O Perfil da Evidência
15 Capítulo 15 - A Última Vítima
Notas iniciais
O amor sem noção do ridículo e de limites próprios transforma-se em obsessão.
(Marcelo Van Petten)
Catherine procurou por Grissom e Sara, primeiro ela foi a copa e depois ao escritório do chefe, a porta estava encostada, mas pela brecha visualizou os dois que conversavam.
— Com licença – pediu ela batendo a porta levemente – eu achei que iriam acompanhar o interrogatório de Alexia.
— Nós dois precisávamos conversar – explicou Grissom – Alexia já foi interrogada?
— Descobriram algo? Ela é culpada? – indagou Sara.
— O interrogatório foi gravado, seria bom que os dois ouvissem. – Catherine teria muita coisa a explicar então o melhor era que Sara e Grissom ouvissem a gravação.
Era regra um interrogatório ser gravado e com aquele não seria diferente, o capitão Brass disponibilizou a gravação para que eles ouvissem e eles foram a sala do analista digital Archie ouvir o interrogatório.
— Você disse a Heather que estava apaixonado por mim? – questionou Sara enquanto ouvia a gravação, pois ali ela ficou sabendo que Grissom havia revelado seu sentimento a alguém, porém Grissom não respondeu o seu rosto ruborizou um pouco porque ele não imaginava que Alexia era ciente daqueles segredos entre ele e Lady Heather.
Após ouvirem tudo eles ficaram abismados e frustrados, pois Alexia era culpada pela tentativa de assassinato de Heather, mas não era aquela que procuravam e temiam.
Aaron Hotchner convocou todos para a sala de reunião para discutir o caso e as últimas descobertas.
Garcia esclareceu a todos sobre não conseguir encontrar Amanda Carter, que a mesma havia desaparecido, mas que obteve o endereço antiga da mesma, pois a mãe ainda residia na mesma casa.
Reid, Morgan e Prentiss que foram checar a pista referente à hipnose e eles tinham novas informações:
— É de se admirar que Garcia tenha encontrado sobre a casa de shows pelo sistema – disse Prentiss – eles não tem registros de funcionários.
— É um estabelecimento onde há apresentações musicais e outras coisas por um preço muito acessível – continuou Morgan – para o dono só importa se a pessoa que for se apresentar tenha talento em algo mal interessa quem é e da onde veio.
— Uma mulher trabalhava lá fazendo apresentações de hipnose – prosseguiu Reid – o dono disse que ela se autodenominava uma hipnoterapeuta, mas para ele pouco importava o que lhe interessava é que as apresentações dela com hipnose lhe rendiam um bom dinheiro, porém ela pediu demissão tem alguns meses e a única coisa que sabe é que ela se identificava como Mona Taylor.
— Mona Taylor? – Brass coçou a cabeça e fechou os olhos.
— Lembrou-se de algo capitão? – perguntou Rossi.
— Sim, eu acho que sim... – Brass abriu os olhos – Grissom, isso não te lembra de nada?
— Outro caso que trabalharam juntos? – especulou Greg.
— Sim – recordou Grissom – Mona Taylor foi uma funcionária de Lady Heather.
— A dominatrix é um elo forte deste caso – comentou Blake – tudo sempre leva a ela.
— O que houve com essa Mona Taylor? – perguntou Sara.
— Desapareceu – esclareceu Grissom – é preciso olhar no sistema, mas Lady Heather abriu uma ocorrência do sumiço dela, Brass e eu investigamos, mas ao que deu a entender ela foi embora sem comunicar ninguém.
— Eu já vi esse filme – disse Alvez – foi descoberto que as vítimas iam a um show de hipnose, a dona do espetáculo se autodenominava uma profissional da área provavelmente ela fazia atendimentos particulares, eu suspeito que as vítimas eram suas pacientes, ela se apresentava como Mona Taylor, nome de uma pessoa desaparecida, isso parece roubo de identidade.
— Eu vou verificar se houve movimentação de cartões ou conta bancária desta Mona Taylor. – disse Garcia.
— Eu tenho informações em meu escritório sobre ela – disse Brass – pode te ajudar.
— Obrigado capitão, isso pode me adiantar muita coisa.
— Eis o que iremos fazer – ordenou Hotchner – o capitão Brass, Rossi e Seaver irão até o endereço antigo de Amanda Carter, se a mãe dela ainda reside lá é bom ela ser interrogada.
— Eu deveria ir junto – disse Grissom – eu trabalhei no caso de Amanda.
— Gil Grissom você não sai mais daqui até o caso solucionar.
— Eu não posso ficar preso.
— Eu disse a mesma coisa. – retrucou Sara.
— Eu ordeno que não – afirmou Hotchner – outro CSI pode ir.
— Eu vou. – ofereceu-se Warrick.
