O Passado De Um Mordomo
6 6ª Noite
Notas iniciais
Peço desculpas pela bela porcaria que foi a cap anterior, mas foi culpa da Lili-chan que me deixou postar aquela merda! Culpa dela! #brinks
Bom, esse eu acho que ficou melhor, beem melhor se comparado ao anterior, mas se discordarem de mim, podem me xingar pelo review ^^
E por favor... Reviews! Não deixem-me falando sozinha!
Boa leitura~~
Depois de alguns dias, Sebastian compreendeu que não estava em uma casa qualquer, aquele casebre simples perdido no meio da floresta com apenas três quartos, sem contar com o anexo em que as crianças dormiam, era um lugar feito para a prostituição. Todos os dias, homens de todas as classes sociais apareciam e escolhiam os garotos que mais lhe agradavam, poucos tinham interesses nas meninas, por conta das deformações causadas pelo fogo elas se limitavam somente aos afazeres domésticos.
O lugar onde eles possuíam as crianças não eram escolhidos com cautela, às vezes era em uns dos quartos, outras escondidos pelas árvores, que impediam a visão, mas não abafavam os gritos e gemidos que eram ouvidos por todos. Raramente surgiam pessoas com roupas finas que levavam os garotos para longe e os devolviam pela noite.
Quando satisfeitos, pagavam certa quantia em ouro para a mulher que cuidava dos meninos. O preço variava para cada cliente e também dependia de que menino ele escolheu, mas nada saia barato para ninguém. Homens pobres se endividavam e homens ricos perdiam parte de sua fortuna. Todas as crianças viviam lá por não terem outro lugar ou alguém que zelasse por elas, mas nem mesmo ali poderiam viver sem medo de serem expulsos, pois aqueles que não chamassem a atenção dos clientes eram “descartados”. Por esta razão era uma verdadeira guerra entre eles para conseguir cada vez mais homens para si. Alguns aceitavam qualquer tipo de tratamento, outros deixavam de comer quando um de seus clientes se queixava do seu peso, chegavam a matar uns aos outros para continuar sendo “o favorito” dos seus senhores.
Sebastian ainda não tinha se entregado a ninguém, na verdade nem sabia como fazê-lo, afinal todos os clientes eram homens e não sabia como um haveria de possuir o outro, já que suas formas não se encaixam como as de um homem e uma mulher. Ele mantinha esta duvida para si, imaginava que seria algo muito estranho de se perguntar, pois ninguém tocava naquele assunto. Ao contrário do moreno, Louis já tinha se deitado com alguns homens na casa, mas disso o pequeno só soube quando o amigo passou o dia inteiro semimorto lamentando-se de dor nos quadris. Hansel também era muito requisitado, praticamente todo o dia vinha alguém pedindo sua companhia, era um dos que mais davam lucro.
Também havia dias em que a casa ficava extremamente parada, nem mesmo os pássaros cantavam de tão monótono que era a calmaria. Nesses raros momentos, todos se davam ao luxo de brincar entre as árvores, quase como crianças normais. Eram naquelas poucas horas entre o almoço e jantar que a mulher com o olhar vazio soltava-os dando a eles um pouco da desconhecida felicidade. Sebastian e Louis descansavam a sombra de uma velha árvore, deliciados com a paz que estavam sentindo, foi ai que o moreno viu uma oportunidade para tirar suas dúvidas, mas não sem certo constrangimento. Formulou a pergunta e disse antes que desistisse:
– Lo, tem algumas coisas me perturbando constantemente. – Disse ficando deitado de lado e apoiando a cabeça sobre o braço.
– Diga-me, talvez possa ser de alguma ajuda.
– Bom, como se sentes... Como eles fazem contigo? – Nesse momento sentiu todo seu rosto pegar fogo, a vergonha foi tanta que se cobriu para não ver a reação do amigo.
O ruivo permaneceu quieto, processando a pergunta de diversas formas, o moreno chegou a pensar que ele nada contaria do assunto, mas o de olhos azuis virou-se do mesmo modo que Sebastian, ficando de frente para ele. Ficou assim por mais tempo, tentando crer que tais palavras tinham saído da boca de seu pequeno. Respirou fundo e finalmente proferiu algo:
– Quais suas dúvidas? – Disse ainda esperançoso de que fosse alguma brincadeira de mau gosto.
– Sabes Lo... O homem e a mulher copulam, pois em suas formas acham a simetria necessária. Como dois homens conseguem fazê-lo?
