O Perfil da Evidência
1 Capítulo 1 - Perfilando Gil Grissom
Notas iniciais
Obrigada e boa leitura. =)

"Pessoas mentem, evidências não"
(Gil Grissom — CSI)
Terminando de alimentar sua aranha, aquela que era o seu mascote do laboratório Gil Grissom retirou-se de seu escritório caminhando lentamente para a copa ansiando por um café preto e quente, o tempo pedia por uma bebida que esquentasse, já era Inverno e aquele Inverno estava sendo o mais frio de todos em Las Vegas, Nevada.
Ao chegar à copa deparou-se com Nicholas Stokes sentado a mesa concentrado em um joguinho de celular, Catherine Willons mantinha sua atenção em uma revista que foliava sem muito entusiasmo, Warrick Brown saboreava um sanduíche de presunto enquanto Greg Sanders estava de pé diante da cafeteira, ele havia acabado de preparar um café.
― Obrigado Greg. – agradeceu Gil Grissom tomando posse de uma xícara e aguardando para ser servido.
― Você adora o meu café não é mesmo? Pode assumir, eu sei que faço um café maravilhoso. – gabava-se Greg Sanders com seu jeito descontraído de ser enquanto servia seu chefe.
― Eu gosto deste pó de café porque na verdade quem o prepara é a cafeteira. – retrucou Gil Grissom seriamente.
― Poderia ter dormido sem essa. – comentou Warrick Brown arrancando algumas gargalhadas de Nicholas Stokes.
― Eu não vejo graça nenhuma. – Greg Sanders pegou sua xícara de café e sentou-se a mesa.
― Já tem quase uma hora que chegamos, nada de caso? – perguntou Catherine Willons fechando a revista e mirando o chefe.
― Ecklie deseja falar conosco antes de começarmos nossas tarefas. – explicou Gil Grissom assoprando o vapor da sua bebida.
― Eu não gosto disso – Nicholas Stokes encerrou sua jogatina – toda vez que Ecklie quer falar conosco nunca é coisa boa.
― Eu estou com o Nick – disse Warrick Brown limpando os lábios com um guardanapo – não é coisa boa.
― E não é mesmo. – o capitão Jim Brass surgiu à porta – ele aguarda todos na sala de reuniões.
Todos então seguiram Jim Brass já imaginando infinitas possibilidades sobre o que seria que Conrad Ecklie queria falar.
Um pouco antes de achegarem a sala Catherine Willons pousou carinhosamente a mão no ombro de seu chefe e perguntou em surdina:
― Ela mandou notícias? – Gil Grissom que ainda carregava sua xícara de café apenas encarou a parceira de trabalho e nada disse, ela interpretou aquilo como um não.
Conrad Ecklie, o supervisor geral do laboratório de criminalística de Las Vegas, Nevada estava de pé diante a uma enorme janela de vidro admirando a neve que caia do lado externo quando todos adentraram a sala.
― Que bom que vieram. – disse ele virando-se para fitar todos.
― Qual é o problema? – indagou Jim Brass cruzando os braços.
― Já imagina que não seja coisa boa?
― Algo bom que não é. – murmurou Nicholas Stokes para si.
― E infelizmente não é – Conrad Ecklie encarou Nicholas Stokes demonstrando que havia ouvido perfeitamente o que o perito havia dito – e é melhor eu não me estender muito.
― Este laboratório tem casos e casos para serem desvendados, não podemos nos ausentar muito do nosso trabalho. – Catherine Willons já estava impaciente.
― Ele voltou. – disse Ecklie.
― Ele quem? – Gil Grissom depositou sua xícara sobre a mesa enorme de vidro que ali tinha.
― O “Senhor Sem Pistas”. – Conrad Ecklie referia-se a um criminoso que a equipe vinha tentando capturar há mais de um ano.
― Tem certeza disso? – Gil Grissom deu alguns passos a diante ficando frente a frente de seu supervisor.
― Aqui está. – Conrad Ecklie pegou uma pasta de arquivos que estava sobre a mesa e entregou nas mãos do chefe daquela equipe – Veja... Ele já estuprou e assassinou cinco mulheres na semana passada.
