O Passado De Um Mordomo
5 5ª Noite
Notas iniciais
Bom... vamos logo esclarecer algumas coisas: Hansel e Gretel NÃO me pertencem. Eles são personagens de um conto conhecido no Brasil como "João e Maria". Eu sei que a história se passa na Alemanha, mas excepcionalmente aqui, eles serão ingleses.
Novamente estou sem beta, pode acontecer de vocês se sentirem ofendidos com erros absurdos de português, mas juro que tentei amenizá-los --'
Bom... torno a pedir desculpas pela minha demora e boa leitura~
Louis pensou que se soltasse Sebastian ele iria fugir o mais rápido que suas pernas podiam, por isso o beijava com ferocidade aproveitando cada centímetro de sua boca. Sabia muito bem que não era o primeiro a se declarar para o moreno, ele mesmo o disse que seu irmão de criação já tinha o feito, mas tinha criado muita coragem nos últimos meses para fazer tal ação, não iria desistir tão facilmente. Durante o beijo alisou os cabelos negros do amigo, se perguntando por que ele não reagia ou intensificava o beijo. Apenas quando o ar já tinha acabado o pequeno se debateu tentando sair dos braços do mais velho, com olhos marejados e uma respiração oscilante. Estava mais surpreso com as palavras do que com o beijo em si, como iria responder aquilo? Sabia que não era no sentido de amizade, então como continuaria a conversar com Louis?
– Sebby... você poderia me dar uma resposta? – O ruivo não desviava sua atenção do pequeno, mas este evitava que seus olhares se cruzarem, doeria ainda mais caso isso ocorresse.
O silêncio falou por si só. Sebastian estava confuso, seus pensamentos não conseguiam ficar em ordem e suas pernas estavam bambas, era algo aterrorizante. Louis o ficou fitando por cerca de dois minutos, logo começou a andar em direção da porta tentando não voltar sua atenção para trás, sabia que se o fizesse nunca mais deixaria o recinto. Antes de girar a maçaneta, sentiu algo o puxando vagarosamente para trás, uma mão um tanto pálida tinha o impedido de prosseguir seu caminho.
– Não me deixe sozinho, Lo. – Falou o mais novo, ainda sem o olhar – Estou confuso demais, não quero ficar só. – Sua voz chorosa tocou o ruivo, que o abraçou calorosamente.
– Eu nunca vou te abandonar, Sebby. Você é meu tesouro.
Aquelas palavras pesaram ainda mais sobre os ombros do menor, pois ele não podia corresponder àquele amor, ele era de Jean, mesmo que nunca voltasse a encontrá-lo ainda sentia que estava preso ao irmão, mesmo chamando essa sensação de loucura, não podia simplesmente ignorá-la. O máximo que podia fazer em relação ao amigo era confortá-lo daquele jeito, o abraçando. Pelo menos se o fizesse com sinceridade talvez compensasse o fato de não amá-lo da mesma forma, uma escolha muito infantil que ele nunca se daria conta do quanto. Louis sentia uma vontade imensa de prendê-lo para sempre, para que fosse apenas seu e de mais ninguém, mas ao mesmo tempo esse pensamento o assustava, não seria certo tirar a liberdade dele.
Cachorros vivem presos, mas você não quer ser um, certo?
– Garotos, venham logo ou a chuva vai piorar! – Gritou uma menininha que provavelmente seria filha do dono do bar onde estavam.
Eles obedeceram a garota, que deveria estar no auge dos seus seis anos, com prontidão. Seguiram-na até o ponto que a mãe desta chegou e a levou para cima, não antes de enviar um olhar triste para os meninos que encaram aquilo com uma dúvida enorme. Ao chegar ao centro do lugar, viram Harry conversando com um rapaz, parecia ter pouco mais de vinte anos, era uma pessoa que passava segurança a primeira vista, mas quando seu olhar foi em direção aos garotos, Sebastian percebeu que sua personalidade não era como sua aparência sugeria e suas suspeitas se intensificaram quando ele se aproximou dos dois. O homem esbanjava falsidade em cada poro do seu ser, Sebastian se sentiu desconfortável perto dele, mas guardou essa opinião para si, afinal nada poderia fazer contra aquilo.
– Olá, meus caros. Seriam vocês a quem devo chamar de Sebastian e Louis? – Perguntou sorrindo para ambos.
– Depende de quem está perguntando. – O ruivo falou severo para com o rapaz.
