O Pequeno pedaço do céu

20 Dois nomes para uma pessoa


Notas iniciais
Eu sei o quanto demorei para postar, desculpa por isso! Sabia o quanto esse capítulo era importante para a história... pois tanto os acontecimentos desse capítulo como do próximo, trazem novas explicações e têm cenas que planejei desde que comecei a escrever a fanfic. Acho que isso fez com que demorasse mais a escrever. Espero mesmo que gostem! E gostaria de dedicar essa atualização a Misskekespn, a leitora que mais me perturbou pela demora para postar! Boa leitura.

Terceira Pessoa

A casa de Alex era silenciosa. Ele passava muito tempo no quarto ou na rua. Não tinha o costume de ficar na sala de estar, nem se dedicava na cozinha. Afinal, ele próprio comia em restaurantes e não se preocupava com os dois adolescentes presos em um dos cômodos do lugar.

Se Alex ficasse muito na sala, talvez não achasse a casa tão silenciosa, pois conseguiria ouvir os sussurros constantes de Stiles e Lydia. E seus passos. E o barulho de choro controlado.

Ele lembrava com perfeição da primeira vez que viu Stiles. Um menino pequeno, sorridente que andava agarrado a mão da mãe. Naquele momento, Alex não pensou no que faria com Stiles.

Ele estava obcecado pela ideia de ter Claudia, mãe do menino, para si e não deixaria que nada o impedisse.

Então, quando viu a oportunidade de atacá-la, ignorou Stiles. Empurrou o menino para o chão, bateu em sua mãe e a estuprou na frente do filho que era tão novo que só conseguiu paralisar no lugar e chorar, repetindo várias vezes a palavra “mamãe”.

Depois que largou Cláudia, já morta, percebeu que o garoto podia ser um problema. Ele podia reconhecê-lo e Alex não podia cometer esse erro. Foi aí que ele percebeu que o menininho poderia ser útil de alguma forma.

Constantemente Alex se sentia sozinho naquela casa distante de qualquer pessoa e observando os olhos tristes e inocentes de Stiles, notou que o menino acreditaria em tudo que ouvisse e acabaria obedecendo pelo medo.

Alex pegou a criança, bateu nele até que desmaiasse e o levou a sua casa. Quando chegou lá, trancou o garoto em um quarto desocupado e com um banheiro que servia para o menino.

Deixou Stiles ali por dois dias inteiros, chorando, gritando, sem comida, sem água, sem lugar confortável para dormir. Durante esse tempo, decidiu o que falaria para o garoto nunca tentar fugir e como iria controlar ele.

Alex achava que aquela missão seria mais difícil, porém, quando finalmente abriu a porta do quarto, Stiles estava tão assustado e carente que ergueu os braços e abraçou Alex, chorando, buscando alguma atenção.

Stiles só tinha três anos. Inocente, crédulo, medroso.

Ele disse o nome completo para Alex, falou que estava com saudades dos pais e pediu por comida, por água. Quando enfim comeu e bebeu, respondeu a todas as perguntas do homem mau.

Alex sorria enquanto lembrava de Stiles. De maneira doentia, ele gostava da presença do garoto em sua casa. Gostava de como ele era fácil de se manipular, gostava de descarregar todo ódio em cima do menino sem que ele tentasse se defender.

Melhor ainda era a sensação inebriante de poder. E essa mesma sensação que fez com que naquele dia ele dirigisse até Beacon Hills, a pequena cidade tão perto de sua casa, onde já tinha feito tantas vítimas.

Alex não só teve a coragem de ir até aquela cidade, como estacionou o carro em frente à delegacia. Abriu um sorriso que parecia sincero e entrou no lugar, observando os policiais que andavam por ali.

— Oi, você pode me ajudar? — Perguntou para uma moça que mexia no computador, distraída.

Quando a mulher encarou o homem, estremeceu. Apesar da grande cicatriz no rosto, Alex era lindo. Olhos claros, cabelo muito escuro, traços tão lindos que aparentemente, o único defeito era de fato a cicatriz.

— Claro!

— Pode dizer ao xerife Stilinski estou o esperando? — A mulher abriu a boca para falar, porém o homem foi mais rápido: — Meu nome é Matt Gandy. — Aquela mentira já lhe era tão natural, que seria impossível alguém reconhecer que era apenas um nome falso.

A moça concordou com a cabeça e foi até a sala do xerife. Pouco depois, voltou com um pequeno sorriso, ainda atordoada pela beleza do homem e disse que ele podia entrar para ver o xerife.