― Cinco? – Greg Sanders e Warrick Brown questionaram em coro.
― E porque eu só estou sabendo agora? – Gil Grissom analisou os arquivos.
― Vocês estavam naquela conferência em Nova Iorque, portanto, outra equipe de peritos foi investigar as cenas dos crimes.
― Eles conseguiram alguma pista? – perguntou Catherine Willons que já estava colada ao ombro de seu chefe para analisar os arquivos.
― Não, por isso ele continua a ser chamado de “Senhor Sem Pistas”.
― Eu vou visitar todas estas cenas de crimes, quero o resultado da autópsia das vítimas o mais rápido possível. – exigiu Gil Grissom.
― Ei Grissom, muita calma, eu não terminei – pediu o supervisor – o xerife e todo o departamento de polícia de Las Vegas estão aflitos, a mídia vem acabando com a imagem da polícia, muitas mulheres estão mudando de Las Vegas com medo de serem as próximas vítimas mesmo que o assassino siga um padrão, enfim... A pressão é enorme.
― Por isso não podemos perder tempo. – Gil Grissom foi se retirando da sala.
― Eu disse que não terminei! – exclamou Conrad Ecklie e Gil Grissom a contragosto deu meia volta.
― O que tem mais a dizer? – perguntou Nicholas Stokes.
― Este caso vem preocupando até mesmo o governo de Las Vegas e por isso foi determinado que o FBI irá trabalhar no caso.
― O FBI? – Jim Brass ficou insatisfeito.
― Sem federais – reclamou Gil Grissom – da última vez que precisamos trabalhar com os federais eles tomaram o caso para si e convenceram o xerife a deixar nossa equipe de fora.
― Eles são federais tem patente maior que a nossa, eles podem exigir qualquer coisa – o supervisor deu de ombros – e isto não é uma decisão minha é do governo junto ao departamento, o xerife na realidade apenas acatou o pedido do governador.
― Esses federais pensam que podem tudo – resmungava Nicholas Stokes – eles acham que vão conseguir encontrar evidências fáceis? Nosso laboratório também é declarado como um dos melhores do país e infelizmente não achamos nada.
― Não será uma equipe de peritos do FBI que virá trabalhar com vocês. – garantiu o supervisor.
― Como assim? – Gil Grissom mirou o supervisor no olhar.
― Será a equipe da Unidade de Análise Comportamental.
― Não precisamos de perfiladores e psicólogos para nos explicar sobre a mente deste criminoso – Gil Grissom era totalmente contra – precisamos de evidências físicas.
― E cadê as evidências físicas? – Conrad Ecklie cruzou os braços – Já tem mais de um ano senhor Gil Grissom, não percebeu? Este criminoso surge estupra e mata suas vítimas e some depois volta e assim vai e até agora nenhuma evidência, nenhuma testemunha, infelizmente este assassino também é um perito pelo que vimos porque nenhuma poeira até agora!
― Vamos encontrar, nós iremos analisar estas últimas cenas. – Gil Grissom insistia.
― Grissom, você vem aguardando um erro deste criminoso e até agora ele não se deixou falhar e já está decidido... – o celular de Conrad Ecklie começou a vibrar – E vejam só... Eles chegaram, o jatinho deles acaba de pousar no heliporto do nosso prédio, com licença. – Conrad Ecklie retira-se da sala.
― Brass, entre em contato com o xerife. – pediu Gil Grissom.
― Desta vez não – Jim Brass levantou as mãos – infelizmente Grissom eu não posso fazer nada, eu já peço muitos favores ao xerife e agora eu estou devendo favores por conta disso e outra: você não escutou o que disse o careca? Decisão do governo.
― Não há nada para impedir a presença destes federais? – Nicholas Stokes também estava revoltado.
― Vocês sabem que não – retrucou Catherine Willons – eles são os federais e qualquer espirro mal dado da gente estamos fora da investigação.
― Mas desta vez não será com peritos e sim com perfiladores, eu creio que será interessante trabalharmos com eles. – Greg Sanders era o único empolgado.
