Os últimos dias tinham sido extremamente nublados apesar de não haver chuvas. Quase não podia diferenciar as manhãs das noites, pois toda a floresta estava coberta por uma escuridão terrível deixando até os mais corajosos com calafrios. Era nesse cenário, propicio ao ódio, que Sebastian e Leo passavam a se desgostar ainda mais, porém isso ficava visível apenas com os olhares que trocavam sempre que cruzavam o caminho do outro. Sebastian tinha nojo do italiano, por ele estar apaixonado pelo contratante a ponto de brigar pela predileção dele. E sentia ainda mais raiva por saber o que Leo só o odiava por ter sido trocado, como se o moreno tivesse alguma culpa na história, se pudesse, daria o posto de favorito a ele sem pensar duas vezes.

Mas Léo não conseguia pensar que o menino era inocente, pois seus pensamentos estavam fechados pelo ódio e pelos ciúmes. Não queria perder um posto que lutou a vida toda, ainda por cima para um garoto tão simples e indigno como Sebastian. Ele era melhor, todos sabiam disso. O único motivo para eles não terem se matado, era Louis, que impedia qualquer contato entre os dois, não havia duvidas que se conversassem seria uma tragédia.

Então os dias se passaram desta forma, nublados e tristes. Principalmente para Leo, porque Albert estava viajando e não tinha data para voltar, então passava a maior parte do tempo na varanda olhando para o horizonte e esperando por um único sinal de que ele havia voltado. Sebastian olhava a cena com desdém, e certa inveja, pois também queria alguém para se importar. Era tedioso não ligar para ninguém, porque sentia que nada o prendia a canto nenhum, e desejava um lugar que se sentisse feliz. Mas esse destino não era para ele, sabia que estava sentenciado a sofrer sozinho.

Aparentemente, o Sol já tinha ido embora e as crianças já estavam sob a ordem de irem para dentro, todavia, muitas delas ainda brincavam aos arredores do casebre. Sebastian estava aos pés da varanda olhando o pega-pega inocente dos menores, admirava-os por ainda conseguirem serem crianças, mesmo sendo obrigadas a fazer coisas com os homens. Mal notou quando o italiano foi para seu posto tentando ver além da correria. O que o fez perceber a presença do outro foi o longo suspiro que ele deu, ao mesmo tempo em que denunciava sua presença, irritou profundamente o menor suspirando feito uma garotinha apaixonada por aquele homem detestável.

– Veja que cena mais patética! Você e seu amor são tão ridículos que me enojam! – Disse o menor com tom sarcástico sem desviar os olhos das crianças.

– O que disse, seu imprestável?

– Disse que você é patético! Fica ai sofrendo pelos cantos enquanto ele com certeza está cercado de prostitutas! – Se levantou para encarar seu inimigo e pode ver toda a raiva contida naqueles olhos verdes. Ah, como Sebastian odiava olhos verdes.

– Sebastian, seu moleque idiota, é melhor calar a boca, antes que eu a arranque!

– Tanto faz! Continue ai com seu amor idiota, um dia você ainda me dará razão! Pois seu amor é tua ruína!

Leo não se aguentou por muito tempo e pulou sobre o mais novo, pressionando o pescoço dele na intenção de sufocá-lo. Sebastian revidou a tempo e para se livrar do mais velho, colocou dois dedos nos olhos dele e o cegou por alguns segundos, aproveitou a chance para chutar a barriga dele e vê-lo se contorcer de dor. Mas Leo não se deu por vencido e voltou para atacar Sebastian. Ambos embolaram no chão por alguns minutos e as outras crianças já tinham feito uma pequena roda e gritavam para aumentar a raiva deles com sucesso. Estranhamente Louis não estava por perto para apartá-los, a pessoa que fez isso foi a bruxa, que se mostrou bastante indignada com aquela briga sem causa.

– Sebastian e Leonardo! – Gritou fazendo os garotos sentirem o sangue sair do corpo. – É melhor que parem com isso agora!

Eles se afastaram e puseram-se de pé quando ela se aproximou, tinham certeza de que não sairiam impunes daquela vez. E estavam certos. Sem dizer uma palavra, a mulher os segurou pela camisa e os levou para longe da multidão, não antes de mandar todos irem para dentro com apenas um olhar. Por trás da casa, tinha um pequeno armazém que servia para guardar os alimentos. Em um movimento rápido, ela abriu a porta e jogou os meninos dentro dele, sem medo ou receio de machucá-los.

