O Passado De Um Mordomo
4 4ª Noite
Notas iniciais
Foi mal pessoal, mas minha cabeça andou falhando e minha mão também ¬¬
Desde já peço desculpas pelos erros de português, já que minha beta me abandonou. Estou a procura de uma tão eficiente quanto.
Lili-chan, eu sei que você se ofereceu, mas... ah droga! Eu fiquei com vergonha de pedir! E tem mais Lili, neste aqui já tem um yaoi mais acentuado, mas nada que a censura 18 anos não tivesse avisado XDDDD
Agradecimentos mais que especiais a Kuroloveforever, que deixou um recomendação linda! Muito obrigada!
Bom... acho que é só isso... qualquer erro que vocês acharem imperdoável me avisem.
Ah, qualquer semelhança com o passado de Allen Walker de D. Gray-Man, não é mera coincidência. Já que me inspirei muito na infância dele >///<
Boa leitura~~
O Sol castigava as cabeças descobertas, eram exatamente meio-dia e toda trole do circo estava inquieta seguindo as ordens do homem gordo que suava mais que todos, de tão molhado parecia um porco. O velho esbaforido olhava para os lados assustado e descontente com a lentidão dos seus funcionários, em especial, um jovenzinho pálido, que parecia nunca ter saído à luz do Sol, o que era irônico por estarem no dia mais quente do ano.
– Rápido, Sebastian! Ou iremos lhe deixar com os cachorros!
Gritava o dono do circo, mal tinham chegado e já eram obrigados a partir, a causa foi as dívidas que o chefe tinha arranjado logo após chegar a cidade. Não era a primeira vez que acontecia, mas todo o picadeiro estava aflito, pois o homem a quem ele devia tinha muito poder, a ponto de mandar matar todos que aparecessem em sua frente. Sebastian e Louis estavam tentando tirar sua carroça do lugar, pois o burro que a puxava sucumbiu à morte.
– Sinto por isso, Sebby. Já trato de conseguir outro animal para nossa montaria – falou o ruivo de cabeça baixa, enquanto o moreno puxava com unhas e dentes aquele bando de madeiras velhas sobre rodas.
– Não fales assim, mal foi tua culpa Lo. O bicho estava velho e o melhor foi morrer mesmo.
– Ainda assim, vou conseguir outro, não importa como!
Com esta frase ganhou um olhar de repreensão por parte do mais novo, ele havia lhe proibido de dizer qualquer coisa desse tipo, pois sempre que proferia algo assim, acabava roubando, e roubar era o mais baixo nível da sociedade, pelos ideais do pequeno. Continuaram sua marcha em silêncio, apreciando apenas o barulho de sua barriga reclamando, a dor aguda que a fome causa já era mais que familiar para o garoto, fazia dois anos que entrara para o Circo do Bosque Encantado, tinha vivido inúmeras experiências ruins, mas também tinha se divertido muito, sempre ao lado do ruivo, que se tornara mais que um irmão naqueles anos, simplesmente não imaginava sua vida sem seu fiel escudeiro.
Apenas Sebastian carregava o peso da carroça, Louis andava ao seu lado, encolhido por conta da fome e da dor que sentia, afinal, havia carregado o mesmo peso que o moreno durante horas, como o combinado. Ele já havia convivido durante dois anos com aquele menino e vinha nutrindo pelo pequeno um carinho especial, depois de algum tempo, ficar junto ao menor se mostrou tão prazeroso que por diversas vezes, fugia de suas obrigações só para ajudá-lo com as dele. Naquele momento, prometeu conseguir outro animal porque não suportava ver aquela expressão em um rosto tão belo, se fosse possível, continuaria puxando aquela carroça até seus membros se soltarem de seu corpo, mas Sebastian não o deixava continuar o que dizia ser insanidade.
Se chamar isto de insanidade, como devo chamar este sentimento?
Andaram até uma cachoeira, em meio a uma densa floresta, apesar de terem viajado mais que muitas pessoas com o dobro da sua idade, nunca tinham visto uma cachoeira, pelo menos, não tão bela. No começo ficaram receosos, poderiam estar fazendo algo errado mergulhando naquelas águas turbulentas e tão atrativas. Mas quando viram Harry se jogar apenas de calção, começaram a se despir, ficando apenas com as calças, os outros integrantes logo se contagiaram pela animação das crianças e um a um, foram para dentro da água, aproveitar o tempo de “folga”.
– Harry, já tinha visto uma cachoeira antes? – Perguntou o moreno para o velho.