― Sempre tem um do grupo que é entusiasmado não importa a situação. – comentou Warrick Brown.
Gil Grissom não concordava de nenhuma maneira de ter que trabalhar com o FBI, porém era obrigado a concordar com supervisor Conrad Ecklie: ele esperava por um erro do criminoso e até aquele momento nenhuma falha, o mesmo executava seus crimes e deixava tudo limpo sem nenhuma pista e nenhuma vítima sobrevivia para contar história.
As vozes de Conrad Ecklie e de algumas pessoas ia se aproximando da sala e eles logo deduziram que era o FBI que se achegava, Gil Grissom teve vontade de se deslocar dali e trancar-se em seu escritório ou sair as pressas para investigar as últimas cenas do crime, todavia o que ele deveria era acatar as ordens vindas de cima, ele era apenas o chefe daquela equipe por ser um perito nível 4, porém não era ele que mandava e desmandava naquele laboratório e no departamento de polícia de Las Vegas, Nevada.
Conrad Ecklie regressou a sala com um sorriso estampado no rosto, fazia questão de exibir toda a simpatia por causa dos agentes do FBI que adentravam a sala de reunião o seguindo.
― Muito bem – o supervisor pigarreou para chamar atenção a si – esta é a equipe de Análise Comportamental do FBI.
Gil Grissom virou-se para encara-los e pousou seu olhar ao engravatado que logo o mirou também.
― Agente Aaron Hotchner. – o engravatado estendeu a mão educadamente a Gil Grissom.
― Gil Grissom. – Gil Grissom cumprimentou o agente.
― É o chefe da equipe. – garantiu o outro.
― O meu supervisor já passou a ficha de todos nós ou vocês pesquisaram por conta própria?
― Não – o agente Aaron Hotchner deu um breve sorriso, mas logo voltou a sua seriedade comum – é nítido ver que é o chefe, seu comportamento me disse.
― Eu não fiz nada para que tenha tanta certeza. – Gil Grissom não demonstrou surpresa, na realidade ele nunca demonstrava o que sentia.
― A maneira em que virou para observar a mim e minha equipe para ver quais agentes que seriam se seria algum que trabalhou antes ou não, já quis manifestar pelo olhar que você é o chefe da equipe.
― Eu sou Catherine Willons. – Catherine já se apresentou porque logo sentiu a tensão de seu chefe sobre o agente.
― Muito prazer, está é minha equipe: David Rossi, Derek Morgan, Alex Blake, Emily Prentiss, Jeniffer Jareau, Luke Alvez, Ashley Seaver, Doutor Spencer Reid, Penélope Garcia e Agatha Hotchner. – o agente logo apresentou toda a sua equipe.
― Prazer – respondeu Catherine Willons enquanto Gil Grissom permanecia calado observando todos eles – estes são o capitão Jim Brass, aquele é Warrick Brown, este é Nicholas Stokes e este aqui é o Greg Sanders, antes tínhamos conosco uma parceira de trabalho a Sara Sidle, porém por motivos pessoais ela está afastada. – Gil Grissom encarou brevemente Catherine ao a ouvir pronunciar o nome Sara Sidle.
Conrad Ecklie pediu que todos se acomodassem a mesa para discutirem o caso, Catherine Willons retirou-se e voltou rapidamente trazendo consigo uma caixa de todos os arquivos do caso.
O agente Aaron Hotchner pediu que Gil Grissom explicasse sobre o caso, como não tinha outro jeito Gil Grissom passou a narrar todo o caso a ele e sua equipe do FBI.
Às vezes Catherine Willons tomava a palavra para explicar alguma coisa, Warrick Brown expos o que eles haviam investigado de evidências, melhor dizendo as poucas evidências que não levaram a nada e por isso o caso era tão complicado.
Os agentes do FBI se apossaram de alguns arquivos distribuídos por Greg Sanders a pedido de Catherine Willons para analisarem, parecia naquele momento que Catherine era a líder do grupo.
― Nenhuma pista, nenhuma testemunha, não encontramos nada que nos ajude. – lamentou Nicholas Stokes.