— Oi, Matt! — Noah cumprimentou o homem com simpatia, apesar dos olhos tipicamente tristes e cansados. — Obrigado por ter vindo.

— É um prazer ajudar! — E de fato, era um prazer para Alex.

Ele se deliciava em ver o xerife o chamar pelo nome falso e o tratar tão bem. Sempre se perguntava qual seria a reação do Stilinski se soubesse que mantinha Stiles em cárcere privado durante anos.

— Você é um dos melhores médicos que eu conheço!

“Sou melhor ainda fodendo a boca do seu filho”, foi o que Alex pensou, mas em voz alta só disse:

— Eu faço o que posso!

Noah concordou com a cabeça e mexeu em alguns papéis espalhados por sua mesa. Não fazia ideia de que a solução para tudo o que investigava estava bem a sua frente. Bastava prender Alex.

No entanto, não era tão fácil. Alex era querido por muitos de Beacon Hills, conhecido como o doutor Matt. De fato, Alex era formado em medicina, então não foi difícil modificar o nome de seus diplomas como uma proteção para não descobrirem nada verdadeiro sobre si.

Quando ainda usava o nome verdadeiro, Alex Beck, fez ainda muito novo sua graduação, mestrado e doutorado. Era inteligente, estudioso e tudo isso o ajudou a se manter em segredo e fazer com que Stiles sobreviesse durante tanto tempo.

Apesar de ser mal alimentado, Stiles recebia vacinas e remédios quando precisava para Alex ter certeza de que o garoto continuaria vivo. Além disso, fazia com que o menino tomasse sol na pequena área de serviço da casa.

Ele não se preocupava em manter Stiles saudável ou confortável, mas sim em se assegurar que o garoto continuaria com o coração batendo. Para isso, não podia deixar que o menino adoecesse por muito tempo.

Alex mudou o nome para Matt depois que matou uma pessoa pela segunda vez. Na primeira vez, ele ainda era muito novo, por volta dos doze anos quando matou o pai violento o empurrando de uma escada. A segunda vítima foi uma colega de trabalho no hospital onde trabalhava, que se negou a ficar com ele.

— Eu queria uma segunda opinião sobre esses corpos — Noah disse espalhando fotos das possíveis vítimas do mesmo homem que tinha matado Cláudia e Natalie. — É possível que seja um único assassino?

O xerife era mais inteligente do que Alex previa. Os corpos nas fotos tinham sido mortos de formas diferentes, mas ainda assim, Noah suspeitou que fosse apenas uma forma do assassino despistar a polícia.

— Todas as mortes aconteceram em anos diferentes, mas os corpos foram encontrados em lugares próximos e Beacon Hills é uma cidade pequena, não costuma acontecer tantos assassinatos. — O xerife explicou e estremeceu de leve ao separar as fotos de Natalie e Cláudia. — Está vendo essas duas mulheres? As duas foram mortas pelo menos padrão e eu acredito que isso tenha sido um erro do assassino. Ele é esperto! Estava tentando esconder as semelhanças entre suas vítimas.

Alex precisou engolir seu ódio. Franziu o rosto como se só tivesse intrigado com aquilo que o xerife falava, escondendo dentro de si a raiva por Noah estar seguindo uma pista certa.

— Desculpa perguntar, mas essa é sua esposa, não é? — Desejando ferir Noah, Alex perguntou com uma voz falsa de compaixão, apontando para a foto de Claudia.

— Sim e essa é a vítima mais recente, mãe de uma menina! — O xerife soltou um suspiro triste. — Talvez tenha ouvido falar sobre ela nos noticiários. A mãe foi morta e a filha sumiu.

— Sim, eu ouvi algo sobre isso. — E aquilo era verdade. Alex acompanhava todas as notícias que diziam algo sobre as atrocidades que já tinha feito. — Vocês acham que a menina também morreu?

De imediato, Noah negou com a cabeça e se curvou sobre a mesa. Apoiou os cotovelos ali e aproximou de Alex como se estivesse prestes a contar um segredo.

— Sabe, Matt, a imprensa tem pressa em dizer que Lydia morreu, mas eu ainda acho que ela está viva em algum lugar.... — Ele parou de falar, como se percebesse de que podia estar dizendo mais do que deveria. Ajeitou a postura na cadeira e estalou os dedos.

Antes que Noah pudesse mudar de assunto, Alex se apressou em falar:

— Você acha que seu filho também pode estar vivo? — Perguntou ansioso por aquela resposta. Precisava saber sobre os progressos da polícia. — Encontrou alguma pista nova?