– Inúmeras vezes, mas nunca me canso de nadar nelas, afinal, não é sempre que temos água assim, certo?
– Esta seria minha primeira vez, por falar nisso, mal sei nadar.
– Não te preocupas, duvido que vá precisar disto algum dia. Teu lugar é no ar, você praticamente voa.
Afagou os cabelos do menino e voltou a deslizar seu corpo roliço pela água, se sentindo jovem e leve. Quem não gostou do que viu foi Louis, na verdade, qualquer sinal de aproximação de Harry para com Sebastian, já desagradava demais o ruivo, pois queria monopolizar o menino, ele era seu amigo e de mais ninguém. Pena que era um sentimento tão vazio.
Ao que todos estavam se divertindo, ouviu-se um grito, de uma das bailarinas. A mulher corria por todos os lados, como se tentasse achar a saída de um imenso labirinto, totalmente descontrolada, tropeçou em seus próprios pés. Quando jazia no chão, olhou para cima e viu todos os seus companheiros atônitos diante dela. Ainda vacilante, tentou ficar de pé, mas não obteve sucesso caindo novamente com o rosto no chão. Em um ato desesperado levantou a mão, oferecendo-a a qualquer um que pudesse ajudá-la, mas ninguém parecia entender o que aquela jovem queria fazendo gestos tão indecisos.
Eu já vi esse olhar antes.
Sebastian reconheceu a súplica que a dama fazia com os olhos, seu pai adotivo fez o mesmo enquanto implorava pela sua vida. Naquele momento, o moreno viu que tinha algo errado, não sabia dizer o que, mas seu instinto dizia que precisava sair dali o mais rápido possível, e seu instinto nunca tinha lhe decepcionado. Andou lentamente, recuando até topar no tronco de Louis, que também estava espantado com a cena. Trocaram breves olhares e sem proferir uma palavra, caminharam em silêncio até o outro lado do rio, quando estavam a certa distância, olharam para os que permaneceram no mesmo lugar, e viram alguns homens encapuzados entre eles.
Gritos, horror, sangue! Um massacre em poucos minutos! Os homens de preto, que estavam em um grupo grande, sacavam espadas, atiravam pedras ou qualquer coisa que estivesse ao alcance das mãos. Com os olhos quase pulando do rosto, Sebastian assistiu a tudo com a boca semi-aberta numa expressão de espanto, quando falaram do poder do homem a quem seu chefe devia, nunca imaginou que ele o usaria desta forma. O moreno mostrou que ia proferir algo, mas foi impedido pela mão de Louis o puxando para trás de uma moita.
– Está variando, Sebastian? Continuas quieto e fique vivo – sussurrou no ouvido do amigo.
O pequeno sentiu a mão do maior afrouxando dando uma brecha para respirar, ficar entre as pernas do amigo era uma posição constrangedora, mas de certa forma, confortável. Suspirou admitindo que por hora, o ruivo estava certo, mas um nome lhe passou pela cabeça: Harry. Ele não podia morrer, uma das únicas pessoas importantes para ele não podia ser morto de tal forma.
– Solte-me! Tenho que socorrer Harry! – Disse empurrando o outro.
– Achas mesmo que permitirei? O Sol lhe fez mal, não está agindo com a razão! – Louis apertou o pulso do moreno, puxando-o para perto, eles ficaram com as faces quase coladas.
– Mas... deixe-me ajudá-lo! Não sabes como me sinto entregando ele para a morte!
– Não me fale de sentimentos, você não sabe nada sobre eles!
– Não haja como se fosse o dono da verdade, Louis! Ele é importante para mim, por que você não me deixa ir?
O ruivo baixou a cabeça, sem soltar o pequeno, que ainda lutava em vão tentando escapar do mais velho. Logo o pequeno percebeu algo errado, não era do fetio de seu amigo ficar calado em sua presença, no que fez menção em falar, foi calado com um abraço. Perto do ouvido do acrobata, sussurrou:
– Nunca imaginei que ouviria você falar de outro homem desta forma, isso me deixou triste – afundou a cabeça no ombro do amigo, buscando consolo – Harry é importante... não vai deixá-lo morrer... VOCÊ é importante para mim, como quer que eu permita que saia dos meus braços a caminho de um campo de guerra?
– Desculpe-me, mas não é algo que possa lhe explicar, apenas me solte.
– Não tenho como negar um pedido seu, pode ir – foi soltando o braço do amado com receio, mas antes que ele estivesse muito longe, tascou-lhe um selo nos lábios – Para o caso de tu não voltar.
