O Plano B
5 IV - Fight Comes After the Rapture.
Notas iniciais
—Já chega, Yagami-kun. –O timbre da voz de L acumulava algo de frustração e intolerância, embora ele não parecesse exatamente infeliz, depois que fez o que claramente deveria ter sido feito há muito tempo: Empurrou Raito para o lado, e para bem longe de seus lábios -que ele havia passado a invadir, depois de terem o orgasmo, na certeira tentativa de manter seus pensamentos presos num borrão. –Você já abusou de mim demais, por hoje, certo?
—Ah...É mesmo?
—Aham. Pode apostar que sim.
Aquele ressentimento, e o atrito dos dedos de L nos próprios lábios –como que para enxugar os vestígios do beijo- formavam uma visão extremamente cômica para Raito, de maneira que era difícil não sorrir, mesmo tendo sido repelido.
Quer dizer, era tão óbvio que L o havia afastado e estava querendo soar irritadiço, apenas para não ter seu orgulho pisoteado e seu ego humilhado, que não dava para levar a sério aquela queixa de abuso.
Nem um pouco.
—Você fala como se não tivesse gostado disso, não é, Ryuuzaki...? –Não conseguiu resistir a tentação de provocá-lo. –Como se não pudesse ter me impedido de nada...
—Mas é claro que eu podia!
—E então por que não o fez?
—Simplesmente queria ver até onde você iria chegar. –O detetive deu de ombros, parecendo satisfeito com a própria resposta, mesmo que Raito estivesse lhe fitando boquiaberto, como se não acreditasse em sua ousadia de negar que havia compactuado por aquilo por meras razões... físico-emocionais. –E eu vi. Ah, sim. Pode ter certeza de que vi do que você é capaz.
O garoto apenas riu.
—Bem, por mim, você ainda pode ver muito mais...
Raito tentou aproveitar o momento da fala para voltar a se aproximar sorrateiramente de Ryuuzaki, mas o detetive, sentado na mesa, percebeu de antemão aquelas pretensões perversas e literalmente fugiu de Raito, saltando para o chão, e se esquivando brilhantemente de seus movimentos perseguitivos.
—Não, não, não, nem tente fazer isso, Raito-kun. Eu já disse que chega.
—Chega?
—Aham, chega.
—Mas chega por quê?
L suspirou.
Yagami estava começando a insistir feito um garotinho na loja de brinquedos com a mãe, depois da mesma ter-lhe recusado comprar um presente com um sonoro "não".
—Isso aqui ainda é um QG e não um quarto de motel, sabe? Assim, só no caso de você não ter percebido... -Sabia que era melhor não vacilar muito, pois Lawliet, diante daqueles olhos pidões, poderia não ser muito bem capaz de recusar com um sonoro "não". -E é melhor vestirmos nossas roupas logo, já que podemos ter acordado alguém,
—Você pode ter acordado alguém, foi o que quis dizer, certo?
O detetive simplesmente preferiu ignorar o comentário.
—Eu realmente prefiro nem pensar o que fariam se nos vissem... nesse estado.
—Eu não me importo nem um pouco com o que os outros fariam. –Raito simplesmente revirou os olhos. -Prefiro muito mais ver você nesse estado Ryuuzaki...
Sorriu perversamente, e seus olhos nada discretos desviaram-se do rosto do detetive para poderem deslizar por toda a extensão de seu físico, roubando para si cada vez mais e mais detalhes dele.
O garoto já parecia saber antecipadamente o quanto aquilo conseguiria deixar L encabulado e constrangido, porque por mais que já tivessem feito tudo e mais um pouco de íntimo naquela noite, sua magreza e palidez, ainda conseguiam fazer suas bochechas arderem, quando observadas por olhos que não fossem os seus próprios.
Ele nunca tinha achado a nudez tão inconveniente.
E realmente frustrado agora, Ryuuzaki caçou a própria roupa íntima e a calça jeans, amarrotadas no chão, e reuniu toda a pressa do mundo ao metê-las por entre as pernas.
