Alberto já estava acordado conversando com o filho, ao menos tenta, Bernardo demonstra uma alegria, que Alberto sabia ser falsa.

ㅡ Você não vai hoje a empresa de novo?ㅡ perguntou tomando o seu café, por culpa do braço imobilizado, Bernardo o ajuda na refeição.

ㅡ Não, pedi um dia a mais, esse seu tombo não foi brincadeira.ㅡ ele não contou das suspeitas que pairavam no ar.

ㅡMas estou bem e lembrando que estou bem assistido.

ㅡ Eu sei pai, mas quero estar aqui pelo menos até eu ver ter certeza que o senhor está bem mesmo.

ㅡ Você pode confiar em mim, não vou mais tentar sair da cama sem ajuda.

ㅡ Claro que não, tem um enfermeiro 24h de olho no senhor.

ㅡ Foi tudo bem mesmo na viagem? Você falou pouca coisa.ㅡ Alberto indaga curioso, sabia que o filho escondia alguma coisa, e pensava ser algo referente a isso.

ㅡ Foi tudo bem, vamos fechar o negócio. ㅡ Bernardo tenta fugir do assunto.

ㅡ Só isso? Nada mais? E você e Emília, como foi?

ㅡ O que o senhor quer saber?, não somos melhores amigos, mas já conversamos com civilidadeㅡ ele mente ao pai, ah se ele soubesse o quão civilizados estavam, Bernardo percebe que Alberto quer que ele fale de alguma maneiro tudo o que ocorreu, mas esse não é o momento de falarem disso, por sorte a enfermeira chega e Bernardo pode escapulir do inquérito do pai.

Vai caminhar um pouco pelo pátio da clínica, só tinha saído dali para uma rápida troca de roupa, o primeiro exame deu o que temia, era um tumor, o segundo exame tinha sido feito naquela manhã, e o resultado, sairia em dois dias, ele não queria falar com ninguém, não queria ter que explicar o que nem ele entende. Ele viu as ligações e mensagens de Emília, mas não tinha condições de falar com ela e queria ter certeza de algo antes de vê-la, não quer sair do lado do pai antes do segundo exame ficar pronto, desde a conversa do médico que sente o peito oprimido, um aperto, não tinha dormido essas duas noites, tinha muito medo de ficar sem o pai, não gostava nem de pensar nisso, continua a sua caminha, e volta ao quarto de Alberto, saindo dali no fim da tarde, quanto inevitavelmente precisa ir em casa tomar um banho, mas vai voltar para passar a noite ali, dormir era algo que não estava fazendo e o corpo começa a reclamar, para não correr o risco de dirigir chama um táxi.

Em seu apartamento, tenta ser o mais rápido possível, olha o seu reflexo no espelho do banheiro após o banho e percebe o quão abatido está, a barba que sempre manteve aparada parece bem maior , sem o cuidado diário, olheiras nem sabiam que existiam, mas ali estavam, seus olhos estão um pouco caídos, apoia a mão na bancada da pia, a campainha toca, ele estranha, não esperava ninguém, por sorte já tinha se vestido, mas não estava todo pronto para sair. Vai até a porta ainda secando os cabelos e abre, não podendo acreditar quem estava diante de si.

ㅡEmília, o que faz aqui?ㅡ perguntou completamente surpreso por vê-la diante de si.

ㅡ Achei que seria um pouco mais caloroso ao me ver, mas estava enganada.ㅡ diz um pouco decepcionada com a reação dele.

ㅡ Desculpas, estou surpreso com você aqui, nem sabia que tinha o meu endereço.ㅡ ele passa as mãos nos cabelosㅡ Você quer entrar?

ㅡ Sim, por favorㅡ Emília não sabia o que estava acontecendo, mas sabia ter algo errado, ela entra, olha o apartamento era arrumado demais para um homem sozinho, mas Bernardo parecia ser o cara que mantinha suas coisas organizadas, mas o que mais chama atenção é a bolsa de viagem dele em cima do sofá, intacta, sem ser desfeita, ela olha curiosa para isso, Bernardo fecha a porta.ㅡ Eu mandei mensagens, e liguei para você, não apareceu na empresa e nem deu uma satisfação.

ㅡ Eu sei, pretendia ir lá amanhãㅡ mente ele, Bernardo percebe que ela olha para a sua bagagem em cima do sofá então a tira dali.ㅡ Por favor, senta, quer beber algo?ㅡ ele coloca a bolsa no corredor e volta a sala.