Ele se mostrou satisfeito com a resposta e voltou a conversar com Harry, que estava claramente animado com a discussão. Os meninos ficaram olhando de longe o rumo da conversa, desconfiados da intenção daquele moreno. Não demorou para eles voltarem sua atenção para Louis e Sebastian, que ainda não entendiam o que estava ocorrendo. Harry olhou no fundo dos olhos do pequeno que o idolatrava e soltou uma risada quase imperceptível, mas que ficou gravada na memória do ruivo para sempre.
– Acho que fizemos uma boa escolha, meu caro – disse o homem desconhecido. – Foi bom termos nos encontrado esta noite.
– Penso o mesmo. Não tens ideia do bem que estas me fazendo, bom, agora tenho que ir, não posso gastar nem mais um centavo.
Assim o velho foi embora, sem fazer nenhum sinal para os garotos o acompanharem, simplesmente virou as costas e saiu da taverna de cabeça erguida, porém tropeçando em seus próprios pés por conta da embriaguez. O homem continuou parado de frente para eles, se esforçando para continuar sorrindo. Sebastian sentiu nojo daquela pessoa, era como se ela estivesse coberto de estrume dos pés a cabeça, mas só ele percebia o quão desagradável ele era, os outros não ligavam.
– Venham comigo. – Falou gesticulando com a cabeça.
Louis o seguiu a passos curtos, não tinha certeza de quem era aquele rapaz e a vida não o fez a pessoa mais aberta a estranhos. Sebastian não se moveu, ele queria ir com o velho que tinha salvado, não entendia porque aquela pessoa estava dando ordens pra ele, mas ao ver seu amigo andando tratou logo de segui-lo. Afinal a última coisa que queria agora era ficar sozinho sem ao menos um conhecido.
Ao que o moreno notou o desconhecido não tinha a intenção de se apresentar, apenas andava rapidamente e sem olhar para trás, fazendo os garotos quase o perderem de vista. Caminharam uma boa distância até chegarem a uma casa, aconchegante e pequena, onde se via uma mulher pela janela segurando um bebê. Ao avistar os meninos tratou de sair de sua posição, indo diretamente a eles com ar de furiosa.
– Quem és para trazer-me ainda mais bocas? Estou seca em leite e minha dispensa não suporta mais estes bastardos!
– Acalme tua voz, precisamos da força que estes corpos têm. Trate de arrumá-los e não os deixe passar fome, se continuarem assim caíram em decadência em poucos dias.
A mulher levantou a mão mostrando que ia dar um tapa no rosto do homem, mas este a segurou ainda muito calmo sussurrou algo no ouvido dela que fez sua expressão mudar, logo ela se virou, ainda com a criança no colo e fez sinal para que a seguissem, enquanto o homem desaparecia de maneira tão súbita quanto foi sua aparição. Sebastian ficou receoso, viu aquela moça, que não parecia ter mais que trinta anos, o chamar de novo, mas ficou com medo de entrar. Naqueles olhos não havia nada. Não tinha dor, felicidade, qualquer coisa que demonstrasse que ela estava viva, era um cadáver que se mexia.
Louis segurou a mão do amigo, dando a entender que estava tudo bem, mas até o ruivo não sabia mais o que seria deles caso entrassem naquela casa, porém sabia muito bem o que tinha ocorrido. Foram vendidos por aquele velho a quem o seu melhor amigo idolatrava. Não tinham mais direito nenhum sobre seus corpos, a única opção era continuar calado e seguindo desconhecidos. Andou atrás daquela mulher, tão sinistra quanto o homem, arrastando o mais novo que quase não se movia por conta do medo.
Entrando no recinto, viram uma sala mal iluminada, com uma mobília simples e acabada, o único luxo que tinha no cômodo era um cálice de prata, que Sebastian identificou na hora, por já ter polido muitos na vida, quanto morou na casa dos pais adotivos. Depois da sala, uma porta foi aberta, mostrando vários meninos de idades diversas, talvez alguns fossem garotas, mas ninguém poderia afirmar com certeza. A mulher, que não se sabe como foi para trás dos novatos, os empurrou para o pequeno compartimento em que as crianças ficavam amontoadas, não esperou uma reação por parte deles e trancou a porta de madeira, deixando todos iluminados apenas por uma janela que se localizava na parte mais alta do quarto.
Logo muitas conversas paralelas se iniciaram, trocando o silêncio por cochichos nada discretos, Sebastian e Louis sabiam que eram o assunto da noite, ficaram com medo de sentar, deitar ou fazer qualquer gesto que fosse além da respiração, não sabiam como aquelas crianças iriam reagir. Não ficaram por muito tempo naquela situação, pois duas pessoas chegaram perto deles, uma aparentava ser uma garota, mas não tinham certeza, outro era bem claro que era um menino pelos traços fortes de seu rosto.