– Sebby, homens realmente não tem essa vantagem como as mulheres, mas... Existe outro lugar, que não pode ser visto, nem tocado com frequência. – O ruivo falava sem contar detalhes, torcendo que o mais novo entendesse apenas com aquilo.
– Mas o homem tem apenas um local de prazer... Pode me contar qual é o outro?
– E-eu... Sebastian... É algo vergonhoso de ser dito, quando deitar-se com alguém irá descobrir.
Aquelas palavras saíram cortando a garganta de Louis, ele queria ser o primeiro a tirar as dúvidas do amigo, mas só de pensar que ele vai usar essas informações com outros homens fica com tanta raiva que seria capaz de matar o primeiro que for para cama com ele. Mas nem isso era permitido. Então aceitava calado as escolhas do destino, mas se Sebastian persistisse naquele assunto não saberia se seus hormônios deixariam aquela chance passar.
O mais novo não se conformou com as investidas do amigo, queria uma resposta digna já que se esforçou tanto para perguntar. Aproximou-se do ruivo, colocando seu queixo no peito dele, o encarando com seus orbes negros exigindo uma reação, a qual Louis tentava evitar para não ceder às vontades do menor. No começo tentou apenas olhar para cima, mas o moreno deixou isto impossível quando pegou seu rosto com as mãos e o voltou para si, deixando as bocas próximas de um jeito perigoso. O mais velho começou a acariciar os cabelos negros automaticamente sem mudar a expressão do rosto, ele queria possuí-lo ali mesmo, tendo a floresta como proteção e abraçado pela grama, ensiná-lo passo-a-passo como dois homens se uniam.
O pequeno subiu no amigo. Com as pernas entre as dele tentava chegar aos ouvidos do maior da forma mais sensual que conseguiu. Soprou de leve no pescoço dele sentindo o mesmo se arrepiar por completo.
– É assim que eles fazem contigo?
Não houve tempo para uma resposta, pois o ruivo empurrou o menino se levantando em seguida, olhou para a figura ajoelhada aos seus pés e não soube o que pensar ou como agir, o Sebastian que conhecia era um garotinho puro, que não tomaria uma iniciativa daquelas ou pelo menos era assim que o conhecia, afinal poderiam existir várias pessoas dentro dele. Ainda incrédulo continuou fitando a figura sentada no chão, que não demonstrava nenhum tipo de arrependimento pelos seus atos, apenas um pouco de raiva por ter sido jogado sem compaixão.
– O que estava fazendo, Sebastian? –Perguntou ainda sentindo o local onde ele soprou arder devido a vergonha que sentia.
– Eu que lhe pergunto! Não fazes coisas indevidas comigo noite após noite? Não vejo problema em fazê-las a luz do dia, já que é um hábito nosso! Ainda por cima quero tirar minha dúvida, como eles te possuem, Lo?
O menor estava obstinado a conseguir uma resposta, mas viu que não seria naquele dia que iria consegui-la. Um pouco decepcionado com o amigo saiu do lugar onde ambos se encontravam e pôs-se a andar pela floresta, não se afastando muito para saber o caminho de volta. Ele adorava fazer aquilo, andar como se fosse livre, pois aquilo não tinham como negar a ele. As coisas que podia fazer sem pedir permissão era quase um tesouro para o menino, por isso as valorizava muito. Ficou encantado com a paisagem rústica que a floresta tinha, e justo naquele dia foi até uma pequena cachoeira, um pequeno fenômeno da natureza belissimo e se fazia um arco-íris sobre ele, iluminando ainda mais sua existência.
Mas tinha algo mais belo naquela paisagem. Algo que não fazia parte dela, mas que exalava a perfeição em cada gesto. Sua pele alva era pura e bela, diferente da de Sebastian, a qual o próprio achava um branco sem vida, mas um branco celestial, aquele merecia apenas aos anjos. Seus cabelos castanhos não se molhavam com a água, ela parecia não querer atingir aquele corpo. Sim, aquele menino era de uma beleza extraordinária, o moreno não acreditaria que existisse algo tão belo se não estivesse o vendo com seus próprios olhos. A forma graciosa que ele abaixava sutilmente o tronco, levando a água na boca era sensual de um jeito tão diferente que assustou Sebastian. Parecia que estava invadindo a privacidade de um ser celestial, e por um momento isto lhe pareceu tão errado quanto excitante.
