O Pequeno pedaço do céu

28 Ela é o pensamento


Notas iniciais
Oi, leitores!! Sextou com atualização para vocês! Esse não era para ser um dos capítulos "especiais", mas eu quis colocar em terceira pessoa porque achei melhor para escrever o que eu queria e como sempre demoro para postar, esse capítulo está maior do que o normal para tentar compensar, espero que gostem. Antes só uma pequena explicação: vocês provavelmente estão meio perdidos em relação ao tempo que passou e o lugar que Stydia está, mas essa é a minha intenção. Como os personagens estão confusos a respeito disso, escolhi não mostrar nada disso para vocês para ficarem "perdidos" como os Stiles e Lydia estão. Boa leitura!

Terceira Pessoa

Stiles mudou. Mudou e continuava se adaptando, se transformando. Conforme aprendia e perdia o medo do mundo que não conhecia, os olhos castanhos ganhavam um novo brilho, as expressões do rosto se formavam em combinações diferentes. Quando a dor da perna diminuiu e ele voltou a caminhar sem ajuda, Lydia se surpreendeu com o jeito que ele se movia. A coluna mais reta, a cabeça erguida, os passos mais confiantes. Não parecia tão inseguro, tão frágil.

A doçura permanecia como a principal característica das palavras que proferia e do que transbordava do corpo magro demais, a inocência ainda era uma áurea quase palpável que o envolvia. Esses traços habituais que continuavam tão firmes, consolavam Lydia, que de alguma forma, se culpava pela tristeza que o atingiu aos poucos ao tomar consciência de coisas que antes não conhecia, não entendia.

A mudança gradual e contínua tinha algo muito positivo. Stiles absorvia novas palavras e conceitos com um desejo violento, aumentando o vocabulário em alta velocidade. Ele se apaixonou pelas árvores, pela terra, céu, grama e insetos e através da paixão, perdeu o medo de atravessar a porta, parou de pensar em monstros. Mas infelizmente, não foram as únicas consequências.

Em contraste a conquista de segurança, Lydia percebeu, impotente, desesperada, que Stiles passou a sorrir com menos frequência. Ele não disse em voz alta, porém, a menina viu como aos poucos o garoto percebeu que tinha sido roubado de um mundo enorme, diverso e cheio de liberdade. Stiles entendeu que tinha sido privado da natureza, do aprendizado, da convivência, da alegria.

A ignorância de crer que o mundo tinha sete partes o defendia de uma tristeza desenfreada que foi liberta no momento em que passou a compreender. Os pesadelos se tornaram piores, mais vividos e em alguns momentos, o garoto cedia a um choro repentino. Ele tentava esconder as lágrimas e por respeito, medo e culpa, algumas vezes Lydia fingia não perceber.

— Stiles, não podemos arriscar, tem que ser amanhã. — Lydia falou com firmeza, engolindo o medo sufocante, os olhos verdes concentrados no menino. — Amanhã é assim que o céu escurecer e voltar a ficar claro. — Acrescentou com lentidão, lembrando que ele se confundia com as palavras que delimitavam o tempo.

Ele concordou com a cabeça sem erguer o rosto. Lambeu os lábios e continuou entretido com as próprias mãos, sentado no chão. Lydia suspirou e foi até o moreno, se abaixando ao lado dele. Inclinou a cabeça para o lado, desejando encarar os olhos castanhos.

— Stiles? — Ansiosa para ouvi-lo falar, sussurrou com delicadeza e o tocou em uma perna, acariciando a pele coberta pela calça surrada.

— Eu vou para qualquer lugar que você for. — A resposta foi melancólica e segura. Continuou de cabeça baixa, o cabelo crescido e sem brilho cobria parte do rosto.

Com um suspiro pesado, Lydia jogou o corpo contra o dele. Desajeitada, envolveu os ombros largos e magros, abraçando Stiles o mais forte que conseguiu, se esmagando contra o peitoral despedido. Ele arfou, desorientado, no entanto, os braços se apressaram em encontrar o caminho para a cintura feminina.

Ele tentou falar, mas as palavras foram roubadas por um beijo nos lábios. Lydia se acomodou no abraço e encontrou conforto na boca fina, beijando devagar, ansiando se comunicar através do mover da língua. Foi correspondida com uma intensidade inesperada, Stiles a mordeu e a beijou sem se limitar a repetir os movimentos que ela fazia.

