Notas iniciais
Bom, esta é minha primeira fic de Kuroshitsuji, espero que gostem. O tema, eu pensei por que não tem nenhuma história que revele o obscuro passado do Sebby. Sem mais delongas, a fic.

A lua cheia abençoava aos enamorados e enchia os olhos dos observadores, deixando uma boa impressão de Paris aos turistas recém-chegados, o porto já tinha fechado devido a hora, mas ainda havia homens descarregando bagagens. Silenciosamente a lua invadia as casas, desejando boa noite às famílias que no dia seguinte, teriam mais trabalho, uma recompensa merecida. Porém, as ruas de Paris nunca estiveram tão sombrias quanto naquela noite. Enquanto mães embalavam seus filhos na cama, nove belas mulheres se apertavam em um beco escuro, amaldiçoando a lua que fazia seus rostos ficarem mais nítidos. Uma delas carregava um bebê, enrolado em panos sujos, mas ainda assim corado e com saúde, coisa rara naquela epoca.

A jovem escondia o “embrulho” que tinha em mãos de um modo desajeitado. Agachou-se perto do lixo e olhou para seu filho, que tinha nascido há dois dias. “Um belo monstrinho” pensou brincando. Sorriu ao ver que ele estendia os dedos para tocar em seu cabelo, ainda muda, brincou com as pequenas mãos de sua cria, deixando explicita a sua felicidade. Não demorou para uma das mulheres que estavam no beco chegar mais perto dela, de um modo hostil, fitou o pequeno. Devia ser a mais velha entre elas, aproximadamente 24 anos. Chamou a atenção da jovem e lhe deu um tapa no rosto, extravasando sua raiva descomunal pela garota e sua cria.

– Satisfeita, Camile? Agora, estamos sendo perseguidas por sua causa!

– Sinto muito. – segurou um choro e fitou o chão, colocando o bebê no meio do seu peito — O que faremos agora?

– NÓS, vamos fugir! E se quiser viver é melhor jogá-lo fora!

– Mas ele não faz barulho! É um anjo de tão perfeito!

– Esse bastardo deve estar semimorto, por isso não chora! Não gaste seu peito com uma criança, no fim ele irá sugar sua beleza!

Aquele que suas companheiras chamavam de “bastardo”, era o seu primeiro filho. Mas uma prostituta não deveria nutrir carinho por uma conseqüência de seu trabalho, mas como mulher, não podia ignorar que essa criança tinha seu sangue correndo nas veias. Camile era jovem e bonita, quase todos os dentes na boca e sem doenças graves, não era a toa que era tão requisitada, até o conde apreciou seus serviços, e aquela criança foi fruto de uma de suas “consultas” com ele. Claro que ela poderia ter criado o filho em segredo e levar uma vida miserável, mas seu erro foi achar que o conde iria querer seu primogênito. Erro cruel e imperdoável, pois agora toda a França estava à caça de prostitutas. Mas se ela fosse presa, o que seria da criança que carregava?

Levantou os olhos e encarou a mais velha, que estava em uma posição triunfante. Logo chamou as outras e adentraram a escuridão, esquecendo a jovem e o fruto do pecado que segurava. Uma criança era um peso que não podia carregar, teria que escolher entre viver ou morrer. Mas humanos são egoístas, então, escolheu deixar o recém-nascido junto ao lixo e seguiu na penumbra da noite, a única testemunha desse ato foi a lua, que brilhava intensamente, para mostrar a aquela mãe, o quão era desumana sua atitude, mas nem isso tocou Camile, o bebê não chorava, então definharia de fome ou seria comido por um cachorro.

Mas antes que pudesse se distanciar da cena do crime, um choro incrivelmente alto se alastrou pelas ruas. O pequeno que fora rejeitado estava tentando viver, mostrar que não se conformaria a morrer junto ao lixo. Como disse antes, humanos são egoístas, até mesmo o bebê de nossa história, pois no primeiro som que soltou, condenou sua mãe a morte. Será que ele não tinha ideia do que estava fazendo? Ou foi um plano bem elaborado?

Não demorou para policiais acharem a jovem e a criança, pobre destino que esta dama teve, uma vida miserável, para uma morte miserável. A criança ficou perdida por um tempo, passando de mão em mão, até achar um lar adotivo. Onde teve um padrasto, uma madrasta e um irmão, eram de uma família rica, pessoas boas e bem-humoradas. Mas Sebastian Michaelis, como foi batizado, trabalhava como cozinheiro, dia e noite ficava em frente ao fogão a lenha, queimando a barriga para satisfazer sua família. Seus dedos estavam constantemente enfaixados, devido a queimaduras e cortes, seu cabelo, antes castanho, escureceu, uma cor negra tomou conta dos fios que antes eram reluzentes. Sua pele ficou pálida e morta, quem o via nunca imaginaria que era filho adotivo da casa, um mero escravo que possuía sobrenome.

– Sebastian! Venha logo, estou com fome!

– Sim, senhor. Desculpe-me.

– Sempre se desculpando! Faça as coisas direito e pare de se desculpar!

– Sim. Com licença.

Seguiu até a cozinha nos fundos da casa, e continuou a cozinhar, o olhar melancólico que era lançado ao fogão, lhe fazia pensar se viveria assim para sempre. Se fosse assim, teria sido melhor morrer junto aos ratos, era menos humilhante. Antes que as lágrimas viessem, seu irmão o agarrou por trás, a única pessoa que ele se atrevia a olhar nos olhos na casa.

– Sebby! A comida está com um cheiro ótimo! – Jean Baptiste era um pouco mais velho que Sebastian, mais alto, mais saudável e mais bonito.

– Obrigado, Jean. Já levo para a mesa. Pode sentar-se. – disse com medo da bronca que levaria caso o pai descobrisse o mais velho na cozinha.

– Hoje vou te ajudar! Não é justo só você fazer tudo. – agora tinha certeza que seu padrasto iria dar-lhe uma surra com chicote.

– De jeito nenhum! Vai acabar com as mãos queimadas, e eu ficaria péssimo. – disse a verdade, nunca se perdoaria caso fizesse mal a ele – Vai sentar e espere a comida.

– Desse jeito, você parece um mordomo, Sebby . Mas você é meu irmão, isso me deixa confuso. O que você é?

Sebastian sabia o que era. Era um capacho trazido para servir àquela família a vida toda, não podia se libertar, muito menos reclamar. Jean sabia disso também, mas por ser a única pessoa de fato boa na casa, se negava a crer que seus pais fariam isso com uma criança de 11 anos. Mas o pequeno não tinha intenção de mentir, não para seu irmão, fitou o chão e disse serio:

– Eu sou seu mordomo. – olhou nos olhos do maior, sorrindo o mais natural possível – Por isso não vou deixar que se machuque fazendo meu trabalho.

O mais velho sentiu uma pontada no peito, nunca seu irmão foi tão direto, principalmente quando se tratava na sua condição na casa. O fitou com ternura, e pôs a mão sobre seus cabelos. Como iria proteger um menininho tão fofo e indefeso?

– Então se esforce para ser o melhor. Por que você bom você já é. Um mordomo e tanto! – sorriu, tentando animar o pequenino, que ficou cabisbaixo.

– Obrigado, irmão! Agora volta para sala! – falou lembrando-se do pai, que não ficaria nem um pouco satisfeito com a demora.


Notas finais
Bom... foi isso que eu pensei para o primeiro capítulo. Espero que tenham gostado e que não odeiem a mãe do Sebastian, ela era só uma menina afinal de contas, né? Agora, reviews!