O Plano B
10 IX - The One Who Never Loses.
Notas iniciais
Só não quero deixar OPB mofando, por isso estou aqui *-*
O capítulo não tem muita ação...Mas como os próximos devem estar cheios, é até melhor ^.^
Obrigada aos reviews anteriores, seus linditos...Como diria minha linda amiga G, cada review é uma lareira que se acende no meu kokoro kkkk haha
Hope u guys like it ;DD
–Eu não odeio você, Raito-kun. -Ryuuzaki declarou, depois de alguns instantes, mexendo-se desconfortavelmente na cama. Foi atrás de ajeitar os travesseiros, para não ter mais de encarar os olhos persuasivos de Raito, mas sabia que o garoto havia visto o feixe de alegria em seu semblante, antes pudesse fazer qualquer coisa para impedi-lo.
Alegria gerada por mentiras. O quão patético isso pode parecer?
–É um começo... –Replicou Raito, com seu novo ego recém- restaurado já se destacando.
–Não. Eu não teria tanta certeza assim, se fosse você.
–Mas não é. E eu tenho certeza absoluta... -Como se L fosse um castelo de cartas, que Kira, após pagar com um preço que mutilara seu ego, havia finalmente conseguido derrubar.
– Você se superestima demais. –Ryuuzaki o censurou. -Isso pode ser tanto a sua vitória quanto a sua ruína...
“Haha. É a minha vitória, detetive.” Yagami pensava particularmente, enquanto se fazia rir, de uma maneira aparentemente ingênua. “Agora que eu provei o meu suposto amor por você, quanto tempo vai levar até que você esteja convencido e comece a admitir que se sente da mesma forma que eu? Uma semana? Cinco dias? Ou será que menos?”
–Hm...- “Acho que nem serão mais necessários sacrifícios assim.”– Eu estava sentindo falta de dividir a cama com você, L... –Raito decidiu continuar investindo. Rolou para um pouco mais perto dele, para que voltassem a estar juntos. Tinham acabado de se desfazer, mas havia uma tensão que os fazia -mesmo estando acabados e em polos opostos da cama- sentir suas peles formigando, como se implorassem por mais contato. Raito tinha de admitir: por mais humilhante e difícil que tivesse sido ‘receber’ L, o ato em si, não era de todo ruim. Sua língua, agora, praticamente tinha vida própria, para se desdobrar e continuar mentindo. Deixar L inebriado com suas calúnias românticas era totalmente eficaz no progresso do plano, e expandia ainda mais os horizontes da vitória, sem pesar em seu ego. -Nesse aspecto, as algemas até que eram interessantes...
Sorriu para ele, maliciosamente, enquanto ditava a frase e ficava perto o suficiente para poder tentá-lo. Estendeu a mão e tomou a liberdade de acariciar os pedaços de pele desnudos de sua cintura, distribuindo carícias estonteantes ao longo daquela parte.
L não se retesou, mas era óbvio que não estava se sentindo satisfeito por um novo ataque, mantendo a expressão fechada.
–Nós não dividíamos uma cama. Elas eram separadas, apenas próximas uma da outra.
–Eu sei. –Raito anuiu, e dessa vez, tomou a liberdade de se aconchegar em L, como se fosse apenas um pobre animalzinho abandonado e extremamente necessitado de carinho. Deixou a mão descansando no abdômen dele, e repousou o rosto na curva estreita de seu ombro- somente para roçar o nariz na pele macia e alva de seu pescoço, provocando-lhe arrepios, e parecendo querer memorizar todos os aromas adventícios que emanavam dali. — Mas isso não impedia seu cheiro de ficar impregnado em tudo, inclusive nos meus lençóis...
Ah.
L quase não foi capaz de resistir a isso.
Quase.
