O Pequeno pedaço do céu
19 O homem dos sonhos
Notas iniciais
O novo beijo parecia ainda melhor. Fiquei de olhos fechados o tempo todo para me concentrar no que fazia. Continuei imitando o Céu. Ela fazia movimentos gostosos e eu fazia igual. Porque queria agradá-la. Queria muito.
Amava abraçar a Lydia. E abraçar enquanto beijava na boca era ainda melhor. Primeiro, as mãos do Paraíso só ficaram no meu pescoço. Fazendo carinho, um carinho muito bom. Sentia minha pele gelar e o estômago revirar.
Depois, seus dedos pequenos foram descendo por meus ombros. Estremeci porque a sensação era boa. Muito boa. As mãos do Céu faziam meu corpo inteiro tremer.
Em algum momento, tentei fazer o que o Paraíso tinha feito no nosso primeiro beijo diferente, com língua. Com receio de que ela não gostasse, consegui morder o lábio inferior de Lydia.
Lutei para morder da mesma forma que ela tinha feito comigo. Puxei seu lábio para minha boca, sugando o lugar. Os lábios do Céu eram infinitamente grossos, lindos. Morder algo tão macio era maravilhoso. Perfeito.
Tudo em Lydia é perfeito. Lindo. Bom.
Lydia soltou mais uma vez aquele barulhinho meigo, parecido com um gemido. Não suportei, tive que sorrir por entender que ela estava gostando. Assim, sem querer, acabei soltando o lábio do Paraíso.
Continuamos a beijar e as mãos de Lydia continuaram a descer sobre minha camisa. Seus dedos perfeitos, gordinhos, pararam por cima do meu peito. Alex nunca tinha tocado no meu peito assim. Ela começou a fazer carinho ali. Eu nunca tinha recebido carinho daquele jeito.
Ansioso para imitá-la, puxei mais Lydia contra mim. Ela ficou em cima das minhas pernas. Meu fazedor de xixi ficou mais duro. Queria muito, muito, brincar com o fazedor de xixi. Porém, continuei beijando.
Tirei uma das mãos das costas do Céu e ansioso, enquanto a beijava, fiz o mesmo que ela: levei a mão até a altura do peito do Paraíso. Queria fazer carinho igual ela fazia em mim, porém, fui surpreendido ao sentir os misteriosos seios.
Lydia se remexeu e eu arfei. Abaixo de minha mão, senti o volume que eu desconhecia, arredondado. Curioso, passei com cuidado os dedos no lugar e me assustei quando senti outra camada de roupa, depois da blusa.
— O que é isso?! — Não queria parar de beijar, porém, precisei separar nossas bocas para saciar minha dúvida.
— M-meu sutiã.
— O que é sutiã?
Mais uma vez, Lydia estava muito vermelha. Seu rosto mostrava vergonha e eu não entendia o motivo. Esperei com paciência que ela respondesse e enquanto esperava, olhei na direção dos seios.
Não dava para ver muito, pois o Céu usava uma blusa bem larga. Minha mão direita estava sobre um dos volumes dos seios que eu não entendia, sentindo aquela peça de roupa que ela chamou de sutiã.
— Uma roupa que protege os seios — Finalmente, o Paraíso respondeu.
— Protege do quê?
Ela suspirou. Eu a olhei.
— É tão difícil explicar essas coisas para você!
Encolhi os ombros e sem jeito, tirei a mão dos seios. Voltei a abraçá-la, mas sem tanta firmeza. De repente, me senti inseguro por Lydia estar em meu colo. Eu estava gostando muito daquilo. Porém, não sabia se ela também estava.
— Desculpa — Disse com incerteza, sem saber para onde olhar.
— Não, Stiles! Eu não estou brava com você! E-eu só... — Ela suspirou de novo e eu senti a necessidade de erguer a cabeça para encará-la.
— Eu faço perguntas bobas.
— Não são bobas, Stiles. Você nunca viu uma garota, é normal não saber como é meu corpo! — Seu rosto lindo fez uma expressão linda. Ela parecia estar tentando pensar em algo. Fiquei calado, admirando. — E-eu prometo que um dia vou mostrar meus seios para você, tudo bem? Ai vai ser mais fácil de v...
— Jura?! Você vai me deixar ver? — Sorri tanto que as bochechas doeram. E ainda queria sorrir mais. Muito mais.
