O Pequeno pedaço do céu

23 A destruição do mundo


Notas iniciais
Hey, lindos! Como vocês estão?? Hoje só tenho o que falar nas notas finais, então.. boa leitura!

Ao abrir os olhos, Lydia foi minha primeira visão. Ela estava curvada sobre mim, as sobrancelhas franzidas, o rosto próximo do meu. Fiquei parado, a encarando, tentando lembrar o que tinha acontecido.

Abri a boca, pois queria perguntar qualquer coisa que me fizesse entender. Foi difícil separar os lábios, eles pareciam colados um no outro, secos demais.

Forcei a voz, mas nenhuma palavra saiu. Soltei um ruído estranho, sem sentido e minha garganta doeu. Doeu muito. Voltei a fechar os lábios e continuei encarando o Céu.

— Não tenta falar, Stiles. Você precisa descansar. — Foi o que ela disse com a voz bonita. Voz linda. — Vai ficar tudo bem, confie em mim.

Tentei me mexer e uma dor absurda açoitou meu corpo. Arfei e senti lágrimas surgindo nos olhos, querendo despencar. Virei a cabeça para os lados, aflito. Porém, as mãos do Paraíso tocaram em meu rosto.

O toque pareceu aliviar em parte a dor que eu sentia no corpo. Todo corpo. Cada parte. Fechei os olhos desejando que os dedos pequenos nunca saíssem das minhas bochechas.

Queria que ela me tocasse para sempre. Precisava disso. Do seu toque. De seus olhos sobre mim.

— Fica parado, Stiles! Você precisa ficar quieto, tudo bem? — Ela falou baixo, bem baixinho.

Mais uma vez, abri os olhos e a boca. Gostava de agradar o Céu, fazer o que ela pedia. Mas eu precisava falar. Precisava perguntar.

— Céu... — Minha voz quase não saiu. Foi um sussurro engasgado, rouco. Minha voz não era bonita como a do Paraíso.

— Shhh, eu estou aqui. Estou com você.

Não entendi o porquê ela disse aquilo, porém, me senti melhor. Só quando os dedos pequeninos e lindos se moveram sobre meu rosto que eu finalmente percebi que eu já chorava.

— O-onde? — Queria falar, perguntar mais. No entanto, não consegui. Só uma palavra falha despencou de minha boca.

Mas ela me entendeu. Lydia me entendia e eu amava isso. Eu a amava.

— Eu não sei onde a gente está, mas Alex não está aqui — Franzi o rosto. Fiquei ainda mais confuso. — A gente saiu do seu mundo, Stiles. Agora nós estamos no meu mundo.

Na última frase, a voz do Céu mudou. Ela parecia...culpada. Arregalei os olhos e daquela vez, tive consciência das lágrimas que despencaram. A nova dor veio de dentro, do meu peito.

Meu coração acelerou tanto que achei que fosse sufocar. Escutava as batidas martelando nos ouvidos, pressionando minha cabeça. A visão embaçou. Senti um calor repentino.

— Calma, Stiles. Shhh, fica calmo, por favor!

— V-você prometeu... — Lamentei em voz baixa, sem acreditar naquilo.

Lydia mentiu.

Mentiu para mim.

Só Alex mentia. Ela veio do Paraiso. Como podia mentir?

— Você mentiu! — Tudo que eu sentia deu forças para minha voz.

— Stiles, eu prometi que não ia abandonar você e eu não abandonei. Não menti para você!

Ela chorava e eu sabia que era por minha causa. Odiava ver o céu chorar. Odiava. Mas naquele momento, não consegui a consolar. Não consegui fazê-la sorrir.

Assustado e ainda mais confuso do que antes, ignorei o que o Paraíso tinha falado para eu fazer. Movi os braços doloridos. Muito doloridos e ergui o tronco. A dor causou uma vertigem insuportável, mas consegui sentar.

— Stiles, cuidado. Por favor! Você está machucado...

Olhei para Lydia. Olhei para os lados, olhei para baixo. O chão era de madeira, as paredes e o teto também. Tudo de madeira, tudo marrom. Não sabia onde estava.

Não era o mundo. Não era o meu mundo. Não conhecia aquele lugar. Era o mundo dos monstros.

Pela primeira vez, encarei meu próprio corpo. Senti a garganta fechar em volta de um bolo que antes que não existia. Como se algo estivesse entalado na minha garganta, me impedindo de falar. Ou respirar. Não conseguia respirar.

Sangue, muito sangue cobrindo meus pés. Meu tornozelo esquerdo estava roxo. Roxo como a cor que minha pele ficava depois de apanhar. Apanhar do Alex. Talvez até mais roxo do que isso. E estava inchado, muito inchado.