Por um segundo, pareceu a Raito que Ryuuzaki iria apenas ceder. Absorver as palavras. Acariciar seus cabelos . Brincar com eles entre os nós dos dedos. Sorrir. Compactuar com a aproximação repentina... Como se aceitasse que eram duas pessoas feitas para si, e que deveriam partilhar de seu amor recíproco, depois de terem prazer juntas.
Mas um segundo era apenas um segundo, e mesmo que L houvesse hesitado, ele agora empurrava Raito — para bem longe e completamente fora do alcance de seu pescoço.
–Então foi nesse meio que você supostamente começou a amar, Raito-kun? –Ryuuzaki inquiriu, sem nem deixar a Raito algum tempo para amenizar sua frustração de ter sido evitado, e frisando o ‘supostamente’, para lembrar que ainda não acreditava -nem um pouco- na legitimidade por detrás daquele amor. — Quando estávamos algemados? –Complementou. –Você parecia detestar tanto aquela situação...
–E detestava. –Raito revirou os olhos. Como se fosse ridículo da parte de L querer usar aquilo para contradizer suas palavras apaixonadas. -Eu queria a minha liberdade. E sei que só a terei de fato quando capturarmos Kira juntos... –Suspirou. Queria causar uma boa impressão para L. Provar seus sentimentos. Como se sentisse ódio por Kira existir e por estar causando entraves em sua relação com ele. — Mas quando estávamos algemados... Sei lá. Era diferente. Eu compartilhava absolutamente tudo com você. E era bom observar o contorno do seu corpo no vidro fosco do chuveiro...
Epa.
De súbito, Raito sentiu suas maçãs do rosto esquentando.
Não sabia dizer de que lugar de sua mente saíram aquelas malditas palavras, que mesmo ditas por fingimento, lhe soavam perfeitamente estranhas... Queria parecer romântico para L, mas aquilo era constrangedor!
Não era como se realmente o fizesse, no entanto.
Quer dizer...
Na verdade fazia sim.
Lembrou-se de que havia momentos em que ficava mesmo vendo o contorno do corpo de L sobre o vidro fosco do chuveiro, enquanto estavam algemados. Mas por pura distração e tédio, logicamente! Não tinha as memórias de suas origens naquela época!
O riso de deboche que Ryuuzaki riu foi quase suficiente para se deixar esquecer de que nesses momentos de declarações, tinha que deixar seu orgulho de lado...
Sentiu impulsos de socá-lo, mas sabia que seria bem mais útil se fingir de apaixonado e apenas refreá-los.
–Não sabia que eu era aliciado dessa forma... Imagine, inocentemente a me banhar enquanto esses seus olhos corriam sobre mim como lesmas pegajosas e rastejantes...
Mas isso era demais para seu orgulho aguentar.
–Lesmas pegajosas e rastejantes?! –Indignou-se. De repente, recobrou todo seu pique, de modo que ficar deitado não era mais uma opção: teve de se sentar na cama, para olhar melhor a expressão detestável de L, forjando a sua própria, assim como um contra-ataque à altura. — Você me provocava, L! Provocava-me com o seu chantilly e os seus docinhos estúpidos. Ficava fazendo barulhos suspeitos enquanto os devorava, fingindo que não queria chamar a minha atenção e... Quer saber?! Até hoje você os faz! Quando eu supostamente deveria estar vagando por aí e sou chamado por você para debater inutilidades sobre Kira. Uma hora ou outra aquele beijo iria acontecer. E não seria eu a dar a iniciativa. Pode apostar.
–Você acha? – L só fazia sorrir de canto de lábio. Nem parecia mais o mesmo detetive apático com todo aquele sarcasmo de enfeite.
–Mera questão de tempo! –Sarcasmo que Raito simplesmente decidiu fingir que não estava ali. -Foi horrível e perverso de sua parte querer se vingar de mim, por termos nos aproximado.
–Perverso? –L levantou uma sobrancelha. Não só ela, mas também a si próprio, sentando-se na cama como Raito, e encarando-o, de repente, de uma forma sinistra e opressora. — Matar milhares de pessoas com um caderno. Isso sim é que é perverso.
