O Passado Nos Condena
15 Além de Nós Dois
Notas iniciais
Naquela noite Alice voltou para casa de cabeça baixa tentando passar despercebido pelos os olhares atentos e curiosos de sua família e ela conseguiu, lutando contra a dor e fingindo estar tudo em seu devido lugar ela passou pela sala onde Esme e Carlisle estavam abraçados assistindo TV e Riley apenas digitava algo no celular. Tentou manter o sorriso no rosto até mesmo quando uma fisgada forte lhe bateu em seu abdômen.
Quando chegou em seu quarto o trancou e despindo-se em frente ao espelho pôde ver o horror que seu corpo se encontrava. Marcas roxas estavam espalhadas em seu corpo sem piedade e tudo o que ela queria era sumir assim como aquelas marcas sumiriam algum dia.
***
Durante aqueles dias ela evitou James por dias até a festa de ano novo ela pôde apreciar sozinha, com sua família e ao lado de Jasper mesmo tentando manter-se obrigatoriamente longe.
Ela adorou cada minuto ao lado dele, matou a saudade que sentia de seu toque e a carícia que ele fazia em suas bochechas. Sentiu-se feliz quando ele a tirou para dançar novamente. Lembrou-se de sua juventude e de quanto se sentia bem ao lado daquele homem. O assunto era interminável e as mães de ambos sentiram e tinham certeza que algo acontecia ali, algo especial e grandioso que nenhum dos dois conseguia conter.
No momento da queima dos fogos com a distração de todos ali presentes Jasper puxou Alice para um canto mais reservado e lhe disse, disse tudo o que estava preso em sua garganta, tudo aquilo movido pela motivação que sua mãe lhe dera para buscar por sua felicidade. Alice ouviu atentamente cada palavra, anestesiada não conseguiu se desvencilhar do beijo caloroso, havia gostado e ansiava por mais, ela não saiu de perto dele em momento algum eles apenas permaneceram ali enquanto todos apenas gritavam e comemoravam á metros de distância dali.
No dia seguinte de manhã Alice acordou como se estivesse vivendo um sonho, tocando seus lábios pôde sentir a carícia do beijo novamente tudo aquilo era real, era tão real que sua felicidade foi desmanchada assim que viu na tela de seu celular mensagens de James. O pânico lhe bateu em seu estômago e novamente ela queria se refugiar onde ninguém e tão menos James lhe encontrasse.
Mas no mesmo momento uma mensagem de Jasper chegou, animando-a e preocupando-a ao mesmo tempo, estava envolvendo Jasper na caça de James, colocando a vida dele e de seu filho por causa de um erro seu.
“Queria que nossos beijos fossem constantes e olhar para o lado de minha cama e lhe ver toda manhã aqui comigo.”
Aquela mensagem alegrou o coração de Alice e ao mesmo tempo o destruiu, pois sabia, sabia que mesmo que quisesse havia um fantasma que lhe assombraria por toda a eternidade. Apagou a mensagem de seu celular e tratou de responder o mais breve possível.
“Desculpe-me, não posso continuar com isso, é uma loucura.”
Jasper no sofá da sala de sua mãe lia aquela mensagem incessantemente sem entender. Contou para sua mãe o que Alice havia lhe enviado, estava tão louco de amor que não conseguia mais entender por si só a mente de Alice naquele momento.
– Ela está em conflito meu filho. Dê-lhe um tempo, mas não desista dela, ela é a nora que qualquer mãe pediria a Deus para seu filho. – Dália passou a mão no cabelo do filho enquanto tomava mais um gole de seu café.
– Eu estou tão perdido quanto ela.
– Não meu filho, você não está. Ela terá que dizer adeus ao noivo, voltar para um romance do passado que deu errado e ainda lidar com o que as pessoas irão dizer sobre isso.
– É, mas se ela quiser nos mudamos para NYC tenho minha casa, minha empresa e podemos vir somente quando ela quiser. Eu desistiria de tudo isso por ela.
– Ela também irá desistir de tudo isso por você, se realmente valer a pena.
– Às vezes acho que não valo mais a pena para ela. Mas ao mesmo tempo sinto que ela me ama tão intensamente como quando éramos jovens.
– E você meu filho? A ama da mesma maneira?
– Não. Eu a amo muito mais do que antes.
Novamente ele olhou para aquela mensagem, seu coração estava apertado, porém tinha que fazer tudo do jeito correto ou caso contrario a perderia novamente.
“Sei que está confusa e lhe darei um tempo, mas quero que pense bem, eu te amo e não quero lhe perder novamente.”
Há quilômetros Alice se continha. Se ele soubesse o quanto ela queria apenas dizer que sim, que queria voltar para os braços dele novamente e sentir-se segura, mas as consequências seriam grandes demais.
