O Patrono Perdido

16 Capítulo 15: A Alteração do Passado


Notas iniciais
Oi, leitoras maravilhosas ❤ Eu não disse que vinha em no máximo 15 dias? Hihihi. Desnaturada, mas dessa vez fiquei dentro do prazo :3 Amei as novas leitoras-fantasmas que apareceram (já que uma parte das outras parece ter me abandonado, snif T-T). Pra entenderem plenamente esse capítulo, o melhor é não ter esquecido das informações do capítulo 11 ("A Formação de Um Cúmplice"), hihi. Me deixem comentários ao final, oks *-*

Dois pares de olhos preocupados encaravam Remo Lupin como se ele estivesse a um passo do fim dos seus dias. Lílian Potter nem sequer olhava mais Dorcas, que tinha se afastado, e mesmo em relação aos outros Marotos, a sua atenção parecia distante. Toda ela se dirigia a Remo, que agora estava parado à sua frente.

“Eu quero te ajudar, Remo”, disse ela, e os seus olhos eram os mais sinceros e os mais fáceis de serem lidos de todo o mundo. “Quero mesmo te ajudar. Vamos na enfermaria.”

“Não”, respondeu ele, fazendo um sinal negativo com a cabeça. De que adiantaria a enfermaria? O fato de todos ficarem incessantemente preocupados frente aos seus sintomas da Licantropia o deixavam realmente irritado. Era como se ninguém mais o levasse a sério. “Eu disse que preciso fazer um pedido. É muito sério.”

“Eu estou ouvindo.”

Aquela frase o deixou preocupado. Era mesmo a hora certa de falar?

Lembrou-se de Severo Snape no seu tempo real e do acordo que haviam feito. Ao mesmo tempo, fitava os olhos aflitos de Lílian e chegava à conclusão de que ela ainda não estava pronta para aquilo. Ninguém parecia estar.

“Você sabe... Preciso que você não diga nada a ninguém”, começou ele, um tanto nervoso. Tentava também não deixar os pensamentos perderem o foco. Precisava apenas tratar com ela sobre o assunto de não confiar seu segredo a Rabicho, dali a cinco anos, quando Harry Potter nascesse. Precisava pensar apenas em salvar Tiago e Lílian, e livrar Sirius Black de Azkaban. O restante dos fatos a serem alterados viria depois. Ainda não era a hora de salvar a vida de Sirius. “Lílian, eu não sou o que pareço ser.”

Ela não alterou o olhar em absolutamente nada após aquela frase. Prosseguiu observando-o como se ele fosse um louco precisando de amor e atenção, ou algo do tipo.

“Eu vim do futuro”, concluiu.

Lílian arqueou as sobrancelhas ruivas na sua direção. Agora ela certamente constatava que o caso era mais sério do que o esperado.

“Eu não estou louco”, emendou.

“Não”, concordou ela. Sua expressão não deixava claro se eram mesmo aqueles os seus pensamentos.

“Preciso que você me faça... Um favor.”

“Sim”, concordou ela, mais uma vez.

Remo desviou os olhos e inspirou profundamente. Era fôlego que tentava tomar. Mas quanto mais puxava o ar, mais os seus pulmões pareciam comprimir-se, sufocando-o. Convencê-la a confiar seu futuro Segredo – e o de Harry Potter – a Snape. Na sequência, convencer Tiago e Sirius a confiarem outro Segredo agora a ele, a Remo. Mas como convencê-los? Não sabia sequer como abordá-los. A culpa do que fizera com Sirius na noite anterior ainda martelava em sua cabeça; em segredo, perguntava-se se não era mesmo a culpa o real motivo de estar correndo tanto com a aplicação do acordo que fizera com Snape.

Lílian nem sabia o que era ser perseguida por Lord Voldemort. Ela não sabia que estaria casada com Tiago dali a cinco anos, e muito menos previa que teria um filho chamado Harry Potter. Ela já não falava com Snape àquela altura. Como conversar com ela sobre algo de que ela nem imaginava a existência?

“Daqui a alguns anos... Lílian, você vai precisar... De um Fiel. Quero dizer, vai precisar de alguém em quem confiar”, emendou rápido, corrigindo-se. Tinha medo de parecer óbvio demais e de permitir que ela também previsse o futuro.

Ela franzia o cenho em sua direção. Estava mesmo assustada com o assunto. A confusão na sua face dizia respeito às palavras de Remo, é claro; ou então, era o barulho alto do Três Vassouras que não permitia que ouvisse direito as palavras dele.

“Eu preciso que você não confie em Pedro”, concluiu.

Lílian ficou paralisada por alguns segundos. Então, perguntou:

“Como é?”