A Martin interrompeu o beijo depositando repetidos selinhos nos lábios finos, os olhos fechados. Permaneceram abraçados em silêncio, enquanto ela tentava encontrar forças para falar e ele apreciava o som da respiração pesada que era despejada da boca grossa.

— Você entende o porquê a gente precisa sair daqui? — Apesar de já ter conversado diversas vezes sobre aquilo com Stiles, Lydia quis confirmar mais uma vez, sussurrando.

— Porque o Alex quer machucar a gente. — Ao falar, o menino afastou o rosto e os olhos se abriram. — Só ficamos aqui esperando que eu conseguisse andar de novo.

— E agora que você está conseguindo andar, a gente precisa sair dessa casa abandonada e procurar por ajuda. — Lydia completou devagar, apertando mais os braços em torno do corpo dele. — Só não vamos agora porque o céu está escurecendo, ia ficar mais perigoso.

— A gente não achou nenhum lugar para colocar água e quase não conseguimos frutas para levar.

Só com a nova declaração de Stiles que Lydia por fim abriu os olhos. Encarou o garoto de perto, enxergando o pavor que ele tentava esconder. Ela suspirou devagar e levou uma mão a bochecha magra marcada por pintinhas, fez carinho nele.

— Conseguimos sobreviver alguns dias sem água. — Tentando ser forte e querendo transmitir confiança, a menina falou, mas logo em seguida analisou a si mesma e a Stiles. Talvez alguém saudável sobrevivesse, no entanto, como eles já tão magros e fracos, iriam suportar não ter água? — Vamos ter que ser rápidos e... — Não soube mais o que dizer, dominada por uma vontade súbita de chorar. Escondeu o rosto no ombro de Stiles.

— Você não pode morrer, Lydia. — Ele se lamentou fraco e a menina odiou como ele não se incluiu na frase.

— Prefiro morrer lutando pela vida do que esperar que Alex venha matar a gente, ou faça algo ainda pior. — Firme, a garota se desvencilhou do abraço e fechou as mãos em punho, se esforçando para não ceder as lágrimas. — Nunca mais vou ficar parada vendo-o machucar você, Stiles.

O garoto abaixou a cabeça e se encolheu perto da parede em que estava próximo, o rosto corado, queimando de vergonha ao pensar nas vezes que apanhou na frente da Lydia e na última vez, quando Alex o humilhou da pior forma. A Martin o encarou com os olhos verdes opacos, doloridos, sem saber o que fazer ou falar.

Ficou de pé e passou a mão pelo cabelo ruivo emaranhado e ressacado, lambeu os lábios, fechou os olhos e os abriu logo em seguida, desnorteada. Já não parecia tão fácil se comunicar e se relacionar com Stiles desde que fugiram do cativeiro. Ela entendia que tudo era muito assustador e novo para ele, mas também estava apavorada e não tinha ideia de como ajudar o garoto da mesma forma que ele sempre a ajudou.

Aflita, foi até o banheiro sem falar mais nada, querendo aproveitar enquanto o interior da casa ainda era iluminado pela luz que vinha do lado de fora. Estava assustada, perdida e só queria, mais do que tudo, deitar a cabeça no colo da mãe, chorar e pedir por ajuda, perguntar o que deveria fazer para que aquele inferno acabasse logo.

Se livrou de toda a roupa, tacando no chão, ligou o chuveiro e deitou na banheira, ciente que não sabia por quanto tempo ia ficar sem o privilégio de tomar banho. Fechou os olhos, sentindo a água gelada contra o corpo quente e então, longe do olhar preocupado de Stiles, chorou.

As lágrimas despencaram em união as gotas de água em uma tentativa frágil e desesperada de se livrar de toda dor, todo medo, tristeza e saudades. Ela desejou ser capaz de se transporta de volta para casa, levando Stiles consigo e também, fantasiou como seria se tivesse o poder de arrancar do Stilinski toda a amargura, toda a humilhação, todas as lembranças ruins.

Lamentou repitas vezes em silêncio, com os lábios se movendo sem despejar som nenhum, que nada daquilo era justo. Ela não merecia estar passando por tudo aquilo, não depois de já ter carregado durante toda a vida o peso horrendo de ser filha de um estupro e Stiles, não merecia ter tido todas as oportunidades de viver arrancadas dele quando ainda era tão novo.