– Hoje vocês irão pernoitar aqui, e é melhor que ambos estejam vivos amanhã. Lembrem-se: eu não crio cachorros.

Ela fechou a porta e os meninos ficaram em silêncio ouvindo os passos até eles estarem longe demais. Permaneceram parados por alguns minutos, notando os ratos que se encontravam ali, não estavam mais com vontade de brigar, até porque seriam punidos se fizessem isso. Sebastian foi o primeiro a se acomodar e fechar os olhos, queria que o dia terminasse e pudesse sair daquele lugar mau-cheiroso. Leo ficou olhando ele dormir, parecia tão sereno e calmo que aumentou sua raiva, realmente não gostava de nada naquele menino, queria poder matá-lo naquela noite, para ter Albert para si como sempre foi, mas se o fizesse seria morto também. Entretanto o pirralho atrevido precisava de uma punição.

– Sebastian, teu orgulho repudia a ideia de se entregar aos homens, certo?

– Exatamente, não nasci para ser um prostituto me vendendo. – Disse o pequeno ainda deitado.

– Então... Seria uma humilhação muito grande... Ser possuído por mim, correto?

O mais novo não teve tempo de pensar, pois Leo não demorou muito para ficar por cima dele, imobilizando seus braços. Por um breve instante, o moreno não acreditou que o outro fosse mesmo fazer aquilo, mas quando ele apalpou seu bumbum, não houve dúvidas de que ele estava falando sério. Olhou de relance o rosto do italiano e o viu abrir um leve sorriso, adorando ver o espanto de Sebastian.

– Pare! Deixe de ser nojento! – Gritou tentando soltar suas mãos. – Você tem repulsa de mim, você me odeia! Mesmo assim vai fazer isto?!

– Ora, sua aparência não é das piores. Mesmo que seja um porco imundo por dentro, ainda és belo e posso fingir que és outra pessoa.

– Desgraçado! Solte-me ou irá se arrepender! – Sebastian já apelava para o blefe, porque o mais velho já invadia sua calça com alguns dedos e o desespero estava aumentando.

Enquanto o menor contorcia-se para sair dos seus braços, Leo fazia um pequeno esforço para tirar a calça dele, estava adorando vê-lo tão assustado, logo mais estaria no chão, chorando por ter sido tão usado e maltratado, então teria sua vingança. Ninguém podia mexer com as pessoas que amava, e Sebastian tinha que aprender isto. Do pior jeito. Em um mero segundo que o de cabelos pretos levantou o quadril, arrancou a calça dele, deixando-a na altura do joelho. Nessa parte, o menor começou a gritar em vão, pois todos deveriam estar dormindo ou fingindo não ouvir o pedido de socorro dele.

– Fique calmo e aprecie o momento meu jovem, porque muitos queriam estar aqui, no seu lugar. – Falou sussurrando no ouvido dele.

– E você poderia ter pego qualquer um desses... – Foi sarcástico em sua afirmação, mas realmente não entendia porque ele. Porque queria fazer isto com ele? Afinal, ele nem estava interessado em Albert. Se houvesse um sentimento maior que o ódio, seria isso o que sentia por ele. – Engraçado, foi exatamente isto que teu senhor falou para mim.

Leo parou para refletir. Lembrava muito bem que seu mestre tinha tido exatamente isto quando o tomou para si, e também se lembrava dele ter alertado que pertencia somente a ele. Nenhum outro cliente poderia requisitá-lo e nenhum garoto da casa deveria tocá-lo, essa era a ordem principal. Quando um menino tentou encostar nele, sumiu na manhã seguinte. E agora, quem tinha essa proteção era Sebastian, e provavelmente, a punição cairia sobre ele. Saiu de cima do garoto e o viu recompondo suas vestes e olhando incrédulo para si, com certeza não achava que fosse parar depois de chegar tão perto.

– Não pense que foi por pena. Minhas razões são puramente egoístas.

– Não quero sua pena. – Disse seco.

Então os garotos viraram e não voltaram a se falar naquela noite, apenas vendo e ouvindo ratos usurparem a comida que deveria ser das crianças. Demoraram a cair no sono, mas felizmente ele veio, o que era improvável nas condições em que estavam.

O que ocorreu naquela noite não foi de conhecimento de ninguém, nada se consumou logo, nada aconteceu. Os dias começaram a correr e o contratante voltou da viagem misteriosa, quando isto aconteceu, Sebastian já tinha um plano arquitetado para se vingar de Leo. O italiano o odiava por ter conseguido a atenção do seu senhor, pois bem, agora ele atrairia a atenção de propósito, apenas para enciumá-lo. Todavia ainda tinha vergonha de fazê-lo tão descaradamente, e tinha que garantir que Leo visse todas as investidas, do contrário não valeria a pena.

