O Perfil da Evidência
7 Capítulo 7 - Uma Vítima Muito Próxima
Notas iniciais

― Eu também sinto falta.
Gil Grissom e Aaron Hotchner permaneceram calados por alguns minutos então o doutor Robbins quebrou o silêncio:
― Eu estou aguardando o exame toxicológico para me certificar se ela foi sedada ou não, mas aqui já está o exame do conteúdo estomacal. – o médico entregou uma pasta nas mãos de Grissom.
― Vitamina e pão integral. – disse Grissom lendo o exame.
― Diferente das outras. – comentou Hotchner.
― Porque ele melhor dizendo ela mudou o cardápio?
― O CSI Warrick Brown fez um comentário interessante na cena do crime, ele analisou a cozinha atrás de evidências e não encontrou nenhuma e pela hora da morte ele disse que não imaginava alguém servindo a refeição que as outras digeriram logo pela manhã.
― Ela mudou tudo, isto é estranho.
― Talvez ela ficou com preguiça de cozinhar. – opinou o doutor.
― Pode ser – respondeu Hotchner – ou ela mudou por outro motivo.
― É uma mulher – disse Grissom – porém como ela dominou todas estas mulheres? Nenhuma delas entrou em uma luta corporal?
― Eu aguardo o exame para saber se está última foi sedada, já com as outras os exames foram negativo. – disse o doutor.
― Ela deve persuadi-las de alguma maneira, temos que descobrir mais detalhes das vítimas. – afirmou Hotchner.
― Mais alguma coisa doutor? – indagou Grissom.
― Não, mas vou examinar novamente os outros cadáveres, se é uma mulher que abusa sexualmente delas eu preciso rever tudo.
― Qualquer novidade é só avisar. – Grissom retirou-se da sala na companhia de Hotchner, ambos tomaram o elevador e foram para o laboratório de DNA.
Os técnicos do laboratório Wendy Simms e Henry Andrews conversavam descontraídos quando Grissom adentrou o local.
― Boa noite chefe. – cumprimentou Wendy.
― Trouxe algo para nós? – Henry logo notou que Grissom carregava consigo a embalagem plástica de evidência que continha à unha postiça.
― Sim. – afirmou Grissom.
― É do caso do Senhor Sem Pistas? – indagou Wendy ao pegar a embalagem.
― Eu quero que analisem esta evidência, obtenham o DNA.
― Este é o agente do FBI? – o técnico David Hodges adentrou o laboratório – prazer eu sou o técnico melhor dizendo o melhor técnico deste laboratório criminal.
― Agente Aaron Hotchner. – Hotchner cumprimentou o técnico.
― Sabia que eu tive oportunidade de trabalhar no laboratório de Virgínia do FBI? – David Hodges era sempre exibido e orgulhoso, se declarava o melhor em tudo – Só que eu preferi ficar aqui mesmo, pois sem mim esse laboratório não é o mesmo.
― Que exibido. – resmungou Henry ao ouvido de Wendy.
― Ele não vai querer te contratar – Grissom cortou o barato do técnico – ele é um agente de análise comportamental e veio aqui ajudar-nos com um caso, agora nos dê licença.
― Está bem. – Hodges ficou envergonhado.
― Depois que a evidência for analisada para se obter o DNA quero que depois a analise para sabermos de que material é feita. – exigiu Grissom de Hodges e assim retirou-se na companhia de Hotchner.
Os dois convocaram todos a se reunirem na sala de reunião para discutir o caso e assim revelar o que haviam descoberto.
― Uma mulher? – indagou Greg e Nick em coro após o esclarecimento de Grissom e Hotchner.
― Eu recordo que quando estávamos na cena deste último crime eu comentei que o criminoso era mais organizado que uma mulher – disse Catherine – e no fim é uma mulher mesmo.
― Isso quer dizer que uma mulher tem Grissom como alvo? – perguntou Sara preocupada.
― Sara talvez o alvo não seja eu. – tentou confortar Grissom.
― Pelo menos uma evidência física surgiu para vocês analisarem. – comentou o agente Rossi.
― Casos com mulheres é sempre interessante. – apreciou o agente doutor Reid e todos o encararam.
― Não se assustem – disse o agente Morgan – tem horas que ele é estranho.
― Isso agora explica a organização – começou a agente Prentiss – mulheres assassinas são sempre organizadas é raro pegarmos um caso onde envolva uma mulher desorganizada.
― Elas não fazem questão de troféus ou de deixar assinatura. – concluiu a agente Seaver.
― Troféu e assinatura? – indagou Greg curioso.