– Sejam bem-vindos. – Disse a primeira com uma voz fina denunciando seu sexo – Me chamo Gretel e este é meu irmão Hansel. Nossa como são belos! Não vieram pela igreja, estou certa? Ouvi alguns gritos, foram trazidos pelo contratante? Ele tem bons olhos, e de onde vieram?
– Cale-se, Gretel. Ao menos pare para respirar – falou o garoto longe de estar zangado, mas sim com vergonha das perguntas da irmã. – Podem se sentar – falou mostrando o chão.
Aos poucos os meninos foram se acomodando e as conversas paralelas pareciam ter mudado de rumo. Gretel era uma menina com muito animo, cabelos colados ao pescoço por conta de duas tranças por trás das orelhas, sua roupa não era muito diferente das dos outros, apenas trapos. O que se destacava era a saia, pois a maioria tinha calças. Hansel, ao contrário da irmã era mais reservado. A única coisa que chamava atenção nele era a beleza, nesse quesito ambos eram parecidos, cabelos castanhos e olhos da mesma cor, uma pele tão alva quanto neve. Eram crianças encantadoras e que deviam ter a mesma idade dos garotos, mas eles não estavam em nenhum conto de fadas, os recém-chegados logo descobririam isto.
– Não sabem? – Falou Gretel mais alto do que queria – Vocês nem ao menos sabem quem é o contratante? Oh céus, então como vieram para cá? – Ficaram em silêncio, a resposta que dariam já era muito obvia, então apenas esperaram a garota se aproximar deles, controlando sua voz para que não saísse do controle. – Eu e Hansel somos de uma família muito pobre, por muitas vezes, não tínhamos nem água para beber.
– Nossa mãe convenceu o papai a nos deixar na floresta dizendo: “qualquer coisa é melhor do que vê-los definhar em meus braços”. – Completou Hansel como se contasse algo sem importância. – Então com a desculpa de irmos trabalhar eles nos deixaram para trás em uma floresta distante.
– Vagamos por alguns dias até encontrarmos o contratante, que nos trouxe para a casa da bruxa. – Sebastian arregalou os olhos quando ouviu a última palavra, Harry lhe contava histórias sobre elas, então nunca teve uma boa impressão dessas mulheres, mas pelo jeito que a menina falava, poderia ser somente uma brincadeira. – Aqui somos divididos em dois grupos: os que vêm pela igreja e os que vêm pelo “contratante”. Geralmente os do “contratante” fazem mais sucesso, mas sempre tem a exceção. – Apontou para um garoto não muito distante deles. Nenhum dos meninos conseguiu ver o rosto do tal, a escuridão cegava até os olhos mais experientes. – Mas quando ninguém os quer... a bruxa os faz eles desaparecerem.
– A casa onde eles são devorados até sobrar apenas ossos. – Hansel falou isso em um sussurro, apenas os ouvidos audaciosos de Louis conseguiram escutar aquelas palavras.
– Estão contando uma história de terror? Não façam tanto drama para contar-nos o que de fato ocorre aqui. – Falou Sebastian impaciente com as palavras vagas que os irmãos se limitavam a dizer.
Depois disto houve silêncio. Logo os quatro começaram a procurar mais espaço, onde poderiam deitar-se. Sebastian estava com medo, no meio de desconhecidos, em uma casa desconhecida e um propósito desconhecido. O que lhe aconteceria se ficasse por muito tempo naquele lugar? Só de pensar nessa possibilidade lhe deixava com medo. Por isso tentou esquecer de tudo que se passava e ir dormir, mas antes que o fizesse, sentiu braços fortes o envolvendo pela cintura. Virou para ver quem estava lhe abraçando, mas não foi possível, a luz era tão fraca naquele quarto minúsculo que apenas podia ver de leve as feições do amigo, mesmo assim, soube que era Louis.
Sebastian ficou ao total dispor do ruivo, na verdade fazia tempo que o mais velho não o mimava um pouco e ele gostava muito quando ele mostrava o que sentia sendo carinhoso. Os olhos do moreno pediam desesperadamente um beijo, Louis atendeu seu pedido, deixando o desejo passar por cima do instinto protetor que tinha para com o mais novo. Começou de novo uma expedição pela boca do amigo, invadindo-a com a língua, trazendo seu corpo para perto do dele. E Sebastian não reagiu, apenas se deixou ser abraçado, beijado e digamos até abusado pelos toques do ruivo, provavelmente nunca diria em palavras, mas sim. Ele gostava de tudo aquilo, pois o aquecia de um jeito diferente e gostoso, por vezes chegava a dar medo, mas a vontade de sentir esse calor de novo era maior. Por um breve momento aquele compartimento fedido e mal ventilado se tornou o paraíso particular de dois jovens que exploravam e descobriam seus corpos no escuro, esperando que ninguém mais soubesse desse segredo.