― Pelo visto ele segue um padrão. – comentou a agente Agatha Hotchner ao examinar as fotos das vítimas.
― Uma sempre é parecida com a outra – retrucou Greg Sanders – sempre mulheres morenas de cabelos curtos até o pescoço.
― Vejam só como as cenas dos crimes estão intactas. – disse o agente Derek Morgan exibindo algumas fotos.
― Ele é muito organizado – continuou o agente Doutor Spencer Reid – ou ele tem neura com organização ou faz isso propositalmente para não ser descoberto.
― Mas vejam isso – Emily Prentiss deu continuidade – as vítimas não tem hematomas de luta corporal, ele consegue domina-las sem dificuldade, violenta-las, depois as mata sufocando e vai embora não deixando um vestígio.
― Ele não demonstra ameaça – prosseguiu Alex Blake – ele consegue se aproximar e abordar estas vítimas com alguma coisa.
― Pode ser um galanteador, deve procurar essas mulheres nas baladas, em shopping, em locais públicos para demonstrar confiança, ele é um dominador. – concluiu David Rossi.
― Espera um momento – Greg Sanders ficou boquiaberto – vocês tiraram todas estas afirmações apenas analisando os arquivos do caso?
― Tudo isso é teoria – replicou Aaron Hotchner – pode ser que o que falamos tenha fundamento ou não.
― Não podemos ainda passar um perfil do suspeito, precisamos investigar mais. – afirmou Luke Alvez.
― Que tal começarmos entrevistando os familiares das vítimas e visitando as cenas dos crimes? – sugeriu Ashley Seaver.
― Sim, vamos fazer isso. – Aaron Hotchner apoiou a sugestão.
― Eu já entrevistei os familiares das vítimas – Jim Brass se manifestou – eles não sabem de nada, infelizmente não podem ajudar.
― Temos algumas perguntas a fazer a eles, qualquer coisa que disserem colabora com o caso.
― Que tipo de perguntas vocês têm a eles? – indagou Gil Grissom encarando Aaron Hotchner.
― Teremos algum problema senhor Gil Grissom? – retrucou Agatha Hotchner.
― Agatha, deixa comigo – Aaron Hotchner pediu que sua agente se contivesse – Sim, nós temos algumas perguntas que são diferentes do que um policial como o capitão Jim Brass costuma fazer e não estamos dizendo que ele faz um mal interrogatório, eu tenho certeza que ele faz perfeitamente o seu trabalho, porém como somos analistas de perfis temos questões referente ao comportamento da vítima, eu entendo Gil Grissom que para um profissional como você que trabalha somente com evidências físicas é difícil crer em nosso trabalho, para você uma prova física diz muito mais que uma afirmação ou negação de uma vítima ou criminoso, mas nós analisamos muito mais que palavras e sim todo o comportamento em si, acredite até uma respiração ou um estalar de dedos nos revela muita coisa. – após Aaron Hotchner manifestar-se daquele jeito expondo como era o seu trabalho, Catherine Willons, Warrick Brown e Nicholas Stokes abaixaram as cabeças envergonhados, Greg Sanders não conteve o riso de admiração ele estava impressionado com aqueles analistas de perfis.
Conrad Ecklie que até então estava calado levantou-se da mesa e se pronunciou:
― Estamos resolvidos? Aaron Hotchner, o senhor então vai colaborar mesmo conosco?
― Este é o meu trabalho, é o nosso trabalho.
― Esperamos não ter problemas. – comentou Agatha Hotchner.
― Agatha! – repreendeu Aaron Hotchner.
― Está bem, irei comunicar o xerife fiquem a vontade e podem dar início ao trabalho de vocês. – Conrad Ecklie saiu da sala sem vergonha de expor um largo sorriso, parecia que ele tinha ganhado na loteria ou conseguido alguma promoção no trabalho de tão satisfeito que estava.
― Vamos começar? – perguntou Catherine Willons.
― Claro – respondeu Aaron Hotchner – eu costumo dividir tarefas, pode ser assim?
― Perfeito. – realmente parecia que Catherine Willons era a líder dos CSI.