Sebastian estava andando pelos arredores da casa, como todos os outros. Procurava Louis para conversarem, pois estava entediado e sentia que a única distração possível era o ruivo, até porque era ele o seu único amigo naquele inferno. Foi quando notou o olhar do contratante, ele estava o seguindo com os olhos e praticamente o devorando com os mesmos, sentiu que aquela era a hora. Leo estava na varanda, olhando revezadamente para Albert e para o menor, então ele veria o que aconteceria a seguir.

O garoto de cabelos pretos olhou de forma sedutora para o mais velho que correspondeu prontamente, Leo também ficou alerta, estranhando a iniciativa. Sebastian desviou de seu caminho e foi para a floresta, lentamente para garantir que seria seguido, então, já dentre as grandes árvores, sentou-se e esperou seu mestre chegar. Tinha certeza de que antes de fazerem qualquer coisa, Leo chegaria e começaria a gritar insanidades, tal como da outra vez. Não demorou para Albert chegar sorrindo de forma maliciosa e sentar ao lado do menino iniciando uma conversa.

– Então, meu lindo, se sente melhor? – Disse segurando sua cintura e o puxando para perto.

– Sim, agradeço pela preocupação.

– E aquele lugar ainda dói? – Sebastian fez um leve “não” com a cabeça que deixou o satisfeito. – Desculpe por aquela noite, mas não precisa ser sempre assim.

– Eu sei.

Então o moreno mais velho começou a distribuir selinhos pelo pescoço do seu favorito, ao mesmo tempo em que sentia ele ceder e cair sobre a grama. Ficou feliz com a reação e tirou a própria blusa, voltando logo para Sebastian, que fingia estar excitado, e fingia muito bem por sinal, quase enganou o seu mestre. Então também tirou a blusa dele, alisando o tórax e a silhueta fina do garoto. O menino não aguentava mais se sujeitar a aqueles toques, ainda por cima no meio do mato! Leo precisava chegar logo e parar aquilo, onde ele estaria? Olhou para os lados quando Albert descia os beijos pelo seu corpo, procurava desesperadamente pelo italiano que deveria estar perto, então o viu por trás de uma árvore, apenas observando a situação.

Enviou um olhar desesperado a ele, algo que acreditava que nunca mais iria fazer, porém estava lá, implorando para Leo tirá-lo dos braços daquele homem. Ora, porque ele não vinha? Aquelas carícias não eram dele! Aquilo era de Leo, ele tinha que reivindicar o que era dele por direito! Mas ao contrário do que previra, o idiota apenas olhava repleto de ciúmes, será que seu medo sobrepunha o amor?

– Pare! Pare com isso! Não o quero mais! – Gritou para seu mestre, o deixando extremamente confuso com a mudança de comportamento. – Pare! Eu não vou fazer isto aqui!

Ele se debateu, mas a força do mais velho era muito maior, colocando todo o peso do seu corpo para cima do menino. Sebastian olhou para Leo novamente e ele ainda se encontrava do mesmo jeito, definitivamente, quem teria de fazer algo seria ele mesmo. Suas mãos tatearam o chão, procurando algo, qualquer coisa útil naquele momento. Apanhou uma pedra e automaticamente acertou a cabeça de Albert com ela, fazendo-o cambalear um pouco para desmaiar logo depois, com o sangue escorrendo pelo rosto.

Sebastian viu o sangue e se apavorou, ficou tão dominado pelo medo que não viu outra solução se não correr. E assim fez, apenas ouvindo o grito de Leo que se desesperou ao ver seu senhor sem reação. O mais novo corria o mais rápido que suas pernas aguentavam, não olhava para trás e muito menos para onde ia, só corria, pois era esse comando que seu cérebro lhe enviava. Só parou de fazê-lo quando bateu em outra pessoa, de modo tão violento que fez ambos caírem.

– Sebastian? O que está acontecendo? – Perguntou Louis ainda sentindo a dor onde eles haviam esbarrado.

– Louis! – Gritou o mais novo enquanto abraçava o ruivo. – É agora, Louis! Agora eles vão me matar!

– O que? Como assim?

– Eu... O contratante... Oh, Louis! O que vai ser de mim? – Gritou novamente, ansiando em ser abraçado de volta pelo amigo.

– Eu não entendo mais nada do que dizes. Por favor, estou certo que tem algo haver com nosso mestre, certo?