“Preciso que você não conte nenhum segredo a Rabicho”, tentou de novo, com a esperança de que aquela palavra soasse melhor aos seus ouvidos. Não pareceu surtir efeito. “Se você tiver mais alguém que dependa de você....”, insinuou, referindo-se a Harry. “Preciso que confie segredos seus e dessa pessoa a um único aluno de Hogwarts.”

“Qual o problema com Pedro?”, perguntou ela.

“Nenhum problema”, respondeu Aluado, depressa. Não podia dar muitas informações, ou então estragaria tudo. “Ele só não é.... Você sabe, bom com segredos.”

A menina pareceu bem pouco convencida, mas ele prosseguiu:

“Preciso que você confie esses segredos a outra pessoa.”

“A você?”, perguntou Lílian, parecendo entender finalmente o rumo da conversa. Mas estava longe de entender. E quando entendesse, provavelmente a sua reação não seria das melhores.

“Não...”

“A Tiago?”, tentou novamente.

“Lílian, preciso que você confie esses segredos a Snape.”

*

Finalmente, aquele grande par de olhos claros arregalou-se na sua direção. Agora parecia haver alguém em Hogwarts mais confuso que o próprio Remo, e uma coisa daquelas não era fácil de se obter. O menino tentou reformular as ideias de maneira que a informação soasse menos bizarra aos ouvidos de Lílian, mas agora sua mente também estava vazia, em pura tensão.

Foi naquele instante de pânico que Aluado sentiu uma mordida forte sobre seu pé, e gritou de dor. Sacudiu-o, afastando-se da menina, e viu quem causava aquele maldito desconforto.

“Rabicho!”, gritou, irritado, e chutou-o tão longe que houve um estrondo quando Rabicho, em forma de rato, foi lançado pelos ares e atingiu uma mesa próxima. Ele caiu no chão e fugiu em sequência.

As pessoas ao redor pareceram um tanto perplexas por verem Remo gritando com um rato que atendia pelo nome de Rabicho – e, como não fosse o suficiente, chutando-o em sequência. A sorte era que o Três Vassouras estava mesmo cheio, e Remo não ficou por muito mais tempo ali. Foi bruscamente puxado pelo braço por pelo menos um metro. Ao terminar de ser arrastado, identificou que quem o puxava era Pontas. Já estavam um tanto afastados de Lílian, que mal podia ser vista agora, em meio à multidão.

“Que você pensa que está fazendo?”, perguntou o Potter, em um sussurro. Mas a sua vontade mesmo parecia ser gritar com o amigo.

“Não acredito!”, resmungou Remo, frustrado, soltando-se dos braços de Tiago e procurando novamente a menina com o olhar. Já não podia encontrá-la. “Você me atrapalhou!”

“Que você pensa que está fazendo?”, perguntou ele de novo, em um tom ameaçador, enquanto puxava novamente Remo pelo braço.

“Isso não diz respeito a você”, respondeu o outro. Era estranho dizer a Tiago que a tentativa de salvar a vida dele não dizia respeito à sua pessoa.

“Eu já sei o que você é, Remo”, rosnou o Potter. “Já sei o que você está tentando fazer, e se Sirius não vai fazer nada sobre isso, eu vou.”

Um gelo percorreu toda sua espinha. Como assim sabia o que ele era? Sirius havia lhe contado?

“Se você pensa que vai alterar alguma coisa fazendo Lílian confiar um segredo ao idiota do Snape, isso é o que nós vamos ver”, sussurrou ele, olhando ao redor, como estivesse preocupado que alguém mais pudesse escutar aquilo.

“Você ouviu!”, exclamou Remo. Sentia-se um pleno idiota de ter ido tratar aquele assunto com Lílian bem em frente aos demais. É claro que o trio de intrometidos tentaria descobrir o rumo da conversa; e a Capa de Invisibilidade que antes estivera com Sirius certamente já tinha sido devolvida a Tiago.

Ao perceber a conclusão do amigo, Tiago apenas olhou-o com maldade, como reafirmando que ele realmente era um idiota por ter colocado uma ideia como aquela em prática, de maneira tão evidente.

“Você não entende... Não importa se você gosta ou não de Snape agora. Eu estou tentando fazer algo maior dar certo por aqui.”

“Algo do futuro”, concluiu Tiago, ainda irritado. “E está usando Snape pra te ajudar. Você acha mesmo que ele vai fazer algo por você? Se puder nos enganar e te usar como isca pra estragar tudo o que estivermos planejando, ele não vai pensar duas vezes.”

Lupin suspirou. Adiantava tentar explicar algo a ele? Algo que viria a ocorrer só dali a muito tempo?

