O Perfil da Evidência
13 Capítulo 13 - Quem é Alexia? (Parte Um)
Notas iniciais
Compaixão envolve ação e não apenas empatia pelo sofrimento de outra pessoa, é preciso ir além e ter atitude!
(Autor Desconhecido)
Aaron Hotchner pediu que a enfermeira segurasse Alexia na recepção e a mesma saiu acatando a exigência.
— Alexia é uma suspeita – explicou Catherine a Grissom – ela foi à última pessoa com quem Heather teve contato antes de ser atacada com a tesoura.
— Heather confia muito nela. – afirmou Grissom.
— Grissom nós temos outra coisa a revelar – disse o agente, pois eles não haviam mencionado sobre Sara – é sobre a Sara Sidle.
— O que aconteceu a Sara? – Grissom já ficou alerta.
— Ela quase caiu em uma cilada – prosseguiu a agente – Sara ontem recebeu uma chamada em seu celular, uma mulher afirmava que você a aguardava em um hotel e insistia que Sara fosse ao seu encontro.
— Mas eu estava aqui e ontem eu falei com Sara ao telefone, o agente Hotchner fez a ligação.
— Isto foi depois.
— E porque não me informaram logo? Onde está Sara? Ela está bem?
— Acalma-se Gil – intercedeu Catherine – ela está em segurança, por sorte a impedimos de sair.
— Rastrearam a chamada? Descobriram da onde ligaram? – Grissom ficou aflito.
— Minha analista está trabalhando nisso. – retorquiu o agente Hotchner.
— E ainda não desvendou nada? Ela não é uma excelente analista? Da onde é a chamada? – Grissom ficou impaciente.
— Gil, tenha paciência. – pediu Brass.
— Paciência? Sara quase se tornou uma vítima... Eu sabia! Eu pedi para ela se afastar do caso, ficar longe eu já imaginava, o alvo é ela e não eu!
— Gil Grissom, contenha-se! – exigiu a agente – Estamos fazendo de tudo para manter Sara em segurança assim como faremos com você.
— Eu não posso ter calma! Alexia é uma suspeita? Eu vou interroga-la. – Grissom saiu em disparada da cantina e os demais o seguiram.
— Gil, espere. – apelava Catherine.
— Gil Grissom, nos espere. – ordenava Hotchner em vão.
— Grissom! – exclamou Agatha que apressou os passos e ultrapassou Grissom.
— Senhora Hotchner, é melhor que saia da minha frente eu preciso interrogar a suspeita. – Grissom estava fora de si por completo.
— Agora acordou para a gravidade do problema? – retrucou Agatha.
— Agatha, pare! – repreendeu seu esposo.
— Acha que eu não sei a gravidade do problema? – começou Grissom – Eu estou ciente da gravidade do caso há tempos e já que sabem de tudo que fique claro que Sara sempre foi minha maior preocupação.
— E eu sei o que está vivendo, mas ir desorientado interrogar uma suspeita em um hospital não é uma atitude coerente. – afirmou Agatha.
— Eu sou um CSI nível quatro, acha que eu não sei fazer o meu trabalho? E você não sabe o que eu estou vivendo.
— Sei sim – insistiu Agatha o mirando no olhar – senhor Grissom eu sei perfeitamente o que sente.
— Não venha analisar o meu comportamento, isso não é momento. – Grissom tentou desviar-se da agente.
— Não. – Agatha impediu Grissom de ir até Alexia o segurando pelo braço – Eu não estou analisando o seu comportamento, eu estou tendo empatia consigo, o que você está sentindo eu também já senti.
— O que? – Grissom a encarou.
— Medo.
— Medo? – ele arregalou os olhos.
— Isto mesmo, medo – Agatha respirou fundo – eu tive essa mesma sensação quando uma pessoa que eu amo muito foi colocada em perigo por minha causa.
— Agatha... – o agente Hotchner pensou em falar, mas desistiu.
— Eu já fui o motivo da obsessão doentia de alguém, este alguém colocou em risco a vida desta pessoa que amo, eu temia por mim é óbvio o infeliz era um doente, mas eu temia mais por medo de perder a pessoa que amo, senhor Grissom chegou um momento em que me descontrolei e quase cometi erros porque tudo o que eu queria era impedir o infeliz e salvar esta pessoa que amo, mas sabe o que me fez voltar a ter o controle?
— Não. – Grissom estava tocado com o relato da agente.