Ficou estirada na banheira vazia até os dedos das mãos ficarem enrugados e o banheiro escurecer devido ao anoitecer que se aproximava. Conseguiu parar de chorar e ao lavar o rosto na água corrente, sentiu algum alívio, mas ainda se sentia pesada e fraca, os músculos se tencionavam só de pensar no dia seguinte, em que teria que enfrentar com Stiles a floresta desconhecida. Não tinham ideia de onde estavam, ou em qual direção os faria alcançar a liberdade ou voltar para a casa onde Alex morava. As roupas que tinham, apesar de finalmente limpas, eram frágeis e inúteis para o calor ou frio e o fato de precisarem andar descalços só tornava tudo mais difícil.

— Por favor, Deus... — Clamou baixo, implorando para que suas preces incompletas fossem ouvidas e atendidas.

Ficou de pé, desligou o chuveiro e se cobriu com a blusa larga de Stiles que logo grudou em seu corpo molhado por não ter toalha para se secar. Tentou tirar parte da água acumulada no cabelo e naquele momento, se deu conta de que poderia ser um de seus últimos dias de vida. Estremeceu com o pensamento, refletindo sobre tudo o que deixou de fazer, sobre seus sonhos e oportunidades perdidas.

Talvez nunca mais conseguisse ver a mãe, nem seus amigos. Talvez não conseguisse terminar a escola e muito menos passar para a faculdade. Nunca moraria sozinha, nem viajaria para conhecer culturas diferentes. Era muito provável que perdesse a chance de realizar tudo aquilo, que não pudesse nem sequer comer uma última refeição decente ou dormir em uma cama macia. Perdida nesses devaneios, percebeu que ainda tinha algo que poderia fazer. Uma oportunidade naquela noite que talvez fosse a última em que estivesse com Stiles em uma relativa paz, com teto sobre suas cabeças, hidratados, limpos e quase seguros.

Soltando o ar pela boca, decidida, Lydia andou apressada até a sala onde Stiles estava, perto de uma janela aberta pela metade. Ela o encontrou deitado no chão, o tronco nu sendo iluminado pela luz pálida da lua e das estrelas que aos poucos invadiam o céu límpido, longe da poluição da cidade. Ele inclinou a cabeça na direção dela quando a viu chegar no cômodo, a encarou.

A menina ficou parada com as mãos ao lado do corpo, a respiração pesada e as bochechas coradas denunciando alguma timidez. Como demorou para dizer algo, Stiles sentou com a coluna ereta, se apoiando na parede e ela teve o prazer de ver os olhos castanhos interessados em seu corpo, percebendo a transparência da camisa molhada. Ele a observou com maior atenção na altura dos seios e ela se sentiu confortável com aquela admiração muda. Depois, com alguma resistência, o menino voltou a subir o olhar até o rosto feminino.

— Você está bem? — Ele perguntou com verdadeira preocupação, atento as reações da menina, o corpo rendido.

— Sim, só estou pensando que quero aproveitar essa noite com você. — Ao ouvir aquelas palavras, Stiles franziu o rosto, confuso.

— Aproveitar como? — A curiosidade na voz dele, o rosto bonito, as mãos descansando sobre a calça, cada detalhe só fez Lydia ter mais certeza do que queria.

— Assim. — Pronunciou a única palavra com calma e segurou a barra da camisa. Se livrou da única peça de roupa com um puxão, sentindo o cabelo molhado cair sobre os seios despidos.

Stiles arregalou os olhos de surpresa e a forma como a encarou, fez com que Lydia se sentisse ainda mais segura. O constrangimento era inevitável, mas o garoto fazia com que ela se sentisse linda e protegida, sabendo que não se sentiria confortável em se expor daquela forma para qualquer outra pessoa.

— Eu gostei muito do que a gente fez da última vez que você tirou a roupa assim. — Com a voz meio apressada, Stiles pronunciou a frase que provocou uma pequena risada em Lydia.

— Então você quer... — A menina parou de falar por alguns segundos, se perguntando qual a melhor palavra para usar.