— Perfeito – concordou Hotchner – Alvez você vai buscar Lady Heather, ela precisa ser informada sobre Alexia e vamos questiona-la sobre Mona Taylor e se ela sabe qualquer coisa referente à hipnose, Blake vai junto com você.
— Entendido. – disse Alvez e Blake também assentiu.
— Seria possível que pelo menos a mãe de Amanda fosse trazida para cá – pediu Grissom – eu quero conversar com ela.
— Está bem – aceitou Hotchner – a proposito senhor Grissom você ainda tem consigo aqueles cartões de Natal?
— Eu não sei preciso procura-los.
— Faça isso. – exigiu Hotchner, alguns ficaram confusos com aquele pedido exceto Sara, pois Grissom lhe revelou sobre os cartões, a contragosto de Grissom, Agatha esclareceu a todos sobre o pedido de seu esposo, Gil Grissom não suportava ter detalhes da sua vida exposta, mas infelizmente ele era o alvo e segredos não eram toleráveis a Aaron Hotchner se os mesmos tinham envolvimento com o caso.
As tarefas designadas pelo agente chefe da UAC precisavam ser cumpridas, Grissom reprovava a decisão do FBI de não poder sair, entretanto não adiantaria ele insistir a partir do momento que o FBI ficava a frente de um caso eles comandavam só que Aaron Hotchner não fazia aquilo para expor autoridade e sim para proteger Grissom e Sara.
— Ficara de castigo comigo. – cochichou Sara em seu ouvido, pois ela também não concordava muito em ficar isolada do exterior, mas com Grissom ao seu lado ela não via aquilo como algo ruim.
[...]
Desta vez foi Rossi a ficar a frente do volante no lugar do capitão Brass que ficou ao seu lado no banco de passageiro enquanto Seaver e Warrick sentaram no banco de trás.
A antiga residência de Amanda Carter ficava em um bairro distante de Las Vegas, Brass comentou que o bairro além de distante era conhecido por ser perigoso, a criminalidade era dominante pelo lugar, todavia aquilo não intimidava nenhum deles que já encararam situações similares ou piores, porém para evitar transtornos Rossi procurou por um estacionamento pago próximo a vizinhança, não seria nada legal ter o carro roubado enquanto interrogavam a senhora Carter.
Assim que chegaram a residência o capitão bateu três vezes a porta anunciando sua chegada:
— Elizabeth Carter, Polícia de Las Vegas. – ele teve que bater mais vezes até ser atendido.
— Qual é o problema? – um homem marrento dos cabelos grisalhos e tatuagens pelos braços atendeu a porta.
— Polícia de Las Vegas e FBI – declarou Brass – a senhora Carter se encontra?
— A minha mulher não tem nada a falar com vocês – o homem tentou fechar a porta, mas a agente Seaver impediu – ei mocinha afasta-se daqui!
— Olha lá como fala! – repreendeu Warrick – Quer ser preso por desacato a autoridade?
— Negro quando é policial são os mais folgados! – reclamou o homem.
— Você acha? – Warrick pegou o homem pelo colarinho – E homens que nem você se acham os corajosos, mas não são.
— Se não quiser um problema federal é melhor deixarmos entrar. – ameaçou Rossi.
Warrick largou o homem que contrariado deu passagem para que eles adentrassem a casa.
A senhora Carter estava jogada a um sofá marrom desbotado com uma garrafa de cerveja na mão e um cigarro quase no fim na outra, ela dedicava sua atenção a um programa de televisão.
— Elizabeth Carter? – indagou Brass observando a bagunça do lugar, eram roupas espalhadas pelos cantos, embalagens de salgadinhos e garrafas de cerveja vazias pelo chão.
— Capitão Brass? – a senhora Carter virou o pescoço para olha-los – Está com alguns cabelos brancos.
— Você também, viemos aqui para falar com a senhora.
— Quem são os outros? – ela deu a última tragada em seu cigarro e o último gole em sua cerveja.
— CSI Warrick Brown e os agentes federais David Rossi e Ashley Seaver.
— FBI? – a senhora arregalou os olhos.
— O que aprontou mulher para que os federais viessem aqui? – esbravejou o marido.
— Quieto. – exigiu Warrick o encarando – Quer ficar calado em uma boa ou quer ficar algemado?
— Eu só quero saber o que querem.
— Não se preocupe, não viemos procurar drogas pela casa, hoje é seu dia de sorte. – respondeu Seaver, pois ela já notou a preocupação do homem.
— Viemos falar sobre Amanda. – respondeu Rossi a senhora Carter.
— Já sei, vocês encontraram o corpo dela por aí e vieram me comunicar? – era nítido que ela não nutria carinho nenhum pela filha.
— Você aguarda por isso não é? – retrucou Rossi.
