O Passado Sempre Presente.
15 Capítulo 15
Após a saída de Bernardo de sua sala, suas emoções estão tão à flor da pele, cai sentada em sua cadeira, apoia cabeça sobre a mesa e desata a chorar de novo, ouve passos
e ergue o olhar e vê uma Carola assusta a lhe observar, tinha esquecido da moça ali.
— Dona Emília está tudo bem?— ela aproxima-se devagar, como quem se aproxima de um animal ferido, Emília pergunta-se como deve estar sua aparência para a secretaria ter tal cautela.— Quer que eu chame o senhor Luís? — Carola nunca viu a patroa assim, não sabia o que era maior naquele olhar dela, se era o sofrimento ou a confusão, mas sabia que a única pessoa que ela poderia querer neste momento era o seu tio.
— Não precisa, obrigada— ela limpa as lágrimas que ainda caem.— Está tudo bem— diz isso mais para a si do que para a moça, levanta e começa a arrumar suas coisas— Você pode ir, já está na nossa hora. —afasta-se um pouco o lado emocional e deixa o lado prático entrar em ação.
Carola só concorda e se retira da sala, Emília pega uns documentos que deveria ter analisado mas não conseguiu e não ficaria na empresa para isso, não gostava de levar papelada para ser analisada em casa, mas eram documentos de urgência sobre uma vinícola da serra gaúcha que estava de de olho, lembra de ver pelo computador as terras e achou ser um bom negócio, sabe que terá que viajar para ter certeza da compra e finalizar a negociação, mas isso era para logo mais, por ora ela pega os papéis, sem perceber junto vai a pasta sobre a investigação da vida de Bernardo que tinha solicitado e deu uma analisada por cima.
Seu Ariel como sempre já a espera, mesmo começando a anoitecer ela coloca os óculos escuros, sabe que seus olhos estão vermelhos, novamente pensa em ir a casa dos tios e falar com Zilda, mas como os outros dias e os encontros que vem tendo, tanto com a mãe como com Bernardo e sai deles completamente cansada emocionalmente, desiste e resolve ir para casa. É tudo o que precisa no momento.
Vai pelo caminho tentando manter o foco na paisagem, as praias do Rio de Janeiro tinham a sua beleza, da qual ela pouco desfrutava, não gostava muito do calor da cidade, preferia um ar mais ameno, onde não dependesse exclusivamente do ar condicionado para manter a boa aparência e não suar por todos os poros, mas hoje olhar para fora da janela estava sendo útil e fazendo com que prenda a sua atenção, o caminho para casa foi tranquilo, achou ter sido rápida pois quando deu por si entravam na rua arborizada e em segundos o portão da mansão abria-se, seu Ariel abre a porta, ela pega sua bolsa, os documentos e desce.
A casa está um silêncio, só o cheiro que vem da cozinha denuncia que há gente ali, quando vai subir as escadas, Anitta encontra-se descendo.
—Boa noite Emília.
— Oi Anitta.— ela dá mais um passo antes de continuar.— Como vai Vitória?
— Passou o dia no quarto, mas parece melhor, acabei de ir vê-la está dormindo.
— Tudo bem, obrigada, desço na hora do jantar.
Ela sobe os degraus tirando os calçados, Anitta a observa, e sorri ao vê-la fazer a mania que Emília sempre teve e volta ao seus afazeres torcendo para um acerto delas.
