O Perfil da Evidência
11 Capítulo 11 - Em Família
Notas iniciais
A verdadeira família é aquela
unida pelo espírito e não pelo sangue.
(Luiz Gasparetto)
― Eu pensei em verificar as transações dos cartões de créditos e contas bancárias das vítimas – Garcia começou a explicar enquanto seu chefe verificava as informações no tablet – eu reparei que certa quantia era sempre gasta ou retirada então óbvio eu notei que poderia ter algo em comum e cavei mais fundo, as vítimas tinham um gasto de $200 por semana, nas que tinham esse gasto com os cartões de crédito eu verifiquei nas faturas do que se tratava então cheguei a um endereço de uma casa de apresentações e o gasto delas eram com uma apresentação de hipnose, não todas faziam uso do cartão de crédito, mas eu dei uma de analista de perfis e pensei: se uma vítima saca o valor exato que outra gasta com o cartão de crédito provavelmente seja para o mesmo propósito.
— Alguém anda prestando atenção nas aulas. – elogiou Morgan, ele tinha um carinho imenso pela analista.
— É que eu tenho ótimos professores, e tenho um em particular que é maravilhoso. – Garcia abaixou os óculos que usava para mirar o agente Morgan e lhe deu uma piscadela enquanto ele correspondeu com um sorriso.
— Duas coisas em comum das vítimas – disse a agente Prentiss – serem clientes de Lady Heather e frequentarem apresentações de hipnose.
— Eis o que vamos fazer – propôs o agente Hotchner devolvendo o tablet a Garcia – infelizmente temos que aguardar essa nevasca, já é madrugada então aguardaremos a manhã, eu acredito que a neve não esteja mais intensa assim ao amanhecer, Agatha, a CSI Catherine Willows, o capitão Brass e eu iremos buscar Gil Grissom no hospital.
— Eu quero ir junto. – pediu Sara.
— Não. – o agente Hotchner negou.
— Como assim não?
— Sara Sidle você é uma vítima, precisa ficar protegida então você terá que ficar por aqui e assim será com Gil Grissom.
— Eu não posso ficar presa! – Sara coloca-se de pé.
— É para o seu próprio bem. – garantiu a agente Seaver.
— Isto é um absurdo! – Sara não aceitava – vão me afastar do caso pela segunda vez? Já bastou a primeira.
— Não estamos te afastando do caso, você ainda vai atuar no mesmo só que para a sua segurança ficará aqui. – esclareceu Rossi.
— E Grissom?
— Logo pela manhã eu irei busca-lo e o deixarei a salvo com você. – garantiu Aaron Hotchner.
— Tem certeza que ele está bem?
— Eu posso telefonar de novo. – o agente Hotchner pegou seu celular do bolso e notou que os demais observavam e viu que Sara preferia fazer aquilo em particular então a convidou a sair da sala e ambos foram para um lugar isolado dos corredores.
— Grissom.— Grissom atendeu a ligação de Aaron Hotchner.
— Gil Grissom aqui é o agente Hotchner.
— Mais alguma informação do caso?
— Sim, na verdade surgiram novas pistas, porém eu as revelarei pela manhã, eu liguei porque uma pessoa precisa garantir de que está bem.
— Quem?
— Fique a vontade. – Hotchner entregou o celular a Sara.
— Grissom?
— Sara!
— Como você está?
— Eu estou bem, não se preocupe Sara logo pela manhã estarei de volta.
— Está bem – para Sara pouco importava o ciúmes dela com Heather o importante era se certificar de que Grissom estava em segurança – eu só quero me certificar se está em segurança.
— Eu estou... Aconteceu alguma coisa?
— Não, digo... Amanhã o agente Hotchner explica.
— Está bem, fique em segurança.
— Você também, tchau. – Sara encerrou a chamada devolvendo o celular de Hotchner.
— Tranquila?
— Um pouco. – Sara tinha peso na voz.
— Vai ficar tudo bem Sara Sidle, eu sei o que está sentindo.
— Como assim sabe o que estou sentindo? – Sara mirou o agente nos olhos.
— A preocupação, o medo que sentimos quando alguém que amamos está em perigo ou em ameaça.