― Rossi você e Blake podem começar visitando a primeira cena do crime, onde tudo começou.
― O primeiro crime tem mais de um ano. – lembrou Nicholas Stokes.
― Mas é bom começarmos do começo – explicou Rossi – gostaria de vir conosco?
― Eu? – Stokes ficou surpreendido pelo convite.
― E porque não? – manifestou-se Alex Blake – Trabalhamos desta maneira: em equipe.
― JJ vá verificar com a mídia quais informações eles têm e passam do caso, Morgan e Prentiss vão para as últimas cenas dos crimes. – continuou Aaron Hotchner dividindo as tarefas.
― Eu posso ir junto? – ofereceu-se Warrick Brown.
― Claro! – respondeu Emily Prentiss.
― Alvez e Seaver vão entrevistar alguns familiares.
― Eu posso ir junto? – Greg Sanders pediu permissão cochichando ao ouvido de Catherine Willons e ela afirmou com a cabeça.
― Reid, eu quero que fique com o perfil geográfico, já sabe o que fazer. – pediu Aaron Hotchner.
― Pode deixar.
― Garcia, você pesquise tudo sobre as vítimas e os lugares que frequentaram, enfim o que faz de melhor.
― Eu só preciso de um lugar para me instalar. – disse Garcia.
― Vamos providenciar isso. – garantiu Catherine Willons.
― Agatha e eu junto ao perito Gil Grissom iremos entrevistar o médico legista.
― O legista faz parte da nossa equipe, é o doutor Albert Robbins e eu já tenho comigo o resultado das autópsias. – replicou Gil Grissom.
― Vamos falar com o legista mesmo assim. – afirmou Agatha Hotchner que foi mirada por seu chefe.
― E o que eu faço? – perguntou Jim Brass.
― Nos acompanhe nas entrevistas com os familiares, como já os entrevistou já tem algum tipo de contato. – pediu Luke Alvez.
― Eu irei providenciar um lugar para a analista de vocês e logo me ajunto a você Grissom. – disse Catherine Willons.
Cada qual com sua tarefa e assim eles foram se retirando da sala, os últimos a permanecerem foram Aaron Hotchner, Agatha Hotchner e Gil Grissom. Catherine Willons providenciou um lugar para que a analista Penélope Garcia começasse o seu trabalho e logo em seguida retornou a sala.
― Podemos ir falar com o doutor Robbins no necrotério. – anunciou Catherine Willons assim que voltou.
― O que vão perguntar a ele? – retrucou Gil Grissom – Eu já disse que tenho os exames da autópsias.
― Eu sei Gil Grissom, mas ainda assim preciso fazer algumas perguntas é o meu trabalho. – explicou Aaron Hotchner.
― Está receoso do nosso trabalho? – Agatha Hotchner mirou Gil Grissom, ela não se continha calada.
― Agatha, por favor, pode aguardar lá fora com a senhorita Catherine Willons? – pediu seu chefe.
Agatha Hotchner encarou o seu chefe que lhe lançou um olhar de ordem e ela se retirou da sala na companhia de Catherine Willons.
― São casados há quanto tempo? – indagou Catherine.
― Há um ano e meio – Agatha Hotchner não se admirou com a pergunta – é bem óbvio perceber não é?
― O mesmo sobrenome já denuncia e os olhares também, não sou perfiladora, mas de relacionamento eu entendo um pouco.
― A nossa relação não é segredo a ninguém.
― O FBI aceita relacionamentos entre agentes?
― Bom, eles não aprovam muito porque relacionamentos pessoais podem intervir e dificultar o profissional, neste caso eles não proíbem, porém costumam exigir que os dois agentes envolvidos trabalhem separados, cada um em um departamento, mas no meu caso e do Hotch como posso explicar... Ele conseguiu que continuássemos trabalhando juntos, por questões profissionais e pessoais.
― Ele é bem mais velho que você não é?
― Daqui alguns anos ele se aposenta no FBI e eu estou em começo de carreira.
― Se conheceram trabalhando, é óbvio. – Catherine sorri.
― A nossa história o começo dela é bem complicado. – Agatha Hotchner sorri de volta.
