O Perfil da Evidência
14 Capítulo 14 - Quem é Alexia? (Parte Dois)
Notas iniciais
O que nós mais desejamos e buscamos, é nosso objeto de adoração.
(John Piper)
Guardando suas anotações no bolso da jaqueta Catherine bateu a porta do quarto de Heather que estava entreaberta pedindo licença.
— Suas roupas. – Catherine entregou a sacola.
— Obrigada Cath, soube que Alexia veio me buscar. – respondeu Heather ao pegar a sacola.
— Por procedimento da polícia e por ela ser sua amiga, nós vamos interroga-la.
— Alexia é uma suspeita? – Heather mirou Grissom exigindo esclarecimento, pois o mesmo não havia dito nada.
— Gil porque não damos privacidade a Heather? Ela precisa se trocar. – Catherine pegou Grissom pela mão para se retirar do quarto.
— Eu não quis anunciar de imediato que Alexia é uma suspeita – justificou Grissom – e eu percebo que tem novidades.
— Warrick me ligou, foi feito o exame toxicológico na amostra de sangue de Heather, continha componentes que são encontrados em medicações para enjoo.
— Ela pode ter ingerido algum comprimido.
— Eu peguei o depoimento dela – Catherine pegou do bolso suas anotações e mostrou a Grissom – ela mencionou sobre Alexia ter lhe feito um chá a pedido dela não me disse nada de se medicar, não disse que sentia enjoo.
— Estranho – Grissom foi captando o pensamento de Catherine – medicações como essa causam sonolência.
— Ela me disse que em época de frio ela adormece mais rápido, mas não disse nada do remédio.
— Onde está Alexia?
— Nos aguardando no carro na companhia de Brass, a agente Hotchner entrou em contato com o agente Alvez, ela disse que ele é ótimo para providenciar locais seguros.
— E eu sou – o agente Alvez surgiu no corredor na companhia de Agatha, ele havia ouvido o fim da conversa – onde está a paciente?
— Vestindo-se – informou Grissom – o lugar que providenciou é seguro mesmo?
— Sim senhor Grissom e fique tranquilo, eu fiz uma pequena experiência na CIA sou ótimo nessas coisas. – gabou-se Alvez.
— Heather já foi informada de algo? – indagou Agatha.
— Ainda não, mas ela desconfia porque boba ela não é. – retrucou Catherine.
— Eu vou conversar com ela. – Agatha foi ao quarto e pediu licença para entrar.
Heather já havia se vestido, ela colocava suas bijouterias, pois Alexia já havia levado tudo para ela.
— Alexia é muito eficiente – comentou Heather – ela já me trouxe tudo, ela me conhece bem.
— Percebe-se – disse Agatha – Lady Heather você será levada a um local seguro para o seu próprio bem e como foi atacada na noite passada é arriscado ficar em sua casa de BDSM até porque a mesma é uma cena de crime.
— Eu prefiro o meu chalé – Heather calçou suas botas – eu tenho um chalé confortável e quase ninguém sabe dele.
— Infelizmente Heather você acatará nossas ordens.
— Porque vocês são federais? Eu não sou nenhuma criminosa, eu fui uma vítima.
— Você é uma vítima Lady Heather e até que este caso não se resolva ficará onde determinamos.
— Eu tenho meu direito de ir e vir não é mesmo?
— Eu esqueci – Agatha falou com deboche – você não gosta de obedecer muito não é? Ser submissa não é muito sua praia.
— E você já foi bastante tem muita experiência nisso.
— Ouça aqui – Agatha apontou para Heather – eu sei que você sabe então faça o favor de não querer me provocar com estes comentários.
— Você se arrepende?
— Amargamente e eu paguei caro por isso.
— Não superou? – desta vez Heather tinha preocupação.
— Eu vou superando, mas ficam cicatrizes.
— Cicatrizes são marcas do que vivemos, mas elas não devem decidir nosso futuro.
— Voltando ao assunto, o agente Alvez lhe aguarda.
— Com todo o respeito agente Hotchner eu prefiro o meu chalé.
— Espere um momento. – Agatha saiu do quarto.
— Ela está pronta? – perguntou Grissom.
— Sim, Grissom vá até lá e diga a sua amiga que ela vai para o lugar onde o FBI determinou sem discussões.
— O que? – Grissom ficou confuso.
— Você domina. – afirmou Agatha e Grissom estranhou um pouco, mas foi ao quarto explicar a Heather de que ela ficaria no local providenciado pelo FBI.
