O Pequeno pedaço do céu

24 Cumpridora de promessas


Notas iniciais
Hey, lindos! Como vocês estão? Estava morta de saudades dessa fic e finalmente estou aqui! Espero que gostem desse capítulo, estou nervosa para saber a opinião de vocês (como sempre). Boa leitura!

Fiquei sentado por muito tempo com as costas apoiadas na parede. De início tentei me distrair com números, mas eu não conhecia muitos números. Pensei em letras, ordenando elas na minha cabeça, mas também não foi o suficiente.

Dormi e acordei algumas vezes. A fome piorou, a dor da perna roxa aumentou. Mesmo assim, fiquei parado, calado. Não queria falar e ainda que eu quisesse, não saberia o que dizer.

— Stiles, fala comigo — Lydia sussurrou. Ela já tinha tentado outras vezes e apesar deu amar a sua voz, não respondi nenhuma vez. — Por favor!

Virei a cabeça para o lado oposto, sem suportar encará-la. Pela primeira vez eu não queria ver o céu, não queria a ouvir falar e nem mesmo tocá-la. Eu precisava ficar sozinho e fingir que ela não estava ali. Que ela não existia.

Fechei os olhos.

Acho que acabei dormindo, pois quando voltei a abrir os olhos tudo parecia mais claro. Encarei o chão de madeira, movi os dedos por ali e lutei para não pensar em nada. Queria a mente vazia, clara como um papel. Pois todos meus pensamentos naquele momento eram ruins.

Não sei quanto tempo passou. Só mudei a direção da cabeça quando ouvi um som. Um barulho comum e que eu odiava ouvir. Fino, delicado, triste e lindo na mesma medida. Era choro. Choro da Lydia.

Não queria vê-la, nem a tocar, nem pensar nela. Mas precisei virar a cabeça, precisei a procurar com o olhar. Ela estava encolhida, encostada na parede mais distante da minha, abraçando as próprias pernas, o cabelo cobrindo rosto. O cabelo lindo.

O Céu...

Não! Céu não. Preciso parar de chamá-la assim. Preciso parar até mesmo de pensar nela dessa forma. Nada de céu, nada de paraíso. Só Lydia. Nem mais minha Lydia, porque ela não era minha. Nunca foi.

Eu precisava ignorar a Lydia. Sei disso. Porém, era insuportável vê-la chorar. Doía demais. Fazia meu coração doer. Era bem pior do que a dor em minha perna, no meu corpo.

— Lydia? — Tinha ficado tanto tempo em silêncio que me pareceu estranho falar, como se não soubesse mais pronunciar as palavras. Engoli saliva. Minha boca estava seca, muita seca. Precisava de água.

Mesmo com meu chamado rouco, baixinho, Lydia ouviu. Ela ergueu a cabeça e me encarou. Os olhos verdes estavam tristes, desesperados. Meu estomago se revirou e por mais que quisesse desviar o olhar, não consegui.

O que eu tinha que fazer para não me sentir daquela forma? Queria odiá-la. Agir como se ela fosse o Alex. A odiar como eu odeio o Alex. Mas como fazer isso?

— Stiles! — Ela falou alto, a voz clara, bem diferente de mim.

Para minha surpresa, ela levantou de repente do chão. Com as lágrimas ainda caindo, andou até mim e voltou a se agachar, deixando nossas cabeças na mesma altura.

— Por favor, me deixa explicar o porquê sai do seu mundo... — Lydia implorou olhando para mim. Fiquei exposto, refém do olhar tão intenso. — E eu preciso cuidar de você, não sei muito o que fazer, mas descobri que aqui tem um chuveiro que funciona!

A última frase do céu... Não posso chamá-la de céu!

A última frase de Lydia foi o que mais me chamou atenção. Estava suado, o corpo melado. E tinha sangue em mim. Muito sangue nos pés e eu odeio sangue. Um chuveiro resolveria isso.

— Eu quero tomar banho — Confessei a contragosto.

Ainda chorando, Lydia sorriu. Aquele sorriso lindo que me dava vontade de sorrir também. Nada nas sete partes do mundo era tão lindo quanto ela. E mesmo estando fora do meu mundo, mesmo naquele mundo novo e assustador, tinha certeza de que ela continuava sendo mais linda do que tudo que existisse ali.

Ela não era só a mais linda das sete partes do mundo. Ela era a mais linda de todos os mundos.

Fiz uma careta, irritado comigo mesmo. Como sempre, me odiei. Odiei por ser fraco, estupido, burro e principalmente, me odiei por não conseguir odiá-la. Eu estava com raiva, com medo, decepcionado, mas ainda assim, a certeza de que a amava não saía de mim.

— Vem, eu levo você! — Não tinha como resistir a aquele convite.