— A pessoa que eu amo – Agatha soltou o braço de Grissom e mirou seu esposo – ele foi meu alicerce.
— E você foi o meu. – disse o agente Hotchner.
— Agora senhor Grissom – prosseguiu Agatha – mantenha o controle, por Sara. – Grissom não pronunciou uma palavra após aquela narração, Catherine e Brass testemunharam calados.
— Grissom você vá verificar como está sua amiga e nós vamos conversar com Alexia na recepção. – ordenou Hotchner.
Grissom acatou ao ordem e foi ao quarto onde estava Heather e Agatha se recompôs após o seu desabafo repentino.
— Longe de mim ser evasiva, porém vocês dois passaram maus bocados. – disse Catherine.
— Desculpa Hotch – pediu Agatha ao esposo – é que é inevitável não se apegar e recordar...
— Está tudo bem, mas mantenha a postura, a situação é delicada, entretanto precisamos ser profissionais não deixe o pessoal interferir.
— Pareceu o Grissom falando agora. – cochichou Brass ao ouvido de Catherine.
— Vamos até Alexia. – Hotchner fez o foco retornar-se ao caso.
Eles foram até a recepção e encontraram Alexia Walker sentada a um banco foliando uma revista, ela tinha consigo uma sacola que continha vestimentas para Heather.
— Alexia Walker. – chamou Hotchner.
— Vocês por aqui? – Alexia logo os reconheceu.
— Surpresa? – perguntou Brass.
— Eu acho que não – Alexia largou a revista em qualquer canto – vieram interrogar Heather? A propósito, como ela está?
— Para alguém que ela confia tanto é estranho que não tenha vindo passar a noite com ela. – comentou Agatha.
— Eu fiquei sabendo pelo noticiário sobre o ocorrido, eu estava com minha irmã que se encontra doente e a nevasca impediu que eu saísse, eu liguei para o hospital e informaram que o amado dela estava aqui. – justificou Alexia.
— Amado? – Catherine intrigou-se.
— Oras, não é novidade que aquele policial forense ame a minha Heather, ele sempre está atrás dela.
— “Minha Heather”? – indagou Hotchner.
— Eu tenho muito estima por ela, Lady Heather é mais que uma patroa, ela é uma amiga, companheira, salvou-me de situações ruins desta vida.
— Que fofo. – comentou Brass com um pouco de deboche.
— Você veio busca-la? – perguntou Hotchner.
— Sim.
— Não se preocupe querida – disse Agatha – Heather agora é nossa responsabilidade, você queira nos acompanhar.
— Eu? – Alexia ficou surpreendida.
— Um dos meus agentes te deixou um recado para que a senhorita comparecesse ao departamento de polícia de Las Vegas esta manhã – confirmou Hotchner – não o recebeu?
— Eu não os ouvi ainda, a minha preocupação era minha Heather.
— Mas já que está aqui – Catherine gentilmente pegou a sacola das mãos de Alexia – você irá nos acompanhar.
— Heather recebeu alta, ela precisa de cuidados. – Alexia não concordava.
— E ela terá – Brass foi se achegando a Alexia e com seu jeito a fez que o acompanhasse até o carro.
— Vamos providenciar um local seguro a Heather e logo em seguida interrogar Alexia Walker. – propôs Hotchner.
— O agente Alvez é ótimo em encontrar locais seguros – Agatha pegou seu celular – vou solicitar a ele.
— Eu vou levar as roupas de Heather. – disse Catherine.
Pouco antes de chegar ao leito de Heather, Catherine recebeu uma chamada, era Warrick:
— Diga Warrick.
— Cath foi você que trouxe uma amostra de sangue de Lady Heather para o laboratório?
— Sim, a pedido de Grissom.
— A amostra foi analisada.
— E o que continha?
— Cinquenta miligramas de dimenidrinato, dez miligramas de cloridrato de piridoxina.
— Estas são combinações de...
— Remédio para enjoo.
— Medicamentos como este causam... Sonolência.
— Ela pode ter ingerido um comprimido antes de dormir, ou alguém a fez ingerir.
— Obrigada Warrick, em breve estarei de volta.
— Tchau.— Warrick finalizou a ligação.
Catherine colocou a sacola ao chão e procurou por seu bloco de anotações pela jaqueta, quando o achou foi logo nas últimas anotações que era o relato de Heather, nas notas estava que Heather tomou uma xícara de chá preparada por Alexia momentos antes de dormir.
A esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo.
(Voltaire)
![]()
Fale com o autor