E assim o sarcasmo, todo como o escárnio, subitamente se dissolveu em fragmentos indistintos quando L moveu o assunto para algo mais pesado. Bem mais pesado, na realidade. O ar parecia pesar meia centena de toneladas agora, enquanto Raito fingia que não sabia o que L estava insinuando, descaradamente, e L, por sua vez, aguardava para ver o que Yagami ia dizer, agora que não conseguira mais se controlar.
–Pode até ser... Mas também é algo que eu nunca fiz, visto que eu não sou Kira. –“Não. É um maldito mentiroso, isso é o que você é” L poderia ter pensado, mas aquela resposta de Raito, dita com sua expressão mais ofendida, e preenchida por obstinação, não era nada mais do que já estava esperando. — Quanto do que você disse no QG era verdade? –O garoto continuou, depois de alguns segundos, ainda consumidos pela tensão. — Está mesmo querendo uma lista com todos os dados para ir atrás do novo Kira? –“Não, Raito-kun, isso é apenas uma desculpa enquanto está em andamento minha verdadeira investigação” Uma sentença que se agitava em sua língua, que não podia, mas queria –e muito- escapar. Em meio ao seu silêncio, porém, Raito aparentemente decodificou algo em sua expressão que não foi nada satisfatório. Franziu o cenho. -Você não está desconfiando das regras do Death Note, está, Ryuuzaki...?
–Não. –L negou no mesmo instante, feliz por saber cultivar a inexpressividade como seu dom particular. — Mesmo com minhas suspeitas particulares, trato do caso como se você e Amane fossem totalmente inocentes. É o que o caderno diz, não é? –Deu de ombros, esperando qualquer reação estranha da parte de Raito. Mas era expectativa demais, se ambos tinham o mesmo talento para dissimular. — Seria preocupante para você se eu desconfiasse do Death Note, Raito-kun?
Era uma questão aparentemente inocente, mas se Raito reagisse de qualquer forma minimamente suspeita, tal reação poderia ser todas as respostas de que estava precisando, atualmente.
–Não, não seria, porque eu não tenho nada a temer. –Mas não havia nada de suspeito ali. Raito respondia natural e calmamente, com doses de ressentimento em cada nota, e era tão perfeito que às vezes L se via frustrado, incapaz de compreender como continuava achando que Kira estava naquele rapaz. Se as estatísticas planejadas em sua mente não fossem tão precisas, até se sentiria péssimo por insistir e por conceber cada gesto dele como uma grande e desproporcional farsa. Mas elas eram precisas. Havia toda uma linha de raciocínio lógico tecida ali, e não era como se pudesse ignorá-la. Não era como se pudesse deixar Lawliet ignorá-la. – Mas coloque-se no meu lugar! A pessoa que eu amo me trata como se eu fosse um assassino em série e faz de tudo para obter provas a respeito disso...
–Argh. De novo com essa história. –L suspirou. Por um momento, havia se permitido esquecer. Quer dizer, não esquecer em sua forma pura, porque era tão raro escutar aquelas palavras que era óbvio que uma vez que as ouvisse, elas ficariam tatuadas, tanto em sua mente, quanto em seu coração, incapazes de serem simplesmente levadas de lá. Esquecera apenas de que existia outra espada forjada para golpear diretamente seus palpites. -De novo com isso de amor...
E o gume dessa espada era mais que perigosamente afiado.
Eram estes os momentos que Raito escolhia para sorrir aquele sorriso tão convencido de si, que à sua maneira conseguia ser uma das coisas mais fascinantes que L já havia visto... Capazes de deixá-lo insano, da mesma insanidade que desfrutava quando ficava perto o suficiente para tocar-lhe o rosto ou beijar-lhe os lábios.
Sentia aquela textura estranha das palavras e sentimentos desconhecidos, um pouco mais suaves e tenras, depois de tê-lo sorrindo assim, somente para si.