― Entendi. – Catherine Willons cessou sua curiosidade até o momento.
Enquanto elas aguardavam, Aaron Hotchner e Gil Grissom dialogavam sobre trabalharem juntos, Gil Grissom não era de expor seus pensamentos a todo instante, mas admitiu ao agente que estava incomodado com o FBI envolvido e de que não acreditava muito que análises psicológicas do criminoso o fossem capturar-lo. Não era que Gil Grissom não acreditasse na psicologia, mas ele trabalhava há anos no laboratório criminal de Las Vegas, Nevada, sempre trabalhando com evidências físicas, era um homem que habitualmente desconfiava dos outros, não que ele não tivesse confiança em sua equipe, mas quando se tratava de investigar um caso ele desconfiava até da sombra da vítima, Gil Grissom tinha um lema e constantemente repetia a frase “As pessoas mentem, as evidências não” e por isso ele estava receoso de trabalhar com uma equipe que investigava através de análises comportamentais e também orgulhoso como era Gil Grissom estava incomodado por não ter conseguido resolver aquele caso porque o mesmo já lhe trouxe problemas até mesmo pessoais, todavia ele não iria expor esse lado ao agente Aaron Hotchner.
O pouco tempo que Aaron Hotchner esteve na companhia de Gil Grissom ele já tinha uma boa análise sobre o mesmo, pois Gil Grissom era que aquele tipo de pessoa que quanto mais misteriosa era mais revelador se tornava só que não é qualquer um que observava isso, porém para o agente Aaron Hotchner isso era habitual: analisar o comportamento humano.
― Este caso lhe traz dores de cabeça, não é mesmo? – perguntou Aaron Hotchner – está tirando sua paz e questões pessoais estão envolvidas.
― Como assim questões pessoais? Eu não misturo o pessoal com o profissional. – negou Gil Grissom.
― Você é um homem mais que inteligente, sempre foi o primeiro da classe é declarado o melhor perito, mas não curte os holofotes e se pudesse ficaria no anonimato em seu trabalho, quando entra no laboratório ou vai para uma de crime deixa todo o pessoal de lado, mas todo o pessoal mesmo, o seu foco é solucionar o caso e pronto não interessa o seu pessoal e nem o dos outros, sua inteligência e conhecimento ajuda a resolver muitos casos e este caso o chateia porque você já esgotou todas as suas fontes, suas analises e não tem uma pista sequer, te incomoda que não tenha uma evidência física para analisar te incomoda que o criminoso venha ser mais inteligente que você.
― Vamos parar por aqui. – exigiu Gil Grissom porque uma coisa que o incomodava era alguém afirmar que algum criminoso era mais inteligente que ele não por ego, mas porque ele queria ser ágil e inteligente e capturar o assassino e o fato daquele suspeito estar lhe dando mais que uma dor de cabeça o deixava irritado mesmo que ele não demonstrasse.
― E o pior de tudo é quando se tem um caso que mexe com nosso pessoal. – insistia Aaron Hotchner.
― Você insiste neste assunto.
― Quem é Sara Sidle?
― O que? – se tinha uma coisa que fazia Gil Grissom desmoronar nem que fosse por alguns instantes era Sara Sidle a perita e membro da equipe que estava afastada.
― Quando a perita Catherine Willons apresentava os demais ela mencionou o nome Sara Sidle explicando que a mesma esta afastada por problemas pessoais e você olhou para sua companheira de trabalho um pouco incomodado.
― Com todo o respeito ao seu trabalho agente Aaron Hotchner, mas creio que esteja exagerando em suas análises e a proposito já que veio aqui analisar o comportamento porque não voltamos ao foco que é o caso a investigar?
― Como queira – Aaron Hotchner caminhou até a porta – vou começar conversando com o legista, pode me guiar até ele?
― Sim. – Gil Grissom retirou-se da sala e Aaron Hotchner o seguiu.
A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro.
(Albert Einstein)
Notas finais
Obs - Imagem gif encontrada no Google a mesma não me pertence.
Obrigada e até o próximo. =)
Fale com o autor