O Patrono Perdido
17 Capítulo 16: O Fim de Um Portal
Notas iniciais
Naquela noite, Remo teve um sonho muito estranho. Sonhou que estivera correndo pelas ruas de Hogsmeade, com um enorme cachorro preto ao seu lado; sonhou que, juntos, eles haviam assustado alguns poucos bruxos e bruxas que caminhavam por aquelas ruas, e que aquilo tinha sido um tanto divertido. Depois, lembrou que haviam corrido para fora da aldeia, em um momento em que Remo sentiu-se plenamente livre. Por fim, alguns vultos pretos apareceram pelo caminho, mas eles não os atacaram. E era só isso mesmo que se lembrava do sonho.
Sonho? Moveu-se sobre a cama. Esbarrou em um objeto pequeno que caiu no chão.
Foi então que percebeu: não havia sido um sonho. Tinha se transformado na noite anterior, ao lado de Sirius Black. E, aparentemente, Sirius havia mesmo ficado ao seu lado durante todo o tempo em que a Lua Cheia estivera no céu. Com ele, sentia-se melhor. De alguma forma, sentia-se seguro.
Lentamente, abriu os olhos. Não tinha nutrido dentro de si a esperança de que Sirius ainda estaria ali. Afinal, agora também já havia se lembrado que o dia era domingo e que haveria, dali a algumas horas, uma partida de Quadribol para a qual o Black seria esperado.
Quando, no entanto, finalmente levantou as pálpebras, seu coração deu um pulo — a imagem do maior materializou-se à sua frente. Estava a poucos centímetros do seu próprio corpo, os cabelos desgrenhados soltos sobre a cama onde se deitavam. Os seus olhos escuros também estavam abertos na sua direção.
"Sirius", murmurou, com o susto de vê-lo.
Almofadinhas não respondeu de imediato. Permaneceu encarando-o com seriedade por alguns segundos. No entanto, logo um sorriso pequeno tomou conta dos seus lábios, e ele respondeu apenas:
"Senti sua falta."
Sentira sua falta.
Remo lembrou-se do diálogo que havia tido com ele há poucos dias. O Black havia lhe contado que estiveram brigados por algum tempo e que só haviam passado uma única noite de Lua Cheia juntos, como Marotos. Depois de dois meses afastado de Sirius — e ainda não tinha uma explicação plausível para aquilo — era a primeira vez que Remo se transformava em Lobisomem ao seu lado.
"Eu também senti", murmurou. Considerando o seu tempo real, fazia quase vinte anos que não se lembrava como era passar uma noite transformado ao lado dos amigos. Agora, tinha a chance de reviver aquilo. "Como foi?"
Ao som daquela pergunta, Sirius riu.
"Você quase atacou uma velha", respondeu, fazendo o menor rir também.
"Obrigado por ter me impedido."
"Eu não impedi", corrigiu Almofadinhas. "Acho que você mesmo desistiu da ideia", e após algum tempo mais em silêncio, completou: "Você não precisa tanto assim dos outros, afinal."
"De alguns, eu preciso", sussurrou Remo.
Sirius desviou o olhar pra um canto qualquer. Remo sentiu suas bochechas esquentarem até quase pegarem fogo. Que droga tinha acabado de dizer? Estava por um acaso dando uma indireta em Sirius? Estava dando em cima dele em um momento inoportuno como aquele?
Pigarreou. Era tarde para retirar. Assim, apenas emendou:
"Desculpe por ter agido daquele jeito ontem. Eu estava tentando... Você sabe, eu estava tentando..."
"Tentando fingir que nada tinha acontecido entre nós, porque achou que assim poderia não mudar o passado."
Surpreso com a resposta, Remo suspirou e tomou a coragem de olhá-lo nos olhos novamente.
"Mesmo se eu tentar fingir que nada aconteceu, não vai mudar o que sinto. O passado já deve ter sido alterado e eu não posso inverter isso. Agora eu percebo."
Mais uma vez, Sirius sorriu na sua direção.
"Vamos esquecer isso", respondeu.