Ela parecia estar com mais vergonha. O rosto todo vermelho, mas os olhos estavam fixos no meus. Eu amava quando ela olhava para mim. Queria que o Céu olhasse sempre para mim. Sem nunca parar.
O Paraíso concordou com a cabeça.
— Vou poder ver também o fazedor de xixi?! — Não sabia mais como parar de sorrir. Antes que ela conseguisse responder, olhei para baixo. Vi meu fazedor de xixi ainda em pé, marcando muito na calça e em Lydia... não tinha nada marcando. — Seu fazedor de xixi é tão pequeno! Queria ver. — Disse com as sobrancelhas franzidas, tentando enxergar algum volume entre as pernas do Céu.
— Stiles... meu fazedor de xixi é bem diferente do seu.
— D-diferente?! — Estava tão confuso que minha voz falhou. Não conseguia entender. — Diferente como?
— Hãm... Não é comprido.
— Não tem nada pendurado? — Perguntei pendendo a cabeça para o lado, confuso. — É por isso que não marca na sua roupa! — Conclui voltando a olhar para baixo — O meu fazedor de xixi fica em pé quando estou alegre. O seu não fica?
— Todo meu corpo é bem diferente do seu, Stiles. Porque eu sou menina!
— Pensei que a única diferença fosse os seios — Confessei coçando a nuca, meio envergonhado.
— Até dentro do nosso corpo é diferente! Por isso sai sangue do meu fazedor de xixi e do seu não. — Aquilo fez sentido para mim. Gostei de entender. Amei o fato de Lydia ter explicado.
— Você é tão inteligente!
Ela sorriu. Eu sorri também.
— Vou ensinar mais coisas para você, Stiles. Vou ensinar sobre a diferença dos nossos corpos e sobre o meu mundo! Você vai saber tudo o que eu sei.
Concordei com a cabeça, feliz e acabei dizendo:
— O seu mundo parece ser muito melhor do que o meu.
Por algum motivo, que não soube discernir, vi os olhos verdes ficarem tristes. Pensei em pedir desculpas ou em abraçar o Céu, para fazê-la sorri de novo. Porém, quando ela falou, seu rosto já parecia tranquilo.
— Um dia você vai para o meu mundo, Stiles!
— Sem o Alex? — Perguntei com alguma esperança.
— Sem ele!
Sorri com aquele pensamento. Um mundo sem Alex parecia tão, tão bom, que era difícil acreditar. Eu queria muito ficar sem o Alex. Para ele não me bater, não me xingar, não fazer nada de ruim.
— Você gostou mesmo do desenho que eu fiz?!
— Eu amei!
— Então posso ensinar a você desenhar! — Fiquei animado com aquela possibilidade. Feliz ao pensar que tinha algo para fazer Lydia aprender.
Nós dois íamos ensinar e aprender. Fiquei muito ansioso por isso.
Com cuidado para não machucar o Céu, a tirei de cima das minhas pernas. Sai da cama e cambaleei até encontrar meu caderno velho. Acendi a luz do quarto e voltei a sentar perto de Lydia. Bem perto.
Ergui o caderno para ela e o Paraíso pegou. Sorri porque ela sorria o sorriso mais lindo do mundo. Das setes partes do mundo. Tenho certeza que nem no mundo da Lydia existe um sorriso tão lindo.
— Tenho muitos desenhos! — Afirmei e apontei para o caderno, querendo que ela visse.
O Céu se concentrou no caderno e eu me concentrei nela. O Paraíso ia passando as folhas do caderno e eu analisava seu rosto, sua expressão. Amava seus lábios. Seus olhos. A cor do seu cabelo.
Em um momento, Lydia arfou e seu rosto pareceu assustado. Não entendi aquela expressão. Fiquei confuso e incomodado, querendo vê-la feliz novamente.
Nervoso, olhei para baixo, para o caderno, buscando entender o que a deixou daquela forma. Engoli em seco quando vi o desenho exposto.
— Não olha esse! É feio! — Disse rápido e levei as mãos ao caderno — Tenho alguns que são assim, feios.
Lydia não deixou que eu mudasse de página. Seus dedos gordinhos, pequenos, lindos me impediram. A olhei com culpa, desejando que nunca tivesse visto aquele desenho.
— Quem é essa mulher, Stiles?
— Ninguém. Não é ninguém! — Mais uma vez, falei rápido. E baixo. Sempre falava baixo.
— Stiles, você não pode mentir para o Céu!