Decidi que ia lutar ainda mais para não pensar, para esquecer um pouco tudo o que fazia meu peito doer. Precisava me limpar, me sentir melhor e só ia conseguir se eu parasse de tentar odiar a Lydia. Até porque minhas tentativas não estavam dando certo.

Tentei ficar em pé sozinho, mas só consegui grunhir de dor. Arfei por causa das pontadas horríveis que me atingiram e olhei para Lydia em busca de ajuda. Não precisei dizer nada, pois ela me entendia. Conhecia até mesmo o meu olhar.

Passou o braço pequeno pelas minhas costas como se fosse me abraçar. Apesar de tudo, eu queria que ela abraçasse. Fez força para cima e eu fiz o mesmo movimento.

Quando meus pés encontraram o chão de madeira, senti dor. Bastante dor, no entanto, com Lydia carregando parte do meu peso, foi suportável. Mordi minha boca nojenta para não gemer e a segui com as pernas falhas, sem força.

Chegamos em um banheiro. Reconheci porque tinha algumas semelhanças com o banheiro do meu pedaço do meu mundo, meu quarto. Mas era maior e tinha uma janela bem no alto, onde mostrava o céu. Céu azul claro.

— O que é isso? — Apontei para o objeto desconhecido e arredondado que ficava logo abaixo de um chuveiro velho pendurado no teto.

— É uma banheira. As pessoas usam para encher de água e tomar banho sentadas. — Ela explicou sem fôlego e só aí me dei conta de que podia ser pesado demais para Lydia.

Preocupado, me afastei dela com dificuldade e me apoiei em uma parede, a libertando do meu peso. Lydia me observou, como se quisesse ter certeza de que eu estava bem. E eu desviei o olhar para tentar não a amar tanto. Talvez se olhasse menos na direção dela, fosse mais fácil sentir ódio.

— Mas essa água da banheira não funciona, eu já testei, e também nem tem nada para tampar o ralo... — Ela apontou para uma torneira presa na tal banheira enquanto falava. — Então você vai tomar banho igual no seu mundo, com a água vindo lá de cima — Apontou para o chuveiro e eu acompanhei com o olhar — A diferença é que vai poder sentar.

Concordei com a cabeça, feliz por saber que não ia precisar ficar em pé. A dor ficava muito pior com meus pés no chão. Não conseguia nem esticar a perna roxa, mancava o tempo todo para não me ferir mais.

— Não se preocupe que enquanto você dormia eu já dei um jeito de limpar a banheira. Estava cheia de poeira, acho que ninguém entra nessa casa faz tempo. — Lydia falava rápido, parecendo pensativa. Tive que a olhar, observar um pouco a beleza dela. Algumas lágrimas ainda caíam dos seus olhos, mas notava o quanto ela se esforçava para esconder isso de mim. — A gente teve muita sorte de ainda ter água aqui.

Pensei em perguntar sobre o que ela queria dizer com “nessa casa”. Mas não queria entrar naquele assunto, não naquela hora. Tinha prometido para mim mesmo que ia esquecer um pouco isso. Não importava onde eu estava. Primeiro precisava tomar banho, para só depois tentar entender alguma coisa.

Ela ligou a água do chuveiro.

Segurei a ponta da minha camisa rasgada e suja. Ia arrancar do corpo até que lembrei da presença de Lydia no banheiro. Franzi o rosto, inclinei a cabeça para o lado e a encarei.

— Você tem vergonha de ver o meu fazedor de xixi, não tem? — Perguntei lembrando de que ela nunca me olhava no banho no meu mundo e que eu também não podia olhar enquanto ela tomava. Apesar deu querer muito.

— Hoje não. — Ela parecia decidida ao falar. Negou com a cabeça e espremeu os lábios. Aqueles lábios enormes. — Hoje vou ficar aqui para ajudar você, tudo bem? Eu posso ajudar?

Balancei os ombros. Eu amava estar perto dela, mas não queria demonstrar isso, pois ainda estava magoado. E claro que não via problema em tirar a roupa.

Tirei a blusa e joguei no chão. A calça foi a parte mais difícil, por causa dos machucados doloridos e sangrentos. Demorei, no entanto, consegui me livrar da calça e da cueca também. Lydia não ajudou. Fiz isso sozinho.

Quando olhei para ela, Lydia estava vermelha. Muito vermelha. As bochechas pareciam querer imitar a cor de seu cabelo lindo. Ela ficava linda daquele jeito. Ela era linda de qualquer forma.

— Preciso de ajuda para entrar na banheira... — Murmurei constrangido e estranhando ao falar a palavra banheira pela primeira vez.

— Claro! Desculpa!