— Fazer sexo? — Para o espanto de Lydia, o garoto completou com a palavra que tinha aprendido recentemente. Ela concordou com a cabeça e ele hesitou por alguns segundos. — Não é igual ao que Alex faz... — A fala foi uma mistura de afirmação e pergunta, a voz demonstrando insegurança.

— A gente se gosta, eu nunca vou machucar você e você nunca vai me machucar. — A menina explicou com a voz clara, os olhos atentos no garoto, esquecendo a própria exposição.

Stiles lambeu os lábios, o rosto se acalmou. Porém, balançando a cabeça em afirmação, ainda perguntou:

— Mas como a gente faz para ter certeza que não vai machucar?

Lydia odiou aquela pergunta. Odiou que, mesmo depois de toda intimidade que tinham compartilhado, Stiles ainda tivesse medo de que eles fizessem um com o outro algo semelhante ao que Alex sempre fez com ele. Suspirando, ela pensou por uns instantes antes de responder.

— Você vai mostrar onde quer receber carinho, onde quer se beijado e eu também vou mostrar em quais lugares do meu corpo eu sinto vontade de ser tocada. Só vamos fazer o que for bom para os dois.

— Eu quero fazer isso. — Antes que ela tivesse a chance de falar algo a mais, Stiles se apressou em responder, preenchido por ondas repentinas de expectativa.

Ele sorriu em silêncio e ela só pode retribuir. Os olhos castanhos repletos de consciência se ocuparam em analisar a nudez disponível a sua frente, demonstrando curiosidade e admiração. Lydia abaixou a cabeça, o sorriso ainda dominando os lábios.

Stiles levantou e foi até ela com ansiedade, o coração disparado, o estômago se revirando. Ela continuou olhando para o chão, sem saber o que fazer, os braços cruzados na frente do corpo cobrindo parte da nudez. Quando as mãos grandes do garoto a tocaram nos braços, ela estremeceu e ergueu a cabeça, se deparando com o rosto bonito bem próximo ao seu. Os dedos compridos se moveram em um carinho delicado, provocando uma sensação boa da fricção da palma da mão contra a pele arrepiada.

Ele alcançou os ombros estreitos e dedilhou as clavículas marcadas do corpo desnutrido. Segurou as pontas do cabelo encharcado e acariciou, encantado com o contraste de sua própria pele contra o ruivo dos fios em suas mãos. Lydia suspirou, satisfeita com o toque delicado e por ver o interesse de Stiles em seu corpo. Ele se cansou de brincar com o cabelo e o empurrou para trás, tomando a atitude de logo em seguida agarrar os seios despidos com ambas as mãos, tendo cuidado ao pressionar um contra o outro.

— Você gosta disso, não é? — Lembrando das reações de Lydia no momento que compartilharam na banheira, ele perguntou em voz baixa, sem conseguir desviar o olhar dos seios enquanto os apertava.

— G-gosto — Ela respondeu em meio a um arfar, a voz falhando, as pernas fraquejando.

A Martin fechou os olhos e espremeu os lábios, mas ainda assim um som de agrado invadiu o pequeno ambiente, rompendo o silêncio. O Stilinski sorriu, feliz ao entender que aquele barulho fino e gostoso era a confirmação de que estava agradando.

O desejo de ser beijada era tão desesperador que a boca de Lydia formigava de expectativa. Os seios se deleitavam de satisfação e a partir dali descargas elétricas surgiam e se espalhavam por todo o corpo, cada centímetro de pele invejava os mamilos que eram alvos de total atenção dos dedos compridos. Ansiosa, projetou o troco para frente, os lábios se abrindo de antecipação, o ventre doía pela vontade de sentir a língua quente se abrigando no interior de sua boca com timidez e carinho.

A menina abriu os olhos de rompante quando as mãos abandonaram os seios sensíveis. Ela reclamou com um chiado baixo, a boca formou um bico frustrado e então, ficou sem reação quando ele voltou a tocá-la, dessa vez no rosto, segurando pelo maxilar e inclinando com cuidado, obrigando que ela erguesse a cabeça. Confusa, obedeceu, sentindo o tremor dos dedos masculinos denunciando insegurança.

