Vitória acordou um pouco mais disposta, o dia anterior ela passou no quarto, entre a dor do corte da mão e o desgaste emocional, não tinha visto nem falado com a filha, mas teve a sensação de ter ela por perto, talvez tenha sonhado com ela, ficou um tempo ainda deitada pensando sobre o que deveria fazer, resolveu deixar as coisas como estão dar um passo de cada vez, quer ver qual vai ser o próximo passo da filha, levantou-se e depois de fazer sua higiene, trocar de roupa, ela desce.

—Bom dia Anitta.

— Bom dia dona Vitória, como a senhora está se sentindo hoje?— a empregada pergunta quando a senhora senta-se à mesa, tinha simpatizado muito com ela.

— Estou bem minha querida, muito obrigada por seus cuidados ontem.— diz vitória pegando na mão da moça e fazendo um afago.

— Não tem por que agradecer, além de fazer com gosto, dona Emília quem pediu para ficar atenta a senhora— Anitta diz uma meia verdade, mas era por uma boa causa, os olhos brilhantes da senhora a deixam emocionada e com a certeza de estar fazendo o certo.

— Ela pediu isso— Vitória sente o coração pulsar ao ouvir que a filha se preocupava com ela.

— Sim ela pediu...— Anitta iria dizer mais, mas foi interrompida pelo telefone.

Vitória reflete sobre aquilo que Anitta diz, e faz os temores que tinha, de que a sua volta não estava fazendo sentido nenhum, desaparecerem, fica mais tranquila, a moça a chama dizendo que o telefonema era para ela, Luís pediu que ela fosse até a casa deles, era urgente, não disse nada mais e desligou, isso a preocupa, será que tinha acontecido algo a Zilda, mas se fosse ele teria dito algo, ela termina o seu café e sobe para trocar de roupa.



Ao sair da casa dos tios, Emília sente perder o chão sob seus pés, jamais iria imaginar que seu tio soubesse onde estava seu pai, mas o pior era ter a certeza que seu pai não a procurou por que não quis, ao descer as escadarias da mansão por pouco não cai, graças a rapidez de Ariel, que a ampara.

— Dona Emília tudo bem?— ele perguntou cuidadoso e segura em seu braço.

— Não, não está nada bem. — as lágrimas não param de rolar, percebe que ele a olha confuso, tenta se recompor, limpando um pouco o rosto e tentando caminhar até o carro, Ariel auxilia a caminhada dela, ainda segurando em seu braço.

—Não há o que se desculpar, seu eu puder de alguma forma ajudá-la.

— Eu só preciso sair daqui.

— Sim claro— ele abre a porta do carro para ela entrar, assume o seu lugar na direção, não sabia o que tinha acontecido na casa, mas em todos esses anos ele nunca a viu assim, perder o controle emocional,— Para onde a senhora deseja ir? Para casa?

— Não, por favor para a empresa.— ela percebe pelo vidro retrovisor que ele a olha com dúvida, que ele sente pena por vê-la desse jeito— Seu Ariel, não há melhor lugar para mim neste momento— ele apenas consenti com a cabeça e põe o carro em movimento, não vê outro lugar para ir e nem outra coisa para fazer do que ir para a empresa, não tem condições nenhuma de pensar em tudo o que descobriu, sente que vai enlouquecer se parar para pensar, que seu mundo por menos perfeito que era, estava se esvaindo, tudo e todos em quem podia confiar de alguma forma a traíram, guardam segredos ou a deixaram, a começar pelo pai e a mãe que são os maiores culpados de tudo, os tios que omitiram fatos que poderiam mudar as coisas, e por fim Bernardo que chegou do nada, sabendo quase tudo e tão rápido como veio a conquistando, levou um pouco de sua confiança, juntou todas as forças que ainda tinha para levar aquele dia adiante, Ariel a chama dizendo que já estão na Beraldini. Ao chegar em frente a sua sala, Carola já a espera.

— Bom dia dona Emília.

— Bom dia Carola, marcou a reunião com os diretores? — no meio do caminho ela tinha pedido à secretaria para marcar tal reunião.