Porém isto não durou muito, na verdade, foram poucos segundos em que ele contemplou a imagem esquia daquele belo jovem, pois este notou a presença do outro e ao contrário do que se imaginava, sorriu gentilmente, dando boas-vindas ao moreno. Seu sorriso era ainda mais perfeito. Todos os dentes na boca, não tão amarelado quanto a maioria dos garotos e incrivelmente era de uma inocência sem fim.
– Ora, se perdeste na floresta, Sebastian? – O outro quase pulou ao ouvir seu nome, como ele poderia dispor desta informação?
– Como é de teu conhecimento como me chamo?
– Que deselegante não reconhecer a face de alguém que dorme ao teu lado todas as noites. – Sua voz ainda era serena, mas as palavras deixaram o menino extremamente confuso, como um anjo poderia morar naquela casa sem ele notar?
– Como assim? Estás me dizendo que vive naquela casa aqui perto? – O outro apenas sorriu e acenou positivamente. – Como podem fazer isto com coisa tão bela? Você... Deveria ser pintado em quadros e louvado como um santo! –Disse alto mostrando sua revolta, afinal estava certo, como poderiam vender e macular aquela criança?
– Ei, tenhas calma. Não sou um santo para ser louvado, nunca entrei em uma igreja em minha vida. E no que se refere a fazer “isto”, nunca me opus a vontade do destino, se ele diz para passar o resto dos meus dias naquela casa, eu passarei até meu corpo ser consumido pelo tempo.
Aquela calma, aquele sorriso enquanto dizia o que parecia ser uma profecia sentenciando sua morte fez o moreno refletir sobre sua função na rede de prostituição, pois a criança a sua frente não condenava o que fazia, parecia até gostar daquilo. O viu saindo da água calmamente, soltando a aba da calça que tinha sido presa para não molhar em contato com a cachoeira. O de cabelos castanhos chegou perto de Sebastian e segurou sua mão delicadamente, foi ai que o moreno percebeu que a pele dele se tratava do mais puro corte de seda. Arrepiou-se quanto teve contato com ela, mas não se assustou tanto quanto ele começou a puxá-lo até a casa, mostrando o caminho que com certeza saberia sozinho.
– Onde estás me levando? E como te chamas?
– Se a noite cair e estivermos fora, seremos castigados. Pode me chamar de Leo se quiseres.
Sebastian seguiu com aquele garoto até certa parte do caminho, logo a atenção de Leo foi voltada para outras crianças que passavam por perto, deixando o menino que acabara de conhecer sozinho andando em direção ao pequeno casebre. Fitou o chão o resto do caminho, na presença de Leo até tinha esquecido Louis e da raiva que estava sentindo, mas não seria isso que o faria voltar a beijá-lo como antes, o ruivo teria que sofrer muito antes disso. Já tramava planos terríveis para seu amigo quando sentiu uma mão sobe o ombro. Não uma mão delicada de menino, mas forte e grande de um homem feito. Olhou para trás e viu aqueles que todos chamavam de “contratante”, seu rosto e seu sorriso dissimulado ainda estavam vivos na memória de Sebastian, que respondeu ao toque dele com indiferença no olhar, já que não podia afastá-lo ou dar um tapa nele.
– Olá, meu jovem. Vi que estava conversando com Leo. Posso saber o assunto?
– Nada importante ou do seu interesse, meu senhor.
O menor se afastou dele entrando na casa e fitando todos se acomodando para jantar, pegou sua porção de comida e a saboreou devagar, não que estivesse boa, só queria ter uma desculpa para não entrar no quarto e encontrar o ruivo pronto para assediá-lo como de costume. Quando acabou, teve outra surpresa: a mulher sem vida o chamou perto da porta de um dos quartos, quando ela fez aquele sutil movimento, todos na sala já sabiam que o moreno era “o escolhido”, alguns com pena, outros com alivio por não terem sido chamados, mas uma única certeza: Sebastian iria mudar radicalmente naquela noite.
– O que houve, senhora? – Perguntou sério na esperança dela passar apenas algum trabalho pesado.
– O contratante quer um virgem esta noite, você é o único aqui que ainda não dormiu com ninguém. Então entre e sirva para alguma coisa. – Ela não esperou uma resposta, apenas segurou o menino pela nuca e o jogou para dentro do quarto fechando a porta em seguida. – E fique bem, por favor.