ㅡ Não, obrigadaㅡ ela senta na pontinha do sofá, ele permanece de pé.ㅡ O que está acontecendo Bernardo?

ㅡ Comigo? Nada, não está acontecendo nadaㅡ ele senta no braço da poltrona que tem em frente a ela, coça a barba, não estava preparado para aquele encontro, nem consegue olhar para ela, sua mão treme de leve, ele volta a secar os cabelos com a toalha, Emília olha firme para ele, Bernardo se sente acuado, ele tenta sorrir. ㅡEstá tudo bem, tudo bem.ㅡ ele olha para o chão, para fugir daquele olhar, deixa a toalha sobre as pernas.

ㅡ Bernardo ㅡ ela fala pausadamente, deixa a bolsa de lado no sofá e levanta, caminhando devagar até ele, que continua com a cabeça abaixada, ela fica perto dele, toca em seu queixo para levantar a cabeça dele, que tenta tirar a mão dela, mas ela o segura mais firme e enfim consegue visualizar o rosto dele, e o que viu cortou seu coração, um olhar de tristeza, de dor, lágrimas ali acumuladas e um esforço em seu rosto para controlar o que ele quer impedir de sair, ela faz carinho em sua face, as primeiras lágrimas são libertadas, e não param mais de correr, ela o abraça forte, Bernardo agarra ela, e chora a dor dos últimos dias, ela acaricia as suas costas e seus cabelos ainda molhado do banho, dizendo suavemente em seu ouvidoㅡ Tudo bem, vai ficar tudo bem.ㅡ ficam uns minutos assim, Emília se afasta um pouco dele, para poder olhar em seus olhos, limpa o seu rosto.ㅡ Quer conversar? ㅡ ele sacode a cabeça dizendo que não.

ㅡ Eu não consigo, ainda não, desculpas ㅡ e começou a chorar de novo.

ㅡTudo bem, tudo bemㅡ ela o abraça mais uma vez, e decide respeitar o espaço dele, afinal ele tinha ensinado isso a ela.

ㅡ Estou cansando Emília.ㅡ ele diz em um suspiro em seus ouvido, ela o olha e vê o cansaço em seus rosto e resolver dar o apoio que ele já deu, o pega pela mão e caminha rumo ao corredor, parecia que conhecia o lugar, e foi direto na porta certa, abre e vê a cama dele, o senta ali, pega a toalha que ele ainda tem em mãos e seca os seus cabelos, ele fica imóvel, terminado ela deixa em uma cadeira, e volta até ele tirando o seu sapato, ficando descalça, senta na cama e o puxa para si, ele resiste.

ㅡVem Bernardo.ㅡ o puxa de novo.

ㅡ Eu não posso, preciso sair.ㅡ continua sentado.

ㅡ Só vem descansar um pouquinho depois você sai,vem ㅡ ela o pega de mansinho, o puxado devagarinho e vai deitando, ela descansa a cabeça dele em seu peito, fazendo carinho em seus cabelos, ele passa os braço em volta do corpo dela, Emília sente que ele chora mais uma vez, com o braço livre envolve o corpo dele o abraçando, acariciando suas costas, ela deve ter cochilado também, quando percebeu o quarto que antes tinhas uns raios de sol, se encontra totalmente escuro, Bernardo dormia, ela não entendia o que está acontecendo com ele sabia ser algo grave, para ele estar neste estado, devagar vai tirando o seu corpo debaixo do dele, que de estar dormindo tão profundo, que nem percebe, Emília fica deitada de lado olhando para ele, tocando em seu rosto, passa os dedos em seus olhos, nariz, bochechas, toca em todas as linhas que ele tem, vez que outra ele suspira sinais do choro dele, Emília levanta, sai do quarto fechando a porta, liga para a casa, para avisar que irá chegar tarde, para a mãe não se preocupar, por sorte quem atendeu foi Anitta. Ela desliga e senta no sofá, pensa que o que quer que seja pelo que Bernardo está passando ela não poderia deixar ele sozinho, se estava cansado era porque não deveria também estar se alimentando, pensa em um local e pediu comida para os dois, enquanto espera, para ocupar a cabeça lê uma papelada que tinha levado consigo para ser analisada em casa, vez ou outra vai ao quarto para ver se ele dormia, não demora muito a comida chega, ela deixa na mesa e vai para a cozinha achar pratos e talheres o demora muito a achar, mas por fim encontra, quando vira para sair da cozinha vê Bernardo parado na porta, toma um grande susto, deixado um prato cair ao chão.