– Sim, mas, por favor, abrace-me! Tenho medo! Tenho tanto medo!

Louis suspirou e retribuiu o gesto, afagando os cabelos do menino. Eles ainda não tinham se levantado e não queriam fazê-lo, Sebastian porque suas pernas tinham perdido as forças e Louis porque era raro o amigo ficar carente daquela forma. Assim que o menor acalmou-se, o ruivo voltou a perguntar qual o motivo do choro e do desespero.

– Louis, eu... Sinto até vergonha de falar o motivo, pois é muito humilhante...

O mais velho suspirou. O orgulho do menino impedia-o até de confessar suas ações e aquilo começara a lhe irritar.

– Sebastian, escuta, você não deve sentir vergonha de pedir por ajuda, todos precisam de vez em quando. E para pedir por isso, é necessário se rebaixar um pouco, mas isso não é sinal de fraqueza, e sim de humildade.

– Está bem... Leo fez algo, ou melhor, tentou fazer algo horrível comigo naquele dia em que ficamos de castigo. Eu queria me vingar dele, assim como ele feriu meu orgulho, resolvi deixá-lo com... Ciúmes. Então seduzi o contratante...

– Espere! Você queria despertar ciúmes em Leo? – Disse o de olhos azuis desacreditado. – Céus! Não consigo crer que tu te rebaixaste assim! O que me dizes do orgulho que o impedia de falar isso?

– Ora, foi justamente por isso que não queria contar-te! É humilhante! E você mesmo condena meu orgulho, como pode defendê-lo agora?

– Não ser orgulhoso é uma coisa, se sujeitar ao ridículo é outra.

Sebastian não teve argumentos para se defender, pois aquilo era a verdade. Foi ridículo vingar-se de um jeito tão mesquinho e sabia disso, mas na sua cabeça, tudo parecia mais ameno, ou pelo menos, ele nunca tinha planejado golpear seu mestre com uma pedra. Abraçou o ruivo de novo e os dois compreenderam que não era momento para discutirem, apenas deveriam apreciar o calor dos seus corpos. A punição com certeza viria e seria cruel, mas não seria naquele momento, então o correto seria eles relaxarem, foi uma forma deles aceitarem que o problema maior ainda viria, porém, um minuto de folga não os condenaria.

De fato, o problema não veio naquele dia, nem nos próximos, o único movimento estranho foram as longas conversas entre o contratante e a bruxa. Além disso, a mulher parecia preocupada, ou melhor, Sebastian conseguia ver um pouco de preocupação nos seus olhos frios e vazios, e isso não lhe agradava. Mas com o passar do tempo, começou a achar que seria somente uma neurose, pois nada aconteceu. Talvez, alguém tivesse tido pena dele em algum lugar do céu.

Então, finalmente houve um dia claro, em que os pássaros puderam fazer uma verdadeira orquestra com a presença do Sol, o qual aparecia para lembrar a todos de uma coisa: “eu sou a luz! Vocês podem inventar outras fontes, mas eu sempre serei a mais bela luz!”. Sebastian procurava por Louis logo após acordar, porque tinha dormido demais e o amigo não estava mais ao seu lado. Viu ele com a bruxa, caminhando calmamente com um balde em mãos. Achou que eles fossem colher algumas frutas na floresta, sendo assim, não hesitou em segui-los. Eles caminharam para uma cabana pequena, um pouco maior que o armazém atrás da casa, e entraram lá. A cabana tinha apenas uma porta e uma janela, que ficava no alto e só era possível ver lá dentro subindo em uma árvore. Assim fez Sebastian.

Dentro, só tinha matérias para caça e barris com água. Mas o moreno estranhou quando a bruxa trancou a porta e ficou encarando Louis, aguçou seu ouvido e pode ouvir a conversa.

– O seu senhor pretende te vender. – Disse a mulher.

– Por quê? Não tenho sido um bom investimento?

– Não. Me pareceu que foram razões pessoais. Posso saber o que fizeste a ele?

– Eu não fiz nada. Mas por que estás me contando isso?

– Porque você tem o direito de saber que será morto. – Louis arregalou os olhos e encostou-se ao barril por trás dele. – Eu conheço o comprador que está interessado em você, ele tem o costume de maltratar suas peças.

– Eu... Agradeço pela consideração. Meu único desejo é poder falar com Sebastian antes de ser levado.