O xerife negou com a cabeça devagar, ciente de que não podia continuar falando sobre aquele caso. Mesmo confiando no doutor Matt, sabia como era arriscado expor a ele mais do que o necessário.

— Não posso falar sobre isso. — Ele concluiu em um tom educado.

Alex estava com as mãos debaixo da mesa e as fechou em punho. Sua vontade era de matar Noah ali mesmo e acabar com as chances de alguém tirar Stiles e Lydia de si.

Ele não ia permitir que qualquer pessoa, qualquer investigação, o separasse dos adolescentes sequestrados. No entanto, também sabia que matar o xerife de uma cidade pequena não era uma tarefa tão fácil, precisava ser cuidadoso.

Enquanto estivesse matando Noah, Alex teria o prazer de dizer ao xerife que foi ele que matou sua esposa e a estuprou em frente ao filho. Mais prazer ainda em falar sobre todos os anos mantendo Stiles preso dentro de um quarto pequeno, fodendo a boca dele sempre que lhe era conveniente, quando não achava uma mulher no dia que pudesse satisfazê-lo.

— Claro, eu compreendo. — Respondeu e sorriu de leve.

O xerife, que não fazia ideia de quais pensamentos preenchiam a cabeça de Alex, interpretou aquele sorriso como uma atitude gentil. Não sabia como as mãos de dele tremiam abaixo da mesa tamanho era o desejo de matá-lo.

— Então você quer que eu veja se todas essas mortes podem ter sido por um mesmo assassino? — Alex perguntou fingindo interesse nas fotos a sua frente.

— Isso! Eu confio em você para analisar e dar sua opinião.

Mais uma vez, Alex sorriu.

**

Alex passou grande parte do dia dentro da delegacia fingindo ajudar Noah quando na verdade, fazia de tudo para despistá-lo. Toda vez que o xerife chegava perto de descobrir algo novo, Alex dava um jeito de acrescentar uma informação falsa ou de desmentir as convicções que o Stilinski tinha.

Quando finalmente conseguiu sair da sala do xerife, o homem se apressou em ir até o carro e dirigir de volta para casa. Os músculos estavam tensos, a raiva o consumia.

Sentia ódio do xerife e também de Stiles e Lydia por lhe causarem tantos problemas. As vezes era tão difícil manter tudo em segredo que Alex se afogava em garrafas de bebida alcoólica e só conseguia dormir a base de remédios.

Ele sempre culpou Stiles por seus problemas. Não importava se o menino tinha alguma relação com suas frustrações, Alex chegava em casa e descontava no garoto toda sua ira, desde que ele era muito criança.

Espancava Stiles até que ficasse inconsciente, lhe deixava sem comida e o humilhava. As vezes o trancava em um pequeno armário na sala, onde o menino chorava e implorava para sair e outras vezes cortava a pele do garoto só para deixá-lo com mais cicatriz, sabendo o quanto isso o afetava.

Por isso, com a ira que sentia no momento, Alex estava com a ideia fixa em sua cabeça de que ia derramar os sentimentos ruins em Stiles. Ele queria sentir prazer carnal e não estava disposto naquele dia a procurar alguma mulher disponível ou a violentar alguma que encontrasse na rua. As duas opções davam muito trabalho.

Stiles era mais fácil, inocente. Mesmo com ele reclamando, ou até chorando quando não queria fazer algo, obedecia ao homem e isso o tornava perfeito para ser usado como um objeto por Alex.

Quando era conivente para o abusador, explorava Stiles da maneira como lhe parecia boa, sabendo que o menino nunca revidaria, que era uma presa fácil e sempre disponível a ele.

Alex chegou em casa.

Foi a passos rápidos até o pequeno quarto onde estavam Stiles e Lydia. Antes mesmo de entrar, se livrou do cinto que prendia a calça e tacou no chão. Tentou ouvir algum barulho vindo do pequeno cômodo trancado com correntes grossas, no entanto, não escutou nada.

Alex costumava abrir a porta com grosseira para assustar os adolescentes. No entanto, aquele silêncio absoluto do quarto chamou a sua atenção, fez com que ficasse curioso para saber o que eles estariam fazendo.

Era provável que só estivessem dormindo, mas, ainda assim, ele decidiu se desvencilhar das correntes com cuidado, destrancado em completo silêncio. Abriu a porta com os olhos claros atentos a qualquer movimentação.