— Ela é uma ordinária, só fiquei com ela até sua maior idade para não ser julgada de negligente, ela é uma vagabunda.
— Certas mulheres deveriam nascer sem útero. – comentou Seaver.
— Deveria mesmo, assim muitas não tinham filhas ordinárias como a minha – a senhora Carter mirou Seaver – a desgraçada era bonita assim como você, loira, olhos claros e com isso ela se usava para ser uma vadia, dava em cima dos meus namorados, dos vizinhos, os homens não podiam vê-la, era uma ridícula!
— Você odeia sua filha por causa da beleza? – Seaver ficou inconformada – Tudo isso é inveja?
— Quando Amanda era criança até que era adorável não me dava trabalho, depois veio a maldita puberdade, criou seios, quadris largos, seus cabelos ficaram mais sedosos e com isso ela achava que podia tudo, ela teve coragem de seduzir meu namorado e depois disse que foi violentada.
— Ela realmente foi violentada – afirmou Brass – aquele seu ex-namorado era um mau caráter, ele violentou outras garotas além dela, era um pedófilo e hoje cumpre perpétua.
— Culpa dessas garotinhas que exibem seus corpos em saias curtas e shorts apertados!
— Como ousa dizer tamanha barbaridade? – Seaver estava completamente indócil.
— Seaver vá com o CSI analisar o quarto da filha. – pediu Rossi.
— No final daquele corredor. – indicou Brass.
Seaver foi a contragosto, Rossi deu a ordem para que a agente não perdesse mais paciência e também quem sabe encontrar alguma pista sobre Amanda.
[...]
O agente Alvez regressou ao departamento na companhia de Lady Heather, ele informou a ela que Alexia era culpada que além de provas ela havia confessado, Heather ficou renitente e decepcionada, ela confiou anos em Alexia e acabou sentindo-se estúpida e traída, porém solicitou falar com a mesma antes de sua prisão.
Alexia Walker ainda estava algemada na sala de interrogatório em vigia policial, Heather ao chegar deparou-se com Grissom e Sara.
— Como se sente? – perguntou Grissom educadamente enquanto Sara encarava Heather, a dominatrix ainda a incomodava.
— Chocada, eu acho que esta é a palavra que me define. – respondeu Heather.
— Ficamos frustrados também, você vai falar com ela? – Grissom apontou para a janela de vidro onde podia visualizar Alexia.
— Eu preciso.
— Fique a vontade. – Sara abriu a porta da sala e deu passagem a Heather que agradeceu a gentileza.
Alexia arregalou os olhos ao ver Heather entrar, pois ela não imaginava que fosse mais vê-la depois de ter sido descoberta.
— Heather!
— Eu confiei em você – disse Heather – te dei um lar, um trabalho decente, te dei minha amizade, me tornei sua família e você me retribui tentando me matar?
— Eu te amo Heather, mas eu amo a dominatrix que é, não a suporto a ver se rastejando por alguém, você mudou.
— Eu não mudei – Heather não era de expor sofrimento, todavia ela estava muito magoada, ela passou anos confiando em Alexia, acreditou cegamente que a assistente era sua melhor amiga e não segurou as lágrimas – eu nunca mudei e mesmo se eu tivesse mudado você não poderia ter feito isso... Você é insana.
— Eu não queria te fazer chorar – Alexia também começou a choramingar – eu te amo.
— Você não me ama, você criou uma fantasia doentia de mim, você me idealizou de uma maneira que eu não sou.
— Você é sim! – berrou a outra – Pelo menos já foi... Heather você é uma mulher incrível, uma dominatrix maravilhosa, eu sonho ser igual você, você é meu exemplo.
— Eu sou sim uma profissional do ramo sexual, eu sou sim experiente em BDSM, eu ajudo as pessoas a realizarem suas fantasias sexuais ou amorosas, eu sou uma dominatrix sim, mas antes disso tudo eu sou humana, eu tenho sentimentos, eu me apego e desapego, eu dou risada, eu choro quando é necessário, não sou essa “deusa” que você criou na sua mente.
— E aquela mulher que domina os homens? E aquela mulher poderosa? Foi tudo mentira?
— Eu nunca fui uma mentira, a única mentira aqui foi você... Eu confiei em você e o que eu ganhei foi uma apunhalada de tesoura?
— Você só vai focar nisso? E as demais coisas que fiz por você? Eu vivi para você Lady Heather! Esqueceu? Eu era a faz tudo, cuidava das sua refeições, preparava com carinho seus chás da tarde, te fazia adormecer com minhas massagens, eu era sua companheira e quando queria abrir uma garrafa de vinho e desabafar seus problemas? Passei noites ouvindo você se lamentar sobre o policial forense, sobre Zoe... E você está magoada por causa da apunhalada de tesoura? Eu cometi apenas uma falha com você.
