Notas iniciais
Hehehe... Demorei, certo? Sinto muito, mas a correria de fim de ano me pegou completamente dessa vez e deixei isso atrasar os prazos das minhas fics... Sou uma negação T^T
Gomen, mas vamos ao que interessa =3

– Você é mesmo um ser humano desprezível.

Foi a única coisa que Sebastian disse quando olhou nos olhos da bruxa. Ela, no entanto, não disse nada. Apenas se recompôs e olhou seriamente para os três garotos. Nenhum deles entendia seu gesto de bondade, ninguém entenderia que era a melhor e única coisa que poderia fazer pelas crianças. A mulher andou até Sebastian, passando por cima do italiano que ainda não tinha forças para sair do chão e disse lentamente, mastigando cada palavra.

– Você não irá para o céu por salvar um pobre diabo.

– Se você vai para o céu por fazer isto, acho que o inferno está de bom tom para mim.

Eles ficaram sérios, a bruxa com uma expressão de ódio e Sebastian com uma expressão de nada. Não sentia medo de morrer. Nem por ela, nem pelo homem que seria seu novo dono. Ele tinha apenas uma certeza: não iria morrer. Se seus companheiros de cárcere teriam outro destino, a culpa não era dele. Sua vida em primeiro lugar, afinal, uma coisa que ele sabia era que depois de viver tudo aquilo, não iria para um lugar bom. Ele não seria do agrado de Deus com todas as suas cicatrizes de mordidas e correntes.

Sim... Deus não o queria. Se Ele fosse um pai tão bom quanto todos diziam, Sebastian não estaria ali, sendo molestado por velhos ou por qualquer um com dinheiro na mão. Um pai não abandona seu filho. Por isso, Sebastian nunca teve pai nem mãe. Estava sozinho e a única pessoa com quem contava estava morta. Nada mais importava.

Quando acreditavam que acabaria por ali, Albert aparece por trás de Peter. Ele estava visivelmente furioso, não se sabia com quem, mas era certo que alguém seria punido. Empurrou o menino a sua frente e depois o adolescente, encarou Leonardo por poucos segundos com um olhar de desdém e por fim, fitou a bruxa. Sebastian nunca na vida, sentiu seus instintos tão a flor da pele. Eles gritavam, mostravam que era perigoso continuar ali. Mas ele gostava do perigo, só aquilo para tornar sua vida divertida.

– Sua vadia… – Disse enquanto a levantava pelos cabelos. – Eu sempre soube que era você! – O contratante a atirou contra os instrumentos de caça que guardavam naquela casa. A bruxa estava com a cabeça sangrando, mas continuou calada. – Você não tem pena deles coisa nenhuma! Sua puta de merda! Se quer desculpar-se com seu filho, vá pro inferno!

A bruxa arregalou os olhos. Até ai, foi a primeira reação dela. Ela deu a entender que falaria algo, mas o homem começou a chutá-la contra a parede, rindo de forma doentia. Os garotos ficaram todos no mesmo local. Não ajudaram ninguém, apenas viam e ouviam para tentar entender algo. Isso não durou muito. Albert não era tão paciente a ponto de fazê-la sofrer por mais tempo, então, acertou-a na cabeça com um pedaço de madeira forte o suficiente para deixá-la inconsciente. Mas antes de perder totalmente a razão, ela olhou para Sebastian. Seu olhar inspirava pena. O garoto não soube dizer o quanto aquela cena parecia-lhe hilária.

Ele tentou se conter diante daquilo, mas não conseguiu evitar um traiçoeiro sorriso em seus lábios. Não fazia mal. Ela nunca lembraria. Mas ele gravou para sempre o olhar que ela fez. O mesmo que seu pai e aquela bailarina fizeram outrora. Sim... Aquela expressão parecia estar presa nas lembranças do menino. Mas o momento não durou mais que meio segundo, pois um golpe certeiro na cabeça da bruxa a fez desmaiar.

– Saiam daqui antes que eu mesmo os mate. – Disse Albert aos três garotos, os quais atenderam prontamente.

Eles foram calados, sérios e desacreditados no que tinha acontecido. E mesmo que quisessem negar, estavam preocupados com o que aconteceria com a bruxa caso ninguém fosse socorrê-la. Mas isso não era problema deles, afinal, tinham escapado de morrer afogados, todavia ainda estavam no corredor da morte. Chegaram a casa e foram direto para o anexo, onde com certeza estariam sozinhos. Quer dizer, com exceção de Peter o qual não saia de perto deles.