Emília chegou ao segundo andar, com passos lentos e sem saber bem o porque, caminha além da porta do seu quarto, chegando ao quarto da mãe, encontra a porta entreaberta, talvez Anitta esqueceu de fechar totalmente, devagar abre, o quarto tem uma luz fraca, suave, por já estar sem saltos, seus passos não é ouvido, chega pertinho da cama da mãe, ela dorme serenamente, a mão machucada para fora da coberta e a outra abaixo do rosto, involuntariamente toca afavelmente a mão que está de fora, por segundos fica assim, e as lembranças a tomam, o quarto parece retroceder e ficou mais claro, ela olha a menina de 7 anos entrar no quarto, camisola branca até os pés, cabelos soltos, os cachinhos cor de mel,fazendo um belo contraste com a veste branca, de súbito ela pulou na cama, acordando seus ocupantes, vê a mãe, mais jovem, abraçar forte a pequena que mais um pesadelo a trouxe para a cama dos pais, uns poucos soluços e logo ela dorme, Vitória a ajeita entre ela e Alberto, lembrar do rosto do pai faz com que ela volte ao presente , o quarto volta a ter a luz suave de antes, ainda segura os dedos da mãe, lembra como era bom acordar entre os dois, tinha vezes em que nem tinha pesadelos, mas ia dormir com eles. Seus olhos já marejados, mas segura o choro, solta-se da mão de Vitória, passa os dedos sobre o rosto de Vitória, então a ouve balbuciar.
—Emília.— foi tão suave, baixinho, mas fez ela parar no meio o toque, seu coração parou, e ficou esperando ela abrir os olhos e ser pega como uma criança travessa, mas não a mãe suspirou e nada mais disse. Emília sai de mansinho, deixa a porta como encontrou e voa para seu quarto, atira os sapatos no chão, a bolsa e os documentos sobre a cama, e vai ao banheiro, necessitava de um banho, afundar a cabeça em baixo da água, não ouvir mais nada que não seja o barulho da água sobre o seu corpo.
Bernardo acaba de sair da clínica, seu pai continua a ter seus momentos depressivos, ele mesmo preferiu ficar internado, seria mais fácil ser cuidado por pessoas experientes, o AVC que ele teve a alguns meses o deixou com uma leve paralisia do lado esquerdo, quando Alberto passou mal e ficou internado, os médicos não tinham lhe dado nenhuma esperança, no máximo uma paralisação permanente de um dos lados, mas seu pai mostrou ser forte como Bernardo jamais viu ser, quando ele acordou, em um primeiro momento o comprometimento de suas funções foi grande, mas após a internação na clínica onde tinha todo o tipo de acompanhamento, tais como nutricionista, psicólogo, fisioterapia, que era o mais importante, onde eram feito os mais variados tipos de exercício, fazendo assim ele ter uma melhora gradativa de seus movimentos, agora ele tinha algo bem pouco visível, já tinham esperanças de não ter quase nada de sequela.
Mas desde a sua conversa onde informou ter encontrado com Emília, ele ficou mais instável, isso o deixou mal, ficou os dois primeiros dia sem falar com ele, Bernardo ia para a clínica e ele ficava em silêncio, ele não aceitava essa aproximação, que não deveria ser assim, mas naquele dia, depois do encontro com Emília no escritório dela, seu pai como adivinhando, já cansado e iria embora quando o pai diz.
— Você sabe que está se metendo onde não deve?— essa forma dele de falar sabia que foi um esforço não só físico, mas emocional — Que pode sair machucado.
— Eu sei, mas é por uma boa causa.
— E que pode não dar em nada.
— Pai se não for assim, não será de outra forma. O senhor não tem só o direito de ver Emília, como tem o dever de se explicar a ela. — Bernardo não consegue se controlar e acaba por dizer. — Ela mais que qualquer um sofre com tudo isso.— ele não espera uma resposta e sai.
Ele caminha pela praia, os pés descalços, esses encontros não tem sido fácil para ele também, principalmente por ver o estado em que Emília fica. Ela tinha uma força grande e uma certa fragilidade que o comove, ele sabe que ela é a única vítima dessa história toda, Bernardo sabia que ela foi criada pelos tios, pensava que ela e a mãe tinham uma boa relação, mas o jeito como ela falou em ser deixada por seus pais, conseguiu sentir a dor que ela carregava, queria mesmo de certo modo poder ajudar, mas ela tinha um pé atrás com ele, precisava ganhar a confiança dela, nem que para isso deveria se intrometer onde não devia, como o pai mesmo disse. Olha para a lua já oculta pelas nuvens, está uma noite linda, não tão linda como a noite em que a viu pela primeira vez. Amanhã será um novo dia, ele queria poder entender um pouco mais Emília, para assim poder ajudar o pai.