— Você não tem que ir para a cadeia e sim para o sanatório. – Heather não suportava mais olhar para Alexia e saiu da sala.
— Heather, volta aqui, eu te amo! – escandalizou a outra que precisou ser contida por um policial.
Grissom, Sara, Hotchner e sua esposa acompanharam pela janela de vidro o diálogo das duas.
— Agente Hotchner – disse Heather secando as lágrimas – ela precisa de tratamento, ela está doente.
— Só um júri pode determinar o futuro dela. – explicou o agente.
— Eu sei que está abalada, mas eu preciso perguntar – disse Agatha – quem é Zoe?
— Não vem ao caso. – Heather mirou Grissom.
— Gil você sabe de alguma coisa? – Sara notou que Heather pedia pelo olhar a Grissom que ele ficasse calado.
— Não, isso é assunto pessoal de Lady Heather não interfere no caso.
— Lady Heather precisamos conversar. – afirmou Aaron Hotchner que conduziu a dominatrix para outra sala.
Foi explicado a Heather sobre a hipnose e o nome de Mona Taylor ter surgido em meio a tudo isso.
— Mona não era hipnoterapeuta, apenas uma sexóloga que trabalhou comigo alguns anos. – explicou Heather já recomposta do seu pranto.
— Você nunca trabalhou com ninguém que era profissional nesta área? – indagou Agatha.
— Não, mas eu me recordo de uma cliente... – Heather fechou os olhos querendo obter lembranças – Ela era uma cliente de Mona, segundo ela a mesma tinha dificuldades de ter relação sexual porque foi abusada sexualmente na sua adolescência.
— Diz que lembra o nome dela! – Sara já ficou eufórica.
— Mona tinha uma lista de seus clientes, ela tinha um consultório em minha casa.
— Depois dela você contratou outra pessoa? – perguntou o agente Hotchner.
— Não, porque ainda tinha esperanças de que encontrassem Mona, o consultório dela está lá, apenas peço que alguma faxineira faça uma limpeza, mas não permito que modique nada.
— É possível que a lista de clientes esteja lá guardada no consultório?
— Sim senhor Hotchner.
— Eu vou pedir para Morgan e Prentiss irem até lá. – Hotchner pegou seu celular e enviou uma mensagem aos agentes.
— Eu sou a melhor! – Garcia adentrou a sala sem bater a porta.
— O que foi Penélope? – Agatha não conseguiu segurar o riso.
— Eu peço desculpas, disseram que meu chefe estava aqui, mas não sabia que estivesse ocupado. – Garcia ajeitou seus óculos dessa vez da armação azul e fitou Lady Heather dos pés a cabeça.
— Pode falar o que está pensando. – disse Heather.
— Adorei sua vestimenta – elogiou Garcia do seu jeito descontraído – você é a dominatrix?
— Dominatrix Lady Heather ao seu dispor. – Heather sorri para a analista.
— Uau, você é linda! Sabe eu sempre tive curiosidade sobre dominação e submissão enfim essas coisas do BDSM e...
— Garcia. – seu chefe lhe chamou a atenção.
— Desculpe senhor – Garcia ficou constrangida – eu vim com novas informações.
— Eu espero que boas. – Sara não pode deixar de comentar.
— CSI Sidle eu acho que são – Garcia entregou seu tablet ao chefe – vejam, consegui informações bancárias de Mona Taylor.
— O que? – Heather não reprimiu seu espanto.
— Mona Taylor tinha uma poupança generosa – aclarava a analista – enfim para essa quantia enorme de dinheiro estar em uma poupança ela tinha planos grandes para o futuro.
— Mona desejava ser mãe – explanou Heather – porém ela não queria ter um casamento para isso, ela me disse uma vez que ia procurar uma excelente clínica de fertilização, ela guardava o dinheiro para isso e o enxoval.
— Porém essa quantia enorme de dinheiro foi sacada há um ano e pouco.
— Na época em que os crimes começaram – disse Grissom – foi aberta uma ocorrência do desaparecimento de Mona Taylor, o capitão Brass exigiu que o banco notificasse qualquer movimento bancário.
— Foi estupidez do gerente, eu entrei em contato com o banco – prosseguiu Garcia – o mesmo me disse que Mona foi cancelar a poupança e retirou o dinheiro, ele disse que achou que a mesma não estava mais como desaparecida e autorizou a transação.
— Isso significa que Mona está viva? – Heather teve um pouco de esperança.
— Não sei dizer por que no sistema constou isso, porém não sabemos ainda se foi Mona mesmo que fez isso ou alguém que se passou por ela.
— O que será que houve com Mona? – Heather se afligia.
— Tem mais informações aqui. – disse Agatha verificando o tablet.