O pequeno ouviu a porta fechar atrás de si e automaticamente virou-se tentando abri-la, mas estava trancada. Aos poucos foi virando para o resto do quarto, vendo uma cama e um homem sobre ela. O mesmo homem de alguns minutos atrás estava com um sorriso sarcástico o fitando com luxúria. Levantou uma mão chamando-o mais para perto, assim fez o jovem, com medo do que pudesse acontecer com ele dali para frente. Sentou-se na cama, de costas para o chamado “contratante” e esperou uma nova ordem, pois não sabia como agir.
– Sebastian, esta é sua primeira vez, certo? – Disse se aproximando por trás e cheirando os cabelos negros daquela criança.
– Sim.
– Não tens o que temer, prometo que não irei lhe maltratar se for um bom garoto.
Aquelas palavras o estremeceram, como um sopro em sua alma. Mas sabia que dentro daquele quarto não tinha vontade, não passava de uma boneca descartável e útil apenas para o uso dos homens, era assim que o contratante o viu e tinha certeza de que nunca pensaria ao contrário. Logo as palavras sumiram dando lugar as mãos agressivas do maior, arrancando as vestes do pequeno quase as rasgando e jogando-as em algum lugar. Ainda por trás começou a percorrer o pescoço do moreno chupando com vontade a pele branca, deixando marcas avermelhadas e quem sabe doloridas. Sebastian gemia por gemer, não era prazer que o contratante estava lhe dando, talvez medo e repulsa, mas nunca prazer. Logo os toques desceram para sua calça, apertando seu membro por cima da roupa, o provocando com movimentos ora longos, ora curtos. Sua intimidade reagia como todo homem, afinal era impossível não ficar excitando sendo acariciado justo naquele local.
Albert, o contratante, virou o menor para si, continuando a tirar suas vestes de um jeito desesperado e sedento, logo subiu sua atenção para o rosto de Sebastian, que se encontrava em um semblante de medo. Com suas mãos segurou a face delicada em transe provocado pelos olhos negros. Foi se aproximando vagarosamente da boca dele, já podia sentir a respiração acelerada de seu escravo quando este virou o rosto e cobriu os lábios com aflição, como se eles fossem se derreter em sangue quando encontrassem os do mais velho. O contratante ficou enfurecido com a rejeição, logo puxando o menor para outro beijo o qual também foi negado.
– Qual teu problema? O que tenho para sentir repulsa?!
– Meu senhor, meus beijos pertencem àqueles quem amo! Não tome meus lábios sem saber dos meus sentimentos!
– Tomarei teus lábios, teu corpo e até tua alma! Pois você não tem vontade, não tem sentimento ou desejo! Tu é meu escravo, Sebastian Michaelis!
Ele já sabia disso, tinha certeza que qualquer sensação de liberdade que sentisse não passaria disso, uma sensação. Com raiva seu senhor prendeu suas mãos com a blusa que pouco tempo atrás tinha sido arrancada. Com força e brutalidade quase machucando a frágil pele infantil que Sebastian tinha. Daquela vez não pode repelir o beijo violento que tomou seu fôlego, Albert também mordeu a boca fina do jovem, fazendo o que o pequeno temia: sangrar.E piorou tudo quando o moreno mais velho lambeu o ferimento. Passeou pelo corpo do menor com suas mãos, apertando suas nádegas e as separando ao mesmo tempo.
– Se tivesses sido um bom garoto, estaria indo aos céus com meus toques.
O menor assustou-se quando sentiu um dedo violar sua abertura que tinha permanecido intocada até então. Não era dor, desconforto poderia descrever melhor a situação, mas aos poucos se acostumou com o invasor dentro de si. Porém soltou um grunhido fino de descontentamento quando somou outro dedo e um leve grito quando se fez três. Todos trabalhavam como uma tesoura, abrindo e fechando, cortando e rasgando seu interior. Arqueou as costas e implorou para que aquele homem acabasse com seu sofrimento, quase pediu para morrer, só não o fez porque teve medo de ter seus desejos realizados. Mas Albert tirou seus dedos de Sebastian. Se posicionando entre as pernas dele inserindo a pior parte daquele ato: seu pênis.
Não pode impedir os gritos de saírem quando isto aconteceu, mas certamente foram abafados pelo cansaço emocional que estava sentindo. O homem parecia querer cortá-lo ao meio, sua entrada ardia e já não sentia os braços que permaneciam amarrados um ao outro. As lágrimas já rolavam quando viu uma mão as recolher carinhosamente, o pequeno realmente não entendia as mudanças de atitudes de seu senhor.
