O Perfil da Evidência
12 Capítulo 12 - Rejeição
Notas iniciais
Frieza é veneno lento, rejeição é veneno rápido.
(Iara Restini)
Catherine após desabafar sua angústia voltou a manter-se controlada da situação, ela só precisava de alguns minutos para desafogar o que sentia e JJ foi muito companheira naquele momento.
Já era altas horas da madrugada, o jeito era improvisar e descansar por algum lugar do laboratório por causa da nevasca, Greg, Nick e Warrick ansiavam pelos resultados das digitais, mas nem sempre o sistema de busca era rápido como eles queriam e a solução do momento era aguardar.
Quando o dia começou a raiar a nevasca já havia diminuído e todos ficaram aliviados por aquilo, o noticiário da manhã já anunciava que era possível andar pelas ruas de Las Vegas.
O agente Aaron Hotchner reuniu todos para dividir as tarefas: ele, sua esposa, Catherine e Brass iriam buscar Grissom no hospital e providenciar um local seguro a Heather, pois a mesma receberia alta. Os demais agentes ficariam responsáveis pelos interrogatórios e por checar a pista que Garcia obteve sobre a hipnose e Warrick os acompanharia, Greg e Nick teriam que aguardar os resultados das digitais e Sara era obrigada a ficar com eles já que foi inibida de sair do laboratório.
Aaron Hotchner sempre dirigia quando saia para alguma atividade de algum caso, mas ele deixou que o capitão Brass os guiasse, Catherine aproveitou pouco antes de sair para telefonar para sua filha Lindsey que estava com sua avó materna em Nova Iorque a passeio.
Catherine fez a ligação do seu celular enquanto caminhava para o estacionamento e ao chegar deparou-se com Agatha Hotchner também ao telefone:
— Meus amores, mamãe promete que quando voltar vai ajudar vocês a fazer um boneco de neve – falava Agatha ao telefone – mas vocês me garantem que estão obedecendo a tia Jéssica? Isso mesmo sejam legais com ela, agora a mamãe vai desligar, não se esqueçam: mamãe ama vocês.
— Essa é a nossa vida não é mesmo? – comentou Catherine que também havia finalizado sua ligação.
— Pois é. – concordou Agatha.
— Quantos?
— Dois, um de seis e outro de doze.
— Espera – Catherine se admirou – eu já te acho nova para ser agente e agora me diz que tem dois filhos um de seis e outro de doze?
— O de doze foi adotado e o de seis é do primeiro casamento de Hotch.
— Primeiro casamento? Ele já foi casado antes?
— Sim.
— E vocês se simpatizam?
— O nome dela é Haley e ela... – Agatha hesitou em falar – Haley faleceu há dois anos.
— Ó desculpe – Catherine notou o incômodo da agente – eu fui muito evasiva.
— Está tudo bem, é uma longa história.
— Prontas? – o agente Hotchner aproximou-se.
— Sim – respondeu sua esposa – eu falei com os meninos.
— Eu vou ligar para eles assim que voltarmos do hospital, eles estão bem?
— Chateados porque eu prometi fazer um boneco de neve com eles. – Agatha ficou cabisbaixa.
— Querida, não fique assim eles compreendem nosso trabalho e assim que voltarmos vamos fazer este boneco de neve. – Hotchner tocou o ombro da esposa.
— Certo.
— Então vamos?
— Sim. – eles então foram para o carro onde o capitão Brass já se encontrava esperando no volante.
[...]
A estrada estava tranquila pela manhã apesar do trânsito, mas não havia mais excesso de neve empatando os veículos, a prefeitura da cidade colocou funcionários para limparem as estradas e calçadas. O capitão Brass estacionou o carro em um local seguro próximo ao hospital onde Heather estava internada.