~*~*~
Mesmo se tentasse a todo custo, também não conseguiria sentir raiva de Remo. Ainda que ele o tivesse maltratado no dia anterior, e ainda mais depois de uma noite ao seu lado, pouco importava o que havia ou não feito. De alguma forma, aos olhos de Sirius, tudo aquilo que Remo fazia era para o bem. Ele era um tanto atrapalhado e confuso, era verdade. Mas, ainda assim, tentava sempre o seu melhor.
Olhos cor de mel que agora o fitavam como se a vergonha, aos poucos, abandonasse a expressão de Remo. Quando tinha a chance de admirar aqueles olhos de perto, fazia todo o sentido a Sirius que Remo temesse tanto assim as noites de Lua Cheia; mais do que suas transformações, aquelas noites sombrias simbolizavam o que era a escuridão em si. E Remo, ao contrário, todo em tons de amarelo, simbolizava mesmo era a alvorada.
Não apenas as íris cheias de luz hipnotizavam Sirius, mas também o cheiro naturalmente exalado pela pele do menor. Um cheiro que remetia ao amanhecer e aos primeiros raios de Sol que adentravam pelas frestas das janelas vedadas daquela casa. Tinha a impressão de que a qualquer momento acordaria de um sonho que já vinha perdurando demais.
Aluado, que talvez fosse capaz de ler os seus pensamentos, o olhava agora como se tivesse alguns similares. Estavam em Hogsmeade, mas não havia um pio que se pudesse ouvir nos arredores da casa. Não havia mais ninguém nas proximidades.
Almofadinhas arrastou-se de forma a ficar mais próximo ao outro. Contava já com a possibilidade de Remo hesitar mais uma vez sobre ficarem juntos. No entanto, ao seu movimento, Lupin não hesitou. Pela primeira vez, tomou a atitude de tocar o rosto do maior antes que ele o fizesse — e puxá-lo.
Seus lábios se tocaram como se estivessem ainda no Jardim das Sombras. Desde que Remo chegara do futuro, a sua consciência de tempo-espaço também vinha sendo alterada.
Envolveu Lupin com os braços. Com uma das mãos posiciadas sobre a nuca do menor, podia sentir o toque de alguns dos seus fios de cabelo — e tinha vontade de puxá-los também. Parecia-lhe que apenas tocar Remo nunca era realmente o suficiente. Quanto mais a sua pele roçava sobre a dele, mais tinha a vontade de forçar uma contra a outra, até adentrá-lo.
Em pouco tempo, já não se detinha mais nos cabelos castanho-claros. Tocou o zíper da calça do menor — era sempre tão injusto que Remo voltasse de suas transformações exatamente como estivera vestido antes delas — e puxou-o pra baixo, tendo a impressão de que Aluado soltava um gemido baixo àquele movimento. Os seus gemidos eram sempre como uma melodia ou qualquer coisa do tipo, e Sirius queria poder ter um botão que tocasse para ouvi-los repetidas vezes.
Assim que jogou as calças do outro sobre o chão, Sirius sentiu, sobre o seu próprio zíper, as mãos dele. Precisou manter os olhos bem abertos e registrar a cena em que Remo também abria as suas vestes e começava a puxá-las para baixo — porque no instante seguinte em que aquilo terminasse, não conseguiria mais acreditar no que havia visto.
Não moveu uma mão para ajudá-lo: deixou que Remo terminasse sozinho o que tinha começado. E quando ele também arrancou do Black aquelas calças que não teriam mais utilidade, pela primeira vez em muito tempo Sirius não viu mais um homem de trinta e cinco anos perdido no tempo. Agora, era realmente Aluado quem ele via — e o seu tempo não poderia ser mais perfeito.
Os olhos cor de mel ergueram-se mais uma vez na sua direção, como perguntassem o que exatamente deveria ser feito na sequência. Assim, Sirius ergueu-se também, como um todo, e passou uma perna de cada lado do corpo deitado de Remo. Empurrando-o, virou-o de bruços sobre a cama.
"Sirius", pensou ter ouvido mais uma vez o murmúrio, mas não pôde ter certeza.