[...]
Em meio a protestos Alexia Walker foi levada para interrogatório, ela alegava que Lady Heather necessitaria da pessoa dela, mas não se foi dado créditos ao seu falatório.
Os demais funcionários de Lady Heather já estavam presentes no departamento de polícia, eles disponibilizaram sem discussões amostras de DNA e impressões digitais, todos queriam provar que eram inocentes.
Nick e Greg colheram as amostras e foram comparar com as achadas na arma do crime que foi a tesoura, mas nenhuma compatível até aquele momento. Assim que Alexia Walker chegou para o interrogatório Greg colheu seu DNA e tirou suas impressões digitais para a análise.
O capitão Brass conduziu a suspeita a sala de interrogatório e questionou se a mesma exigia um advogado, porém ela negou o auxilio de um profissional de direito.
Enquanto alguns agentes iam interrogando os demais funcionários, outros foram verificar a pista que a analista Garcia encontrou referente à hipnose.
Sara estava na copa de frente a máquina de guloseimas, ela encarava uma lata de refrigerante estava na dúvida se consumia ou não o produto. Grissom adentrou a copa silenciosamente, Sara estava de costas a ele, ela divagava em seus pensamentos que nem percebeu a presença dele.
— Sara. – clamou ele aproximando-se.
— Gil? – Sara piscou os olhos achando que estava sonolenta, ela virou-se e se deu de frente com ele – Gil!
— Sara. – repetiu ele, desta vez foi Grissom que puxou Sara para um abraço, enlaçando os dedos no cabelo da morena ele aspirou os mesmos sentindo-se aliviado, era gratificante estar na presença dela, era reconfortante senti-la próxima a ele e ter garantia de que ela estava bem.
Sara entrelaçou Grissom pelas costas entregando-se ao abraço, ela também o aspirou só que pelo pescoço e o cheiro dele lhe trouxe o mesmo sentimento de tranquilidade que ele tinha naquele instante.
— Sara – delicadamente ele fez com que ela o olhasse nos olhos – você está bem? Eu fiquei sabendo do telefonema.
— Eu estou e você?
— Eu estou bem... Sara me perdoa.
— Perdoar pelo o que?
— Por ter a deixado, eu deveria ter voltado para cá, eu prometo que a partir de agora não vou mais deixa-la sozinha.
— Gil...
— Sabe... – Grissom ajeitou algumas mechas de cabelo atrás da orelha de Sara – Eu comprei o livro “O Caso Dos Dez Negrinhos”.
— Eu vi na sua sala – Sara sorri – sim eu fui lá divagar e xeretar suas coisas, eu vi o título na instante.
— Você me falou tanto dele que eu me rendi.
— Mas você não começou a leitura ainda.
— Não, porque é você que vai ler para mim.
— O que? – Sara arregalou os olhos.
— Depois que resolvermos este caso, vou preparar um jantar para nós dois em minha casa, vou fazer aquela lasanha vegetariana que tanto gosta, comprar um vinho e depois da refeição iremos deitar e você irá ler para mim.
— Gil... – Sara sentiu o rosto queimar, as bochechas logo se coraram, ela sempre se admirava quando Grissom convidava ou planejava um encontro com ela já que ele era o mais reservado daquela conturbada relação.
— Mas enquanto isso – Grissom voltou o semblante sério – temos que trabalhar no caso.
— Sim, temos que trabalhar no caso. – concordou ela que beijando a bochecha de Grissom soltou-se do abraço.
[...]
O capitão Brass e o agente Hotchner ficaram responsáveis pelo interrogatório de Alexia Walker, a suspeita permaneceu na sala os aguardando, assim que eles adentraram ela começou a escandalizar:
— Até que enfim! Como ousam me deixar aqui sozinha esperando tanto tempo? Heather precisa de mim!
— Não se preocupe – retorquiu Brass despreocupado – sua Heather está bem.
— Ela está a salvo – garantiu Hotchner que sentou-se de frente a suspeita enquanto Brass ficou de pé próximo a janela de vidro que dava acesso para alguém observar o interrogatório sem que o interrogado visse.
— Podem colocar este ar no quente? Estamos em temporada de frio e vocês com este ar-condicionado no gelo! – protestou a suspeita.
— Claro que sim. – Brass pegou o controle do mesmo e mudou a temperatura do ambiente, antes a sala estava fria propositalmente, era uma tática antiga que se fazia quando ia se interrogar um suspeito: deixa-lo aguardando em um ambiente frio, pois o frio deixa a pessoa vulnerável.