Ao chegarem, Leo pensou alto:

– O que vamos fazer agora?

Sebastian fingiu não ter escutado e sentou em um canto do quarto, tentando absorver toda a informação que tinha recebido. Eles não tinham mais como fugir, ao menos, não naquele momento. Talvez a chance viesse durante a viagem, mas era de fundamental importância não entrar na residência do comprador. O seu plano era basicamente esse: escapar durante a viagem. Não sabia como faria isso, daria um jeito em cima da hora como sempre fizera. O seu grande problema era Leo, que estaria na mesma carroça que ele. Se o desgraçado não cooperasse o abandonaria sem pensar duas vezes.

A noite chegou e as crianças entraram na casa mesmo sem ter recebido ordem para tal. Um grupo de garotas já tinha cuidado dos ferimentos da bruxa e agora ela estava dormindo em sua cama. Cabia aos dois mais velhos distribuir a comida para os outros. Sebastian e Leo mediam cautelosamente a quantidade de sopa no prato de cada um e a metade de um pão era a conta certa para todos. Logo todos da casa já haviam sentado em algum espaço no chão e devoravam a sopa rala juntamente com o pão, não deixando escapar sequer as migalhas.

O de cabelos negros olhou para aquela cena de cima, comendo o último pão. Nunca tinha parado para pensar, mas eles se comportavam como uma família naqueles raros momentos. Ele sabia o nome de todos ali. Emily, Fanny, Fergus, Percy, Fred... Aquelas crianças cantavam “parabéns” todos os anos para Sebastian, mesmo quando dizia odiar aquela data. Eles perseguiram um gato gordo durante quilômetros para dá-lo a Sebastian quando este disse gostar de gatos. Ele nunca odiou aquelas crianças e certamente elas não o odiavam. E agora, ele iria embora. Aquilo foi o mais perto que chegou de ter uma família.

– Sebastian? – Lá estava Peter com aqueles olhos imensos fitando Sebastian. – Você ta chorando?

O maior piscou fazendo a lágrima escorrer mais rápido e sair do seu rosto. Realmente estava chorando, mas só diria aquilo sob pena de morte.

– Claro que não. Come logo antes que o gosto de rato fique forte.

Peter sabia o que tinha visto, mas sabia também que Sebastian não gostava de mostrar sentimento algum, por isso tentou esquecer o que aconteceu. Entretanto não entendia como alguém conseguia chorar sorrindo. Só Sebastian mesmo.

Todas as crianças já tinham entrado no anexo e estavam deitadas esperando o sono chegar quando Albert abriu a porta com brutalidade. Todos levantaram com o susto, alguns abafando um grito, mas o homem não pareceu se importar com aquilo. Caminhou até Leo e Sebastian e fez apenas um sinal, indicando que queria ser seguido. Obviamente o moreno se lembrou da noite que o viu pela primeira vez, quando ele fez aquele gesto. Os dois seguiram o mais velho sem olhar para trás. Era triste só pensar em hesitar por um segundo e ver os olhares inocentes confusos e assustados por estarem sozinhos. Eles não queriam ver aquela cena.

Já fora da casa, encontraram uma carroça, bem como imaginavam. Só não contavam que teria alguém para guiar o cavalo. Seria mais difícil fugir com Albert olhando para eles o tempo todo. Seguiram viagem no meio da noite e uma chuva estava quase certa para cair. Os meninos iam encolhidos no canto da montaria sem proferir uma palavra, enquanto o contratante os examinava. Aquele olhar fazia Sebastian sentir nojo. E Leo se sentir envergonhado.

A chuva começou a cair e logo virou uma tempestade torrencial. Os meninos continuavam na mesma posição, só que completamente encharcados e sonolentos. Albert brincava torturando algum besouro. Logo este último jogou o animal para fora e voltou a olhar os meninos, completamente entediado.

– Sebastian, vem cá. – Disse estendendo sua mão. – Quero que você use sua boca como só você sabe fazer.

O adolescente olhou com raiva para o contratante e pensou em mordê-lo com toda força enquanto o chupava, mas seria punido em proporções bem maiores. Então foi engatinhando em direção a ele, vacilante, com medo de escorregar por conta da chuva e do movimento da carroça. Abriu a calça do mais velho e pegou seu membro, o acariciando para ficar ereto. Impaciente como de costume, Sebastian o colocou logo na boca quando notou que iria demorar se ficasse apenas na mão. Já havia feito aquilo com vários homens, de todos os tamanhos, mas quando se tratava do contratante, não era difícil apenas pelo tamanho do membro, era humilhante também. Principalmente quando ele o lembrava a sua condição de escravo.