“Estou prestes a me casar e não posso ficar nesse jogo.”
“Esse casamento vale a pena, é sua felicidade?” – Ele perguntou não se contendo mais, mas se arrependeu, pois temia que ela dissesse que sim.
“Você não entende...”.
As lágrimas não paravam de rolar pelo rosto de Alice, não esse casamento nunca valeria sua felicidade, se pudesse estaria ao lado de Jasper neste exato momento, desistiria de tudo por ele. Mas não tinha como, agora seria impossível, seria perigoso.
***
Mais tarde, não contente com a resposta Jasper marcou um encontro com Riley, em um café ali perto eles se encontraram.
– Então meu ex-cunhado predileto o que você tem para se queixar?
– Do seu novo cunhado. – Jasper disse enquanto tirava o cachecol e observava a menina pegar o seu copo de água. – Vai beber apenas água?
– Não te informaram não é?
– Do que?
– Tenho diabetes, tipo 1.
– Oh me desculpe.
– Está tudo bem, já me acostumei. Mas então... O foco era James o que ele te fez?
– Bem... A princípio está casando com sua irmã. – Riley sorriu do sarcasmo de Jasper e esse era um dos grandes motivos para ela gostar tanto dele. – E segundo que ele não é flor que se cheire.
– Até que enfim alguém percebeu isso além de mim. Venho dizendo isso desde o primeiro dia que o vi, mas todos acham que é implicância minha.
A menina se queixou revirando os olhos e bufando baixinho, enquanto fazia desenhos circulares sobre a mesa.
– Você pode me manter atualizado?
– Claro ele chegou aqui... – Riley contou desde o primeiro dia em que Alice e James se conheceram e até as mudanças de comportamento da irmã nos últimos dias. – Agora ela está parecendo uma lunática, feito hoje, queria saber o que está acontecendo.
– Bom, se eu te contar promete manter em segredo?
– Claro para quem... Ai meu Deus vocês...
– Nos beijamos, ontem. E no almoço de natal na casa dos meus pais. Alice deixou claro que ela ainda sente algo por mim, ela nem ao menos tentou resistir ou algo do gênero, mas ela ainda insiste em não desfazer o noivado.
– Estranho... Ela te disse o motivo?
– Apenas disse que... Não sei se devo te contar.
– Vamos... Você quer ajuda ou não?
– Certo, ela disse que está grávida. – Ele soltou de uma vez e logo depois bebeu seu café, mesmo desejando que naquele copo tivesse uma boa dose de whisky. – Eu perdi o chão quando ela disse isso.
– É impossível. – Riley disse para si mesma. Tentou lembrar de algum sinal de gravidez em Alice, ela não estava comendo demais, não tinha enjoos, não andava inchada ou reclamando de dores no corpo, então, teria que descobrir sobre isso. – Vou tentar saber de alguma coisa, ela não falou nada sobre isso em casa.
– Será que ela está mentindo? Ela não faria uma coisa dessas. – Jasper olhou incrédulo para Riley.
– Você não conhece a Alice mais Jasper. Ela sofreu uma lavagem cerebral depois que o James chegou.
Ambos se mantiveram em silêncio por aquele instante, Jasper refletia e se perguntava o que levaria Alice a mentir? Ama mesmo James? Não conseguia enxergar sintonia entre os dois ele era muito...
– Ciumento. – Jasper disse junto ao estalo de aparição desta palavra em seu cérebro. – Ele é extremamente ciumento com a Alice, eu vi isso no jantar da véspera de natal. Nós estávamos conversando no lado de fora e ele nos interrompeu, logo em seguida parei na janela para ver o que ele faria e ele segurou forte o braço de Alice.
– Te surpreenderia se eu dissesse que não a primeira vez que ele faz isso?
– O que?
– Quando eles saíram pela primeira vez eu vi um roxo no pulso de Alice, perguntei se havia sido ele e ela veio com um papo louco de ter caído, mas não acreditei, nós brigamos e nossos pais acham desde este dia que eu implico a toa com James.
– Covarde. Temos que falar com Alice. – Jasper se aprontava, mas foi interrompido por Riley.
– É melhor não fazer nada.
– Ela é sua irmã Riley, não está preocupada?
– Mais do que você imagina, mas já tentei conversar e até mesmo ameaça-la, mas não adiantou. Ela está cega ou... O James está ameaçando-a. Emmett me disse uma vez que o pai dele e de Alice ameaçava a mamãe pra ela não contar para ninguém das agressões.
– Temos que avisar a polícia.
– Agora não, ele pode ser mais esperto que nós. Vou tentar ver qual é a dele e ver o que ele anda fazendo, você fica longe e vai me ajudar só quando eu pedir.
– Mas...
– Eu sou irmã da Alice posso me manter por perto, você é o ex namorado no qual ele não gosta de vê-lo por perto, eu te mantenho informado.