A imagem de Remo Lupin virado de bruços sob o seu corpo, disponível e entregue ao que quer que fosse, confundia seus sentidos e o deixava fora de si. Sob a única pequena peça de roupa que os separava, Sirius sentia pulsar o seu órgão desesperadamente, sedento pelo menor como estivera na primeira vez. Com os batimentos violentos como o coração se preparasse para fugir ao seu peito, mais uma vez, todo ele latejava.
Por mais que a imagem de Remo tirando as próprias peças de roupa fosse realmente agradável, não esperou mais. Não poderia. Precisava tê-lo ali e o quanto antes. Assim, tão logo viu que o menor posicionava as mãos sobre as próprias roupas íntimas, Sirius tomou a frente e tirou não só as dele, mas as suas próprias.
Debruçou-se sobre ele para sentir uma vez mais o cheiro fresco da manhã que Remo exalava antes de levar dois dedos à própria boca e umedecê-los. Afastou as pernas daquele que estava sob o seu corpo; então, direcionou os dois dedos à entrada posicionada entre elas. Remo ganiu.
Uma onda de prazer perpassou todo o corpo de Sirius conforme os seus dedos úmidos prosseguiam adentrando Lupin. Ambos gemeram em síncrono; por mais a passagem por entre as pernas dele fosse um tanto estreita, aos toques do dedo do maior, todos os seus músculos pareciam relaxar. De repente, os movimentos de ir e vir com os dedos já se tornava um tanto mais fácil — e aquilo tinha que indicar, sem outra possibilidade, que Remo gostava daqueles movimentos.
Quando Sirius estava a um passo de não suportar mais a ideia de manter-se fora dele, trocou os dedos pelo seu órgão, adentrando Aluado agora com seu próprio corpo. Gritos de ambos novamente preencheram o cômodo.
De todas as sensações que Sirius já experimentara na vida, o toque de Remo dilatando-se aos seus movimentos era a melhor delas. Prosseguia na ação de ir e vir sobre ele, e a cada vez que investia, sentia que ia desmanchar-se no seu interior. A cada vez, sentia que precisava adentrá-lo mais e mais, e assim o fazia — e na sede de ouvir mais os gemidos que soavam como música aos seus ouvidos, puxava os cabelos claros do menor, que saciava o seu desejo. Mas precisava de ainda mais.
Usando a mão que tinha livre, Sirius ergueu um pouco o quadril do outro; apenas o suficiente para fazer com que o órgão dele, igualmente pulsante, desencostasse da superfície da cama. Depois, envolveu-o com aquela mão livre e passou a reproduzir sobre ele os mesmos movimentos de ir e vir que fazia às suas costas.
Com as duas mãos espalmadas sobre a cama, Remo tremia. A cada segundo, parecia mais e mais relaxado nas mãos do Black. A soma daquele tremor e aquele relaxamento causavam em Sirius um estado de êxtase que não poderia aguentar por muito mais tempo.
Em poucos segundos, aumentou a força das investidas e dos movimentos com a mão sobre o órgão de Lupin. Mas aquilo durou realmente muitos poucos segundos; no instante seguinte, ambos ganiram alto uma última vez, e Sirius sentiu-se liberando todo prazer em forma líquida no interior de Remo; ao mesmo tempo, o menor também rendeu-se ao orgasmo sobre a mão que o envolvia.
Arfantes e inertes, assim permaneceram por alguns segundos. Enfim, Sirius tomou a atitude de recuar e retirar-se de dentro do menor — o que gerou mais um gemido por parte de ambos.
Caíram, lado a lado, deitados sobre a cama.
Ainda que Sirius desejasse dizer-lhe muitas coisas — e também sentia que Remo talvez tivesse algo a lhe falar -, faltavam-lhe as palavras e a linha de raciocínio. Enquanto encarava mais uma vez os olhos amarelados, chegava à conclusão de que talvez apenas quisesse dizer-lhe que nunca mais o deixasse. Que nunca mais fosse embora, porque ali era o seu lugar. Ou então, talvez quisesse dizer-lhe que não imaginava sentir por ninguém o que sentia pela sua pessoa. Ou que talvez devessem ficar juntos até o fim dos tempos.