— Não se estresse senhorita Walker – começou Hotchner – a trouxemos aqui para nos auxiliar neste caso.
— Auxiliar? – Alexia cruzou as pernas e os braços.
— Alguém entrou no quarto de sua patroa e a atacou com uma tesoura, você conhece a rotina dela muito bem, trabalha naquele lugar. – o agente falava de uma maneira convincente e tranquila fazendo a suspeita crer que estava ali para ajudar.
— Isto é verdade.
— Pode nos relatar o que houve após a agente do FBI junto a CSI irem embora da casa de Heather? – perguntou Brass.
— Sim – Alexia sentia-se mais confortável e assim apoiou seus braços sobre a mesa – Heather já estava preparada para o seu descanso, o movimento naquela casa é quase nulo no Inverno, os funcionários foram dispensados mais cedo, logo que as duas policiais saíram Heather foi descansar.
— Mas ela fez algo antes? Tomou um banho, leu um livro, bebeu alguma coisa?
— Quase ia me esquecendo – Alexia passou a mão em suas madeixas ruivas – ela pediu que eu lhe preparasse um chá de cidreira, Heather adora beber chá e nesta época de Inverno mais que o normal, ela sempre aprecia a bebida no final da tarde e a noite antes de dormir.
— Você preparou o chá e depois? – Brass cruzou os braços e ouvia tudo atentamente.
— Preparei o chá, levei a bebida até ela em seus aposentos e apressei-me em sair, eu tenho uma irmã caçula e a mesma está doente, uma gripe muito forte e eu prometi a minha irmã que iria cuidar dela a noite toda.
— Isso era que horas?
— Não reparei, mas já era tarde.
— Você reside com Lady Heather naquela casa? – desta vez foi Hotchner a questionar.
— Sim, há anos.
— Quantos anos?
— Uns dez anos.
— Uau! – exclamou Brass coçando a cabeça – Isto é bastante tempo, então você conhece Lady Heather muito bem.
— Sim, Heather é uma pessoa maravilhosa – Alexia estufou o peito para falar – ela me ajudou muito nessa vida, eu era uma garota de programa sofri muitas humilhações nessa vida, eu fui atrás de emprego na casa de BDSM dela, eu estava falida sem ninguém para me apoiar, passei maus bocados e Heather me acolheu.
— E a sua irmã caçula?
— Ela cursava engenharia em Harvard, ela sempre foi o orgulho da família, já eu a ovelha negra, mas não deixo de amar minha irmã, porém eu não poderia ir atrás dela a mesma estava garantindo seu futuro e eu tinha aquela vida porque fui estúpida então decidi me virar sozinha até conhecer minha Heather.
— É notável o seu carisma por Lady Heather. – comentou Hotchner.
— Sim, eu sou devota a Heather e eu não tenho vergonha de assumir.
— E ela é devota a você? – Hotchner semicerrou os olhos ao encarar Alexia.
— Como?
— Pelo visto você é uma pessoa muito importante na vida de Lady Heather, eu soube que ela confia muito em você que você é uma ótima assistente, eu creio que ela seja devota a você não é?
— Lady Heather hoje não vive sem mim.
— Você a ama?
— Sim.
— Você a ama? – repetiu Hotchner.
— Sim!
— Você a ama?
— Mas que droga é essa? – irritou-se Alexia – Eu já não respondi?
— Você é apaixonada por Lady Heather? – frisava Hotchner – A deseja?
— Como vocês homens são patéticos! – Alexia revirou o olho – Só porque eu sou muito devota a uma pessoa significa que eu estou apaixonada? Eu amo Heather sim, mas não desta maneira.
— Desculpe-me, é que deu a entender... – Hotchner exibiu-se constrangido.
— Não senhor, eu amo a Heather, mas não desejo ser amante dela.
— Eu compreendo agora – Hotchner mirou Brass brevemente – você conhece Gil Grissom?
— Claro que sim. – Alexia revirou o olhar mais uma vez.
— Parece não se simpatizar. – comentou Brass.
— Eu não me simpatizo muito mesmo com ele.
— Qual a razão?
— Minha Heather é uma mulher maravilhosa, ela é poderosa, pode ter qualquer um aos seus pés, ela é dominadora de tudo e de todos, mas foi esse policial forense surgir na vida dela que algumas coisas mudaram.