A visão a sua frente o surpreendeu. Ele jamais imaginaria que aquele era o motivo do silêncio dos adolescentes. Pela surpresa e desejando ver um pouco mais, Alex permaneceu calado com a porta entreaberta.

Stiles e Lydia se beijavam. Estavam distraídos com o que faziam, a menina puxava de leve o cabelo escuro do garoto e ele, querendo agradar e inseguro, segurava o quadril da Martin, apertando com cuidado.

Alex ficou quase nauseado com a visão. Após passar segundos observando, riu. O som grave e desagradável fez com que os adolescentes se separassem, assustados.

Lydia perdeu a cor e de imediato, encolheu o corpo. Nos primeiros dias sobre cativeiro ela foi corajosa, enfrentando o homem, porém, depois de ter sido ameaçada de estupro, depois de Alex ter tocado em sua barriga nua, dizendo palavras cruéis e incentivando que Stiles a machucasse, a ousadia de Lydia sumiu.

O mais puro pavor dominou suas feições, as mãos tremeram e desesperada para esconder o corpo, sentou no chão e abraçou as próprias pernas. Ela temia a reação de Alex por ter a flagrada no beijo.

Stiles não demonstrou nenhum medo. Ele só foi surpreendido pela risada de Alex, mas não parecia assustado. Olhou para a Lydia com a testa franzida, incomodado com a forma como ela estava encolhida.

— Você está bem, céu? — Perguntou preocupado, baixinho.

Ele sabia que Lydia sempre ficava com medo quando Alex aparecia, mas naquele dia ela estava pior. O corpo chegava a tremer de pavor, os olhos estavam fechados com força.

O garoto ficava desconfortável com a presença de Alex, porém, a preocupação com Lydia não deixava que naquele momento ele sentisse qualquer outra coisa. Os olhos castanhos a analisavam sem parar.

— Eu não acredito nisso! Agora a vadia está beijando você? — A voz ácida de Alex finalmente chamou a atenção de Stiles. — Minha filhinha se oferecendo para isso... — com desprezo, o homem apontou para o menino que ainda não entendia o que acontecia — em vez de ficar comigo!

A frase incomodou Stiles. Fez um bico involuntário nos lábios e lançou um olhar inconformado para Alex. Expressou um de seus raros momentos de coragem ao abrir a boca para dizer:

— Ela é minha!

— Sua?! Você não sabe nem como tratar uma puta! — Descontrolado pela raiva que já sentia antes, Alex elevou o tom de voz. Stiles estremeceu no lugar, o medo o invadindo aos poucos. — Eu já disse várias vezes para você foder a Lydia! Basta prender os braços dela e dar um jeito, mas em vez disso encontro você a beijando!

Stiles olhou de relance para Lydia, ela parecia ainda mais encolhida e para piorar, percebeu que estava chorando. Odiava ver a menina derramando lágrimas e odiava mais ainda quando isso acontecia com Alex por perto; era mais difícil ainda de conseguir a consolar.

— Beijo é para mostrar que você gosta da pessoa — explicou para Alex, enquanto ainda olhava para Lydia.

— Você gosta dela, Stiles?

Não houve hesitação. Nem um segundo de espera antes de responder.

— Gosto! — Os olhos avelã enfim foram para Alex. — Ela é meu pequeno pedaço do paraíso.

Não era a primeira vez que Alex ouvia Stiles chamando Lydia daquela forma, entretanto, o garoto parecia ainda mais convicto do que dizia.

Por algum motivo, aquilo irritou ainda mais Alex. A devoção explicita nos olhos de Stiles ao falar de Lydia e logo após ter visto os dois se beijando como se compartilhassem afeto um pelo outro.

A raiva infundada fez com que Alex se concentrasse na motivação que o fez ir até o quarto. Com as mãos tremendo de ódio, deu passos duros até Stiles. O barulho de suas pisadas fez com que Lydia abrisse os olhos.

Ela percebeu duas informações ao mesmo tempo: Alex tinha deixado a porta entreaberta. Ele sempre lembrava de fechar, mas não naquele dia. A segunda coisa que percebeu foi o que Alex estava prestes a fazer com Stiles.

O horror que a preencheu foi tão grande que não conseguiu nem gritar. A voz entalou na garganta como se tivesse tentando engolir uma pedra. Os olhos se arregalaram e os braços se retesaram.

Ela sabia o que Alex fazia com Stiles. Sabia que ele era abusado sexualmente sem nem saber o que a palavra sexo significava. Sabia que Stiles para defendê-la já tinha se oferecido para que Alex o abusasse da forma como quisesse por um tempo longo demais. Tudo por ela. Porque Stiles era bom e queria que a garota ficasse bem.