– Relaxe, pois isso vai doer mais em você do que em mim.
O de cabelos negros não tinha opção, respirou pausadamente tentando se conter. Talvez isso não tivesse funcionado se Albert não parasse com os movimentos, por um breve momento ele ficou imóvel apenas distribuindo selinhos pelo seu pescoço. Depois o jovem foi se acostumando com ele dentro de si, tanto que pensou não haver mais necessidade de gritar, mas toda a preparação foi em vão, pois a medida que as estocados começavam, voltada a dor absurda que tomava conta do corpo de Sebastian. A cada vez que ele entrava para chegar ainda mais fundo, era um grito que saia da boca do menor, gritos desesperados que assustaria até os homens mais corajosos.
– Louis! Louis! – Era a única coisa que conseguia dizer. Chamando o nome de seu amigo para que este viesse lhe salvar como nas outras vezes.
– Cale a boca, moleque! – Dito isto deu um tapa no rosto do menino, mas aquilo não passava de uma caricia comparado a tudo que ele estava sentindo. – Quando eu estiver lhe possuindo, grite meu nome! Quero ouvir você chamando por: meu senhor!
Puxou os cabelos negros do menino para baixo, fazendo suas costas arquearem em um ângulo doloroso, escorria saliva de sua boca e não conseguia formatar palavras, mas tinha a certeza que se não obedecesse seria mais castigado. Enquanto suas estocadas ficavam mais violentas, Sebastian tentava encontrar forças para dizer, ou pelo menos pronunciar uma silaba do que ele lhe mandou.
– M-me... Meu... Se... Senhor! Me... Meu... Senhor!
Aquelas palavras sem sentimento e o sorriso sádico do contratante foram as últimas coisas que se recordou daquele momento, depois disso desmaiou. Seu corpo poderia não aguentar estaria por vir, talvez aquele demônio fizesse algo bem pior, mas ele não se importou. Quem sabe morrer fosse menos traumatizante. E finalmente entendeu o motivo para Louis se negar a revela qualquer fato sobre a união de dois homens. E certo estava ele, com toda a certeza.
Sebastian acordou tonto, parecia que seu pesadelo não tinha terminado. E de fato, ainda estava no quarto com aquele homem, só que agora sua cabeça estava sobre o peito dele, enquanto Albert acariciava as mexas negras. Seus braços permaneciam amarrados, por este motivo não conseguiu dar a surra que ele merecia, apenas fechou os olhos novamente tentando não se mover muito, não sabia o que aquele monstro podia fazer ao vê-lo acordado. Mas não foi preciso muito fingimento, pois logo entrou no recinto um anjo, mas um anjo enfurecido de belos cabelos castanhos e olhos verdes oliva, era sua salvação. Mas aquele anjo não puxou o menor dos braços de seu senhor, apenas ficou parado em frente a cama, encarando a imagem com desgosto.
– Meu lindo Leo, se venho juntar-se a nós, creio que chegou atrasado. Mas seria algo muito divertido com sua presença. – Disse Albert orgulhoso de si.
– Não venho para lhe agradar, meu senhor. Vim saber porque escolheste outro menino que não a mim.
– Ora, meu pequeno, minha memória ainda é jovem o bastante para lembrar-me de suas palavras quando pedi sua companhia para esta noite. “Hoje você não irá me ter, se mantenha ocupado procurando peças para tua coleção”.
O menino parecia não saber revidar, apenas corou e torceu a face de raiva. Sebastian apenas olhava as reações de ambos pelo canto do olho, sem denunciar sua presença. Ainda sobre o peito do contratante, sentiu este lhe apertar um pouco mais, causando certo desconforto.
– O que foi, Leonardo? Achou que ia me ajoelhar aos teus pés e clamar teu perdão? Você provavelmente esqueceu quem é o seu senhor.
– Tu não me da chances de esquecer esse fato. Acontece que tuas atitudes me dão raiva! Transbordo de fúria ao pensar que compraste peças tão comuns ao invés... De estar a procura de meu irmão!
Sim, aquele era o verdadeiro motivo da discussão, dos gritos e de todo o resto. O moreno que estava quase inconsciente na cama se achou muito tolo por cogitar a ideia de alguém que ele mal conhecia estar lhe protegendo, afinal muitas pessoas que ele jurou serem confiáveis haviam lhe traído. Sebastian não sabia quanto tempo conseguiria ficar acordado, mas tinha que saber mais sobre aquele anjo que roubou totalmente sua atenção.