— Como assim? – desta vez Brass achegou-se a mesa e se acomodou em um assento.
— Ela se apaixonou! Eu nunca vi ela daquela maneira por alguém... Eu já testemunhei vários relacionamentos dela, ela sempre era a dominante, ela sempre me dizia “Você pode entregar tudo a um homem, seu corpo, seu coração, mas jamais entregue o seu poder” eu levo este ensinamento para toda a minha vida só que ela depois de se envolver-se com o senhor Grissom abriu mão de seu poder, ela permitiu que ele a dominasse.
— Eles tiveram alguma relação? – questionou Hotchner.
— Não muito duradoura, mas tiveram... Eles se conheceram quando ele foi até lá investigar sobre uma vítima que foi funcionária da casa, Heather no primeiro instante encantou-se com ele, vivia falando que ele era diferente e que estava disposta a desvendar sobre a pessoa dele já que o mesmo era muito reservado, depois da investigação ele passou a frequentar a casa, primeiro como um cliente, porém exigindo que Heather o atendesse só que logo depois isso passou a ser uma relação, ele ia lá e enfim, vocês sabem.
— Isso te incomodou?
— Eu não gosto de ver minha Heather sofrer – Alexia cruzou os braços novamente – ela se apaixonou por ele, acabou permitindo que ele fosse o dominador, abriu mão de seu poder então de repente em uma noite chuvosa ele vai até lá e termina tudo o que tinham porque ele descobriu ser apaixonado por uma mulher do trabalho, vocês sabem quem é, é aquela Sara Sidle.
— Percebe-se que isso te atormenta.
— Heather passou algumas semanas em depressão, trancou-se em seu quarto ela chorava dia e noite até que um dia ela disse que aceitava aquela situação e que desejava ser amiga dele, enfim, ele não deixou de frequentar a casa, quando não era algo de alguma investigação ele ia até Heather desabafar sobre o amor dele e minha Heather mesmo o amando o aconselhava.
— Você seria capaz de fazer qualquer coisa por Lady Heather?
— Qualquer coisa.
— Está bem, vamos retornar a noite passada, por acaso Lady Heather tomou algum remédio para dormir?
— Ela não é destas coisas, ela fala que medicações para dormir, ansiedade e depressão tudo isto vicia e não ajuda em nada, ela acredita que uma boa terapia com diálogos e exercícios mentais sejam a solução.
— Ela não tem dificuldades para dormir?
— Quando ela está com problemas referente a isso ela me convida para ficarmos conversando a noite toda, eu lhe faço um bom chá e depois uma massagem e assim vou a relaxando até que ela adormeça.
— Além de você tem algum funcionário com esta intimidade? Tem alguém que tem livre acesso ao quarto dela? – perguntou Brass.
— Não.
— Está bem senhorita Walker – Hotchner se levanta – é necessário que preencha uma ficha antes de encerrarmos, vamos busca-la. – Hotchner saiu da sala na companhia de Brass.
Catherine acompanhou todo o interrogatório junto ao agente Rossi e a agente Hotchner pela janela de vidro.
— Ela é tipo uma fã de Heather? É isso mesmo? – indagou Catherine.
— É nítido que ela não ama Heather como imaginei, ela manifestou isso, porém a devoção é óbvia, sim podemos dizer que Alexia adore Lady Heather, ela é como um ídolo. – esclareceu Hotchner.
— Mark David Chapman era um fã de Beatles e de John Lennon. – comentou Rossi.
— Catherine. – clamou Nick aproximando-se com uma pasta na mão – aqui está o exame da amostra de sangue e também os resultados da digital da tesoura.
— Ótimo. – Catherine pegou a pasta, leu o resultado da digital e entregou ao agente Hotchner.
— Vamos ver o que ela tem a falar sobre isso. – Hotchner verificou o resultado e voltou para a sala na companhia do capitão.
— Eu estou dispensada? – perguntou Alexia.
— Temos mais algumas perguntas. – alegou Brass fechando a porta.
— Senhorita Walker, sabia que a tesoura usada para ferir Lady Heather era a mesma pertencente ao conjunto de apetrechos de BDSM dela? – questionou Hotchner.
— Não... Que horror! Usaram um objeto dela para machuca-la?
— Além de Lady Heather quem mais tem acesso as coisas do quarto dela?
— Somente ela, Heather é organizada e tem seu jeito de organização, eu sou uma faz tudo, mas não coloco a mão em nada sem autorização da mesma.