Não perguntei o motivo dela se desculpar. Lydia se aproximou de mim com receio. Mal tocou em meu corpo, colocando as mãos pequenas e graciosas na altura da minha cintura, me ajudando enquanto erguia um pé de cada vez para entrar na banheira.

Ela devia estar com nojo de mim. Muito nojo.

Eu devia ter ficado com vergonha de tirar a roupa. Ela deve ter percebido que eu era muito feio. Além disso, ela tinha visto Alex botar minha boca no fazer de xixi dele. Nunca mais ia me beijar por causa disso.

Não julgava Lydia. Eu também sentia nojo. Nojo do meu corpo, da minha boca, de tudo em mim. Fechei os olhos enquanto sentava com cuidado na banheira, bem na direção da água que caía.

Tentei convencer a mim mesmo que não tinha problema de ela ter nojo. Porque eu também precisava odiá-la. Ela mentiu para mim. Ela me tirou do mundo. Eu não podia querer beijá-la.

— Obrigado — Sussurrei com medo de abrir os olhos e ver a expressão dela de asco.

A água gelada foi reconfortante. Ajeitei meu corpo, tentando ficar o mais confortável possível, com as pernas ruins esticadas para frente. Fiz conchinha com as mãos para recolher um pouco da água e joguei sobre as pernas, para limpá-las também.

— Não tem sabonete — Lydia parecia culpada, mas não pude ter certeza, pois continuei sem abrir os olhos. — Vou tentar abrir mais da água.

Ela conseguiu, pois, as gotas sobre minha cabeça aumentaram. Abri a boca, deixando que a água invadisse ali, depois cuspi e esfreguei bem as mãos sobre os lábios. Queria ter certeza de que não ia restar nenhum resquício de Alex em minha boca.

Só abri os olhos quando tive certeza de que estava limpo. Depois de passar as mãos por cada canto do meu corpo, expulsando de vez o suor, o sangue, qualquer sujeira.

Pulei no lugar de surpresa quando vi que Lydia ainda estava ali, parada perto da banheira e me encarando. Ela olhava para meu rosto e não chorava mais. Não consegui entender a expressão dela. Queria entender.

— Agora não preciso de ajuda, estou bem. — Não queria que ela saísse dali. Mas eu precisava querer, por isso disse aquilo.

Doeu em mim soltar aquelas palavras. Doeu tanto que voltei a fechar os olhos. Não queria vê-la me deixar sozinho.

— Você ainda está bravo comigo, não é?

Não respondi. Não tinha forças para isso.

— A gente precisa conversar, Stiles. Mas antes, eu queria cumprir uma promessa que fiz para você.

A palavra promessa fez com que eu tivesse coragem de abrir os olhos. Repassei em minha mente as inúmeras conversas que já tinha tido com ela, tentando entender de que promessa ela se referia.

— Que promessa?

Ela corou. Ficou ainda mais vermelha, mais linda e deu um pequeno sorriso. Olhou para o chão antes de responder, a voz baixinha.

— Que ia mostrar meu corpo para você.

Arregalei os olhos, sem acreditar no que tinha acabado de ouvir. Ela tinha mesmo falado aquilo? Sempre quis saber como era os misteriosos seios e o fazedor de xixi, que Lydia já tinha dito que era diferente do meu.

— Mas você tem vergonha! — Disse com a voz mais alta, surpreso demais para tentar conter minha empolgação e duvida.

— Mas eu quero que você veja.

— Por quê?!

Ela ergueu a cabeça. Os olhos lindos me encararam com intimidade, certeza.

— Porque eu gosto de você, Stiles e confio em você... — Enquanto falava baixo, Lydia segurou a blusa comprida que a cobria. — E quero que você aprenda mais sobre esse mundo, sobre tudo e isso inclui aprender como é meu corpo.

Engoli em seco, despreparado para a visão que ela estava prestes a me proporcionar. Rápido, Lydia tirou a blusa e a calça larga. Depois suspirou pesado, como se antes tivesse segurado o ar por causa do nervosismo.

Deus!

Ela só podia mesmo ter vindo do Paraíso.

Linda.

Ela era linda.

Notas finais
O que acharam?? Tudo ainda vai ser explicado, mas nessa fic acho que vocês já aprenderam que precisam ter paciência hahah até porque é o Stiles que narra e ele não entende tudo o que se passa a sua volta. Espero que tenham gostado desse avanço de Stydia, já vou adiantar que tudo vai ser inocente, vai ser uma grande descorta para o Stiles! Nessa fase da fic estou focando no amadurecimento dele, vai aprender muitas coisas, principalmente agora que foi tirado do cativeiro. Stiles e Lydia ainda vão passar por dificuldades nessa casa que encontraram. Se tiverem ideias, é só falar! Meu plano é atualizar rápido, pois estou ansiosa pelo próximo capítulo. Vejo vocês nos comentários! Beijinhos