ㅡBernardo, que susto, não ouvi vocêㅡ ela ia caminhar até ele.

ㅡ Não, cuidado com os cacos de vidro.ㅡ ela tinha esquecido estar descalça, ele como calçava um chinelo, caminha até ela e a pega no colo, Emília não esperava por isso e fica sem reação por segundos, depois envolveu os braços no pescoço dele,Bernardo caminha com ela até a sala, mas ao invés de a colocar no sofá, senta com ela em seu colo, Emília permanece ali sentada, toca o rosto dele, o virando para si, ele ainda tem aquele olhar de tristeza e dor.

ㅡQuer conversar agora?ㅡ perguntou ainda tocando o rosto dele.

ㅡ Nãoㅡ ele diz suave, aproximando o rosto do dela, tocando sua testa na dela, fazendo um carinho no rosto dela, mas foi breve, pois a mão que ali estava passou para a nuca dela, assim como a mão de Emília foi enredar os cabelos dele em seus dedos, mesmo com as bocas separadas, ela podia sentir o gosto dele, Bernardo toca os lábios dela, ela abre um pouco mais a boca para receber a dele, e beijo que ela queria desde o começo vem, primeiro suave, depois intenso, os deixando sem ar, ofegante ele para o beijo, deixando ainda os rostos colado.ㅡO que você aprontava na cozinha?

ㅡ Achei que teria fome, pedi comida e tentava achar a louça.ㅡ ela afasta o rosto do dele.

ㅡ Mas não estou com fomeㅡ ele toca o seu rosto, Emília sai do colo dele, ficando de pé e estendendo a mão a ele.

ㅡ Mas vai comer, vem vamos.

ㅡ Adianta eu dizer que não?

ㅡNão, agora vamosㅡ pegou a mão dele e o puxa, ele fica em pé.

ㅡ Deixa que eu vou na cozinha pegar os pratos, não quero que se machuque.ㅡ dá um beijo nela e sai para a cozinha.

Bernardo não pode acreditar que ela está ali, que desabou na sua frente e Emília o acalmou, juntou os cacos e varreu o chão, aproveita e usa esse tempo para pensar, não sabe se falará do pai, e o que está acontecendo, mas ele sabe que ela percebeu alguma coisa e não o deixará até saber. Voltando a sala ela já abriu as sacolas com a comida.

—Emília quer beber alguma coisa?

— Um suco. —ele deixa a louça ali e sai voltando segundos depois com um suco e um vinho, precisa parecer mais relaxado.

— Eu ficarei no vinho se não se importa.

—Nem um pouco, sinta-se em casa —ela brinca, tentando quebrar a tensão.

— E como foi a reunião sobre a Ventura?

—Foi tudo bem, esperava por meu acompanhante estar lá. — ela senta, sem nenhuma vontade de comer, mas se não fizer ele também não come.

— Eu sei, sinto muito.— ele pensa e para um pouco e resolve manter a conversa na empresa.— Contou sobre as terras e o quanto são boas? — ela confirma que sim, ela entende que ele não quer entrar no assunto que o aflige e para terem uma refeição mais calma decidi respeitar o que ele quer. Conversam sobre outros assuntos.

A refeição terminou e ficou aquele silêncio entre eles enquanto recolhiam as coisas da mesa.

Bernardo não sabe o que fazer, se conta a ela ou não sobre o estado de Alberto, já está um silêncio constrangedor entre eles, volta da cozinha e não encontra Emília, mas a bolsa dela permanece no sofá, ele caminha até seu quarto e a vê sentada na poltrona que ali tem, está abaixada colocando os sapatos.

— Emília —diz entrando no quarto e fica de frente a ela —Já vai??

— Sim, acho o melhor ser feito—termina de colocar um pé. — Você não está bem e não sei se é bom eu estar aqui.

—Foi muito bom você ter vindo, obrigado. —ele senta na cama e fica olhando para ela.

— Tem mais alguma coisa que eu possa fazer? —ela também o olha ele nada diz, então ela começou a pôr o outro sapato.

—Eu gostaria de poder falar o que está acontecendo, mas não sei se devo… —seus olhos ficam marejados, mas não chora, ela o olha levanta e senta ao lado dele.

— Quando você quiser estarei disposta a ouvir —o beija, faz um carinho em seu rosto e levanta indo em direção a porta.