Independente do que desejasse ou não falar, nada saiu. Provavelmente lendo mais uma vez os seus pensamentos, Remo sorriu na sua direção, como pensasse o mesmo; não era preciso dizer nada, porque ambos sabiam.
Em volume baixo, riram juntos daquela situação. Não havia mais constrangimentos ou dúvidas que os separassem. Há muito tempo, eram mais do que amigos.
Após alguns minutos fitando-se entre si e em silêncio, começaram a ouvir, ao longe, alguns barulhos de passos nos arredores de Hogsmeade. Com infelicidade, Sirius lembrou-se que não poderiam permanecer ali o dia todo.
Suspirou e disse, ainda bem-humorado:
"Precisamos sair logo daqui. Você tem que assistir a um jogo de Quadribol hoje."
"E você tem que acabar com a Lufa-Lufa por mim", respondeu Remo, também sorrindo na sua direção.
Aquela frase deu a Sirius forças o suficiente para que se levantasse da cama após mais um longo suspiro. O seu desejo verdadeiro era permanecer com Remo naquele quarto por todo o resto da sua vida, mas os jogadores da Grifinória contavam com ele.
Dedicou-se a recuperar e a vestir novamente as poucas peças de roupa que estavam agora espalhadas pelo chão. No entanto, por mais que já estivesse ativo e quase pronto para deixar a Casa dos Gritos, Remo permanecia imóvel sobre a cama, virado na sua direção, mas em silêncio. Tudo aquilo era preguiça?
"Remo", chamou o Black, rindo-se. "Você não vai querer ver o jogo?", perguntou, virando-se a ele. Mas quando se virou, encontrou algo diferente do que esperava.
Remo estava pálido. Por mais que seu corpo estivesse virado na direção do maior, os seus olhos não estavam sobre o ourtro; estavam no chão. E não apenas em uma parcela qualquer do chão, mas retidos justamente sobre a varinha do Black, que se dispunha a poucos centímetros da cama.
"Remo?"
Ele não respondia. Estava absolutamente mudo, com os olhos cor de mel arregalados na direção daquela maldita varinha.
"Remo, o que você tem?"
Parecendo tentar recuperar-se do transe, Remo abriu e tornou a fechar a boca algumas vezes, talvez tenso demais para falar qualquer coisa. Enfim, após alguns segundos, conseguiu proferir poucas palavras.
"Sem querer, eu toquei nisso hoje."
"Como é?"
"Eu... Toquei na sua varinha", explicou ele. "Sem querer me mexi sobre a cama e empurrei algo que caiu no chão. Mas não sabia que era ela."
Sirius sorriu em deboche.
"Remo, você deve ter derrubado sem encostar nela. Se tivesse encostado, você não estaria mais aqui."
Lupin, no entanto, não estava rindo. Permanecia sério, calado, os olhos fixos na varinha amaldiçoada.
"Você... Tem certeza que encostou nela?", perguntou Sirius, que agora passava a considerar a gravidade da situação.
Não houve respostas. Agora realmente em pânico, Sirius pegou a varinha do chão e estendeu-a em direção ao menor.
"Pegue", disse ele.
"Sirius..."
"Pegue", insistiu o Black.
Trêmulo, Remo estendeu uma das mãos e segurou a varinha. A sua imagem, porém, não se esticou. Não se deformou. Não se desintegrou. E ele não desapareceu no ar, como comumente fazia quando a tocava.
Uma onda de silêncio invadiu o quarto. Não havia ruídos que indicassem a respiração de nenhum dos dois Marotos.
No momento seguinte em que Remo abriu a boca, proferiu as palavras lentamente. Por mais que fossem os seus lábios que as dissessem, elas refletiam uma verdade que Sirius Black também já havia descoberto. Enquanto os seus vasos sanguíneos contraíam-se agora pela adrenalina e autêntico desespero que se apoderavam dele, ouviu, em tom de lamúria:
"Acabou, Sirius. Eu alterei o passado. Essa varinha... Não é mais um Portal."
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