Após o jantar, Emília, sobe para o seu quarto, uma papelada grossa a esperava, troca a roupa que veste por seu confortável pijama de seda azul marinho, do qual tanto gostava, senta na cama e começa a analisar os documentos, que nada mais são que rendimentos, gastos, relatórios, a área que se encontra a vinícola, a história da empresa a proposta que sua empresa fez e o contrato da empresa que pretende comprar, começa por um papel, e depois mais outro, faz uma anotação aqui, outra ali, passou algumas horas, quando o cansaço toma conta de si, levanta e sua cama é um mar de papel, e suas anotações transforma-se quase em um bloquinho, muitos erros e dúvidas que achou. Começa a pôr ordem no caos, quando vê uma pasta diferente da demais, ao pegar dá conta se tratar da pasta sobre a investigação sobre Bernardo, deixa ela na mesa de cabeceira e arruma os papéis e coloca na pasta, senta-se na cama e começa a mexer na pasta de Bernardo, há algumas fotos dele ali,como conseguiram isso? Não sabe, tem fotos dele criança, pelo que parece na escola, na faculdade, e em lugares que não sabe dizer, e tem uma foto recente dele, olha a foto com cuidado, aqueles olhos pretos mesmo que sem vida ali no papel, parecem observar ela, como mais cedo no escritório, quando essas cenas querem adentrar sua mente, sacode a cabeça para afugentar eles para longe, volta a mexer na pasta, analisa com mais cuidado cada palavra, Bernardo Boldrin Castellini, claro que usava o nome da mãe, esperto pensou ela, solteiro sem filhos, era mais velho que ela, formou-se com boas notas em administração, notas melhores que a dela, tinha que admitir, lembra do jeito dele em falar que poderia ajudá-la na empresa, presunçoso ela pensa, fica olhando novamente a última foto.
Fecha a pasta e deixa um pouco de lado isso, encosta-se na cama ainda com a pasta sobre o colo e pensa porque ele mexia tanto com ela, não era só pelo fato de ele ser quem era, claro foi por causa do primeiro encontro deles, ele se aproveitou dela, sabia quem ela era e não se revelou, ficou naquele joguinho de sedução ela boba caiu, mas não iria se deixar levar por ele de novo, agora estava vacinada e sabia quem ele era, mas mesmo sem querer, lembra das cenas do hotel, e cansada e embalada por lembranças, acabada dormindo sem perceber.
Acorda no outro dia, com dores por ter dormido toda torta, ao levantar-se a pasta cai, mas não dá importância, precisa de um banho, quem sabe a água quente aliviasse um pouco as dores, ao voltar, já vestida, passa um pouco de maquiagem, volta a cama e junta os papéis que caíram, vê uma foto que não tinha percebido antes, olha com calma, parece ser de uma festa de colégio, o menino Bernardo está na foto de, perfil, o reconheceu pelas fotos anteriores, há um homem de costa mas não consegue ver seu rosto, mas o que chama a atenção é o homem que está de frente, quem ela conhece bem, não pode crer no acreditar no que vê, cai sentada tamanho susto, a confusão em sua cabeça é grande, mas resolve agir, recolhe os papéis, enfiando de qualquer forma na pasta, coloca os sapatos desajeitadamente, e desce escada a baixo, saindo rápido pela porta, não sabe se a mãe está a mesa do café, mas não tem condição de falar com ela neste momento, seu Ariel é pego de surpresa pela patroa, ainda não estava no horário dela sair.