O riso de deboche de Yagami passou ressoar em cada mínimo fragmento do aposento, fazendo L ter vontade de chutar seu rosto “perfeitinho” até ele não ser mais tão belo assim...
—Cale essa maldita boca, Raito-kun. E se vista.
Inicialmente, achou que o garoto fosse protestar às suas ordens rígidas.
Porém, logo mais ele também estava indo à caça das roupas.
Só que sem tirar o sorriso estúpido da cara.
Sim, aquele ataque de rubor que ele havia submetido a suas intrujices havia saído impune, só que era só por pouco tempo. Arrumaria uma boa forma de se vingar por ter sido o objeto de diversão particular de Yagami Raito. Claro que iria.
Só que era inútil querer secá-lo também, porque, além de secar alguém indefinidamente não fosse algo que L estivesse familiar a fazer, aquele filho de uma mulher que mantém relações extraconjugais remuneradas, não tinha um só detalhe em seu corpo, que pudesse ser tomado como defeito, deixando-o envergonhado ou encabulado. Nem um.
Yagami era mesmo um maldito.
— Droga... Você me fez perder a noção do tempo. Não sei que horas são.
Resolveu finalmente manifestar uma de suas inúmeras frustrações.
Estava bem mais do que aliviado, agora que estavam vestidos novamente, de modo que era mais fácil protestar por coisas bestas como aquela. Era difícil demais agir assim, com naturalidade/frieza quando porções de rubor ficavam esquentando sua cara, numa dose de vergonha infinita. Porém...
—Se eu te fiz perder alguma coisa, com certeza não foi só a noção do tempo, meu caro L.
Raito ergueu a cabeça para ele, os cabelos caindo um pouco charmosamente nos olhos, enquanto abotoava o que sobrara dos botões de sua camisa.
L se surpreendeu a notar o quanto havia de escárnio na expressão que ele conjugava agora. Isso sem falar na ousadia dele de ser capaz de insinuar que...Que aquela havia sido...
Ah, como Yagami era um imbecil.
—É Ryuuzaki.
Foi a única réplica que se sentiu capaz de dar.
—Que seja. Você não pareceu se importar que eu te chamasse de L, sabe, uns 1500 segundos atrás.
Argh. Ele podia estar mentindo, não podia? Já era amargo demais aceitar pequenas verdades como aquela.
—1500 segundos atrás era uma época totalmente diferente dessa.
—Com certeza. Há 1500 segundos fazíamos coisas bem mais interessantes do que ficar discutindo sobre como eu deveria chamá-lo.
O tom de voz normalmente macio ou impassível de Yagami, havia repentinamente assumido algo de muito colérico em seu contorno.
—Hm. Você soa insolente. –L pontuou, querendo desviar do tema "coisas bem mais interessantes"...
—E você É insolente, Ryuuzaki.
O-oh.
Outro tapa em sua cara.
—Isso foi muito bem colocado.
—Eu sei. -O garoto deu de ombros, plenamente indiferente a seu elogio. –É claro que foi.
Engraçado.
Às vezes, ele conseguia ser tão petulante...
—Mas já que estamos debatendo sobre insolência, tem uma coisa que eu necessariamente preciso lhe dizer.
Silêncio sepulcral.
Sendo rompido em 3, 2, 1...
—Ah, tem? Eu nem imagino do que possa se tratar.
Era impressão sua ou Yagami estava sendo...sarcástico?
Enfim, não importava.
Iria dizer independente de qualquer coisa.
Mais silêncio.
—Bem. Então tá...
Não achou que precisaria, mas sua garganta engoliu em seco por alguns momentos, antes que estivesse realmente pronto para exteriorizar a fala. Raito passara a lhe encarar de uma maneira tão intensa, com os braços cruzados aristocraticamente, que por um segundo, L realmente se esqueceu de tudo do que tinha se programado para falar.
Mas só por um segundo...
E um segundo dura pouco demais.
—Tudo isso que fizemos hoje, Raito... Não muda absolutamente nada.
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