Não seria a primeira vez que isso aconteceu muitas vezes o faziam para escapar do frio, mas nunca ir além disto era uma regra que Sebastian tinha estabelecido na sua cabeça. Mas a situação era diferente, as circunstâncias não pediam tal despedida, tinha certeza de que voltaria vivo, por isso, não tinha necessidade de todo aquele drama. Uma rápida troca de olhares foi o suficiente para o pequeno se despedir e ir ao resgate de seu velho amigo. De fato, Harry estava em perigo, mas não tão grande, pois os assassinos preferiam matar algo que lhes proporcionasse mais desafios, o velho gordo estava longe de ser uma boa vítima, com certeza foi isso que o salvou. Estava perto de algumas pedras, um pouco de sangue descia pela sua cabeça, pingando na água, ele não fazia menção de quem pretendia escapar, mas ficou claramente aliviado quando viu o garoto magro e pálido lhe estender a mão.
– Quer dizer que considera minha vida importante? – Disse em tom de zombaria.
– Não me encha com perguntas agora, temos que sair daqui.
Pegou o senhor pelo pulso e o arrastou sorrateiramente tentando passar despercebido pelos homens que ainda se divertiam matando as pessoas. Mal notou quando um deles chegou perto demais, logicamente, um garoto guiando um velho não seria uma cena invisível, por mais que o pequeno tivesse pedido a Deus, isso não aconteceu.
– Olhe o que eu encontro aqui, pelo jeito, vou poder continuar a diversão! – Disse aquele homem, mesmo encapuzado, mostrava as deformidades de uma pessoa cuja estética não foi trabalhada – Me permite lhe livrar deste fardo, garotinho?
Se ao menos pudesse enxergar a cor dos seus olhos, poderia dizer com certeza se era ou não uma boa pessoa, mas pela malicia de sua voz, soube que não estava falando com nenhum bom samaritano. Harry não parecia incomodado com as palavras do desconhecido, aliás, não parecia que estava naquele mundo, sorria alheio dos fatos a sua volta, o que deixava a cabeça do moreno confusa. O homem com uma arma na mão, chegou mais perto do menino, deixando o mesmo com calafrios, nem ao menos poderia se defender, pois segurava o velho por quem estava se arriscando. Gritar também lhe parecia inútil, já que boa parte dos presentes estava pouco se lixando para o que acontecesse a um garoto que no País da Rainha não era ninguém.
– O que você faria para viver, moleque?
– Eu mataria.
Com o olhar surpreso, o homem abriu um pequeno sorriso, mesmo que aquela não fosse a resposta que desejava. Pelo jeito tinha encontrado outra pessoa como ele, por que não o treinar como seu discípulo? Seria mais que interessante. Levantou a mão, acariciando os cabelos extremamente pretos e ainda molhados do menino, não diria que ele é feio, mas não era bonito o suficiente para vendê-lo a algum estrangeiro, o que fazer com essa carne nova?
– Eu não lhe dei o direito de tocar em mim.
– Eu não preciso de permissão, e seria melhor você ficar quietinho, não sabe com quem está falando.
Ele estava distraído com seu discurso de superioridade, por isso nem soube o que o atingiu, mas a pancada foi tão forte que ele desmaiou. Caiu lentamente de olhos semi-abertos e translúcidos, olhando fixamente para a figura magra e assustada na sua frente. Quando ele foi ao chão, foi possível ver quem tinha desferido o golpe. Louis estava com um pedaço de madeira e dava golpes de leve na palma de sua mão, com um olhar sedento de sangue, o moreno chegou a pensar que ele iria lhe matar.
– Está vendo, Sebastian? Será possível que tenho que lhe salvar o tempo todo?
– Ora, não é para isto que serve? Agora me ajude com ele, logo os outros irão nos perceber.
Por sorte, ninguém mais reparou naquele canto estreito onde os três estavam localizados, assim, puderam andar alguns metros sem serem percebidos, mas o peso do homem que tinham que arrastar era bem mais do que podiam aguentar, sendo assim, não estavam indo tão rápido quanto desejavam. A noite já tinha tingido o céu com seu véu negro quando chegaram a uma pequena cidade, apenas algumas casas, uma igreja e uma pequena bodega, onde pararam para descansar.
– Harry, vamos, você tem que estar melhor agora – Sebastian ainda não tinha desistido de falar com ele, mesmo Louis tendo diagnosticado que o homem estava terrivelmente bêbado.