― Troféu é aquilo que o criminoso toma para si como recompensa de seu crime – explicou a agente Blake – pode ser qualquer coisa pertencente à vítima.
― Uma mecha de cabelo, um colar, um anel – prosseguiu o agente Alvez – ele toma para si e aquilo se torna o seu prêmio.
― Já a assinatura é algo que ele sempre faz – continuou a agente Agatha Hotchner – por exemplo, já pegamos casos em que o criminoso fazia questão de assinar suas iniciais em algum lugar ou objeto do crime ou de vestir a vítima de uma maneira, coisas assim.
― E qual seria a assinatura desta criminosa? – perguntou Warrick Brown.
― Ela deixa a cena do crime limpa então até o momento nenhuma. – respondeu o agente Rossi.
― Eu estou perdido – disse o capitão Brass – como uma mulher consegue abusar de outra mulher? Elas não tentam se defender?
― O agente Aaron Hotchner e eu discutíamos isso no necrotério: ela tem alguma forma de persuadi-las. – disse Grissom.
― Ela pode ameaça-las com uma arma? – perguntou Sara.
― Sim. – respondeu Agatha.
― Mas em nenhum momento essas vítimas lutaram, ainda é estranho – disse Catherine – a última foi morta em sua residência agora as outras em hotéis, como convencer uma mulher a ir a um hotel com outra mulher? Todas elas eram lésbicas?
― Ela as ameaça é óbvio, mas precisamos saber como. – disse Prentiss.
― Ela deve saber alguma coisa das vítimas – falou Reid pensativo – deve coagi-las com ameaças.
― Que tipo de ameaças? – perguntou Catherine.
― Ela não escolheu as vítimas aleatoriamente – disse o agente Hotchner – é como Reid analisou: ela sabe algo importante das vítimas.
― A vida delas devem ser vasculhadas com detalhes. – disse Alvez mirando Penélope Garcia.
― Este é o meu trabalho – disse a analista Garcia – vou retornar a sala onde estou instalada e vou cavar.
― Aproveite e analise a lista que Agatha e Sara conseguiram de Lady Heather – exigiu o agente Hotchner – agora eu preciso conversar a sós com Sara Sidle e Gil Grissom.
Todos se retiraram deixando apenas os três e Sara já começou a falar:
― Grissom então pode ser um alvo?
― Sim – respondeu o agente – porém você pode ser também.
― Eu? – Sara assustou-se.
― O alvo pode ser você, pode ser Lady Heather ou talvez Grissom ou até mesmo os três.
― Eu ainda não creio que eu seja um alvo. – disse Grissom.
― Gil Grissom todo cuidado é pouco e o melhor é que vocês fiquem em segurança.
― Eu não vou sair do caso. – afirmou Grissom convicto.
― Eu também não. – garantiu Sara.
― Eu compreendo, porém cuidem um do outro. – Aaron Hotchner saiu da sala deixando o casal a sós.
― Nós vamos pega-la, eu prometo. – disse Grissom que deu alguns passos e ficou de frente a Sara.
― Eu espero. – Sara pegou a mão de Grissom e levou até seu rosto – Eu sinto falta do seu carinho – uma lágrima escorreu de seu olho.
― Eu também sinto falta. – ele enxugou a lágrima dela.
Sara não se conteve e abraçou Grissom com toda a vontade de início ele ficou um pouco desconfortável temendo que alguém os surpreendesse, todavia ele permitiu ser abraçado e correspondeu o ato.
No silêncio permaneceram agarrados um ao outro, Sara chorava em silêncio com o rosto escondido no ombro de Grissom que vagarosamente lhe afagava os cabelos, porém o momento foi interrompido pelo toque do celular de um deles.
― É o meu – disse Grissom ao afastar-se de Sara para atender – Heather?
― É ela? – indagou Sara enciumada.
― Heather fale mais alto. – pedia Grissom ao telefone.
― Grissom...— Lady Heather tinha a voz abafada, mas era nítido que ela gemia de dor – me ajuda, por favor...
― O que aconteceu?
― Eu... Nas costas... Tesoura... Socorro...— Lady Heather não se pronunciou mais e a chamada caiu.
― Heather! – exclamou Grissom.
― O que houve? – Sara de enciumada ficou preocupada.
― Ela tinha a voz estranha, pediu ajuda e disse as palavras eu, costas e tesoura.
― O que?
― Ela foi atacada. – deduziu Grissom que saiu da sala apressadamente com Sara o seguindo.
Grissom foi até onde o agente Hotchner se encontrava com sua equipe e anunciou:
― Ela atacou Lady Heather.
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