O Plano B

6 V - Hate The Melody Of Your Laugh


Notas iniciais
Hello, minna-san! Aqui estou eu com mais um capítulo imensamente gigante para vocês... *-* Sim, já fiquem de sobreaviso. Apesar de eu demorar para postar -estou sem capítulos reserva, dessa vez ;x -meus capítulos sempre são enormes... :DD Mas também, demorei pq o número de reviews diminuiu dessa vez ~chora~..Mesmo os que recebi tendo sido divos e muito lindos ♥ Arigatou! Bem, não tem nada impróprio nesse capítulo...sinto muito aos safadinhos, mas vocês tem que se contentar. :P O próximo, porém...haha :9 ~nada de spoilers~ Enfim, espero que esteja bom. Não tive tempo de revisar! Beiijiiitos e aproveitem :D

—Tudo isso que fizemos hoje, Raito... Não muda absolutamente nada.

x-x

L parecia ser o mais perfeito retrato da indiferença.

Seria difícil demais para Yagami desconfiar que debaixo de toda aquela frieza, Ryuuzaki estava esperando ansioso que as palavras que dissera fossem ser revidadas com cólera, ou qualquer coisa forte, que pudesse alterar o comportamento de Raito até ele ser capaz de cometer alguma “loucura”. Tipo protestar em gritos, cuspir em sua cara ou sair chutando as primeiras malditas coisas que cruzassem seu caminho.

Algo assim.

Ele esperava, pelo menos, que suas palavras fossem ser recebidas com algo um pouco mais expressivo que um suspiro.

Mas aparentemente, subestimara o poder de autocontrole do garoto à sua frente.

Na verdade, as coisas não estavam nem minimamente se desviando do ramo que Raito desejava que seguissem, mesmo que L jamais fosse saber. Foi se aproximando do detetive lentamente, como uma serpente com veneno mortífero prestes a dar o bote, e em um átimo, quase avançou o suficiente para que suas respirações pudessem se entrecruzar. Quase.

Deteve-se no último segundo, pois queria provocá-lo.

—Sinto muito por romper suas felizes expectativas, Ryuuzaki. Mas eu vou precisar discordar dessa vez.

—Eu...

Você pode continuar fingindo ser o bloco de gelo que eu sei que você não é. Não importa. Mas para mim, o que nós dois fizemos... Muda tudo.

L piscou.

Uma, duas, três, quatro vezes.

Perdeu a conta.

A voz de Yagami era só um murmúrio, mas enchia seus ouvidos como meia centena de autofalantes. Tentava ignorar que aquela proximidade de seus rostos conseguia esquentar suas veias drasticamente.

Mesmo sabendo que Kira podia ser completamente dissimulado a ponto de forjar as próprias emoções, como emoções tipo aquelas podiam ser introduzidas nas palavras, apenas por teatro? Raito merecia ganhar um Oscar.

—Você não perguntou ao que o meu “nada” se referia. – Ryuuzaki pegou-se dizendo, de repente.

—E precisava perguntar?!

—Sim. É claro que precisava.

Sem identificar o porquê, L abriu um meio-sorriso . Imaginou que isso pudesse deixar o outro frustrado, mas não imaginava que tanto. Agora sim, Raito realmente parecia determinado a chutar cada maldita coisa em seu caminho.

—Vai querer dizer então, Ryuuzaki, que você não está deixando subentendido que é um daqueles tipos frios para os quais os resultados da atração física não representa nenhum perigo?...- Yagami afastou-se, enquanto seus olhos rolavam, freneticamente. — Ou melhor, vai negar estar afirmando que, independente do que eu faça, ou do que façamos você não vai se deixar envolver emocionalmente comigo?

Por um instante o “não, não vou negar” ficou serpenteando pela língua de L quase tão ansioso para escapar, quanto Raito estava para concluir que suas pressuposições estavam certas. Sem dúvida, L fugiria, em qualquer outra situação... Correria do óbvio, para dentro de suas muralhas, para dentro da fantasia de bloco de gelo. Mas soava-lhe tão covarde e enternecedor agora, que tinha que concordar internamente com o cruzar de braços em sussurros de “patético” de Raito.

Não queria ser o patético, daquela vez.

—Vou negar, sim. Eu sinceramente não estava querendo dizer que isso não mudou ou não mudará os meus sentimentos...por você. Quando eu disse que isso não mudava “nada”, quis dizer que isso não altera nenhum aspecto de uma só coisa.

Quê coisa?!

Suspirou.

Essa era a parte mais complicada de tudo aquilo.

—Nada disso pode interferir em minha investigação sobre o Caso Kira.