—Meu pai… Alberto ele está muito, muito doente —Bernardo fala baixo, mas o suficiente para fazer ela parar, mas não vira para ele, permanece de costas — Ele está com um tumor—enfim ela vira olhando-o, viu novamente aquele olhar de tristeza e dor, agora sabia a razão, ele estava sofrendo pelo pai, seu pai e ela não sabia o que sentir, Bernardo continua — No nosso último dia em BellaRosa ligaram da clínica onde ele está, meu pai...Alberto tinha caindo da cama e precisavam falar comigo— ele fala rápido antes que perca a coragem, Emília agora entendia o porque Bernardo tinha voltado em silêncio na viagem. — Eu achei que queriam falar comigo sobre a queda dele, e foi, contaram como aconteceu e que tiveram que fazer alguns exames e em um encontraram algo fora do normal e precisavam fazer mais exames para saber do que se tratava, conseguiram diagnosticar esse tumor no cérebro ainda não sabem se é benigno ou maligno, é com isso que eu tenho convivido nos últimos dias. —Bernardo percebe que ela não mexeu um centímetro de onde está, não sabia o que passava na cabeça dela, não sabe se fez o certo falando.—Emília ele…

—Esse tumor é onde?— por fim ela consegue dizer.

—Na cabeça.

—Você disse que ainda não sabe que tipo de tumor é.

— Foi feito um exame pra saber qual é, o resultado sai amanhã.

— E o que vai ser feito você já sabe?

—Ainda não, o médico disse que precisamos ter a certeza do que é, para depois saber o que fará —ele a vê concordar com a cabeça, como se estivesse processando as informações, ela está sendo prática e racional. —Emília eu sei, ou melhor não sei como é pra você ouvir isso, que ele falhou com você, eu sei disso, e sinto muito trazer esse assunto assim, nesse momento, mas pra mim ele é a única família que tenho, a única pessoa que me resta, e eu não posso imaginar a minha vida sem ele… —nesse momento ele chora novamente, Emília caminha até ele e o abraça forte, entendia a dor que ele estava sentindo.

—Vai ficar tudo bem Bernardo, vou ficar com você, e amanhã vamos a clínica saber o resultado. —ele a olhou não acreditando no que ela disse.

—Você vai comigo? Você vai na clínica ver ele? —ele perguntou esperançoso, ela fica um pouco em silêncio.

—Vou — ela não tinha bem certeza, mas faria isso por Bernardo, ele a beija e a abraça de novo — Agora deita, você tem que descansar.

—Você também — ele a beija na testa, levanta tira os sapatos dela, ele vai fechar a casa, quando a volta Emília está sentada da mesma forma, olhando para o nada, ele sabia que ela refletia sobre o que ele acabou de dizer, vai ao guarda-roupa pegar um cobertor para os dois, ele permanece imóvel, ele senta na cama e a puxou para deitar com ele, apoia a cabeça dela em seu peito, Emília o abraça, não esperava ouvir sobre Alberto, e saber que Bernardo sofre por ele, sentia muito mais por Bernardo estar nesse estado do que pelo pai, era estranho pensar dessa forma, mas não conseguia sofrer pelo homem que gerou a sua vida, Bernardo alisa os cabelos dela em movimentos delicados movimentos circulares, enquanto ela acaricia o braço dele que envolveu o seu, nessa troca silenciosa de carinho eles adormecem de novo. Emília acordou ainda estava escuro estava suando e assustada pelo sonho que teve e que a despertou, Bernardo ainda a abraçava, olhou no relógio eram três da manhã, tentou manter os olhos fechado, para voltar a dormir , mas não conseguiu, com cuidado, sai dos braços de Bernardo, ele nem se move, o cobre e deixa o quarto, indo para a sala, algo a incomodava, caminha de um lado a outro da sala, e lembra do sonho que teve, foi a noite em que a mãe e seu pai brigaram, era como se estivesse vivendo novamente aquela noite, e o que a incomodava era que não conseguia assimilar essa imagem de seu pai saindo de casa com a do homem que não quis procurá-la e com a do homem que Bernardo chama tão amorosamente de pai, e quem tem medo de perder, como o mesmo homem que cuidou e amou tão bem o filho de outro não foi atrás da própria filha, mesmo após tantos anos? Ela não conseguia compreender e o pior não sabia se estava preparada para ir vê-lo, sabe que vai mais por Bernardo do que por Alberto ou até mesmo por ela, por Bernardo ela fará esse esforço, verá Alberto como o pai do homem que gosta, não como seu pai. Emília desiste de vez de tentar dormir e volta a olhar a papelada da empresa, assim evita de pensar em Alberto.