Começou a se sentir mais fraco. Com o canto dos olhos, viu Lílian caminhando a passos rápidos e deixando o Três Vassouras absolutamente sozinha. Quantas pessoas agora já sabiam a verdade sobre ele? Sirius, Lílian, Tiago... Se Tiago sabia, era quase certo que Pettigrew também saberia.

Sentiu o próprio estômago contrair-se em dor. A sua visão começou a escurecer. O sangue parecia lentamente descer pelo corpo, abandonando sua cabeça. Uma estranha tontura apoderou-se do seu corpo. Torceu pelo melhor. Era apenas um dos sintomas da Licantropia. Mas não estava mais acostumado a sintomas tão fortes; não depois de tantos anos tomando a poção Mata-Cão.

Mas não havia alguém que lhe fizesse uma Mata-Cão em 1975.

“Remo?”, chamou Tiago, mas agora a sua voz já estava um tanto distante.

Em poucos segundos, tudo se apagou.

*

Quando Remo Lupin acordou, estava em um lugar diferente. Sentia-se confortável; talvez estivesse deitado sobre uma cama.

Abriu os olhos e deparou-se com uma profunda escuridão. Era noite?

Procurou frestas de luz no cômodo, mas não obteve êxito algum. Mesmo assim, na mais absoluta escuridão, não sentia mais medo. Na verdade, apesar do cansaço físico e psicológico, quase se sentia bem; como se algo bom estivesse por perto, e não houvesse mais perigo ao redor.

Sacou a varinha que sentiu em seu bolso e sussurrou: “Lumus!”

A varinha então emitiu uma luz branca, tornando-se uma pequena lanterna dentro do quarto. Sim, era um quarto. Estava deitado em uma cama. A poucos metros, a silhueta de uma pessoa dispunha-se sentada sobre o chão. Ao ver que Remo empunhava a varinha, aquela pessoa também sacou a sua, e igualmente murmurou: “Lumus.”

Agora, Remo identificava o rosto de Sirius Black. Estavam novamente na Casa dos Gritos.

“Que aconteceu?”, sussurrou para ele.

“Você apagou”, respondeu Almofadinhas. Sua voz também tinha traços de cansaço ou tristeza. Remo não conseguia distinguir com clareza aquelas duas sensações em Sirius.

“E os outros?”

“Eles não vieram.”

Um breve momento de silêncio instalou-se de novo no quarto antes que Aluado tomasse de novo a palavra:

“Por que você contou a ele?”, perguntou de novo, agora se referindo ao fato do amigo ter contado a verdade a Pontas.

“Achei que ele pudesse ajudar. Tiago está preocupado com você, Remo”, e deu uma pausa, antes de completar: “Todos nós estamos. Você não parece ser o mesmo.”

Remo sentiu uma ponta de tristeza crescer dentro do seu peito. Apoiou-se nos próprios braços e sentou-se na cama. Sentiu os olhos umedecerem-se em lágrimas, mas antes que Sirius pudesse ver aquela situação lamentável, Lupin teve a boa ideia de apagar a luz de sua varinha. Respondeu apenas:

“Acho que não sou mais o mesmo.”

O Black então se ergueu do chão e caminhou na sua direção. Sentou na borda da cama; agora, estavam lado a lado sobre ela. Quando Sirius se aproximava, era como se uma onda de calor se aproximasse também de Remo. Ele – apenas ele – era capaz de fazer com que o menor sentisse que as coisas iriam melhorar. Tudo iria ficar bem.

Seus olhos escuros fitavam os de Aluado com seriedade. Naquele absoluto breu, mais uma vez, não se podiam distinguir suas íris e pupilas.

“Você não tem essa missão”, disse ele. Ao ver que Remo pouco tirava daquela frase, explicou: “Você não precisa nos trazer de volta.”

Ainda com os olhos marejados de lágrimas, Lupin desviou-os para um canto qualquer.

“Como você sabe sobre isso?”

Sirius abriu um sorriso na sua direção, e por mais que quisesse esconder o seu excessivo sentimentalismo, a Remo foi impossível manter sua vista distante do rosto do amigo.

“Porque eu conheço você”, disse ele.

Não disseram mais nada por algum tempo. Era mais do que simplesmente querer trazê-los de volta. Às vezes, Remo até mesmo sentia-se culpado por ser o único que restara, vivo e sóbrio de seus valores. O único que não havia sofrido imensuravelmente nas mãos de Voldemort e seus Comensais da Morte. Não tinha culpa de ser um sobrevivente; mas sentia-se culpado por não ter protegido os amigos, por não poder trazê-los de volta.

E agora, à sua primeira e última chance de trazê-los de volta, Sirius lhe dizia que não era uma missão sua. Que não havia motivos para assumir aquele tipo de responsabilidade. Mas como acreditar nas suas palavras?