— Isto é outro assunto – Garcia mirou Heather depois voltou sua atenção a Agatha – eu continuo a cavar qualquer coisa que ligue a este caso ou a alguém envolvido como os CSI Grissom e Sidle e até mesmo a dominatrix.
— Sobre mim? – Heather ficou surpresa.
— Sim, eu verifiquei e você tem uma filha chamada Zoe Kessler.
— A mesma que Alexia mencionou. – elucidou Sara.
— E onde a minha vida pessoal entra nisso? – questionou Heather cruzando os braços.
— Que ela se hospedou em um hotel em Las Vegas na noite passada.
— O que? – Heather levantou-se do assento que estava – Grissom minha filha está em Vegas, sabia disso?
— O que o Grissom tem haver com isso? – Sara colocou-se de pé.
— Sara, acalme-se. – exigiu Grissom.
— Não Gil eu não vou me acalmar, chega de segredos, você sabe de muitas coisas e a maioria é tudo envolvido a ela.
— Senhor Grissom eu não vou tolerar nenhum mistério, se ambos tem alguma coisa a esconder é melhor revelar eu não estou para brincadeira, temos um caso a resolver. – afirmou o agente Hotchner.
— Não somos obrigados a expor tudo, isso sobre a filha de Heather é algo pessoal dela e a mesma me pediu sigilo.
— Gil, por favor, isso não é hora de bancar o grande amigo da dominatrix. – Sara estava incomodada.
— Perdão Gil Grissom – disse Agatha que pegou o tablet de Garcia das mãos de seu esposo – mas esse caso pessoal de Lady Heather tem elo com este, pois aqui consta que o endereço onde Zoe se hospedou é o mesmo que Sara anotou, ou seja, aquele informado pela suspeita na chamada misteriosa.
— O que? – Sara tomou o tablet das mãos de Agatha – Sua filha então me ligou ontem à noite?
— O que? Está maluca Sara, está fora de si. – defendeu Heather.
— Eu recebi uma chamada quando Grissom estava no hospital com você – Sara apontava para Heather – dizendo que Grissom se encontrava neste hotel e que ele me aguardava, vai dizer que é coincidência?
— Sara pode ser alguém se passando por Zoe. – disse Grissom.
— Óbvio que você irá ficar do lado da sua dominatrix não é?
— Sara, fica calma. – pediu Agatha.
— Chega de me pedirem para ficar calma, chega! – escandalizava Sara – Eu tenho que ficar presa aqui por causa de uma maluca, toda evidência encontrada leva a Lady Heather, sempre assim!
— Sara fica calma se não é melhor você se afastar do caso. – pediu Grissom.
— Me afastando de novo? Como sempre não é? Típico da sua parte, sempre me afastando de tudo da sua vida!
— Sara você está descontrolada.
— A minha vida está descontrolada Grissom, desde que você entrou nela! Quer saber? Peça para a sua dominatrix ler para você “O Caso Dos Dez Negrinhos”! – Sara largou o tablet sobre a mesa e retirou-se da sala.
— Os dois afastados do caso. – determinou o agente Hotchner.
— O que? – Grissom o encarou.
— Sara está instável e você senhor Grissom sempre ocultando alguma coisa.
— Eu não vou me afastar do caso.
— Está afastado, isso é uma ordem e eu vou comunicar ao seu supervisor Conrad Ecklie, você e Sara serão enviados a um lugar seguro com proteção vinte e quatro horas.
— Este caso é meu é da minha equipe, vocês estão aqui por causa do xerife e do prefeito que só se preocupam com suas imagens.
— Eu tenho jurisdição federal senhor Grissom, o caso foi transferido para a minha equipe da UAC, eu estou a frente do caso e eu decreto que você e Sara estão fora da investigação e sobre vigilância do FBI para a própria segurança.
— Eu não aceito. – Grissom saiu da sala.
— Agatha. – clamou Hotchner.
— Sim.
— Colete todas as informações de Lady Heather sobre a filha, eu quero todos os detalhes.
— Sim senhor.
— Garcia, procure qualquer coisa ligada a Zoe Kessler e ainda procure sobre Amanda Carter.
— Sim senhor. – Garcia pegou seu tablet e retirou-se da sala.
O agente Hotchner foi providenciar o local onde Sara e Grissom seriam levados para ficar em segurança enquanto Agatha ficou com Lady Heather para interroga-la sobre sua filha.
[...]
Rossi, Seaver, Warrick e o capitão Brass não obtiveram informações do paradeiro de Amanda Carter com a mãe da mesma, porém a pedido de Grissom eles levaram a senhora Carter para ser interrogada.
Morgan e Prentiss foram a casa de BDSM e encontraram a lista de clientes de Mona Taylor.
