gesto totalmente rígido. Todos passaram a encará-lo, como se tivesse algo de importante para anunciar. Mas esse anúncio só por importava para um único alguém dali. -Tenho alguns assuntos particulares a tratar com você, Raito-kun. Será que se importa de me acompanhar?

Não olhou para Raito quando fez a questão, preferindo apenas permanecer de olhos vazios, com o polegar repousando nos lábios, enquanto respirava fundo e encontrava a coragem necessária para continuar com o que havia planejado.

Logo sentiu o ar se locomover perto de si, Yagami levantando quase na velocidade da luz.

—O que você quiser que seja, será, Ryuuzaki.

L riu por dentro.

Será que essa assertiva de Raito se estendia a todos os limites de oportunidades?

—Siga-me, então. –Declarou, simplesmente, colocando as mãos nos bolsos, e se curvando para andar, ainda sem se dar ao trabalho de dirigir a Raito um olhar mais demorado.

Tinha a completa noção dos outros ao seu redor, observando, um tanto quanto curiosos. Gostou de driblar os obstáculos até alcançar as escadas, sendo seguido por Raito, como se ele fosse apenas um cachorrinho.

—Vocês vão demorar muito, nesse assunto, Ryuuzaki? – Quis saber o Sr.Yagami, sem conseguir disfarçar que estava instigado.

—O tempo que for necessário. Mas podem assumir o controle dos painéis. Não nos esperem para começar...

Ryuuzaki lhes deu uma piscadela final. E finalmente, eles pareceram tomar ciência do gesto como um incentivo, logo passando a se organizar, distribuindo-se nos setores dessa nova tarefa, totalmente administrada por Soichiro.

Só depois de se sentir satisfeito em ver isso, L começou a subir as escadas, com Raito em seu encalço.

Sentiu-se contente por notar que, enquanto os outros ainda podiam ouvi-los, o garoto preferira apenas permanecer calado, e somente quando alcançaram o hall, e caminharam até estar perto do elevador, é que fora realmente capaz de chamar sua atenção.

—Ei, L. –Argh. Raito não podia adquirir o péssimo ato de chamá-lo de L. Não era seguro... E era um vocativo muito particular. Mesmo assim, resolveu não interferir. Estava curioso para ver o que o garoto tinha a lhe falar. –Por que é que permitiu que eles tomassem o controle dos painéis? Eles poderão nos ver aonde quer que você me leve, agora...

L sorriu mentalmente, enquanto girava seu embrulho do dvd nos dedos, para se distrair. Então quer dizer que Raito já estava presumindo que não iria querer câmeras os filmando enquanto estivessem tratando daquele “assunto particular”?

Hmm...Havia se esquecido do quanto ele era perspicaz.

—Não exatamente. –Alegou, enquanto chamava o elevador com um breve pressionar do indicador no botão. –Porque no lugar aonde eu vou te levar, nunca foi instalada câmera alguma.

Essa foi a primeira vez que se permitiu fazer uma longa análise direta de Raito. Desviou os olhos para ele, indiscretamente, e encarou-o da cabeça aos pés...Lentamente. E conforme ia olhando, mais Ryuuzaki se sentia obrigado a confessar que gostava do que via.

—Sério mesmo?!

O tom de voz de Raito era um veludo, completamente ansioso... E uma verdadeira sinfonia para seus ouvidos. Ele também estava realmente...elegante, vestindo aquela calça preta e camisa branca sociais, juntamente com sua gravata vermelha. Sempre irritantemente bem alinhados. Em seu rosto, havia mesclas de curiosidade, choque, e excitação. Os olhos amendoados estavam vibrantes, e o sorriso, simplesmente irresistível...

Com certeza, não podia ter escolhido dia melhor para efetuar seu troco.

—Aham.

—Mas que lugar é esse, afinal?!

O elevador fez um barulho de “Plim”, anunciando sua chegada, e abrindo as portas, automaticamente, para os dois. Ryuuzaki encarou aquilo como um sinal. Um bom, muito bom sinal...

—É claro que só pode ser o meu quarto, Raito-kun. Meu quarto...

Notas finais
Alguém tem alguma ideia do que se passa na minha mente perversa?hahaha ;3