– Vamos, Sebby, está apenas a gastar saliva conversando com um bêbado – o ruivo estava zangado e com razão, passou o dia tendo que carregar um homem que nem gostava, e ainda tinha que aturar a infantilidade do amigo com o velho.
– Ora cale a boca, Louis, não vê o que se passa? – Ambos se assustaram com as palavras de Harry, ele finalmente tinha dado um sinal de sanidade – Estamos livres! Sem dívidas, sem nome ou compromissos! – Virou-se da cadeira e estendeu a mão para uma garçonete que passava – Mocinha, traga-me sua melhor bebida, hoje vou comemorar!
Todos os presentes pararam para ver o trio de forasteiros, queriam ver até onde ia o dinheiro que eles tinham para pagar tantas regalias, mas o mais velho não se incomodava com o fato de não ter um centavo em seu bolso, tinha tudo planejado para conseguir escapar de lá completamente livre dos seus fardos. Enquanto isso não acontecia, iria aproveitar a noite que esperava há muito tempo.
– Harry, não acha que está exagerando? Desse jeito nem com nossas roupas conseguiremos pagar tudo isso – Sebastian falava com razão, não tinha muita noção de quanto tudo aquilo estava custando, mas não devia estar saindo barato.
– Não se preocupe, meu filho, tenho um plano, no final desta noite, tudo estará pago.
– S-sim. Já que é caso, vou procurar Louis.
O moreno ficou com o coração na mão, era raro o senhor lhe tratar por “filho”, mas todas as vezes que o fez, o pequeno ficou realmente feliz. No entanto tinha que procurar o ruivo que tinha sumido há algumas horas, não que estivesse preocupado, ele sempre fugia, mas voltava, era como um gato. O encontrou do lado de fora perto da taberna, jogando pedras na escuridão, ficou calado, não queria admitir, mas gostava de observá-lo assim, despreocupado, se distraindo. O que realmente não era normal para o ruivo. Sebastian sentia que todas as vezes que sorria estava se esforçando ao máximo e quando estava com outras pessoas ele era um tanto desagradável aos olhos do menor. Sempre destratando senhoras, irritando crianças, não entendia o porquê dessa mudança radical de temperamento.
– Lo, não seria melhor entrar? Sinto que pode chover se levarmos em consideração a loucura que é o clima – logicamente o pequeno só falou isso por que já sentia gotas de chuva na sua pele.
– Quero que chova um pouco sobre mim, às vezes é bom para relaxar
– Ora, relaxe lá dentro! Não ouviu Harry dizer que somos livres? Vamos aproveitar com o melhor da vida! – O jovem ia se aproximando do amigo aos poucos, como quem se arrisca perto de uma fera.
– Como assim livres? Desde quando estávamos presos? Acho que o Sol realmente lhe fez mal, Sebby! Eu estava naquele inferno por opção! Nada me prendia àquela vida! – Louis virou-se para o amigo, o encarando profundamente.
– Como assim? Por acaso você gostava de trabalhar mais que um escravo e ter migalhas ao invés de refeições?
– Não, seu grande idiota! Eu gosto de você!
De novo pregou um susto no mais novo, juntamente é claro, com um beijo. Mas diferente de todos até então, este não só juntou os lábios, o moreno sentia algo molhando sua boca, uma pequena brecha foi suficiente para ele ser invadido pela língua do amigo, agora ambos estavam em uma dança sensual à dois, conectados de alguma forma. Louis o beijava com desespero, como se o pequeno pudesse sumir à medida que seus movimentos se intensificavam. Sua mão percorreu a pele alva de Sebastian, que ainda permanecia despida, eles só usavam o calção que estavam se banhando na cachoeira. Não demorou a sentir um formigamento conhecido entre as pernas, sabia o que estava acontecendo, foi por isso que segurou a cintura de Sebastian, fazendo pressão sobre sua intimidade, queria que ele sentisse tudo que lhe passava pela cabeça naquele momento.
– Sebastian, eu te amo.
“Eu prometo, Sebby. Eu te amo.”
Ele lembrou-se das palavras do irmão, pensou estar traindo Jean por deixar outra pessoa lhe dizer isso, ou tocar nos seus lábios, certamente, o único que podia lhe beijar era Jean, mas por que se permitia ir tão longe com Louis? Seria só por conta dos seus olhos?
Notas finais
Maaas não é isso que importa, né? Vamos diminuir a distância entre nós! Vamos lá, deixem um review e assim começaremos uma amizade =^-^=
E para os leitores fantasmas... saibam que eu já tenho o contato de um exorcista, viu? É melhor vocês ficarem espertos ù_ú
~Kissus~
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