3,2,1...

Nada.

Se Raito havia ficado decepcionado com a alegação, não deixava transparecer em seu comportamento. Nem um pouco.

—E por que você acha que eu acharia que isso iria interferir?!

Se bem que, não deixar transparecer, talvez fosse algo que Kira fizesse muito bem.

—Acho que você é dedutivo o suficiente para saber o porquê.

—Mas Ryuuzak...

—As coisas nos ramos físico-afetivos podem até parecer mudar entre nós, Raito-kun. –Parecer, não. Elas já haviam mudado. Muito. — Mas aviso de antemão que nada vai fazer minhas suspeitas diminuírem sobre você.

— O quê?!

—As suspeitas permanecem inalteradas.

—Então...- O desgosto dele era óbvio, embora indecifrável. -Você está mesmo confessando que depois de todas as provas, elas ainda existem?

Se fosse um teatro, a máscara tinha de cair agora.

—Sim. Elas existem. E são bastante... persistentes.

Mas não caiu.

—Mesmo com a regra dos 13 dias?!

—É.

—E com a confirmação do Shinigami?

—Elas só se extinguirão por completo no dia em que eu colocar as mãos em Kira. Não há nada que me faça mudar de ideia. E esse é o significado do nada.

E também não parecia que um dia iria querer cair.

Silêncio.

Apenas silêncio.

—Se as suspeitas nunca vão mudar, então por que você quis retirar aquelas malditas algemas de mim?

—Estavam me pressionando. Todos eles. Se não o soltasse, Raito-kun, achariam que eu estava apenas sendo infantil e não querendo admitir o meu erro.-L continuava irredutível, embora um tanto desconfortável com fala, friccionando os dedos dos pés. -Você sempre foi a minha suspeita principal, certo? Então todos pensariam, inclusive você, que eu estava me recusando a inocentá-lo apenas para não estar errado.

—E não está mesmo fazendo isso?!

—Não! Apesar de ser orgulhoso, e detestar errar, se eu pudesse ter a certeza de que você não é Kira, seria o primeiro a inocentá-lo. Só que não posso.. Sei que se você tivesse usado o Death Note, conforme a regra, e a confirmação da Senhora Shinigami, você não passaria de um cadáver. Então continuar a suspeitar abertamente de você e mantê-lo acorrentado, não faz o menor sentido. Persistir desconfiando é ir além dos limites. E, para o mundo dos humanos normais, ir além dos limites é antiético. Só que como você acaba de descobrir, ir além dos limites não passa de uma estratégia no Mundo de L. E mesmo que você não esteja acorrentado, eu quero te vigiar. Mesmo que eu sinta algo por você, isso não mudará minhas suspeitas como detetive. Não até elas serem sanadas. Então...Desculpe-me, Raito-kun...Mas a sua inocência, para mim...É algo difícil demais de aceitar.

Yagami ouviu as explicações pacientemente. Não interrompeu, e nem fez menção de. Apenas escutou com atenção, às vezes reprimindo um suspiro, e às vezes demonstrando sua ansiedade abertamente, fazendo círculos pelo local.

Quando L terminou, surpreendeu-se ao ver o rapaz pôr os dedos nos cabelos, deixando-os escorrer pelo rosto, como se estivesse farto.

—Ryuuzaki, você é idiota?

—Ahn...?- Aquela havia sido realmente inesperada. -O que você acha?

—Eu acho sua lógica é incontestável. Sempre brilhante. Sempre certa.Mas para algumas coisas... Francamente... –Raito balançou a cabeça de um lado para o outro. -Por que é tão difícil acreditar em mim? Você confiou em mim essa noite. Você confiou em mim, sendo meu. Então, por que não pode confiar em mim quando afirmo ser apenas eu mesmo?

—Er...-Realmente, por que L simplesmente não podia confiar, quando confiara tantas outras coisas igualmente importantes? Talvez fosse um idiota mesmo, por enxergar Kira em Yagami Raito. Mas então por que as estatísticas sempre trilhavam uma seta na direção dele? Por que ele estava implorando tanto por sua confiança? Por que não podia seguir sem argumentar? -Raito. Você querer que a confiança que eu tive em você essa noite, se estenda aos arredores do Caso Kira é uma tentativa de violar minha regra de que o que há entre nós afetivamente não muda nada na realidade da investigação. E isso aumenta as suspeitas razoavelmente.

—Dane-se. — O que era aquilo no canto dos olhos de Raito? Será que finalmente encontrara a cólera que havia tanto procurado? Durou poucos segundos. — Eu vou continuar violando essa sua regra estúpida, Ryuuzaki, diga o que disser!