No entanto, perceber que aquilo estava prestes a acontecer diante de si era ainda mais insuportável. Seus olhos não acreditaram em tamanha cena asquerosa quando Alex derrubou Stiles no chão, agarrando o cabelo do garoto que grunhiu de dor.

Stiles arregalou os olhos e quando entendeu o que aconteceria, não conseguiu prender o choro. O rosto antes calmo foi invadido de medo. Vê-lo vulnerável daquele jeito era nauseante. Alex usou a mão livre para abrir o zíper da calça e abaixá-la junto com a cueca.

Apesar da cena medonha, Alex tinha já começava a ter uma ereção, como se o nojo na expressão de Stiles lhe excitasse. O menino negou com a cabeça, as lágrimas surgindo e despencando com muita rapidez.

— Não, por favor! — Ele pediu baixo, medroso.

Alex grunhiu de raiva.

— Você não gosta de usar essa boca para beijar uma puta?! Então agora tem que usar para algo melhor!

Stiles tentou se libertar de Alex. O empurrou sem muita segurança, mas não tinha ideia de como se defender do homem que lhe causava tanto pavor. Alex se irritou mais e esmagou seu rosto contra a ereção que se firmava.

— Não faz na frente do céu! Vamos para seu quarto. — Ele tentou pedir, demonstrando a vergonha imensa que sentia.

A voz desesperada transbordou de humilhação. Era assim que Stiles se sentia, humilhado, exposto. Aquilo sempre foi horrível para ele e a ideia de acontecer na frente de Lydia era ainda pior.

Ele desejava que ela sentisse orgulho dele. Queria que ela continuasse o beijando e não que sentisse nojo, ou visse como era fraco e indefeso. Ele precisava impressioná-la, fazer com que ficasse admirada.

Alex sorriu em meio a dor que Stiles sentia. Saber a humilhação que o garoto estava passando foi um incentivo ainda maior. A cicatriz em seu rosto se retorceu enquanto os dentes eram expostos no sorriso.

Lydia não suportou.

Puxou o ar pelas narinas e prendeu dentro de si. Fechou as mãos em punho, ergueu o corpo e obrigou que o medo cedesse para dar espaço a coragem que achava que já não existia mais. Usou a raiva como impulso.

O homem asqueroso começou o abuso, forçando o menino que chorava a fazer o que tanto odiava. Lydia não olhou para aquilo, seus olhos se perderam na busca de qualquer objeto que pudesse ajudar.

Rezando para encontrar algo, viu um pequeno pedaço da madeira do chão quebrada. Com desespero, ela voltou a se ajoelhar, levando as mãos a àquela parte da madeira. Alex estava distraído demais para perceber a movimentação silenciosa.

Lydia forçou tanto as pequenas mãos que sentiu a pele se romper. Mesmo assim não parou de puxar, nem quando um filete de sangue começou a escorrer. Depois de muita força exercida em segundos torturantes, conseguiu puxar parte da madeira.

O barulho chamou atenção de Alex. Os olhos cruéis foram raivosos em busca de Lydia, mas ela foi mais ágil. Apertando a madeira com as duas mãos, se tacou na direção do homem abusador.

Levou os braços finos para trás, buscando força e acertou a nuca de Alex. Ele arquejou de dor e soltou o cabelo de Stiles, libertando o menino que se arrastou para trás, chorando ainda mais.

Alex inclinou o corpo para frente, zonzo e isso tirou a cabeça do alcance de Lydia. Afobada, a garota acertou as pernas do homem, que foi o primeiro lugar que conseguiu atingir.

Um prego preso na madeira prendeu na carne de Alex. Ele urrou de dor e caiu no chão, de joelhos. Assustada, Lydia largou a madeira que continuou presa ao homem.

Atordoada, olhou para Stiles. Ele estava caído no chão a encarando, confuso e assustado, ainda chorando. Os lábios finos estavam inchados e melados e isso só aumentou a raiva e determinação da menina.

— A gente precisa sair daqui! — Berrou e agarrou o braço do garoto, o puxando para ficar de pé.

Correu até a porta entreaberta graças a distração de Alex.

Notas finais
Então... estavam esperando por isso? Próximo capítulo aguarda mais surpresas e estou bem ansiosa para escrever as ideias novas que andei tendo. Deixem suas opiniões e digam o que desejam ver por aqui! Até logo.