– Já lhe disse que Giovanni está em lugares distantes, não há como negociar com seus senhores.
Aquela resposta pareceu suficiente, mas isto não conteve Leo, seu rosto parecia procurar outro meio de brigar com Albert, ou qualquer coisa que o fizesse permanecer dentro daquele quarto. Olhou para o chão desconsolado, parecia que ia ruir a qualquer momento.
– O que passas, Leo? Conte-me o verdadeiro motivo da sua invasão.
– Você... Você disse que eu seria para sempre teu favorito! O que dizes agora, que preferiu outro garoto a mim? Está me rejeitando?
O mais velho sorriu sádico, era tão bom controlar os sentimentos de uma criança, muito melhor do que lidar com elas. Às vezes se sentia mal por abusar de criaturas tão indefesas, mas era algo que lhe dava prazer, se o inferno fosse um preço a pagar por viver seguindo seus fetiches, até que não seria um juro tão absurdo.
– Sabe... Ele lembra-me você, quando ainda possuía alguma inocência. Não penses que irá se livrar-te de mim, teu corpo ainda me seduz e ainda me pertence. Então ainda não lhe dou permissão para deitar-se com outro.
Aquela era a única regra para seus favoritos: todos eram exclusivamente seus. Não os permitia dormirem com outros, seja cliente ou amigo. Para alguns poderia ser cruel se prender a só um, mas para Leo era o suficiente. Nunca iria admitir, mas era um alivio poder unir-se apenas a uma pessoa. Depois disso Sebastian dormiu novamente, na verdade teve outro desmaio, logicamente não pode ouvir mais nada depois da afirmação do contratante, o que fez sua curiosidade ficar a mil.
No dia seguinte acordou ainda no quarto em que tinha passado a noite, com as nádegas extremamente doloridas e as mãos finalmente desatadas. Mas não era apenas isso de diferença, sentiu algo molhado na sua abertura, o tocando com carinho fazendo a dor que sentia amenizar um pouco. Olhou para trás e viu a bruxa com um pano úmido se encarregando de limpá-lo, ela parecia estar triste, não como nos outros dias em que simplesmente não mostrava nada, estava realmente triste, pela primeira vez o moreno viu algum sentimento em seu rosto. Ela assustou-se ao ver os orbes negros do menor a fitando, previa que ele só iria acordar após limpá-lo, mas errou nas contas. Sebastian estava imundo, fedia como um porco, seu corpo estava marcado com chupões e não sentia seus membros a baixo da cintura. Só acreditou vendo com seus olhos, porque estava coberto de sangue e de um liquido branco que saia de seu anus.
Sem contar com o suor que se encarregava do resto do seu corpo. Todo ele estava peguento, isso o deixava louco de nojo de si mesmo. Tentou mexer um pouco as pernas, para sair daquela posição tão vergonhosa, em que ficava de barriga para baixo se expondo totalmente a aquela mulher. Mas a dor tomou conta dele, o fazendo soltar um pequeno grito e voltar a sua posição inicial.
– Não te mexas, ou irá doer mais ainda. – Disse ela com uma voz carinhosa, tão carinhosa quanto suas mãos que trabalhavam tentando deixar o menor o mais limpo possível.
– Por que fazes isto? – De fato não confiava mais nas pessoas, tinha perdido este dom há muito tempo.
– Porque é o mínimo que posso fazer.
Com aquela frase fez o pequeno se calar. E assim ficou até estar totalmente limpo pelas mãos habilidosas da bruxa, que ele nem sabia o nome, mas viu que não era de todo o mal. E tentou lembrar ao menos de partes da noite anterior, mas apenas as coisas mais traumáticas vinham a sua cabeça, e isso o deixava louco. A lembrança da voz fria e sádica daquele monstro o deixava arrepiado, tudo o que mais queria naquela hora era sumir do mundo, como se nunca tivesse existido.
Notas finais
Não vou falar dos poucos reviews do cap anterior porque sinto vergonha de mim mesma ao lembrar dele, mas acho que esse merece uma pequena parte do tempo de vocês, né? *le implorando*
Vamos lá! Meus lindos, seus preciosos dedos não vão cair! T^T
~Kissus~
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