Tentando violar. –Corrigiu o detetive, apenas para incitar aquele sentimento a se manifestar melhor. — Desculpe, Raito-kun, mas você não vai conseguir.

Sorriu, daquela sua forma que sabia ser irritantemente certa. Queria despertar aquilo que se aproximava radicalmente com sua ideia de Kira ...Porém, a cólera não chegou a voltar. Yagami parecia ter voltado ao controle, mesmo que seus punhos estivessem cerrados. As coisas só pareciam não estar correndo como ele queria.

Mas sorrateiramente, sem que L nem ao menos notasse como, estavam próximos um do outro mais uma vez...Próximos o suficiente para que ele, ao descontrair o punho e esticar os dedos, conseguisse alcançar a pele de seu rosto...

O detetive não se retraiu ao toque.

Mesmo sendo arriscado perder todos os próprios progressos, permitiu-se apreciar o teatro de sensações que era Yagami fazer, espontaneamente, o contorno de seus lábios, como se fosse aprender alguma coisa diferente ao cruzar aquela trilha...Um toque lento, quase epiceno... só para depois segurar seu queixo, e erguê-lo.

Deviam ser da mesma altura, mas como Ryuuzaki tinha o hábito de andar encurvado, Raito sempre ganhava alguns centímetros, e a linha de visão nunca era tão paralela e direta quanto naquele momento. Nem tão profunda...Incompreensível.

Estavam tão perto, que se quisesse, L poderia estimar a temperatura da respiração que batia em sua face. Perguntava-se mentalmente como seus olhos deveriam parecer para Raito... Queria que não deixassem transparecer nada, e estivessem sempre acobertados pela frieza.

Os de Yagami lhe soavam terrivelmente ambíguos. Havia momentos em que pensava que ele seria capaz de explodir em faíscas raivosas, e momentos em que ele parecia tão doce quanto um favo de mel.

Aquilo era tão... Estranho.

Seus folículos pilosos estavam fadados à exaltação com o toque de Raito. Principalmente quando era tão espontâneo, e ao mesmo tempo tão ansiado... O pequeno beijo que roçava em seus lábios, agora, por exemplo, mal parecia ser real.

Uma pena que durou meras frações de instante.

Ou talvez não.

As palavras que seguiam tinham um sabor ainda melhor.

—Eu estou apaixonado por você, Ryuuzaki. –Yagami disse aquilo num sussurro insólito, como se fosse a assertiva mais óbvia da face da Terra, e não um peso de milhares de toneladas que ele estava simplesmente depositando sobre os ombros de L, mas de forma que o detetive sentisse-se tentado, ou até mesmo grato por ter de carregar. Ele parecia ter sempre a melhor escolha lexical para contra-atacar, ou o melhor diário de fuga, que o ajudava a escapar impune, sempre que o colocavam contra uma parede. Ele simplesmente pegava os papéis de inocência e os invertia a seu favor, mas não deixava ninguém perceber tal manobra. Nem mesmo os melhores detetives. –Apaixonado. Seu idiota. Babaca. -Ele afastou-se ligeiramente, enquanto bagunçava os cabelos de L de uma maneira totalmente pueril. Este, que quase quis retribuir com um sorriso o toque que odiaria que lhe fosse atribuído por qualquer outro diferente de Yagami Raito. –Conseguiu entender isso?

—Sim. –L simplesmente anuiu.

Havia entendido, é claro que havia entendido. Mas entender e acreditar nunca haviam sido sinônimos em sue dicionário.

Seria mesmo fácil se pudesse acreditar em Raito só porque parecia haver sinceridade suficiente para encher o pacífico, em sua voz. Poderia ser verídica, claro, mas como também podia ser a mais vil das falsidades. Enquanto não tivesse certeza, não podia abrir mão, principalmente porque não se tratava só de emoções, agora...Yagami queria interferir no Caso, sim. Modificar suas suspeitas. Quebrar suas regras.

Só que suas regras não nasciam para ser quebradas. Nunca houve beijos, sentimentos, ou toques que mudassem isso.

—Que tipo de Kira eu seria se fosse apaixonado por meu principal adversário?

—O tipo perfeito. Que mentiria na minha cara sobre estar apaixonado por mim, só para me afetar, e fazer as minhas suspeitas se rebaixarem.

Se as expectativas de Raito eram de receber um “É verdade, com certeza, você não é Kira por conta disso”, então ele realmente apostava muito baixo. Ou subestimara sua capacidade de fugir dos efeitos alucinógenos de toque.