— Dona Emília, bom dia…
— Seu Ariel as chaves.— ele não espera uma resposta e sai. Diz ela estendendo a mão.
— Dona Emília está tudo bem?— ele percebe o quanto ela está transtornada.
— As chaves eu disse…
— Dona Emília a senhora...não parece bem, por favor deixa eu dirigir— ele fala com a voz mais calma que consegue, sabe que pode levar uma bronca ou até ser demitido por falar assim, mas não tem um bom pressentimento— Veja Dona Emília, choveu pela manhã, a pista está escorregadia, por favor.— ele suplicou, sabe que ela dirige bem, mas que não fazia e nem gostava em fazer nos dias de chuva, talvez por causa do acidente com a mãe. Ela pensa um instante, sem dizer nada vai para a porta de trás do veículo, Ariel prontamente abre para ela .Após sentar e receber uma ordem seca de onde deve ir, agradece aos céus por ela ter ouvido ele, o silêncio é pesado, não sabe o que aconteceu, mas fica mais tranquilo por saber onde ela vai.
Ao chegar ele nem espera por ele abrir a porta, desce rápido e abre a porta da casa sem tocar, caminha com passos firmes sobre o piso, fazendo um alto barulho com os saltos. Pegando os dois de surpresa fala alto, colocando a pasta na mesa e pega a foto.
— Posso saber tio o que faz nesta foto com Bernardo adolescente?
Luís não fazia ideia do que responder, a comida que tinha na boca parece não achar o lugar para onde deve ir, com dificuldade engole o alimento, tomando em seguida uma boa porção de suco, sabe que está enrolando. Zilda está vermelha com a cena que vê, há fotos de uma pessoa que desconhece sobre a mesa do café.
— Vamos tio diga, não adianta fingir surpresa — Emília coloca bem a foto em frente a ele e aponta para o tio— Esse é o senhor.
— Emília, eu posso explicar.— ele levanta e vira-se para ela.
— Claro que o senhor pode— ela cruza os braços.
— Quem é Bernardo— Zilda interrompe confusa, o nome não parece estranho.
— Diga tio quem é Bernardo e o que faz com ele, como o conhece, como escondeu isso.
— Zilda Bernardo é filho adotivo de Alberto— ele diz olhando para a esposa e depois olha para a sobrinha — Eu conheço Bernardo porque eu precisava falar com Alberto, nesta foto foi um encontro nosso, precisávamos nos encontrar com urgência e ele estava na escola do menino, fui até lá. — diz antes que perca a coragem, sabia que esse segredo não ficaria para sempre guardado— Sempre soube onde ele estava, tínhamos com regularidade encontros para falar de você, Emília única e exclusivamente sobre você.
Ela caminha, vai da entrada da sala de jantar a mesa, seus pensamentos mais confusos do que chegou, não podia acreditar no que ouvia, por fim para de frente para o tio.
— O senhor sabia onde meu pai estava, conhecia a vida dele, sabia de todo o meu sofrimento e nunca disse nada, como pode tio? Como pode?
— Emília eu não podia…
— Não podia, e por que?
— Seu pai me fez prometer…
— E o senhor preferiu ver todos esses anos eu chorar, clamar por ele, ter pesadelos, o senhor sabendo onde ele estava e mesmo assim não pode por causa de uma promessa.
— Emília eu estava de mãos atadas .
— E eu de coração partido, como conseguiu conviver com tudo isso? Conseguia dormir, comer viver? — ela chora e não poupa palavras para demonstrar o quando aquilo é inaceitável.
— Não foi fácil, eu sei o quanto sofreu, eu também sofria, seu pai sofria.— Luís tenta expor o seu lado, mas sabe que errou, olha para Zilda como quem busca apoio, mas a mulher, está com um semblante tão surpresa quanto a sobrinha.