Bernardo acorda com os primeiros raios de sol, está deitado de lado, seu primeiro pensamento, ainda de olhos fechados é sobre o pai em como será o resultado do exame, mas como o médico aconselhou quer manter pensamento positivo, pensar que tudo irá se resolver da melhor forma possível, estica a mão sobre a cama para tocar em Emília, mas ela não está ali, abre os olhos e de fato encontra o vazio, levanta rápido da cama e tropeça no sapato dela que ainda se encontra ali, mesmo com um pouco de dor por ter virado o pé, sorri pelo sinal da presença dela, recolho os calçados dela e lava consigo para a sala, a vê sentada, com relatórios sobre a mesa, ele fica observando ela , Emília caminha até a janela, que tira os óculos e esfrega os olhos, sentia que ela estava cansada e um pouco abatida, tinha certeza que não estava sendo fácil para ela tudo isso, e o que ele relatou só complicou ainda mais o lado dela, ele aproxima devagar e abraça, dando um beijo em seu rosto.

— Desde que horas a senhora está acordada?— Bernardo apoia a sua cabeça no ombro dela, Emília envolve os braços dele com os dela.

— Não faz muito — ela mente, ele a vira para olhar em seu rosto.

— Será mesmo? Sua cara de cansada diz o contrário.— Bernardo permanece olhando para ela, que toca em seu rosto.

— Que horas você quer ir para a clínica?

— Eu gostaria de ir agora, mas não sei, você quer passar em casa?— ele ajeitou uma mecha de cabelo dela que estava solta no coque bagunçado que ela fez.

— Não vamos direto, depois passo em casa— ela pensa em resolver isso o mais rápido possível, depois do resultado ela vai para casa.

— Eu não sei que horas sai a conclusão do exame.

— Tudo bem, eu fico com você o tempo que for.

— Vou tomar um banho e podemos ir em seguida.—ele a beija e sai, Emília começa a arrumar suas coisas que estão pela sala, ainda não certa da decisão de ir até a clínica.

No caminho para o local onde Alberto se encontra, Emília fica a maior parte do tempo em silêncio, Bernardo compreende o motivo de ela estar quieta, ele também por estar nervoso não consegue falar muito, ela sente o coração acelerar e a mão suar, por mais que repita para si mesmo que só vai vê-lo por causa de Bernardo, uma menininha dentro de si está esperançosa e assustada, não consegue acreditar que está prestes a ver o pai depois de tanto tempo. Bernardo não sabe ser o melhor para o pai, para Emília, sabe que os dois não estão preparados, estava torcendo para que desse tudo certo, não queria que ninguém saísse mais ferido do que já estavam, quando chegaram, ele desce e vai abrir a porta para ela, Bernardo estende a mão para Emília sair, ao pegar na mão dela, percebe o quão fria está, o percurso a ser feito não é longo, vão com passos lentos e de mãos dadas, não sabiam quem estava dando mais força para o outro, nem uma palavra ou olhar é trocado durante todo o tempo, na porta de entrada da clínica Emília trava, Bernardo que ainda segura em sua mão, percebe e olha para trás.

— Emília?— ele a chama que não o olha, ele ergueu o seu queixo, fazendo-a olhar para ele— Vamos?

— Eu...— ela tenta segurar as lágrimas em vão, não queria ter de dizer, para não magoá-lo, mas não há alternativa.— Eu não posso…

— Pode sim, vamos — Bernardo a puxou delicadamente, mas ela não consegue se mexer.

— Eu não consigo, ainda não, não assim.— ela puxa a mão da dele e fala sacudindo a cabeça, mas ele mantém a mão dela na sua.

— Meu amor você pode…

—Não, não posso, não foi em uma cama de hospital que eu o vi pela última vez, e não será assim que quero lembrar, entende, por favor— ela suplicou, ele entende a dor e a confusão que ela está sentindo.

— Emília não sabemos se é..— ele não consegue dizer ela sente o que ele quis dizer.

— Por isso mesmo, por não sabermos, eu ... — ela tenta juntar as palavras que muito há guarda— Eu não sei conviver de novo com a ameaça de perder ele de mais uma vez. —Bernardo a abraça forte, ela chora um pouco, assim como ele— Me desculpas, mas não consigo —ele diz que sim em seu ouvido, que entendia, por fim Emília segura mais uma vez sua mão e olhando em seus olhos— Quando tiver os resultados me liga.— solta da mão dele e vai em direção a saída da clínica, deixando que mais lágrimas molham o seu rosto.