Stiles, querendo agradar e apavorado com a ideia de fazer algo errado, encostou o nariz no alto do pescoço pálido, respirou fundo o cheiro de Lydia e timidamente, deixou que a língua escapasse da boca, lambendo a pele bonita. O sabor salgado o agradou e o ato pareceu tão natural que ele repetiu, lambendo dessa vez todo o percurso da garganta até o vale entre os seios, dobrando os joelhos, os mantendo suspensos no ar, para que a cabeça ficasse na altura certa. Soltou o rosto da Martin, enlaçando a cintura magra ao mesmo tempo em que, ainda abaixado, ergueu a cabeça em busca de aprovação.

O rosto de Lydia estava tomado por fogo, queimava com labaredas invisíveis, enchendo suas bochechas e pescoço de cor. Não estava corada por vergonha, mas por desejo. Muda diante a visão erótica em contraste a doçura dos olhos castanhos que a observavam com desespero, ela agarrou o cabelo escuro com as duas mãos, respirando com dificuldade, o coração ameaçando a rasgar o peito de tão forte que se debatia.

— Continua, Stiles. Isso é muito bom. — Com um esforço heroico, Lydia conseguiu pronunciar aquelas palavras, a boca seca.

Ele sorriu, orgulhoso de si e descansou os joelhos no chão, o rosto próximo aos seios despidos. Mais seguro do que fazia, pulsando de desejo por dentro da calça, Stiles usou as mãos, lábios, língua e dentes para conhecer cada detalhe daquele corpo. Aflito para demonstrar amor, apagou todos os pensamentos da garota ao derramar toda à vontade e afeto em forma de beijos, lambidas, apertos e mordidas. Consumiu todas as curvas a sua frente, despejando fogo através da boca, compartilhando o ardor que se alimentava de suas entranhas.

Gemidos e suspiros fugiram de Lydia, surgindo de seu peito, queimando a garganta e sendo lançado pela boca aberta. Tonta, perdida no calor do próprio corpo, os joelhos falharam, fazendo o corpo ceder para frente. Mãos grandes espalmadas em seu traseiro a firmaram no lugar e depois, dedilharam costas e quadril, onde agarrou com muita força, no entanto, ao empurrá-la alguns passos para trás, Stiles foi infinitamente gentil. Ele acompanhou o movimento, arrastando os joelhos no chão para não tirar os lábios do umbigo dela, parando apenas quando as costas da garota encontraram a parede, ganhando assim o apoio que precisava para se manter de pé.

Sugando os seios e abdômen, apertando cintura e coxas, mordendo panturrilhas e nádegas, o menino só comprovou que não existia nada naquela garota que não fosse lindo, prazeroso, macio e confortável. Tudo nela era agradável, gostoso, digno de cuidado e desejo, amável e ele, rendido, tomado por uma satisfação que não conhecia, só pode se desfazer por inteiro no corpo que amava, entregando a ela todos os sentimentos e vontades que explodiam em sua cabeça e quadril.

Lydia se contorcia no lugar, sem nenhum controle sobre a voz e os espasmos corporais. O baixo ventre doía, os dedos dos pés se dobravam de prazer, as mãos pequenas se enroscavam no cabelo escuro, puxando enquanto intercalava entre empertigar a coluna e se curvar para frente, o rosto transbordando de êxtase, as pernas tremulas. A pele queimava, os pelos estavam eriçados devido aos arrepios que cortavam a coluna, o suor se formava e escorria apesar do ar gélido que entrava pela janela. Sentia-se molhada e latejante entre as pernas e isso antes de pela primeira vez, Stiles desbravar aquele lugar com os lábios. Despreparada para aquele novo prazer, Lydia se engasgou com o próprio gemido e se encolheu para frente, as unhas curtas afundando nos ombros masculinos. Ele paralisou por longos segundos, hesitando, a cabeça erguida para observá-la.

— Eu vou machucar se beijar aqui? — Apesar de já ter a masturbado dias antes, os traumas vivenciados durante toda a vida se cristalizaram em insegurança e medo. A ideia de causar desconforto e humilhação da mesma forma que era sujeitado por Alex o deixava apavorado.

Desnorteada, de alguma forma a mente nebulosa de Lydia entendeu o porquê do medo do garoto. Com as mãos tremendo, segurou devagar o rosto dele, acariciando em uma tentativa de gerar segurança. O encarou com paixão, a íris verde espalhando carinho e verdade. Ao invés de respondê-lo, sorriu e declarou rouca:

— Você não tem ideia do quanto é bom para mim.