– Sebby, estas a me deixar louco. Tratas de dormir e não comeces o que não podes terminar.
– Lo, suas mãos me deixam tão seguro... não te afastas de mim. – Sebastian enterrou o rosto no peito do amigo, tudo estava tão confuso em sua mente que Louis se tornou mais que um porto seguro, era tudo que o pequeno tinha.
O ruivo achava lindo o jeito tímido que ele demonstrava o amor, e ainda conseguia ser autoritário. Mas não poderia prometer nada naquela situação, afinal como eram apenas escravos poderiam ser vendidos a qualquer momento, se bem que se o seu amigo continuasse manhoso e carente daquele jeito, lutaria com mil exércitos só para poder ficar ao seu lado.
Apenas afagou os cabelos negros e tentou confortá-lo com mentiras que já saiam automaticamente de sua boca: “está tudo bem”, “vou lhe proteger”, “vamos ficar juntos”. E o que mais lhe deixava surpreso era que o menor parecia acreditar nelas, ao menos se ele as considera-se mentiras, o ruivo não ficaria tão destruído quando não pudesse cumprir uma delas.
Longe das falsas promessas e do carinho dos amigos, um menino, que não deveria ter mais que quinze anos, ouvia as falas dos dois atentamente com um sorriso de desdém estampado nos lábios. Parecia que tinha sido há pouco tempo que uma pessoa falou as mesmas coisa para ele, e tinha sido tão ingênuo quanto o moreninho que botava fé nas mentiras do ruivo.
– Vejam estas bonecas, não são as peças mais perfeitas que uma mulher já pariu? – Perguntou um homem com belas mechas loiras na cabeça e uma barbicha mal-feita.
Tinha muitas pessoas na sala, olhando para um pedestal onde se encontravam duas crianças belíssimas. Ambas vestidas da mesma forma, com o mesmo olhar e gestos inocentes, mas a atenção recaia apenas para uma delas. A outra era ofuscada por tanta luz que a primeira emanava. A primeira sorria, olhava a todos com uma curiosidade vívida, seus cabelos castanhos tinham sido muito bem penteados pela moça gentil que cuidava de ambas, ela não tinha medo dos estranhos, na verdade tudo aquilo era apenas um jogo para ela, nada mais que isso.
A outra fitava o chão com medo e vergonha daqueles olhares indiscretos que recebia. Não sabia o que fazer com as mãos, não sabia se deveria sorrir ou continuar calada, apenas tentava não sair de perto da primeira. Mesmo com olhos tão verdes quanto esmeralda, perdia para a simplicidade dos olhos da outra, meros e comuns castanhos.
– Fratello... Estou com medo, quem esses homens são? – Perguntou o de olhos verdes.
– Não te preocupas, Leo. Estou contigo e não vou largar-te. – O mais velho o tranqüilizou com as mesmas palavras que disse quanto foram tirados de seu leito materno.
– Giovanni, se nos separarmos irá ao meu encontro? – Sussurrou para que isto ficasse apenas entre os dois.
– Atravessaria todos os mares, só para brincarmos juntos de novo. – E ele sorriu. Com aquele sorriso Leo sentia que tudo estava bem, mesmo quando nada aparentava dar certo.
Ficaram naquele pedestal alto até um senhor tirá-los, o sorriso daquele velhinho era tão bondoso que até o mais medroso dos gêmeos ficou aliviado. Mas tudo não passou de ilusão, pois este mesmo senhor deu os meninos a duas pessoas distintas, que andaram em direções diferentes. A que foi com Giovanni o colocou em uma carruagem branca, em seguida entrou. O jovem de sete anos sorria para seu novo “dono” mesmo desconhecendo seu rosto e o que ele era de fato. Antes dos cavalos darem partida, ele avistou o irmão com outra pessoa, um homem jovem e moreno que não passava dos vinte anos. Giovanni olhou nos olhos do irmão e sorriu, dizendo “tchau” com a mão direita.
Pela primeira vez o sorriso não trouxe o conforto que Leo esperava.
Depois do sorriso tudo ficou preto.
Notas finais
Gente, já vou me explicando: o Contratante (não vou gastar tempo pensando em nome pra ele), o Leo e o Giovanni não são de fato meus. Me inspirei bastante em outros personagens de outro anime para fazê-los. Só que não vou falar quem são XDDDD
Bom... sobre a demora... acho que faria tudo mais rápido se tivesse mais reviews... ou uma recomendação... **le chantagem básica**
Agora... Status da fic!!!
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~Kissus~
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