Ryuuzaki deu alguns passos para trás, apenas para se prevenir, mas o gesto não passou limpo por Yagami.

—Claro- Imaginou que aquela cólera pudesse voltar, mas na verdade havia mais sarcasmo na expressão de Raito do que raiva, desapontamento ou qualquer outra coisa do tipo. Ele parecia estar realmente se...divertindo.– Você simplesmente se recusa a admitir que também está apaixonado por mim.

—O quê?!!! –Tudo bem. Ele acabara de vencer com aquela. Era mesmo o mais prepotente entre os dois. Só que nunca o mais orgulhoso. L nunca admitiria uma paixão como Raito havia feito, nem por mentira, nem por verdade. Nunca. -É claro que não!!! Chega a ser patético. Pareço ser tão fácil assim para você, Raito-kun?

Parecia.

O ar malicioso que os traços do rapaz assumiam só podia sugerir que ele estava se lembrando de como fora fácil fazê-lo ceder.

Argh. Devia ter parecido mesmo muito fácil, enquanto gemia embaixo dele. Porém, não era como se fosse admiti-lo em voz alta.

—Nesse caso, sinto muito desapontá-lo, Yagami-kun. Sou L, e não o seu garotinho estúpido e inseguro.

O detetive aproveitou para descontar toda a sua angústia moral naquilo.

—É claro. Mas se você não sente nada por mim, então porque ficou comigo?

—Ahn...Você mesmo disse.– L teve de ter um ataque de tosse por muito segundos antes de decidir que era mesmo o que iria querer falar. -Foi aquilo que se chama desejo. Até grandes detetives sentem, sabia?

Raito teve de reunir todas as suas forças para não rir.

—Mas nesse caso é totalmente diferente. Eu fui o primeiro, não fui?

—Como assim?

—Já havia estado com alguém antes, Ryuuzaki?

O garoto não hesitou em ser direto, erguendo as sobrancelhas cinicamente. A resposta era tão óbvia que chegava a ser ridículo, mas é claro que Yagami não perderia a oportunidade de falarem sobre aquilo, e de deixar L constrangido no processo.

—Eu... –Ryuuzaki não sabia o que dizer. Só sabia que diante de uma humilhação daquelas, não podia se deixar perder. Suas bochechas já estavam esquentando, e o sorrisinho de canto que Raito estava forjando no canto de lábio...Exigiam uma mentira urgente. –Você quer dizer sexo? É claro que sim! Não me trate como se eu fosse uma parede, Raito. Se eu pudesse ser uma parede, não tenha dúvida que eu aceitaria de bom-grado, mas simplesmente não dá e...

—E você está mentindo, lalala...

—Eu não estou. –Droga. Por que tinha de corar e tagarelar tanto sempre que queria dizer alguma mentira relacionada àquilo? Aquele maldito estava fazendo de propósito. –E de qualquer forma, não importa. Não é como se se fosse dar a você algum caráter especial apenas por ser o pr...

—Ryuuzaki. –Até que L se sentiu grato por Yagami ter interrompido, com um tom sério. Já estava reiniciando sua tagarelice, e se saísse de lá alguma coisa embaralhada, Raito faria questão de atormentá-lo perseguindo-o para o resto de sua existência com aquilo. -Alguém já lhe disse o quanto você é engraçado?

—Eu?! Engraçado?!

—Sim. Muito engraçado...

Yagami abandonara toda a seriedade quando começou a rir feito uma criancinha boba de dois anos, logo depois de pronunciar a palavra. Ele não parecia estar tender a parar, nem se alguém lhe desse um tapa ou lhe sacudisse pelos ombros.

Era um riso extremamente idiota, infantil, sarcástico, estúpido, insolente, e mais uma centena de adjetivos que poderiam dar uma lista grande o suficiente para fazer sete vezes o contorno da Terra. Mas acima de tudo, era um riso que o incomodava. Não era como se desse para concluir nada sobre seus sentimentos, e realmente não importava se Raito era o primeiro ou não, mas o garoto ria até perder o fôlego, como se fosse exatamente isso.

Pelo menos seu rubor deu lugar a ira em seu semblante.

Se continuassem assim, poderia acabar aplicando uma meia-lua de compasso* em Raito mais facilmente do que esperava.

—Ei!!! Pare de rir! Você está rindo insuportavelmente alto!

Apesar do tom dos risos ter diminuído um pouquinho, não era como se Raito estivesse prestando muita atenção em sua bronca. Parecia divertir-se ainda mais.

—Mas eu não consigo parar, Ryuuzaki...