Ele retribuiu com um sorriso de menino que fez os olhos brilharem de emoção. Feliz, jogou a cabeça para trás e ergueu uma mão até o rosto corado, puxando-a para si. Lydia se inclinou de bom grado, dobrando a coluna até alcançar os lábios finos e tomá-los em um beijo lento e molhado. Em silêncio, Stiles recebeu a resposta que precisava e por isso, assim que as bocas se desprenderam, se apressou em conceder a língua o privilegio de conhecer o lugar escondido entre as coxas bonitas.

Sem experiencia, porém atento a como a garota reagia, Stiles dedicou as mãos, lábios e língua para explorar o centro úmido e quente. Sentou nas próprias panturrilhas buscando mais conforto e encontrou uma melhor posição para a cabeça quando Lydia abriu caminho, separando as pernas. Ela foi amada através de ações, recebeu beijos, caricias, lambidas e ao pedir em sussurro, foi sugada. Aos poucos, descobriu o que mais gostava, o que queria e ao se conhecer, orientava o garoto com a voz entrecortada e com puxões no cabelo. Ele obedecia de bom grado, se esforçando e sendo recompensado com sons lindos que o deixavam cada vez mais desconfortável com a calça que usava.

Os dedos masculinos descobriram a cavidade de Lydia, penetrando com um excesso de cuidado, enquanto a língua a reconfortava do leve incomodo. Sensível pela estimulação contínua e dedicada, a garota não suportou. Confortável com a própria nudez, repleta de calor e alegria, os joelhos cederam, os dedos dos pés se dobraram, o ventre se apertou por dentro, a boca descarregou gemidos, a coluna gelou e por fim, todo o corpo foi aprisionado por uma sensação indescritível de certeza e plenitude.

Stiles se assustou com os tremores intensos de Lydia e não conseguiu mantê-la de pé. Preocupado, impediu que ela desabasse no chão, a acolhendo para seu colo quando ela caiu arfando, os olhos fechados. Ela o envolveu em um abraço forte, o sufocando e confuso, o garoto correspondeu enquanto se ajeitava no chão e tentava a reconfortar em cima de suas coxas, a pressionando contra a ereção.

— Desculpa. — Atordoado, sem entender o que ela sentia, precisou se desculpar. Lydia riu gostoso, a cabeça escondida nos ombros largos e não soube o que dizer para explicar que ele estava se desculpando por ter a concedido um orgasmo. — O que foi? — Ele perguntou com a voz deliciosamente grave e confusa.

— Depois eu explico. — Prometeu e se remexeu até por fim, beijá-lo.

A boca fina estava inchada e melada. Quando os lábios se tocaram, a garota foi pega desprevenida ao provar o sabor e a textura do desejo que a lubrificava. Estremeceu, surpreendida, e chupou o lábio inferior do garoto, tomando para si parte daquela consistência desconhecida. Se beijaram em uma mistura de calma e desespero, consumindo um ao outro na tentativa de se fundirem.

Ao se separarem, Lydia tentou recompensá-lo de alguma forma por todo o prazer. Mergulhou no pescoço coberto por uma barba em crescimento, beijando e mordiscando, distribuindo arrepios e carinho. Stiles, aflito com as necessidades do corpo, impulsionou o quadril para cima de forma inconsciente, se esfregando contra ela. Em resposta, a garota desceu os beijos até o peitoral marcado por cicatrizes e levou uma mão entre os corpos, encontrando a ereção escondida na roupa. Ele grunhiu grave, aliviado com o toque e ela, afastou o rosto do corpo masculino para puxar a calça para baixo.

Apressado, Stiles ajudou a se livrar da roupa, rindo e sussurrando um breve “desculpa” quando quase a derrubou no chão na ansiedade de se despir. Lydia, risonha, saiu de seu colo e o observou enquanto se livrava da calça e a jogava com descuido no chão. Se encararam em silêncio por alguns instantes, os dois sorrindo, sentados um de frente para o outro, nus.

Dengosa, Lydia se aproximou dele e o empurrou pelos ombros. Assim, daquela vez, foram as costas de Stiles que se apoiaram na parede. Eles ficaram se olhando bem nos olhos, com carinho e por isso, a menina agiu sem medo, confiando. Posicionou os joelhos ao lado do quadril do garoto, as pernas separadas, o tronco erguido. O garoto aproveitou para beijá-la nos seios e segurar o traseiro bonito, sem se preocupar com as intenções da ruiva.