— Sim, daqui a uma hora.

— Obrigada Carola— a moça alcança umas pastas para ela, Emília vai entrando na sua sala .

— Dona Emília o senhor...— mas a secretária não tem tempo de terminar, Emília toma um susto e grita.

—Mas o que você faz na minha sala?— Bernardo encontra-se ali, sentado na poltrona de frente a mesa dela, quem ela menos queria encontrar neste momento. —Carola você pode me explicar o que está acontecendo?

— Ela não tem culpa de nada eu insisti, insisti muito…— ele levanta de seu lugar, vai até ela tentando se explicar.

—Não importa o quanto você pediu —ela estava furiosa por tamanha ousadia dele— Ela tem ordens de não deixar ninguém entrar, ainda mais um desconhecido.

— Dona Emília eu pedi para ele não entrar, em uma distração minha ele entrou aqui…

— E por que não chamou os seguranças?— Emília está incrédula com a cara de pau de Bernardo, está enraivecida — Vamos Carola me diga?

— Dona Emília...— a moça já tem os olhos marejados, sabendo da possível punição por tamanha burrada

— Você está...—ela começa a falar, mas Bernardo a corta.

—Emília por favor não faça isso— Bernardo está ao lado dela e segura em seu braço, sente ela fria, parecia nervosa, olhando-a de perto via traços de que andou chorando— Só eu tenho culpa, então jogue em cima de mim tudo o que está sentindo…

— Solta o meu braço— ela dá um puxão em seu braço para tirar da mão dele, e fica olhando para Bernardo, ela sentia que ele parecia querer falar algo mais, faz- se um silêncio na sala, só o barulho do telefone na mesa de Carola se faz presente, Emília olha para a moça — Vá atender o telefone, depois conversamos. —Emília sai de perto dele, e senta em seu lugar.— O que você veio fazer aqui?

— E vim para fazer parte da empresa, para ajudar.

— E tinha que ficar na minha sala?— ela diz sem olhar para ele, arrumando suas coisas sobre a mesa, Bernardo coça a barba pensativo, sentia ter algo no ar.

— Está tudo bem? —diz ficando mais próximo de onde ela está.

— Sim— ela ainda não o olha.— Bom vou pedir a alguém para mostrar a você a empresa.

— Esse alguém não pode ser você?— ele chega um pouco mais perto— Seria a melhor vista que eu poderia ter, a da dona da empresa.

—Eu tenho mais o que fazer e com o que me preocupar.

— Estou vendo, desde que cheguei mexe nos mesmo papéis— ele sorri, ela não consegue não sorrir de volta, mas não é um sorriso de alegria é um sorriso de sarcasmo— Um sorriso, até que enfim— ele diz irônico e levanta as mãos para o alto como quem agradece aos céus.

—Deixa de bobagem, e não posso, tenho uma reunião logo mais, preciso estar preparada.

— Então vou ter minha primeira reunião?— ele diz empolgado, Emília ergue as sobrancelhas para ele.

— Você não precisa participar.

—Como não? Falei que queria ajudar, estou aqui para isso.

— Mas não precisa mesmo.

— Mas vou.

— Faça como quiser—finaliza com indiferença mais para por fim aquele debate bobo, ela pega o telefone, fala para Carola chamar uma pessoa.— Já pedi para alguém vir, depois ele levará você até a sala de reuniões.

— Obrigado.— ele fica olhando para ela, tentando ver através dos olhos dela.

— O que foi, porque me olha assim?

— O que você tem?— ele senta de frente a ela, que passa os dedos nas têmporas, fazendo uma leve massagem, prenúncio que uma dor de cabeça estava se aproximando, ele segura na mão dela, que continuava fria.— Diga Emília.

— Não está acontecendo nada.— ele aperta a mão dela mais firme, e olha em seus olhos, esses olhares dele sempre mexia e muito com ela— Eu….e — ele agora fazia um leve carinho, isso estava a desarmando, mas em um relance ela vê na pilha a sua frente a pasta com a investigação sobre ele e Bernardo pra ajudar ainda completa.