JJ se deparou com um novo mistério: quem era a repórter que foi atrás de Grissom? O analista Hodges admitiu ter dado alguma informação, porém JJ não conseguiu identifica-la, ela telefonou para vários jornalistas que se recusavam a revelar qual foi fonte que forneceu a informação até que um repórter resolveu ajudar e revelou a JJ que recebeu uma ligação anônima informando sobre o crime com Lady Heather.
Grissom e Sara foram notificados sobre o lugar em que se isolariam, Conrad Ecklie estava ciente de tudo, Grissom não aceitava aquela decisão do agente Hotchner, entretanto não adiantou nada ele tentar dialogar com seu supervisor para reverter aquela situação, era o FBI que mandava naquele caso e as decisões dos federais tinham que ser acatadas.
Agatha depois de colher todas as informações necessárias sobre a filha de Lady Heather procurou por Sara e foi informada por Greg que ela estava no vestiário arrumando suas coisas para ser transferida dali para o esconderijo.
— Sara. – chamou Agatha ao entrar no vestiário.
— Oi. – retorquiu Sara desanimada.
— Eu sinto muito por tudo isso.
— Se o seu esposo ordenou, fazer o que? Vocês são agentes federais.
— Não digo só por isso, eu digo por tudo.
— Eu agradeço a gentileza, mas me poupe da sua empatia.
— Isso vai acabar você vai ver.
— Eu deveria ter ficado em São Francisco – Sara arrumou sua bagagem e trancou a porta do seu armário – foi um erro atender aquela ligação do Ecklie, eu estava em paz.
— Mas corria perigo.
— Eu estava em São Francisco, não há indicio de que esta maluca esteja lá, eu morro de medo de que algo aconteça a Grissom eu fico me martirizando, desejando que este caso tenha fim e só tenho sofrido, até mesmo em uma situação como essa Lady Heather está entre nós.
— O que está te angustiando? O caso ou Lady Heather?
— As duas coisas.
— Sara, venha cá – Agatha pegou na mão de Sara – nós vamos solucionar este caso e assim que está infeliz for presa você precisa sentar com Grissom e conversar claramente com ele admitir que Heather a incomoda.
— Para que?
— Porque em uma relação o diálogo é importante e necessário.
— Se isso que eu tenho com Gil é uma relação eu quero é término porque eu não aguento mais viver essa relação conturbada.
— Está falando isso da boca para fora.
— Não estou... Porque as coisas entre nós não podem ser normais? Como você e seu esposo? Os dois são agentes do FBI, trabalham juntos e o relacionamento de vocês não é segredo não é problema, vocês não devem ter uma terceira pessoa que assombra a convivência de vocês.
— Acha que foi fácil a minha relação com o Hotch? Sara nós éramos que nem você e o Grissom, primeiro fugimos do que sentíamos depois passamos a ter um caso escondido, Hotch só desvendou que me amava aos demais quando eu estava nas mãos de um psicopata obcecado por mim depois disso tudo o mesmo infeliz volta a me perseguir justo quando ficamos noivos, não foi fácil.
— Você não tem ideia do que eu vivo por causa do Grissom.
— É nítido que nasceram um para o outro.
— Não acredito nessas coisas de destino.
— Sara você precisa descansar, está com olheiras e precisa manter a calma mesmo que não goste que digamos isso.
— Você é uma excelente agente, tem sido muito legal comigo desde o começo.
— Eu fiz um juramento para este país quando me tornei agente que é defender e salvar qualquer cidadão que precise.
— Obrigada. – Sara abraçou Agatha.
— Fique com isto – Agatha deu seu relógio a ela – por favor.
— Simpatia da sua parte, mas eu tenho um relógio.
— Fique com este aqui – Agatha insistiu e colocou o relógio no pulso de Sara – qualquer problema é só consertar as horas apertando esse minúsculo botão.
— Está bem – Sara ficou envergonhada em rejeitar a gentileza que aceitou.
— Fique bem. – Agatha a abraçou.
— Obrigada. – Sara pegou suas coisas e saiu do vestiário.
[...]
Grissom a contragosto arrumou seus pertences no vestiário masculino e foi organizar algumas coisas em seu escritório, ele escalou Greg para cuidar de sua aranha enquanto ele ficava ausente, após a várias recomendações ele estava pronto para ser levado ao local de segurança.
Alvez, Morgan, Blake e Prentiss ficariam responsáveis pela vigilância do casal, Grissom estava pronto aguardando ser levado, porém os agentes não encontravam Sara pelo departamento e nem pelo laboratório.
— Onde está a Sara? – perguntou Grissom ao agente Hotchner assim que soube que ela não era encontrada em lugar nenhum.
— Era para estar com você para irem juntos. – respondeu Hotchner.
— Não a encontro – disse Nick adentrando a sala de Grissom – eu ajudei os agentes a procurarem, ela não está aqui.