L simplesmente revirou os olhos. Raito estava, na verdade, afirmando que não conseguia parar de ser uma babaca.

—Quer saber, você está começando a me irritar, Yagami. Vá para o seu quarto. É muito tarde, e não pense que eu vou dar descanso para as investigações por causa suas noites em claro. –L foi praticamente obrigado a aumentar o tom de voz por causa dos entrerisos dele, comprimindo os punhos para não se descontrolar. — Muito pelo contrário!

—Ah, mas eu não quero ir para o quarto...

—Bem, então, nesse caso...- L mordeu o lábio, para não deixar escapar um palavrão. Yagami estava mesmo pedindo por aquele golpe, não estava? Ainda não havia parado de rir. Era como se na sua cara estivesse pendurado um nariz de palhaço ou qualquer coisa do tipo. Tais ações fizeram-no tomar uma irrefreável decisão. -Eu é quem vou embora.

Num ato completamente súbito, as risadas cessaram.

L ficou plenamente satisfeito.

Yagami encarou sua expressão, incrédulo por ter resolvido recorrer àquela repentina medida salvadora, e apenas observou enquanto o detetive se locomovia até o painel para ir buscar alguns relatórios que pretendia levar consigo para o quarto.

—Ei! –O garoto o alcançou com não mais que umas duas passadas. Mas quando estava prestes a tocar seu ombro, Ryuuzaki virou e lhe lançou um olhar tão medonho, que foi realmente esperto da parte de Raito resolver recuar. –Ahn... Eu teria ido se soubesse que era com você.

Essa era vez de L rir. Mas como não queria se igualar a Raito, apenas forjou um pequeno sorriso.

—O mundo vai acabar antes de irmos para o meu quarto, Raito.

—É um desafio?

—Se você encara como um...

O rapaz boquiabriu-se.

Ryuuzaki apenas deu de ombros, contornando sua figura com indiferença, como se ele fosse apenas um obstáculo que interrompia seu caminho. Sem olhar para trás, foi andando lentamente no imenso espaço do QG, até alcançar as escadas. Seus olhos captaram uma câmera colocada ali, e fez uma anotação mental de que precisaria remover todas as filmagens daquela noite, e armazená-las em outro local o mais breve possível.

Quando estava no terceiro degrau, porém, quase se esquecendo da existência de Raito, sua cabeça se desviou para o lado/trás instintivamente ao ouvir um último chamado desesperado.

—Ryuuzaki...! –Era Ele. Droga. Ainda não parecia ter concluído que já o atormentara demais naquela noite. Seria mais fácil se pelo menos parecesse decepcionado, mas entretanto, Yagami Raito, só sabia fazer sorrir. O que será que tinha para dizer agora?

Suspirou.

—Diga, Raito-kun.

As linhas do sorriso pareceram se redobrar, com certeza pela maneira com que seu timbre soara derrotado naquela fala.

—Se você dormir esta noite... –O tom de voz dele era quase sensual...-Sonhe comigo.

O detetive apenas rolou os olhos, bufando, sem se dar ao trabalho de continuar encarando o oponente –que havia tido a coragem de lhe lançar uma piscadela depois de “comigo”- por nem mais um segundo.

Virou-se, rispidamente, e prosseguiu subindo as escadas.

Seus pés faziam estrépitos rígidos ao colidirem com o chão. Um degrau e depois o outro. Um degrau e depois o outro. Quase lá.

É óbvio que eu não vou dormir. Seu Idiota. — Ryuuzaki murmurou essa última frase apenas para si mesmo, como se fosse mais um de seus segredos ou uma de suas piadas particulares.

A menos que dormir no verbete do dicionário de Raito fosse “terminar o resto da noite insone, ponderando sobre suas falhas e êxitos, enquanto se entope de doces suficientes para eventos comemorativos ou matrimoniais”, Ryuuzaki não iria mesmo dormir.

“Amanhã” seria um longo dia.

Mas caso a calamidade de dormir fosse realmente capaz de acometê-lo...Depositava todas as suas esperanças em não ser mesmo capaz de sonhar com Ele.

Pois somente de uma coisa estava 100% certo depois de tudo aquilo: Nada de bom resultaria em estar mesmo apaixonado por Raito, como aquelas risadas infames e gracejos constrangedores queriam sugerir.

Absolutamente nada.

*Meia-lua de compasso: golpe da capoeira ( que o L sabe como jogar ;]) em que se agacha sobre a perna da frente, estende-se a de trás, e faz-se um movimento de rotação com a perna esticada, para atingir o adversário, apoiando-se na da frente.

Notas finais
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