— Você fala isso por causa da sua esposa? É isso?
— Hotch! – a agente Hotchner surgiu pelo corredor atrás do esposo.
— O que foi? – retrucou o agente.
— O técnico David Hodges chegou com o resultado sobre o material da unha postiça.
— Estamos indo. – o agente seguiu sua esposa e Sara os acompanhou de volta a sala de reuniões.
Assim que eles retornaram o técnico os cumprimentou com seu jeito exibido de ser e Catherine exigiu que ele entregasse os resultados.
David Hodges sempre era um exibicionista, sua diversão era amostrar-se diante das pessoas querendo ser o destaque e ele estava metido mais que o normal por causa do FBI ali presente.
— Aqui estão os resultados – começou ele que em vez de entregar o resultado na mão de algum CSI entregou ao agente Hotchner – a unha postiça é feita das seguintes composições: polimetil-metacrilato, acrilato e álcool.
— Acrigel – confirmou Catherine sem nenhum entusiasmo – eu já imaginava, mas é sempre bom nos certificarmos.
— A suspeita pode desenvolver algum tipo de alergia, por isso ela opta por usar unhas de acrílico com gel. – comentou doutor Reid e David Hodges o mirou curioso.
— Spencer não me diga que entende sobre unhas postiças? – JJ não se conteve.
— Ele não é um gênio? – indagou Greg.
— Quem é um gênio? – indagou Hodges.
— O doutor Reid. – respondeu Nick apontando para Reid, era hilário a ele afirmar a Hodges que havia alguém ali que era muito inteligente.
— O que você falava sobre a alergia? – Catherine quis manter o foco.
— A suspeita pode contrair algum tipo de alergia, por isso ela opta unhas de acrílico com gel, pode parecer ingênuo, mas isso já nos revela alguma coisa para o perfil.
— Unhas deste tipo duram por três meses. – afirmou Seaver.
— O acrílico é um material termoplástico rígido, transparente e incolor; também pode ser considerado um dos polímeros, ou seja, fibra sintética mais modernos e com maior qualidade do mercado, por sua facilidade de adquirir formas, por sua leveza e alta resistência, ele também é chamado vidro acrílico ou simplesmente acrílico – Reid começou a divagar novamente – o gel contém um pó que é o acrilato, já citado e o álcool também já citado e... – Reid reparou que todos o encaravam – Eu estou divagando de novo, não estou?
— É inevitável não é? – indagou Morgan dando um tapinha de leve no ombro do parceiro de trabalho.
— Não se tem muito que fazer agora, então o jeito é aguardar a madrugada passar. – disse Catherine.
— Então pediram que eu analisasse uma evidência sendo que no final o resultado não colaborou muito porque já sabiam o que era – David Hodges sentiu-se inútil.
— Você fez o seu trabalho. – retrucou Warrick.
— Catherine eu quase me esqueci de avisar – disse Hodges – uma repórter veio atrás de Grissom, mas no momento vocês tinham ido à casa de Lady Heather, pelo que eu soube houve uma vítima por lá.
— Uma repórter atrás de Grissom? Ela veio até aqui? – indagou JJ interessada.
— Eu estava passando pela recepção quando me deparei com ela à procura de alguém a frente do caso, então disse que Grissom junto ao FBI foi acudir uma vítima. – Hodges sentiu-se o tal ao ser interrogado por JJ.
— Você disse o que? – Catherine ficou eufórica.
— Como ele consegue ser tão estúpido? – retrucou o capitão Brass saindo da sala.
— Nick e Greg é melhor irmos verificar se aquelas digitais deram algum resultado. – Warrick convidou os amigos para se retirarem dali, pois sabia o que aconteceria.
— Hodges você tem noção do que fez? – questionou Sara nervosa – Grissom é o alvo desta psicopata maluca e você passa informação para a mídia?
— Eu não dei detalhes. – justificou-se Hodges envergonhado por causa do FBI.
— É por isso que a mídia já sabia de vocês na casa de Heather! – esbravejou Ecklie.
— Nenhum tipo de informação sobre um caso, absolutamente nada deve ser informado à mídia sem meu consentimento. – esclareceu JJ.