– Tudo bem, você tem razão, mas quero notícias 24h por dia.
– Sim senhor. – Ela concordou e até abriria um sorriso, mas a situação não era de assuntos agradáveis e sim sobre sua irmã estar sendo ameaçada por um covarde que lhe agride. James iria pagar pelo o que estava fazendo e Riley faria isso com a ajuda de Jasper ou não.
***
Mais tarde quando a jovem voltou para casa não encontrou Alice e sim Josh sentado no sofá de sua sala, sentiu algo inquieto dentro de si, pensou que ele não viria mesmo ou que já até havia se esquecido dela, mas ele estava ali. Por um momento uma ideia de termino passou pela sua mente deixando-a ainda mais desesperada.
– Oi meu amor.
Mas aquelas palavras bastaram para saber que ainda estavam juntos, aquele seu sorriso estava ainda mais perfeito, ela não sabia se era pelo tempo que não se viam ou se era por estar aliviada por vê-lo.
– Josh. – Ela correu de encontro a ele e o beijo foi inevitável e ao mesmo tempo interrompido por um pigarrear logo adiante na sala de um homem muito sério, mas o abraço, ele não precisava ser desfeito.
Logo Esme chamou a atenção de Carlisle, mesmo que Riley fosse nova ela tinha o direito de namorar, eram jovens entendia o lado deles, mas ela era mãe e entendia a preocupação de Carlisle.
– Mãe onde Alice está?
– James veio aqui agora a pouco, foram para casa dele.
– Hum. – A menina disse não satisfeita. – Podemos sair? – Ela perguntou para os pais e Josh ao mesmo tempo e quando ambos concordaram saíram feito foguetes pela porta. Josh agora tinha um carro, presente do pai, que achava perigoso demais que ele andasse de moto.
– Hei calma, essa pressa toda é para que?
– Me leve na casa de James?
– Sua irmã está bem?
– Te conto no caminho.
Durante o percurso a casa de James ela esclareceu tudo ao Josh que já sabia de algumas suspeitas que sua namorada tinha sobre James, porém não imaginava que seria a esse ponto. A princípio ele achou exagerado demais tudo isso, mas ele a apoiava e isso importava para ela. Eles pararam o carro duas ruas acima da casa de James e caminharam o restante até que a enorme casa estava ali logo a sua frente.
– Como eu queria conseguir invadir esse lugar.
– Você não é normal sabia?
– Isso te incomoda? – Ela perguntou com um sorriso nos lábios.
– Nem um pouquinho. – Ele sorriu de tal forma que não continha apenas felicidade, mas sim um pouco de malícia. E Riley percebeu isso e sentiu um pouco de vergonha, porém pensou na hipótese. – Certo o que vamos fazer agora?
– Esperar. O carro dele está aqui, vou deixar a câmera do meu celular pronta para qualquer movimento suspeito. Você poderia fazer o mesmo caso eu perca alguma coisa?
– Sim, claro. – Josh tirou o celular do bolso. – Sabe estou me sentindo no filme de investigação. Isso tudo parece história de novela.
– Se eu não conhecesse a história da minha mãe também duvidaria. – A menina disse concentrada na entrada da casa.
– Como assim?
– Minha mãe era espancada pelo ex-marido. Ele também batia nos meus irmãos, um dia ele bateu tanto nos meus irmãos que minha mãe ficou com medo e fugiu, veio para Forks e conheceu meu pai.
– Nossa não sabia disso.
– É quase ninguém sabe. Apenas acham que minha mãe é divorciada. – Ele passou a mão nos cabelos dela contendo a imagem do sorriso fraternal que ela continha no rosto. O encanto entre o jovem casal se desfez quando ouviram um barulho de porta de abrindo, eles se esconderam atrás dos arbustos que havia perto da grade da casa. Riley tirava fotos enquanto Josh filmava tudo. James e Alice saíram da casa e em uma tentativa de beijá-la ela virou a cara, ele disse algumas coisas que não conseguiram ouvir de onde estavam, mas pela cara dele não era nada bom.
Nada além daquilo conseguiram registrar, James fingia bem em público esse era um grande problema. Riley ficou irritada teria que apelar para algo mais forte.
– Você já invadiu muitas casas?
– Não me diga que quer tentar ser presa. – Ele olhou preocupado.
– Temos que tentar Josh, por favor.
– Está bem, mas saiba que se der errado seu pai vai acabar comigo e pode desistir do nosso namoro que ele não vai deixar mais.
– Vou arriscar... Mas saiba que se isso acontecesse eu fugiria com você. – Ela piscou para ele e o deixou mais aliviado.