Grissom encontrava-se na cantina do hospital tomando um café preto e fazendo palavras cruzadas do jornal da manhã, quando eles o avistaram o casal de agentes riu brevemente eles logo pensaram em doutor Reid que costumava fazer palavras cruzadas como entretenimento e que preferia um jornal de papel a um celular com acesso a Internet para ler as notícias.
— Gil. – chamou Catherine ao aproximar-se.
— Olá Cath, bom dia. – Grissom escreveu a última palavra que faltava na cruzada e deu o último gole em seu café.
— Como está Heather?
— Bem, ela está sendo examinada para receber alta.
— Bom dia Gil Grissom. – cumprimentou Hotchner.
— Bom dia agente Hotchner, novidades?
— Sim.
— Sou todo ouvido. – Grissom mirou para as cadeiras da mesa e todos se acomodaram.
Aaron Hotchner esclareceu as últimas descobertas para Grissom que ainda não aceitava que ele era o alvo daquela situação.
— Gil se recorda da Amanda Carter? – indagou Brass – Foi um dos seus primeiros casos de CSI.
— Apesar de eu ter uma boa memória eu não guardo detalhes mentalmente de tudo, inclusive dos primeiros casos.
— Eu posso não ser um gênio como o tal doutor do FBI, mas minha memória é boa para recordar coisas do trabalho – disse Brass e Grissom franziu o cenho – Amanda Carter foi uma vítima de um estupro, ela era sozinha, a mãe dela não lhe apoiou e sim fez acusações dizendo que ela causou tudo aquilo e a menina tinha quinze anos e acabou apegada a nós.
— Para o meu adorado estranho. – disse Grissom que de repente teve um olhar distante.
— Gil, o que está dizendo? – questionou Catherine.
— Parece que recordou algo. – disse Agatha.
— Para o meu adorado estranho. – repetiu Grissom.
— Não reparem – avisou Catherine – ele também divaga.
— Essa era a mensagem que eu recebia dos cartões de Natal.
— Cartões de Natal? – indagou Hotchner.
— Eu agora me recordo dos detalhes do caso – explicou Grissom – Amanda Carter, quinze anos, vítima de um estupro, o culpado foi o ex-namorado da mãe, a mãe preferiu ficar ao lado do culpado a apoiar a filha, eu tive que interrogar Amanda várias vezes para descobrir se aquela foi a única vez e nisso ela demonstrou simpatia comigo, ela era uma adolescente inteligente, ela dizia que eu era estranho, mas que eu era simpático.
— Ela passou a enviar cartões de Natal? – Hotchner já deduzia.
— Durante os primeiros anos após o caso sim, ela me enviava um cartão agradecendo o apoio sempre com a mensagem: Para o meu adorado estranho.
— Gil você nunca mencionou isso. – reclamou Catherine.
— Catherine recebemos vários cartões de Natal de vítimas que auxiliamos em diversos casos, você também recebe.
— E você sabe que eu recebo porque eu contei sobre os cartões e que eu os respondo. – retrucou Catherine.
— Gil Grissom você respondeu os cartões? – indagou Agatha.
— Não, eu não tenho tempo para estas coisas, talvez eu tenha respondido o primeiro depois os outros eu devo ter esquecido, eu pego casos até em época natalina.
— Rejeição. – disse Hotchner.
— O que? – Grissom mirou o agente.
— Você a rejeitou. – esclareceu Agatha.
— Eu não rejeitei ninguém.
— Na mente dela você a rejeitou. – afirmou o agente Hotchner.
— Senhor Grissom! – exclamou uma enfermeira que adentrou a cantina.
— Pois não. – Grissom levantou a mão para indica-la que estava ali.
— Que bom que o encontrei – a enfermeira achegou-se a ele – a paciente Heather Kessler está bem e já vai receber alta.
— Está bem. – Grissom igual aos demais levantou-se da mesa.
— E uma mulher veio busca-la, ela está na recepção aguardando.
— Que mulher?
— Alexia Walker.
A rejeição pode levar a qualquer um á beira da loucura.
(Elisa Masselli)

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