— Tem certeza? – Hotchner colocou sobre a mesa a pasta aberta – Então explique como suas digitais foram parar na tesoura.
— O que? – Alexia arregalou seus olhos verdes e observou o resultado – Isto pode ser engano de vocês!
— Não venha ofender nosso sistema – reclamou Brass – somos eficientes, nosso laboratório é o melhor.
— Os demais objetos foram analisados – explicou Hotchner – somente as digitais da dona, ou seja, Lady Heather foram encontradas, agora justamente na arma do crime há digital dela e sua.
— Eu não consigo imaginar Lady Heather apunhalando a si mesma. – falou Brass em tom de gozação.
— Deve ter sido uma vez que Heather ordenou que eu ajudasse em uma organização de suas coisas. – defendeu-se Alexia transtornada.
— Chega de mentiras! – Hotchner abandonou a posição de agente compreensivo e começou a fazer pressão – Olhe isso aqui! – ele revirou uma folha da pasta – Está vendo? Uma amostra de sangue de Lady Heather foi coletada e foi feito um exame toxicológico, o exame indica que ela ingeriu um remédio para enjoo.
— E daí? – Alexia tinha a face do rosto ruborizada – Ela pode ter sentido enjoo e ter se medicado.
— É mesmo? – Hotchner revirou mais uma folha – Está vendo essas fotos? O CSI Nick Stokes fotografou a cena do crime, veja aqui, isso são fotos de como o quarto se encontrava após Lady Heather ter sido apunhalada, o mesmo está em ordem exceto pela mancha de sangue do carpete.
— E daí? Já disse que Lady Heather é organizada!
— Deve ser mesmo, porque em uma noite fria como ontem ela levantou-se e lavou a xícara que bebeu o chá não é mesmo?
— O que? – Alexia encarou o agente.
— Você levou o chá para Lady Heather, ou seja, ela já estava na cama aguardando sua bebida quente da noite como de costume, depois você saiu então assim que Heather terminou seu chá ela se deu ao trabalho de sair da cama, descer alguns lances daquela enorme escada, lavar a xícara, regressar ao aposento e ir dormir?
— Como eu disse Lady Heather é muito organizada.
— E pelo visto é em exagero – falou Brass – se fosse comigo, eu beberia o chá e colocaria a xícara em um móvel mais próximo da cama ainda mais em uma noite fria.
— Pare de zombar! – retrucou Alexia impaciente.
— Segundo o relato de sua Heather, ela disse que bebeu o chá e foi dormir, não mencionou sobre ter ido lavar a xícara. – disse Hotchner.
— Oras ela pode ter esquecido deste detalhe.
— O pouco que eu conheço de Lady Heather sei que ela é bem detalhista, ela não teria esquecido.
— Ora ache o que quiser!
— Eis o que eu acho, reformulando eis o que eu sei... – Hotchner aproximou-se da suspeita pelas costas dela e abaixando a cabeça falou em seu ouvido – Você afirmou claramente que Lady Heather não faz uso de medicação para dormir, na verdade de nenhum tipo de medicação parecida, mas eu acredito que Heather deve ter medicações para algum tipo de emergência ou enfermidade como gripe, dores musculares, enjoo...
— E quem não tem?
— Assim que a agente Hotchner e a CSI Sidle foram embora Lady Heather lhe pediu um chá, você foi prepara-lo, sua Heather foi para o aposento aguardar a bebida em sua cama, você queria faze-la dormir, mas como se não havia nenhuma medicação estilo “Boa Noite Cinderela”, a nevasca era intensa não haveria nenhuma farmácia aberta então você verificou o que tinha e encontrou um remédio para enjoo, sabia que ele causa sonolência quando faz efeito? Com certeza você sabe disso, então você dissolveu um comprimido no chá de cidreira de sua Heather, sabia que se você diluísse dois comprimidos Lady Heather teria pegado em um sono mais profundo? Por sorte você não é muito inteligente.
— Eu sou inteligente sim! – esbravejou Alexia – Eu sou uma faz tudo para ela!