– Vamos logo, moleque, não temos a noite toda! Parece até que eu não te ensinei!

Albert passou a mão pelos cabelos de Sebastian e o forçou a engolir todo seu pênis. O garoto sentiu seus olhos lacrimejarem e vontade de vomitar, mas aguentou e continuou seu trabalho. No final, sentiu o gosto amargo do contratante entrar em sua boca e escorrer pelo seu rosto pálido. Levantou os olhos e viu o homem fumar um cigarro enquanto o fitava e sorria maliciosamente.

– Abre a boca.

Sem pensar, o jovem abriu a boca, ainda suja pelo esperma do mais velho. Então, Albert pôs a ponta do cigarro na boca do menino. O garoto gritou e teve certeza de que estava chorando. Enquanto isso, o contratante puxava seus cabelos, para não deixá-lo fechar a boca ou se distanciar quando esfregou o cigarro, apagando completamente o fogo. Leo olhava espantado grudado na carroça imaginando que logo seria sua vez. O grito de Sebastian já estava vacilando e a chuva fazia a dor ficar amena. Depois de uma pequena coleção de segundos, o mais velho o soltou e começou a rir da reação do jovem. Sebastian não pôde evitar de abrir a boca e olhar para o alto, tentando pegar o máximo de gotas possíveis. Novamente, o contratante interviu e beijou o moreno, mordendo sua boca e sentindo o sangue escorrer e se misturar ao resto do seu sêmen. Para ele, aquela situação não era nada além de hilária.

Quando finalmente deixou a boca do menino, olhou para Leo, encolhido no canto da carroça, jogou Sebastian para longe e se aproximou do italiano. Leo nunca tinha experimentado seu sadismo, talvez aquela fosse uma boa hora para fazê-lo perder qualquer sentimento dentro de seu lindo corpo.

– Ahh, meu querido Leo... Será que alguma vez na vida já sentisses tanto medo?

– Fique longe de mim, porco inútil!

– Parece que eu tenho relaxado um pouco... Você acha que está em posição de me dar alguma ordem, Leo?

O garoto tentava se distanciar, mas a carroça não era grande a esse ponto. O contratante deu apenas dois passos para chegar nele, e quando o fez, fitou os olhos castanhos, se alimentando do desespero que Leo estava sentindo. Era delicioso ver aquela expressão em seu rosto... Tão assustada e indefesa. Ele foi se aproximando do rosto do mais novo, sentindo a chuva parar aos poucos e deixando a visão da face de Leo mais nítida.

Naquele nível de aproximação, o italiano pode jurar que os olhos de Albert ficaram vermelhos por um segundo. Seus lábios só não se uniram porque a carroça parou bruscamente, fazendo o maior cair e dar um grito para o cocheiro.

– Seu demente! O que você quer?!

– Senhor... Aqueles homens estão impedindo a passagem. – Disse o velho.

– Então passe por cima desses misera... – Albert mudou completamente de postura quando viu quem estava impedindo a passagem. – Ora se não são meus bons amigos! Vieram me pedir mais algum “favor”?

A curiosidade de Sebastian foi maior que sua dor e ele conseguiu erguer a cabeça para ver os intrusos. Foi estranho ver tantos guardas guiados por um padre, mas mais estranho ainda foi o que Albert disse. Qual seria o favor que aquele homem de Deus pedia ao contratante? Ele não pôde memorizar o rosto do sacerdote porque o mais velho bateu em sua cabeça para que continuasse agachado.

– Então, padre, quantos vai querer dessa vez?

– Cale-se, enviado do demônio! Ordeno em nome de Deus que pare de alastrar o pecado no mundo com seus atos vis e palavras sem sentido!

O mais velho ficou claramente confuso com aquelas palavras, mas logo entendeu o que tinha acontecido e até achou um pouco de graça. Era tão típico dos humanos essa atitude...

– Meu caro padre, devo imaginar que não conseguiu roubar dinheiro do povo e não podes me pagar pelas belas peças que pediu, certo?

– Não encha os ouvidos dos inocentes com tuas mentiras! Demônio miserável! Há quantos anos tu tens a força da juventude, maldito?!

– Creio que vá fazer dez anos que o senhor é meu melhor cliente. E acho que estou nesse negócio há vinte anos. Talvez Deus goste do que estou fazendo, por isso resolveu prolongar minha humilde vida...