O sorriso no rosto do mais alto se desfez em uma questão de segundos. Ele sacou mais uma vez sua varinha e estendeu-a ao outro:

“Pegue”, pediu.

“Por quê?”

“Você vai se transformar em alguns minutos. A Lua Cheia logo vai aparecer no céu. Você não precisa ficar aqui. Volte pro seu tempo. Quando acabar a transformação, você pode vir pra cá de novo.”

“Volte você pra Hogwarts, Sirius. Eu não pegar essa varinha”. Ao ver a expressão confusa do Black, emendou: “Eu não sei por quantas vezes mais vou poder ir e voltar no tempo.”

“E se você ficar tempo demais aqui e não puder mais voltar pra sua realidade?”

Remo pensou antes de responder.

“Se eu tiver que escolher entre ir e ficar, Sirius... Você sabe que eu fico. Mas eu também sei”, prosseguiu, com a voz embargada. “Quão egoísta eu estou sendo.”

“Eu não acho egoísmo”, murmurou o Black. “Eu também quero que você fique.”

~*~*~

Havia algo em Remo que o chamava sempre. Era algo como uma voz, ou uma energia, ou sabe-se lá o que era. Algo que fazia com que Sirius fizesse por Remo o que não faria por ninguém mais. Forte o suficiente para que Sirius o visse caindo em desmaio no Três Vassouras e se encarregasse sozinho de levá-lo a um lugar seguro. Forte o suficiente para que escolhesse sempre ficar ao seu lado, mesmo em um sábado à noite, quando os outros amigos estivessem distantes. E mais do que isso – forte o suficiente para que convencesse Tiago e Pedro de que eles deviam mesmo ir fazer outra coisa, deixando-o sozinho com Remo.

Ficar sozinho com Remo era uma das coisas que mais vinha gostando de fazer nos últimos tempos.

Enquanto fitava os olhos cor de mel de Aluado, tinha a impressão de que ele aproximava o rosto do seu, como não estivesse mais se arrependendo tanto assim do que haviam feito na noite anterior. Mesmo com a única fresta de luz vindo de sua própria varinha, Sirius conseguia enxergar perfeitamente aqueles olhos. Talvez fossem até mais fáceis de ser vistos quando o arredor estava escuro.

“Você pode ficar aqui?”, sussurrou Lupin, tão baixo que parecia não querer que suas palavras fossem mesmo ouvidas. “As coisas parecem melhores quando você está.”

“Eu não vou a nenhum lugar”, respondeu ele.

Então, estivesse Remo ou não aproximando o rosto do mais alto lentamente, Sirius tomou a frente e puxou-o para si, colando mais uma vez os lábios aos dele. Ainda assim, todas as vezes em que beijava Remo, era como se nunca o tivesse feito antes.

Antes que se pudesse dar conta, já tinha uma das mãos sobre uma das pernas dele, e o toque áspero do tecido da calça já o incomodava. O Black fechou os dedos, agarrando-o e puxando aquela droga de tecido para baixo. Achava que a qualquer momento Remo faria algo para impedi-los de concretizar mais uma vez aquele tipo de coisa, mas Aluado fechava também ao mãos sobre o cabelo do mais alto, e também o puxava para si. Não havia indícios de que iria interromper.

Mesmo sem que Lupin tentasse interrompê-los, porém, a Lua o fez.

Ainda com as pálpebras abaixadas, Almofadinhas percebeu uma mudança de luz no cômodo, e quando as levantou, viu que a temida luz branca já entrava pela minúscula e única fresta da janela, detendo-se e refletindo sobre o chão.

Afastaram-se. As últimas palavras que Sirius pode dizer-lhe, enquanto Remo olhava com tensão para aquela luz, foram:

“Eu vou estar aqui.”

Aluado tentou sorrir na sua direção, mas não teve sucesso – já estava nervoso demais para fazê-lo. Dessa forma, apenas respirou fundo e fechou os olhos, preparando-se para o que viria a seguir. Almofadinhas sentia mesmo vontade de poder trocar de lugar com ele e livrá-lo daquela maldição. Mas havia coisas que mesmo quem voltava ao passado não era capaz de modificar.

Assim, mantiveram-se imóveis na escuridão, lado a lado. Até que o feixe de luz movimentou-se sobre o chão e incidiu sobre Remo, que fechou os olhos, com medo.

Em poucos segundos, ele perdeu o que restava da sua consciência.

Notas finais
Gente amada... O próximo capítulo provavelmente sai entre 10 e 15 dias... Estarei viajando, mas mesmo assim venho dar meu amor a vocês. Comentem. ❤