— Confia em mim. — ela estava quase cedendo, mas quando ouve isso tira com rapidez a sua mão e levanta da cadeira, movimento que Bernardo acompanha, confiar era tudo que não podia nesse momento.

— Como posso? Se você assim como outras pessoas quebra a pouca confiança que tenho nos outros….— ela iria dizer mais, só que alguém bate a porta, era o funcionário que iria mostrar a empresa para Bernardo.— Por favor Olavo acompanha o senhor Bernardo a um tour pela Beraldini, logo mais teremos reunião, veja com Carola o horário e leve ele a sala de reuniões, obrigada— ela senta de novo, põe os óculos e pega uma das pastas a sua frente, ele ainda a olha, mas acompanha o moço, fechando a porta ao sair.

Emília faz o máximo de esforço para não pensar em tudo o que está acontecendo, foca sua atenção em coisas práticas e que pode resolver, analisa os documentos que Carola trouxe, faz anotações para a reunião de logo mais, momentos depois alguém bate a porta era a secretária avisando que tudo e todos já estava pronto para começar a reunião.



—Você não podia ter escondido de mim isso Luís, Você saber de Alberto.

— Zilda eu sinto muito, mas eu precisava falar com ele sobre a empresa, tinha negociações que só ele sabia, contatos e tudo mais, antes de Vitória ficar a frente da empresa, a responsabilidada foi minha e eu não tinha controle de nada.— eles estão na sala de estar, Zilda tem os olhos vermelhos de tanto chorar, ele nervoso com tudo o que ocorreu, tenta da melhor forma possível se explicar, o que não era uma tarefa fácil.

— E como você o encontrou?

— Quando ainda estávamos na Europa, você e Emília ficaram lá e eu tinha que ir e voltar para cuidar da Beraldini, entre muitos contatos e um bom tempo eu consegui.

— Nós temos que falar com Vitória, e terá que ser ainda hoje.— ela levanta.

— Zilda me desculpa, por favor —ele pede com um olhar de súplica.

—Não neste momento— ela vai até o telefone, ignorando o olhar que ele lançou a ela e leva para o marido o telefone— Você é quem vai dizer isso a ela.



Vitória permanece sentada após o relato da irmã sobre tudo que aconteceu naquela manhã, as descobertas que Emília fez.

—Como você pode Luís? Saber e ter contato com Alberto e não contar a ninguém, principalmente a Emília— ela não sabe se fica mais triste pela filha ou por ela mesma, ouvir sobre Alberto era sempre difícil..

— Eu perdi o contato com ele a alguns anos…

— Como se isso fosse justificar...

— E o que você queria Vitória, que eu fosse até você e dissesse que eu achei ele, para que?— ele a questiona.

— A mim não, você deveria ter dito isso a Emília. Alberto sempre foi um covarde e não fico admirada de ele não querer aparecer para a filha. Mas você estava cuidando dela, quantas vezes a ouviu dizer que ela o tinha como um pai.

— Eu sei disso não precisa ficar me dizendo— ele estava perdendo a paciência com ela, como se ele fosse o único culpado de tudo o que aconteceu a sobrinha.

— Pensa em como ela deve estar se sentindo por descobrir isso de você, aliás de vocês, a quem ela confiava cegamente.

— Sim confiava em mim e Luís porquê de você ela não esperava mais nada— Zilda sabe que isso machucará a irmã.

— Talvez se você não tivesse pedido a guarda dela isso não teria acontecido— rebate Vitória aproximando-se de Zilda.

— Se você não houvesse perdido o seu autocontrole e andando descontrolada por aí, vivendo de remédios — Zilda grita para a irmã, que a segura pelos ombros.

— Você teve inveja de mim, de minha filha, confessa que era isso que sempre quis, Emília para você.— ela sacode a irmã em seus braços, Luís intervém separando-as antes que o pior acontecesse, se põe entre elas.