– Calado! Em nome de Deus e pelo poder a mim concedido pela sagrada igreja Anglicana, eu o condeno a morte da forma mais hedionda possível!

Os olhos de Albert se tornaram vermelho vivo, o que certificou a Leo que a cor que vira antes realmente existia. Ele parecia estar com raiva, mas certamente não deixaria aquele homem lhe dar ordens. Desceu da carroça e foi em direção ao batalhão que estava ali somente para prendê-lo.

– Seu hipócrita! Tão falso e mentiroso quanto o Deus que tu protege! Maldito seja!

Antes que o homem pudesse fazer mais alguma coisa, os guardas o prenderam, e ao contrário do que se esperava, ele não mostrou resistência. Ao ver que a situação já estava controlada, o padre foi até a carroça e encontrou os dois meninos. Estes, ainda não sabiam se poderiam ou não ficar aliviados com a intervenção daquele homem.

– De quem são esses?

– Pertencem ao Marquês de Sade, que veio tirar férias perto daqui.

– Hunf! Malditos franceses que roubam nossas crianças! Pois eu vou levá-los para a Santa igreja, onde eles se tornaram padres para salvar suas almas!

– Sinto muito, recebi ordens para só entregá-los ao Marquês. Além disso, ele já pagou pelas peças. – Disse o cocheiro.

O padre analisou um pouco a situação, e decidiu que nada mais poderia ser feito já que o Marquês pagou. Do contrário, seu ato seria um roubo. Então virou-se para o contratante e deu sua sentença:

– Joguem-no em um barril e amarrem o barril em um cavalo! Depois que o animal correr 10 quilômetros, joguem o barril no rio!

Os soldados fizeram um uníssono “sim, senhor” e foram cuidar da punição do prisioneiro e este não disse absolutamente nada sobre sua sentença, até cooperou na hora de entrar no barril. Mas os meninos não viram além disso, pois o cocheiro já tinha dado partida e eles voltavam a ir de encontro a morte.

Não demorou até chegarem ao seu destino. Era um castelo magnífico, mas igualmente sombrio por ficar perdido entre as árvores. Quando chegaram, o Sol já estava indo embora deixando o céu alaranjado e um homem foi os receber. Ele parecia gentil, mas com certeza não passava de um criado. Este homem levou os meninos até o salão principal da casa, onde, estranhamente, estavam mais adolescentes, entre meninos e meninas. Até então, todos pareciam perdidos sobre a festa, muitos ali nem sabiam que se tratava de um evento de prostituição. Nesse momento, uma porta bateu e quatro homens surgiram na escada, todos vestidos com as mais belas roupas.

– Olá, meus jovens! É com muita alegria que anuncio a maior orgia já feita! Eu, Sade, e meus três amigos, os chamamos aqui para entrarem na história! Agora, no ano de 1786, estamos fazendo parte da história!

Esse anúncio deixou todos ainda mais confusos. Certamente aquele homem não passava de um louco qualquer, mas com o sotaque francês, mal conseguiam compreender o que ele dizia. Um dos seus amigos interviu:

– Fique calado, marquês. Afinal, para que está se explicando? Deixe seu sangue aristocrata para lá, ele não fará a mínima diferença aqui.

A maioria dos presentes não entendeu, pois aquela frase tinha sido dita em perfeito francês. No entanto, Sebastian entendeu. Não só entendeu como reconheceu o dono daquela voz. Jean tinha mudado muito desde que eram crianças, mas seu cabelo ainda estava perfeitamente loiro e belo como sempre. No entanto... O que faria ele junto àqueles homens?


Notas finais
Ficou curtinho, mas foi de propósito...
Ah, deixem-me explicar quem foi o marquês de Sade:
1- ele realmente existiu e essa data foi escolhida a dedo por mim, pois foi um ano depois dele escrever "120 dias de Sodoma" e ninguém sabe dizer onde ele esteve nessa época. Para quem acha loucura fazer uma orgia desse tipo, devo dizer que esse livro que citei, fala exatamente disso, recomendo a todos que gostem de sentir MUITO nojo.
2- O marquês era francês mesmo e por isso é provável que ele conheça os membros da corte, isso inclui o Jean, então não estou forçando nada, a história foi caminhando sozinha até chegar ai '-' Sério.
3- Para as pessoas que me mandaram mensagens pedindo a continuação da história, eu elegantemente ignorei os que me xingaram e devo dizer que no Nyah! não tem a opção de deixar em "anônimo" ^-^
4- O final do contratante não vai ser esse, mas sei que muitos gostaram da punição =3
~Kissus~