Encolhi os ombros e fechei os olhos. Odiava aquele desenho! Odiava muito. Devia ter rasgado a folha. Se tivesse rasgado, o Paraíso nunca teria visto algo tão feio.
No desenho, tinha a mulher que via em alguns sonhos. Pesadelos. Tinha a desenhado com lápis grafite e vermelho. Vermelho mais forte do que o cabelo do Céu.
Ela estava desenhada deitada sobre o chão, descabelada, sangrando, com a roupa rasgada. Era um desenho horrível! Malvado. Só tinha feito para tentar esquecer os pesadelos.
Nesses pesadelos, eu via Alex machucando aquela mulher. A imagem sempre era distorcida. Ruim. Muito ruim. Como se eu não enxergasse direito, como se fosse uma lembrança muito distante. Era Alex que rasgava a roupa da mulher e a fazia sangrar.
— Não estou mentindo — Falei em forma de defesa, voltando a abrir os olhos.
— Por que você desenhou isso, Stiles? — Eu amava sua voz e a forma como falava meu nome. Por isso, tive que responder.
— Eu já sonhei com essa mulher. Sonhei que Alex fazia machucados nela e ela gritava... — Não gostava de pensar nisso. Odiava pensar. — Ela gritava meu nome. — Disse ainda mais baixo, sentindo vontade de chorar.
— V-você tem certeza que foi só um sonho? — A voz do Céu ficou baixa. Bem baixinha.
Ela tinha lágrimas nos olhos verdes. Queria tirar aquelas lágrimas. Queria muito. Seus lábios infinitamente grossos formavam um beicinho. Tinha vontade de beijá-la na boca. Beijar usando a língua.
— Tentei falar com o Alex sobre isso — Confessei desconfortável — Ele bateu em mim e disse que era coisa da minha cabeça. Que eu tinha imaginado tudo.
Estremeci ao lembrar dos socos e chutes que recebi. Foi horrível. Muito horrível. Sempre odiei sangrar e Alex me fez sangrar muito. Demais.
— Stiles, talvez...
— Não quero falar sobre isso! — Fiquei com medo de ter sido grosso com o Céu. Não queria ser grosso. Mas não queria lembrar daquela mulher. Daqueles pesadelos. — Você foi a primeira mulher que eu conheci, Lydia. Essa do desenho não existe.
Aliviado, vi Lydia mudar de página. Infelizmente, tinha outro desenho ruim. Outro desenho que não gostava de ver. Nem pensar. Mordi o lábio inferior e o Paraíso arfou.
— S-stiles...ele...
— Ele também não existe! — Falei apressado, querendo que ela mudasse de novo de página — É só o homem dos meus sonhos.
Eu tinha vários desenhos do homem que aparecia em meus sonhos. Sabia o desenhar com muitos, muitos detalhes. Sabia como era o nariz, a testa, a boca, o cabelo. Mas ele não existe. Ele é da minha imaginação.
— Stiles, eu o conheço! Conheço esse homem!
Neguei com a cabeça várias vezes. Muitas vezes.
— Impossível! Ele só está nos meus sonhos.
— Não, Stiles! Ele está no meu mundo. Tenho certeza que o conheço!
Virei a cabeça para o lado, perdido, sem entender. Como ele poderia viver no mundo da Lydia? Ele tinha que viver só nos meus sonhos.
— Não — Só disse uma palavra, fazendo uma careta.
— Ele é o xerife da cidade! Noah Stilinski é o nome dele!
— Xerife? — Perguntei com estranheza. Porém, acho que o Paraíso nem me escutou.
— Minha mãe um dia me disse que ele vivia tão triste porque a esposa e o filho morreram. — Ela falou devagar, no entanto, continuei sem entender — A mulher tinha sido atacada pelo mesmo homem que... — O Céu arfou. Arregalou os lindos olhos. — Nunca acharam o corpo do filho.
Pensei em perguntar algo. Não entendia nada do que ela falava. Odiava não entender.
— Deus! É você não, é? Você é o filho do xerife! Por isso lembra dele!
Cocei a nuca. Tentei ficar confortável na cama. Não consegui. Continuei sentado de um jeito ruim. O Céu pegou minha mão, a segurou. Então parei de tentar entender.
Fiquei parado, olhando para nossos dedos unidos, vendo o quanto sua mão parecia pequena perto da minha. Poderia segurar naquela mão para sempre e nunca, nunca cansaria.
Fale com o autor