— Claro que sabemos como Emília está se sentindo, ela esteve com nós todos esse anos— Luís olha de uma para a outra— Eu sei como Emília deve estar se sentindo, traída, apunhalada, ferida, que deve estar juntando todas as forças que tem para seguir adiante, sei de tudo isso, daria tudo para trocar de lugar com ela, mas não errei sozinho, todos nós erramos, escondemos algo e falhamos com ela, não adianta brigar agora que não levará a lugar nenhum— ele percebe como isso ofende elas, mas não via outro modo de elas pararem um pouco com as acusações entre si, entre eles. Zilda senta no sofá, Vitória assim como ele permanece de pé, Luís olha para a cunhada.—Chamamos você aqui para que soubesse o que estava acontecendo, que esteja preparada, que talvez Emília esteja fragilizada e precise de algum apoio ou esteja revoltada e jogue sobre você a raiva que tem.

— E você sabe onde ela está?— Vitória pergunta depois de um longo silêncio entre eles.

— Na empresa, liguei para lá, estava indo para uma reunião.— Luís responde.

— Como ela consegue?

— É a única coisa em que ela pode se agarrar agora.— Zilda enfim diz e sai da sala rumo ao quarto.



— Então para finalizar quero falar sobre a vinícola Ventura da serra gaúcha— Diz Emília na reunião que achou que seria breve, mas devido a entrada conturbada de Bernardo na empresa e na sala, onde entrou sentando no lugar que era dela, teve que fazer a apresentação formal dele aos demais diretores, tendo que conter o desgosto de falar do pai.

— Achei que já estava pré fechada a compra, faltava só a sua visita a região— diz Felipe um dos diretores mais antigo da empresa, ainda do tempo de seu pai.

— Também achei, mas ao analisar a papelada ontem, vi muitos erros e discordâncias nos relatórios— ela alcança papéis que a assistente distribui entre a diretoria — Como vocês podem ver.— ela olha para Bernardo e o vê compenetrado, nem parece a mesma pessoa.

— Então o que pretende Emília, desistir da compra?— questiona outro diretor.

— Não, pretendo ir até lá e ver de perto tudo, conversar olho no olho, enfim como vocês sabem que gosto de fazer.

— E quando você pretende viajar? Fim do mês?

— Será um tempo longo demais para manter a negociação em aberto.

— Eu sei, senhores pretendo ir amanhã à noite para BellaRosa, cidade da vinícola.— ela diz acabando com o burburinho que começa na sala.

— Mas Emília é um tempo apertado para ajeitar a agenda, a minha e a sua, designar nossas funções para o pessoal, Pedro está fora e...— Felipe diz isso pois era ele quem a acompanhava ela nas viagens após a saída de Luís e Pedro ficava encarregado da Beraldini.

— Eu sei por isso eu vou e você fica aqui tomando conta da matriz. — ela fala

—Mas Emília não é bom você ir só, tem muitas coisas …

— Sem falar que precisa de assessoria e tudo mais…

— Senhores, senhores— ela diz mais alto cortando novamente o barulho que recomeça. —Essa não será a primeira nem a última viagem que faço sozinha— diz firme, eles sabem que a decisão está tomada, ela vê Bernardo de mão erguida como um estudante em sala de aula.— Pois não Bernardo.

— Eu poderia fazer essa viagem com você— todos os olhos se viram para ele, por causa da inesperada fala e que não deixava de ser uma afronta a decisão da dona da empresa.

— Não precisa, você mal chegou à empresa…— ela diz sem jeito.

— Uma boa forma de eu ficar por dentro dos assuntos da empresa…— Bernardo tem um sorriso maroto nos lábios.

— Mas você não está familiarizado com a negociação. — ela rebate ele, olhando séria.

— Sem problemas nada que esses relatórios não ajudem.— Bernardo balança os papéis na mão,os olhos da diretoria vai de um a outro.— E será um bom começo.

— Não há por que você se deslocar, eu consigo sozinha diz ela.

— Eu sei que sim, seria mais um suporte para você e uma forma de aprender mais rápido.— Bernardo insiste sem tirar os olhos dela, e agora Emília percebe o que Carola teve que passar mais cedo.

— Bernardo ...— ela já estava ficando constrangida.