— Acabei de vir do andar do necrotério – anunciou Catherine – o doutor Robbins disse que não a viu.
— Como assim ela não está aqui? – Grissom já temia o pior – Ela tinha que estar aqui!
— Alguém já tentou o celular dela? – indagou Nick.
— Está desligado ou fora de área – confirmou Warrick entrando sem pedir licença – sem rastro de Sara.
— Isso é sua culpa – Grissom apontou o dedo para o agente Hotchner e saiu da sala – Sara! Sara!
Procuraram mais uma vez em todos os lugares, nenhum sinal e foi deduzido que ela saiu sozinha, todos se reuniram para discutir o sumiço.
— Quem foi a última pessoa a ter contato com ela? – perguntou Rossi.
— Eu acho fui eu – manifestou Agatha – eu fui ao vestiário conversar com ela tentar consola-la.
— Ela deu indicio de que planejava alguma coisa? – Grissom estava fora de que agarrou o braço da agente.
— Larga o braço da minha esposa. – o agente Hotchner perdeu a paciência.
— Não... – Agatha recordou-se do diálogo com Sara – Ela se lamentou de ter voltado para Vegas, disse que estava bem quando estava em São Francisco.
— Ela tem noção do perigo, não iria sair assim. – disse Greg.
— Sara é teimosa. – afirmou Nick.
— Ninguém estava a vigiando? – indagou Catherine – Ela estava sobre proteção.
— CSI Willows foi ordenado que ela não saísse das dependências daqui, era necessário alguém ficar na cola dela? – retrucou Seaver.
— Sara é teimosa, ela não suporta pressão chegaria um momento em que ela explodiria.
— Devíamos termos sido avisados sobre isso. – disse Reid.
— É mesmo gênio? – retrucou Nick – Vocês não analisam o comportamento humano? Inclusive um gênio como você, deveria ter imaginado algo!
— Eu sou um gênio, não significa que posso prever o futuro.
— Eu disse que não aceitava tal decisão – Grissom encarou Hotchner – a culpa foi sua!
— Sara Sidle sabia que não poderia sair sozinha. – retrucou o agente e assim se iniciou uma discussão entre todos.
Falando ao mesmo tempo ninguém compreendia nada, trocavam farpas entre si até que Agatha deu fim aquela desavença:
— Chega! – Agatha usou toda a potência de sua garganta e deste jeito fez todos calarem para a fitarem – Vocês acham que ficar discutindo, procurando um culpado para isso vai solucionar alguma coisa? Estão nessa sala cientistas e perfiladores!
— E um oficial da polícia. – disse Brass.
— Enfim, todos nós aqui somos adultos e inteligentes, sabemos que ficar de bate-boca não vai solucionar nada, Sara não vai regressar assim do nada, algo deve ser feito!
— Tem razão – concordou Nick envergonhado – desculpa gênio, eu não quis ofende-lo é que Sara é minha amiga.
— Não se preocupe, não fiquei ofendido. – tranquilizou Reid.
— Certo – o agente Hotchner que sempre mantinha a postura séria também ficou impaciente e ficou frustrado com a bronca que precisou levar – temos que usar a mente.
— Pelo visto eu fui a última pessoa a falar com Sara – prosseguiu Agatha – nós conversamos e nos despedimos... Espere!
— O que foi? Lembrou-se de algo? Sara te disse alguma coisa? – interrogou Grissom.
— Quando eu fui conversar com Sara eu tive uma sensação estranha, sei lá, ela me abraçou e eu senti algo sobre ela, sei que podem achar bobagem, mas eu creio que era o meu sexto-sentido me avisando algo.
— E... – disse Catherine.
— Eu entreguei o meu relógio. – Agatha exibiu seu pulso.
— Grande coisa! – reclamou Greg.
— Aquele relógio? – perguntou Hotchner admirado.
— Sim. – afirmou Agatha.
Ninguém compreendeu o casal naquele momento, muito menos ao agentes que conviviam com ele e foi preciso que eles se explicassem:
— Todos da minha equipe sabem o que Agatha e eu sofremos – começou Hotchner – os demais souberam um pouco do fato, Agatha teve um perseguidor, ele cometeu várias atrocidades porque ele fantasiava uma relação com ela.
— Hotch e eu sofremos muito, nossas vidas ficaram por um tris, mas conseguimos nos salvar. – prosseguiu Agatha.
— Desde então Agatha e eu lutamos com o trauma deste pesadelo – continuou Hotchner – eu temo a todo instante que algo aconteça a ela, enfim, por conta disso eu criei meios dela me pedir ajuda caso estiver em apuros – Hotchner exibiu seu relógio – isto aqui não é um relógio comum.