– Antes, deixe-me contar uma história entediante, meu jovem. – O silêncio do mais novo era tudo que ela precisava para começar. – Eu sempre cuidei de órfãos a pedido da igreja, todos os anos, várias crianças eram trazidas para serem criadas por mim, e eu me apegava a cada uma delas. Mas, a igreja parou de mandar o dinheiro para mantê-las e cada vez mais delas apareciam na minha porta. Então me apareceu um jovem aparentemente com vinte anos, moreno, me prometendo todo o dinheiro que eu precisasse caso eu aceitasse sua proposta. Assim minha casa virou um centro de prostituição. No começo, era difícil ver as crianças sendo tratadas daquela forma, mas depois, eu parei de me apegar a elas e entendi que a partir do momento que elas entram pela porta, elas deixam de serem crianças e se tornam “peças”. Por mais que pareçam crianças, elas não passam de bonecas descartáveis.

– Eu sinto muito pela sua história, mas dizer que não se importa com o que aconteça comigo não me anima muito. – Falou Louis quando a bruxa fez uma breve pausa.

– Não é isso. Eu não me apego como antes, mas não consigo ver uma delas indo para a morte e não fazer nada.

– Então suponho que vai me soltar? – Os olhos do ruivo brilhavam, entretanto nem mesmo ele parecia acreditar em suas palavras.

– Não. Irei lhe matar agora, para que mãos mais cruéis não o façam.

Ela pegou o menino pelos cabelos e prendeu suas mãos por trás, o fazendo ficar indefeso. Chegou perto do barril e fez força para colocar a cabeça do garoto lá, na intenção de afogá-lo, porém, Louis não queria morrer, mesmo que fosse sofrer muito mais nas mãos do comprador desconhecido, queria olhar para Sebastian uma última vez.

– Sebastian!

Gritou antes de sua cabeça ir contra a água, mas logo emergiu e gritou novamente. Não sabia que ele estava vendo aquela cena, apenas queria chamar por ele, afinal, o moreno era a razão de sua vida. Sebastian olhava tudo aquilo abismado, ficou parado por cinco segundos absorvendo a informação e logo se pôs a gritar por Louis e bater na janela, querendo quebrá-la. Vendo que seus golpes não fariam efeito, desceu da árvore e começou a chutar a porta, sentindo as lágrimas tentando escorrer dos seus olhos.

– Louis! Resista! Por favor!

– Sebby...

Foi o último grito que ele conseguiu ouvir, e não foi propriamente um grito, Louis o falou com uma voz arrastada e rouca. A partir daí, o menor gritou ainda mais, xingou o bruxa, na esperança dela querer matá-lo também, ameaçou contar ao contratante, falou que ela iria ao inferno, mas nada adiantou. Aquela mulher parecia estar surda, mas Sebastian gritaria até vir sangue a sua boca, nada o faria desistir do seu único companheiro.

Aqueles minutos foram torturantes, e mais pareciam anos de tão devagar que o tempo corria. Então ela saiu. A mulher nem se deu ao luxo de olhar para o pequeno, que gritou tanto em vão, apenas foi andando calmamente em direção a casa, como se ninguém fosse notar suas roupas encharcadas. Sebastian entrou com receio naquela pequena construção e se deparou com o cadáver de Louis, duro e com a pele arroxeada. Sua expressão parecia sofrida, ele demonstrava dor e ao mesmo tempo confusão. Diante daquilo, o menino não soube fazer nada além de chorar.

Ele não sabia que ainda possuía lágrimas para serem derramadas, provavelmente, aquelas seriam as últimas, e desperdiçaria todas com o ruivo. Aquilo foi culpa dele, sabia que o contratante só estava o vendendo para se vingar da pedra que ele atirou. Parecia, que todos que ele amava, ou o traia, ou ele próprio sentenciava a morte. Seu amor era o pior veneno para os homens, e nesse dia, tomou conhecimento disso.

E por mais que quisesse, não poderia fugir dali, afinal, fugir pra onde? Não tinha ninguém no mundo, nem pra onde ir. Ele era a personificação da solidão. Sendo assim, passou o resto do dia ali, chorando sobre Louis, que já não podia consolá-lo.


Notas finais
Minha amiga reclamou que de fato, eu estava demorando muito a atualizar esta fic, pois bem, desta vez eu não demorei u_u
Não garanto que a qualidade esteja boa, mas ela queria um capítulo novo, e não um capítulo bom `-´
Ok~~
Com esse chap, nós começamos a caminhar para o fim o/
Eu já tenho o final todo preparado na minha cabeça e já comecei a pesquisar sobre demônios ^-^ Não quero fazer feio.
E agora, eu quero a parte de vocês, reviews *------------*