—Emília seria uma boa, estou velho para viagens, Pedro está fora, vamos tentar — Felipe tenta amenizar, todos os olhares se voltam para ela.

— Sim vamos— ela diz para dar o assunto por encerrado e fugir daqueles olhares, Bernardo ia pagar caro por colocá-la nessa situação— Vou falar com Carola para agilizar tudo, se não há nada mais, reunião encerrada.

Todos se levantam e saem, Emília levanta para ir para sua sala, ele se coloca ao lado dela.

— O que quer Bernardo? Já não consegui o que queria?

— Se é tão ruim para você ir comigo, eu não vou.

— Depois desse papelão na frente da diretoria claro que você vai.— Sem esperar uma resposta ela vai para a sua sala, para na mesa da secretária— Carola preciso que agilize uma viagem para BellaRosa, ligue para a vinícola Ventura informe da nossa ida.

—A senhora e o senhor Felipe?— diz a moça anotando o que a patroa fala.

— Não, eu o senhor Bernardo— a moça ergueu o olhar para Emília, que diz rapidamente para fugir de mais um olhar —Para amanhã a viagem, você sabe do que preciso, obrigada.

Ela entra na sala e fecha a porta não dando tempo para Bernardo entrar. A dor de cabeça que vinha sentido devagar a pega com tudo, interfona para Carola pedindo para providenciar seu almoço, e não queria ser interrompida por ninguém, iria deixar os documentos em ordem para a viagem, que normalmente tinha dia para começar sem data de volta e ainda terá mais Bernardo, mas é mais uma das coisas que ela não quer pensar, não nesse momento. pega a pilha de papel e foca toda a sua atenção.



Já está anoitecendo quando coloca os pés dentro de casa, a dor de cabeça foi a sua grande companheira, indo e voltando durante o dia, se assusta ao ver seu rosto no espelho na entrada da casa, vai em direção as escadas, mas nem tem tempo de subir, ouve uma voz chamando por ela.

— Emília pode vir até aqui um pouco, por favor?— era a mãe quem a chamava, durante todo esse longo dia, tentou esquecer que ela estava ali, mas era impossível, sabe que poderia tentar afundar seus pensamentos, evitar Bernardo e os tios, definitivamente não pensar no pai e na covardia dele em não querer saber dela, mas sabia que não escaparia de uma conversa com a mãe, que a essa altura já deveria saber de tudo o que aconteceu, e que deve estar se sentindo vitoriosa como o nome dela sugere, com passos lentos ela vai até a sala de estar.

— Oi — ela fala tímida, a mãe está sentada no sofá com um embrulho sobre o colo, não tem o ar de superioridade que achou que ela teria.

— Senta aqui um pouquinho, por favor— Vitoria aponta a poltrona a sua frente, percebe o quanto o rosto da filha está abatido, e isso corta o seu coração, tem vontade de ir até ela, e pegá-la no colo, mesmo ela já não sendo a muito tempo uma criança.

— Eu estou muito cansada.— ela tentar controlar a emoção, — Podemos deixar para amanhã?

— Eu sei —ela diz de uma forma tão suave que faz Emília se desarmar.— Sei que o dia foi bem difícil pra você, prometo não demorar.— Emília sabe bem o que ela quer dizer, então cede e senta.

— Eu no momento não tenho condições de falar sobre tudo o que passou.

— Tudo bem, tudo bem— Vitória que deixar claro não querer pressioná-la— Quando você quiser conversar estarei aqui, sei que estive ausente durante muito tempo, e peço quantas vezes for necessário perdão a você, mas prometo estar aqui, eu sei que irá viajar amanhã, vi Anitta arrumando as suas malas — a mãe respira um pouco como quem também controla suas emoções, Emília só escuta — Será bom esse tempo para você, para todos nós.— então ela levanta e deposita o embrulho no colo da filha — Quero que você leve isso contigo, se quiser, boa noite— ela dá um beijo no topo da cabeça da filha e sai da sala, deixando a filha com a cabeça, os sentimentos e o coração mais confuso do que quando ela chegou em casa.