Quis gritar, berrar. Mas o bolo na garganta não deixou. Nem o medo. Eu estava apavorado. Tive receio de gritar e Alex aparecer. Ele podia bater em mim.

Lydia falou que Alex não estava ali. Mas por que não? E se ela mentiu?

O Céu continuava chorando. Ela se inclinou para mim. Mas eu neguei. Balancei a cabeça e me arrastei para longe, causando uma pontada insuportável de dor. Gemi em agonia e forcei as cordas vocais para murmurar:

— Não chega perto de mim.

— Stiles, por favor... — Ela parou de falar, parecendo engasgar na própria frase.

Alex sempre me chamou de burro. Sempre brigou por eu não entender as coisas, por não saber o que ele achava que eu deveria saber. Eu sempre soube que era verdade.

No entanto, tinha coisas que eu sabia. Que eu confiava.

Eu sabia como o mundo era. Conhecia todas as suas sete partes, conhecia seus detalhes. Sabia que Lydia tinha vindo do Céu. Que ela era perfeita. Que não mentia.

Sabia que eu não podia passar da porta da sala. Sabia que do lado de fora só existia monstros e o outro mundo. Um mundo destruído e ainda pior do que as sete partes em que eu vivia.

Tudo o que eu sabia, tudo o que eu achava conhecer, desapareceu, mudou. As minhas poucas verdades foram arrancadas, o pouco que eu acreditava se revelou ser uma mentira horrenda.

Pela primeira vez desde que conheci o Céu, me senti sozinho.

A dor era horrível, mas eu queria alcançar a parede mais próxima de mim. Precisava me apoiar, descansar a coluna sem precisar voltar a deitar. Olhei atordoado para a parede e forcei os braços para sustentar meu corpo.

Não consegui me mover.

Grunhi de dor e continuei chorando.

Inútil! Não conseguia nem me mover sozinho.

Lydia se aproximou. Quis me jogar em seus braços. Quis me afastar. Queria beijar seus lábios para mostrar que eu gostava dela. Queria empurrá-la e implorar para ficar sozinho.

— Eu vou só ajudar, tudo bem? Vou ajeitar você na parede.

Ela percebeu. Ela entendeu o que eu precisava, o que eu queria. Mesmo a contragosto, mesmo desesperado, concordei com a cabeça. As mãos pequenas seguraram em mim.

Fechei os olhos. Não queria encarar o Céu. Não queria ver o rosto lindo, tão lindo que tinha me magoado. Ela me ajudou a ir para trás, precisei fazer força com o corpo, senti dor, mas mordi os lábios para não gritar.

Por fim, consegui apoiar as costas como eu queria. Suspirei e continuei de olhos fechados. Acho que o Paraíso se afastou de mim. Mas eu não quis olhar. Não queria ter essa certeza.

Para me distrair da dor, da tristeza, tentei lembrar. Concentrei meus esforços em lembrar do que aconteceu depois que eu abri os olhos. Lembrei de como tudo parecia verde quando a dor em minha perna aumentou, mas lá estava eu, em lugar tão... marrom.

Queria lembrar, limpar meus pensamentos indistintos, confusos. Mas era difícil pensar quando eu sentia tantas coisas ao mesmo tempo. Sentia dor vindo de fora e de dentro do meu corpo. Sentia fome, frio, magoa.

Solidão. Como se mais uma vez estivesse de volta à quando eu não conhecia o Céu. Machucado, sem ter com quem falar, em quem confiar, sem ter o que fazer, como fugir, esperando Alex surgir. Ou qualquer outra coisa. Qualquer pessoa, qualquer acontecimento.

Desejava ter esperança. Precisava ter.

Mas esperança de que? Em quem?

Eu não estava em nenhuma das setes partes do mundo. Minha perna e meus pés pareciam errados demais, feridos e eu não sabia como consertar. E o meu pequeno pedaço do Céu, meu Paraíso, a minha Lydia, a primeira mulher do mundo, talvez não tivesse caído do céu.

Talvez ela nem fosse minha.

Notas finais
O que acharam?? Gostaria só de deixar claro que agora vocês vão acompanhar um processo dolorido de amadurecimento do Stiles. Fiquem tranquilos que ele vai continuar sendo fofo, gentil e apaixonado, mas os últimos acontecimentos foram muito difíceis para ele. Ele está prestes a conhecer um mundo muito novo em que não conhece nada e não consegue entender o que aconteceu, onde ele está. Está muito perto de capítulos recheados de Stydia e como sempre, só no decorrer dos capítulos que eu vou explicando melhor tudo o que está acontecendo. Vocês ainda vão ver o Alex e lembrem-se como é importante que o Stiles saía um pouco de seu mundo imaginário.Ele já mudou muito desde a chegada da Lydia, mas ainda tem um longo caminho pela frente. Beijinhos