Caminharam pela longa grade tentando ver como fariam isso, mas não tinha como era tudo muito seguro, cheio de câmeras na porta de entrada e nas laterais redirecionadas para as janelas e sem contar o sistema de alarme.
– Não tem como. – Ela disse desistindo da luta. – Como vou conseguir provas para colocar James longe da minha irmã?
– Quanto tempo falta para o casamento?
– Um pouco mais de um mês. Mas não posso esperar até lá.
– Continue tentando achar provas enquanto ele estiver fora de casa, mas se precisar de provas de dentro daquela casa. – Ele apontou para a imensa mansão logo a frente de ambos. – Você terá que esperar pelo casamento.
A menina suspirou desanimada, com o olhar triste, queria ajudar a irmã e não estava conseguindo, já sentiu raiva, angústia, temor agora a única coisa que restava era manter a esperança de conseguir. Algumas lágrimas deslizaram em seu rosto.
– Tenho medo de perdê-la Josh. Alice está em perigo e... Não quero perder minha irmã.
– Shh... Vai ficar tudo bem. Sei que não é a mesma coisa quando estou aqui com você, mas pode me ligar todos os dias que precisar. – Ele a puxou para mais perto a abraçando fortemente.
Mais tarde já estavam todos em casa, Riley foi até o quarto da irmã, queria conversar com ela, mas Alice já estava dormindo, ela sentou-se ao lado da irmã, ia para acariciar o seu cabelo, mas algo lhe chamou a atenção, subiu a manga da blusa de Alice devagar tentando não acordá-la e depois dela se remexer um pouco ali estava à prova que Riley tanto queria. Pegou seu celular e rapidamente tirou uma foto e o escondeu de novo no bolso da calça antes que Alice pudesse vê-lo.
– Aconteceu alguma coisa? – Alice perguntou sem saber do que realmente acontecia ali.
– Não, nada apenas pensei que você estava acordada eu vou deixar você dormir.
– Se quiser conversar pode falar. – Alice continuou deitada tentando evitar as dores.
– Você deve estar cansada, amanhã conversamos pode dormir. – Riley sorriu para a irmã e ela devolveu com um mesmo sorriso caloroso.
– Tem certeza?
– Sim, é bobagem apenas... Deixa para amanhã está bem?! Boa noite. – A menina disse já fechando a porta, mas sentiu que devia dizer algo para sua irmã, aquilo não estava contendo dentro de si, voltou a abrir a porta e foi para perto de sua irmã. Alice sentou-se na cama e no mesmo momento recebeu um abraço. – Eu te amo.
– Eu também te amo Riley... Mas o que foi? Aconteceu alguma coisa?
– Não. – A menina não conseguiu conter as lágrimas. – Eu apenas estou sentindo falta de você. – Ela disse com um tom de voz choroso e Alice sentiu o coração se apertar. Se Riley soubesse que ela estava fazendo aquilo para seu próprio bem.
Ela não queria magoá-la, mas era necessário não sabia até que momento ela aguentaria mais tudo aquilo, não sabia se James a mataria amanhã ou se ela desistiria de viver por si só. Mas depois de ouvir essas palavras de sua irmã ela ganhou forças, ela queria se manter ali, por ela, por sua família, por Jasper também. Por todos aqueles que ela amava.
– Me desculpe, eu também sinto sua falta eu não queria me distanciar tanto assim de você ou da nossa família.
– Está tudo bem, mas amanhã podemos passar um tempo juntas?
– Claro, eu vou adorar.
Ambas sorriram em sinal de gratidão e depois de uma breve conversa Riley foi para seu quarto. Trocou de roupa e se jogou na cama e quando foi mexer eu seu celular viu a foto do braço de Alice e rapidamente o enviou para Jasper que nem esperou e ligou para a menina.
“-Aquilo é mesmo o que eu estou pensando?”
– Sim Jasper, vi quando Alice estava dormindo, mas só isso não basta. Temos que provar que é ele que agride minha irmã.
“-Vamos conseguir não se preocupe, mas tome cuidado, não deixe James e nem Alice desconfiarem.”
– Tudo bem.
“-Certo.”
O diálogo terminou ali, apenas uma despedida e ambos caíram no pensamento de como seria os dias dali para frente. A vontade de fazer justiça, de tirar quem ama da linha de frente do perigo, tudo aquilo parecia pouco aos olhos de ambos. Eles apenas tinham o mesmo desejo de terminar com aquele pesadelo e por fim na onda de tristeza que abrangia o mundo deles. Não conseguiam se conter com aquele estilo de vida, ninguém deveria provar do gosto amargo da vida. Mas eles estavam sofrendo com o sofrimento de Alice.
Mas agora estavam juntos, unidos, e ambas as forças seriam usadas de melhor maneira. Eles continham a esperança de por fim naquilo e eles iriam correr atrás o quanto pudesse e ainda mais além.
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