— Os demais podem nos dar licença. – pediu Hotchner aos seus agentes e Catherine pediu que Sara também se retirasse para se acalmar.
— Conrad Ecklie temos que ter a garantia que ninguém saia passando informações para a mídia. – afirmou JJ.
— A agente Jareau tem razão. – concordou Hotchner.
— Eu peço desculpas – Catherine sentiu-se depreciada ela mal conseguia encarar os agentes – o técnico David Hodges é ciente deste tipo de informação.
— É ciente, mas não coloca as regras em prática – Ecklie estava decepcionado – isto é incrível! Ele tem que se exibir não é mesmo? Sempre se exibindo, sempre querendo ser o sabe tudo!
— Ecklie permita que eu resolva esta situação com Hodges. – pediu Catherine.
— Não! – Ecklie virou-se para os agentes – eu em nome do laboratório e de todo o departamento de polícia de Las Vegas peço desculpas pelo erro do meu técnico e o mesmo será punido.
— Eu não quero problemas entre vocês – pediu JJ – eu só quero que este tipo de situação não ocorra mais, eu acredito que o técnico não fez por mal.
— Eu falei sem pensar na gravidade eu juro. – Hodges estava envergonhado e arrependido.
— Ele não cometera esse erro de novo. – garantiu Catherine que apesar de decepcionada com a mancada do colega de trabalho não desejava que ele fosse castigado.
— Suspensão de três dias. – ordenou Ecklie.
— O que? – Hodges não concordou – Mas eu tenho várias tarefas no laboratório.
— Você não é o único técnico deste lugar, pedirei que outros cubram seus serviços, agora está dispensado e estes dias não serão renumerados. – Ecklie apontou a porta para Hodges.
— Eu peço desculpas e com licença. – Hodges olhou para Catherine com o olhar de piedade depois mirou JJ e de cabeça baixa saiu da sala.
— Na ausência de Grissom você fica responsável por tudo isso Catherine, que isso não ocorra novamente. – Ecklie saiu da sala contrariado.
— Droga. – cochichou Catherine para si.
— Está tudo bem, não estamos zangados – JJ colocou a mão no ombro de Catherine – é só bom evitarmos o máximo de confusão com a mídia.
— Vocês tem razão – afirmou Catherine – eu só quero que isso acabe logo.
— Tenso demais não é? – retrucou Hotchner.
— Vocês sabem como é difícil ver duas pessoas que você ama correndo perigo e ter que manter a postura? – Catherine acomodou-se em uma cadeira.
— E como sabemos – JJ puxou uma cadeira e sentou-se ao lado de Catherine.
— Eu amo o Gil e a Sara, são mais que parceiros de trabalho, amo os dois e eu quero que este pesadelo entre eles termine logo.
— Estamos aqui para isso, para ajudar vocês. – JJ segurou a mão de Catherine carinhosamente.
— Esta difícil manter a conduta, mas é bom ter vocês aqui auxiliando neste caso, já trabalhamos com outros agentes federais, porém não foi a mesma coisa.
— Por quê? – Hotchner cruzou os braços.
— Não nos demos bem houve muita competividade de quem era o melhor, já com vocês é diferente, eu me sinto em...
— Em? – indagou JJ.
— Família. – Catherine sorriu para JJ.
— Que bom, a nossa equipe sempre se considerou assim: uma família. – JJ sorriu de volta.
— Grissom não gosta que misturemos o pessoal com o profissional, mas eu trabalho aqui há tanto tempo eu convivo com eles que sinto que eles são minha família e que sem eles eu não vivo.
— Não se preocupe Catherine, será uma família ajudando a outra. – garantiu JJ.
— Obrigada. – Catherine não suportava segurar aquela tensão e ao abraçar JJ permitiu-se chorar.
Todos temiam por Grissom e Sara e queriam impedir qualquer tragédia e a equipe da UAC do FBI iria fazer de tudo para evitar uma lástima, eles estavam ali dispostos a tudo para resolver aquele caso e trazer a tranquilidade de volta aos CSI.
Um por todos e todos por um.
(Alexandre Dumas)

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