— Não é muito inteligente, porque se não você tinha usado luvas para pegar a tesoura, mas no calor do momento não pensamos muito nisso não é? Eis o que aconteceu: Heather bebeu o chá e logo pegou no sono, medicação para enjoo é eficaz o efeito no organismo já acontece nos primeiros minutos então você regressou ao quarto e pegou a xícara suja porque você já imaginava que haveria polícia, aliás, um CSI frequentou aquele casa ele seria chamado para investigar e ele sendo um policial forense encontraria algo, assim que você lavou a xícara esqueceu de colocar suas luvas, foi ao quarto pegou a tesoura e apunhalou Lady Heather pelas costas, a mesma acordou com uma dor, pois medicação causa sonolência, mas não é um remédio para dormir e sim para enjoo é possível acordar facilmente após sua dosagem, então você saiu correndo batendo a porta, na verdade você a trancou porque minha agente precisou arromba-la com um chute, você foi para casa da sua irmã para ter um álibi ficou esperando o amanhecer, soube logo em que hospital Heather estava e deve ter ficado surpresa que ela não veio a falecer, você foi muito fraca quando a apunhalou, talvez estivesse nervosa ou não teve força suficiente para o ato.
— Me diz por que eu iria querer matar alguém que venero? – Alexia bateu a mão sobre a mesa.
— Você endeusa Lady Heather, ela te acolheu te deu um emprego, casa e uma amizade, você era sozinha na vida, provavelmente apanhava e era humilhada por seus clientes quando garota de programa, não tinha esperança na vida, porém Lady Heather lhe trouxe a luz, você passou admira-la, tornou-se fã, ficou fanática por Lady Heather em como ela era uma dominatrix de primeira, sabendo colocar um homem em seu lugar, você inveja isso, para você Heather é perfeita, mas você julga que tudo mudou com a chegada de Gil Grissom, alega que sua Heather é apaixonada por ele e que por causa desta paixão ela deixou de ser a mulher que era e isto para sua mente doentia foi fatal você prefere Lady Heather morta do que a ver mudando de comportamento.
— Cala a boca! – Alexia levantou-se e se virou para esbofetear o agente, mas Brass logo a conteve, um policial que entrou a mando de Catherine a algemou.
— Já sabemos como ela tentou assassinar Lady Heather, agora falta sobre as outras. – disse Brass.
— Que outras? – Alexia com dificuldade jogou seus cabelos para trás para enxergar melhor.
— As outras vítimas.
— Não! – Alexia ficou perplexa – Eu não as matei, se falam das vítimas, as clientes da casa estão enganados.
— Você só tentou assassinar Lady Heather? – indagou Hotchner pegando a pasta sobre a mesa.
— Eu admito: eu tentei mata-la, mas eu juro que as outras eu não tenho envolvimento e se me culparem sobre elas eu vou exigir um advogado. – Hotchner e Brass se miraram e saíram da sala deixando Alexia na vigia do policial.
Catherine e os demais estavam estarrecidos com o que testemunharam, Alexia Walker era sim a culpada pela tentativa de assassinato de Lady Heather, todavia ela não era aquela que procuravam desde o começo.
— Só por desencargo de consciência vou pedir que comparem a amostra de DNA de Alexia com a da unha postiça – propôs Nick – só para garantimos que ela não é a tal Amanda Carter.
— Este caso esta cada vez mais enrolado que temos analisar todas as hipóteses – sugeriu Agatha – foi encontrada uma unha postiça com o DNA desta Amanda Carter, porém temos que nos certificar se ela tem mesmo envolvimento ou não.
— Eu vou checar com Garcia se ela conseguiu alguma pista sobre ela. – disse Rossi.
— Não é preciso. – retorquiu Garcia que surgiu entre eles.
— O que descobriu Garcia? – perguntou seu chefe.
— Eu estou tentando encontrar qualquer rastro desta Amanda Carter, porém quando a mesma completou maior idade sumiu do radar.
— Como assim? – Catherine abismou-se mais do que poderia.
— Isso mesmo, ela sumiu do radar, após ela ter sido vítima do estupro e mesmo a mãe não lhe apoiando, Amanda morou com a mãe até maior idade depois disso ela desapareceu, sua mãe não fez boletim de ocorrência, mas não acho mais nenhum rastro da moça.
— E o telefonema para Sara Sidle? – indagou Rossi.
— Foi de um número descartável.
— Até quando essa infeliz vai ficar a nossa frente? – Nick estava irritado – Achei que a tivéssemos pegado.
— Então quem é essa maluca? – Catherine apontou para a janela onde visualizava Alexia.
— Uma mulher obcecada por uma pessoa, uma fã doentia de Lady Heather, mas não é a nossa criminosa número um. – respondeu Hotchner também observando Alexia pela janela.
Quando o fanatismo gangrena o cérebro, a enfermidade é incurável
(Voltaire)

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