— Assim como o meu – explicou Agatha – nossos relógios contem um mecanismo onde eles se tornam escuta e pedido de socorro, se um dos dois apertarmos um botão minúsculo que os relógios possuem estamos pedindo socorro.
— Isso significa que... – Grissom estava perplexo.
— Sara está com o relógio e eu dei indicações a ela sobre o mesmo, não claramente, mas disse que qualquer coisa ela apertasse o botão.
— Porque fez isso? – perguntou Nick.
— É como eu disse antes, meu sexto-sentido dizia algo, eu tive uma sensação então entreguei o relógio.
— Então se Sara apertar o botão podemos descobrir onde ela está? – perguntou Grissom.
— Sim e pode significar que ela corre perigo.
— Pegue – o agente Hotchner tirou seu relógio e entregou a Grissom – fique com ele, se Sara pedir socorro você será o primeiro a saber. – Grissom aceitou o relógio e o prendeu em seu pulso.
Eles não poderiam ficar parados aguardando Sara dar um sinal, eles tinham que encontra-la antes que fosse tarde demais e eles começaram a debater ideias e planos para rastrear Sara Sidle.
[...]
Com dificuldade Sara abriu os olhos, sua cabeça latejava uma dor insuportável e com esforço colocou-se sentada no colchão em que se encontrou deitada, passando a mão na parte da cabeça que estava dolorida sujou suas mãos de sangue e era nítido que havia sido golpeada.
— Já acordou? – uma mulher loira adentrou o cômodo e trancou a porta.
— Quem é você?
— Ora Sara Sidle não teve curiosidade nenhuma em procurar uma foto minha pelo sistema da polícia? Tudo bem que eu estou mais velha, mas não mudei quase nada desde os meus quinze anos.
— Amanda! – Sara no impulso tentou sacar sua arma, porém não estava com a mesma.
— Acha que eu sou estúpida? – a loira apontou a arma – Acha que iria deixa-la armada? Agora sua arma é minha.
— Não faça besteira. – Sara levantou as mãos.
— Está com medo? Se você for boazinha eu prometo não machuca-la.
— Eu juro.
— Gosto assim, eu vou buscar algo para a sua ferida na cabeça. – a loira saiu trancando a porta.
Sara correu até a porta tentando abri-la em vão, depois se procurou por uma janela na esperança de fugir, mas o local não tinha janela nenhuma, Sara deu alguns murros contra a parede, observou o ambiente em que estava não tinha nada ali que pudesse ajuda-la, nada além do colchão.
Sara gritou por ajuda na fé de que alguém a ouviria, mas foi repreendida pela outra que foi até a porta exclamar:
— Você é idiota? Acha mesmo que eu te colocaria em algum lugar que alguém possa te ouvir? Pare de forçar a garganta!
— O que você quer? – retrucou Sara indo a porta – Fale Amanda!
— Grissom! Eu quero o meu adorado estranho de volta!
— Ele nunca foi seu!
— Cala a boca! – Amanda destrancou a porta e adentrou o cômodo dando uma coronhada na cabeça de Sara.
Sara desmaiou com o golpe da arma em sua cabeça, Amanda a arrastou até o colchão e saiu trancando a porta. Não se sabe exatamente quanto tempo Sara ficou desacordada, mas assim que despertou reclamou da dor insuportável de cabeça que sentia.
Ela logo pensou em Grissom, depois em todos do laboratório, lembrou-se do FBI trabalhando no caso e até mesmo de Lady Heather, reviveu em pensamento a conversa que teve com Agatha Hotchner antes de partir, Sara saiu com a intenção de regressar ao seu apartamento, ela acreditou que pudesse ficar em paz se ficasse sozinha um pouco, mas sabia que não a autorizariam e saiu sorrateiramente, recordou que chegou até o seu apartamento, que abriu a porta, que foi até a cozinha a procura de uma cerveja na geladeira e então não conseguiu lembrar mais nada. Amanda Carter estava em seu apartamento? Fazendo o que? A aguardando? Desde quando?
Relembrou mais uma vez o diálogo com a agente Hotchner e algo lhe veio a mente: a agente havia entregado seu relógio a ela.
“... Qualquer coisa é só consertar as horas apertando esse minúsculo botão” foi o que disse a agente a ela.
Sara tateou pelo relógio em seu pulso, mas ao olhar viu que não estava com o mesmo, notou também que não estava com sua correntinha que sempre usava no pescoço e reparou que estava descalça e que a roupa que usava não era a que vestia antes. Ela gritou mais uma vez, um grito de desespero, de desabafo e medo que lhe assombrava, estava presa em um pequeno cômodo sem nenhuma janela, não tinha ideia da onde poderia estar, poderia estar em qualquer lugar de Las Vegas.
A obsessão é a conseqüência de uma mente enfraquecida.
(Valdeci Nogueira)

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