Não que fosse admiti-lo em voz alta, um dia, ou que fosse deixar sua lógica ser definitivamente devastada por isso.
–Eu te amo, L.
–É Ryuuzaki. –A correção tinha um peso mais forte quando dita depois daquela espécie de declaração. Mas Raito era –ok, ou podia ser- Kira, e Kira não teria nunca aquelas mesmas palavras de L para si, nem sinceras, nem falsas. — Pare de ficar repetindo isso, Raito-kun.
–Ficar repetindo o quê? O eu te amo ou a sua alcunha? –Raito replicou. Nem de longe, parecia ter ficado frustrado com o fora. Muito pelo contrário. Sorria maliciosamente, e parecia –de uma maneira extremamente estúpida, só para constar- estar se divertindo à custa de sua insistência em negar a recíproca, como se ela fosse um fato que L afastava de si apenas por mera questão de orgulho: Uma presunção ridícula e equivocada. -Só um realmente tem chances de eu parar de dizer...
–Ambos. –Retrucou amargamente, sem dar corda àquela brincadeira idiota da parte dele. Precisava pensar. Assim como precisava se livrar da presença grudenta dele, e urgentemente. –Hm...Devem estar sentindo a nossa falta lá embaixo, sabe...
–Não estão. –Raito bufou, entendendo com facilidade aonde L queria chegar. -Temos que tomar banho, antes de tudo... Você vem comigo, certo?
–Eu?! Só pra ficar sendo vítima de lesmas pegajosas e rastejantes? Nem pensar. Vá primeiro e faça bom proveito, Raito-kun.
O garoto revirou os olhos.
Era nítido que não gostara muito do apelido que L carinhosamente entregara aos seus violadores olhos.
–Eu vou. –Ele afirmou, a contragosto. -Mas volto logo pra você, meu detetive. –Piscou, e em seguida, tentou se inclinar para mais perto de L e beijá-lo, mas foi repelido, quase que automaticamente, como se fosse apenas um inseto indesejado.
Não que L fosse realmente convincente com o seu teatro.
Lawliet queria Yagami perto- muito mais perto que os limites entre detetive e suspeito poderiam permitir. Mas era justamente por causa desses limites que L tinha que afastá-lo rudemente, como se passasse a mensagem de que o que acontecera naquele quarto fora apenas vingança e desejo, e ficaria escrito apenas ali. Como se o avisasse com os olhos, de que as chances daquilo se repetir beiravam perigosamente a zero, pois não estava convicto de amor nenhum da parte dele, e não deveria haver toques ou gestos afetuosos sem sentido.
O mais provável, porém, era que Raito estivesse interpretando seus olhares enfadonhos e sua repentina aversão como um saboroso desafio.
E era exatamente isso que devia temer, pois quanto mais ele continuasse se aventurando, mais fácil poderia descobrir que, no fundo, era mesmo só um desafio, que uma vez vencido, só pioraria a complexidade do momento em que ele fosse confirmado como Kira.
Só tornaria mais difícil de aceitar.
Porque já era, na verdade.
Só o tornaria vulnerável.
E L odiava ser vulnerável.
Talvez fosse por isso que agradeceu tanto quando Yagami desistiu, pulou da cama, e desapareceu pela porta do banheiro, em anexo no quarto.
Minutos longe dos efeitos de sua presença eram minutos de raciocínio lógico perfeito.
E era apenas isso que não podia faltar para L, em todo e qualquer momento que estivesse perto dele...
Tinha de abraçar a lógica como sua única amiga...
Se não a abraçar, estou perdido.
Mas L não podia perder.
L nunca perdia.
Notas finais
Aí sim vem um:
Misa-Misa vai aparecer no próximo capítulo...!
Quem está (ou não) ansioso para vê-la? haha ^.^
Reviews? Críticas? Palpites? *-*
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