Com um suspiro, relaxada com o carinho, Lydia envolveu um braço nos ombros de Stiles e a outra mão segurou sua ereção, o que provocou um resmungo de agrado. Ela desceu o quadril bem devagar, até sentir a rigidez dele a pressionando. Arfou baixo e ele desviou a atenção dos seios, a encarando no rosto, sua expressão era uma mistura de prazer e preocupação.

— Lydia, você não vai se machucar? — Rouco, fez a pergunta que se fundiu a um gemido quando o quadril feminino desceu um pouco mais, abrigando dentro do corpo uma parte de Stiles.

Ela negou com a cabeça, incapaz de encontrar a própria voz, os lábios espremidos com a concentração. O garoto se perdeu no prazer, fechando os olhos e descansando a cabeça na parede, apertando com força o bumbum da garota ao senti-la abaixar o quadril mais uma vez, sendo recebido no corpo quente. Devagar, ao som de gemidos, eles se encaixaram até Lydia conseguir relaxar o quadril sobre o dele, preenchida.

A dor, incomodo e ardência estavam presentes, mas não era insuportável e a garota não estava dispostas a deixar que Stiles percebesse nenhum sinal de desconforto. Apoiou a cabeça na curva do pescoço dele, respirando fundo, as mãos apertando os ombros magros enquanto esperava se acostumar com o volume que encontrava abrigo nela. Já o Stilinski, tinha encontrado naquele interior aconchegante o seu lugar predileto no mundo.

Quem começou a movimentação foi Stiles, guiado pelo instinto. Apesar da posição que o limitava, impulsionou o quadril com leveza para frente e para trás. Ficou maravilhado com a sensação que provocou e por isso, voltou a se mexer daquele mesmo jeito. Lydia gemeu contra a orelha dele, os dentes roçando em sua pele, feliz ao constatar que o mover era gostoso. O quadril feminino correspondeu ao que Stiles queria e assim, abraçados, mexeram os corpos de maneira repetitiva.

Acima de toda a satisfação corporal, o garoto irradiava de alegria graças a sentimentos profundos que ele não estava habituado a sentir: pertencimento, amor, segurança, afeto. O corpo magro estava acostumado a receber violência e humilhação. Stiles conhecia a dor em suas diferentes formas, conhecia a solidão, rejeição, medo, nojo, vergonha e estava cada vez mais consciente de tudo que tinha perdido, de tudo que sofreu e o que deixou de viver, mas ali, com Lydia, ele não era um menino quebrado, abandonado ou vazio. Não pensava na própria insatisfação com a aparência e a inteligência, nem nas lembranças que o atormentavam ao dormir, não pensava em nada ruim, pois naquele momento, Lydia era tudo.

Ela era o cheiro, o calor, o abrigo, a beleza, o prazer, a visão, o som, a sensação, os pensamentos. Stiles só conseguia senti-la por cada centímetro de pele, por cada canto de seu interior. Tudo nela era lindo e ao misturar o próprio corpo com o dela, pôde se sentir lindo também. O prazer explodiu daquele jeito que ele achava engraçado e de imediato, buscou o rosto de Lydia, puxando desajeitado o cabelo ruivo molhado. Um nariz bateu no outro e ele sorriu. Ela suspirou apaixonada e o beijou.

Notas finais
O que acharam... ? Quero muito saber a opinião de vocês! Nos próximos capítulos eu devo fazer mais vezes narração em terceira pessoa, pois têm coisas que preciso explicar e mostrar que não conseguiria descrever a partir da visão do Stiles. Sobre as mudanças dele, que eu escrevi no inicio desse capítulo e que vocês já estão acompanhando há algum tempo, eu pretendo explorar gradualmente para vocês verem como ele está lidando com tantas mudanças. A partir de agora as coisas vão ficar tensas rsrsrs estou ansiosa para essa etapa da história, então vou tentar aproveitar as férias (que estão chegando) para adiantar capítulos. Se eu seguir o planejamento que fiz, essa história vai acabar mais ou menos no capítulo 37, então, agora já considero que cheguei na reta final da fic. Espero que estejam gostando, beijinhos!