— Ele sofreu? — em meio às lágrimas ela dá um sorriso, ele sabe que de nervoso— Como alguém que sabe por tudo o que a filha passa, se diz estar sofrendo…
— Minha querida— ele tenta se aproximar, ela dá um passo atrás e olha ferida para ele, que recua por receber esse olhar que ela dava ao ouvir falar da mãe.— Emília seu pai, você tem que ouvir o lado dele, tem que ir vê-lo...
— Ir ver ele? Se ele sempre soube onde eu estava e não quis, por que vou correr atrás dele? — ela olha para cima como quem buscas forças, Zilda fica próxima ao esposo e lhe dá a mão— Meu pai, cada vez menos tenho vontade de ver uma pessoa que age assim, só agora percebo o quanto ele foi covarde.
— Emília...— Zilda enfim diz algo.
— E você tia Zilda tem algo a me dizer também.
— Eu?— ele perguntou espantada, com a mão sobre o peito, soltando-se da mão do Luís e dando uns passos para trás.
— Sim a senhora, falei com Vitória, ela disse algo que estou pensando a algum tempo, queria perguntar, tinha medo, mas depois do que ouvi aqui, nada mais me surpreende.
— E o que sua mãe disse?
— Que não foi de um todo a vontade de me deixar, a questionei, ela falou para perguntar a senhora.
— A mim? — agora é ela quem olha para o marido buscando auxílio, ele aproxima-se dela e segura em sua mão, devem enfrentar o que for preciso juntos, como sempre foi.
— Sim, e por favor não esconda nada, diga porque ela falou dessa forma, se tem algo a dizer, diga agora.
— Diga Zilda, acaba com isso de uma vez, deixamos os segredos de lado, chegou a hora.
— Eu, bom logo depois do acidente de carro de sua mãe, quando você, melhor vocês escaparam por pouco— novamente olha para o esposo e olha para a sobrinha, que mantém um firme olhar sobre ela.— Eu pedi a sua guarda na justiça.
— A senhora fez isso? — nada a preparo para isso, ampara-se na parede às suas costas, antes que as pernas já bambas a deixem cair.
—Sua mãe estava descontrolada, as crises dela estavam maior, a separação com o seu pai fez ela perder o controle e deixar você de lado — Zilda quer tentar encontrar argumentos que justifique seu ato, Emília coloca as mãos sobre os ouvidos— Quase matou você….
— Não diga isso, você não sabe— Emília diz em desespero, pois pensar nisso era uma coisa, mas ouvir alguém falar era como um punhal a machucar sua pele, já nem sabia mais o que pensar— Ninguém sabe quem foi o causador, a senhora mesmo disse, várias e várias vezes.
— Eu não podia mais deixar as coisas daquele jeito, eu precisava ajudar você, sua mãe.
— Tia a senhora deixou eu pensar todos esses anos que minha mãe não me quis, me deixou pensar que ela me abandonou, fez com que eu a odiasse por isso…
— Eu não queria que você pensasse dessa forma…
— Mas nunca disse que foi a senhora quem me tirou dela, que foi a senhora quem deu o primeiro passo— Emília tenta controlar o desespero que a corrói, limpa o rosto— Sua atitude pode ter sido boa, mas foi apagada ao esconder isso. — ela começa a recolher as coisa de cima da mesa, fazer algo prático sempre faz com que controle suas emoções.
— Minha querida me perdoe, por favor…— Zilda segura no braço da sobrinha que repele o gesto, finalizando pegando a última foto, onde tem o tio e entrega a ele.
— Fique com essa lembrança.
— Emília não faça assim, precisamos conversar.
— Vocês tiveram todos esses anos para ter essa conversa, escolheram ficar e assistir calados por tudo o que passei — mesmo tentando manter o controle, ver eles ali juntos, com o olhar tão devastado quanto o dela, não segura as lágrimas e com a voz embargada finaliza — Eu não... não sei se quero ter nesse momento contato com gente assim, que escondem a verdade.— ela lança um olhar para os dois, que Zilda jamais viu, e se retira.
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