Notas iniciais
Quando ler este capítulo, se estiver acompanhando, pode perceber que está diferente do anterior, revisei com uma amiga e optei por essa nova forma.

Olhei para os lados procurando algo que eu pudesse usar para bater nele, nada além de camisinhas usadas e embalagens abertas, considerei a idéia de sufoca-lo com um saco de Doritos mas me dei conta do quão ridículo seria eu tentar enfiar o saco na cabeça dele. Dois vultos pretos de relance passaram pela entrada do beco, um deles continuou e o outro parou pra tomar fôlego, seu rosto estava mais claro agora, era Taylor Greed, um dos babacas do colégio que tiravam sarro de mim desde 6 série, o que diabos ele estava fazendo ali naquela hora da madrugada? E o mais importante, por que estava TENTANDO ME MATAR??

–Ei Gabriel, esquece, ela já deve ter fugido a essa hora, aquela puta corre muito! -ele gritou ao amigo, o que era estranho porque Taylor havia tirado uma das maiores notas em Educação Física e vê-lo sem ar por causa de uma corrida definitivamente não era o esperado.

–Mas que merda! E se ela tiver visto nossos rostos? Vai contar pra todo mundo o que aconteceu! Merda!!! -Gritou Gabriel chutando algo que fez muito barulho, talvez algum latão de lixo.

–Relaxa, acho que ela tava ocupada tentando salvar o rabo pra perceber quem tava atrás dela! -Era constrangedor ouvir as coisas que falavam a seu respeito, de onde surgira tanto ódio?!

–Tem certeza?

–Qual é?! eu já me enganei alguma vez?!

Gabriel tinha vindo para a entrada do beco para encarar mais de perto Taylor. Podia ver seu rosto agora, era Gabriel De Lamares, um garoto espanhol bem alto que viera morar aqui em Ottawa com os tios há 3 anos.

–Eu preciso responder?!- disse Gabriel com desdém no olhar

–Uou! Relaxa!

–Vem, vamos sair daqui logo, já são quase 3 horas.

Os dois tinham ido embora e eu quase havia me esquecido do estranho que estava abraçado comigo e cobrindo minha boca, e pelo visto ele também pois tive que pigarrear para ele me soltar.

–Ah, me desculpe!- Ele se levantou e me ajudou a fazer o mesmo, porém só agora notara o quanto minha perna doía e não consegui levantar- Ai, me desculpe...Sua perna não tá nada legal.

–Jura?! Porque ela estava, até você se jogar no chão comigo!-Falei furiosa, o que logo depois eu me toquei o quão fui burra, os meus perseguidores tinham ido, mas esse cara ainda podia tentar algo. -Quero dizer, obrigada por me salvar, acho...De onde você veio? E como sabia que estavam me perseguindo?

–Bom, se eu te contasse você não iria acreditar! -Ele ajudou-me a levantar com mais cuidado e se voluntariou como apoio, agora que estava mais perto podia ver melhor seu rosto, uma face morena e definida, seus cabelos negros eram curtos e penteados para cima, e seus olhos, eles eram diferentes de todas as cores que já vi, não que fossem lindos mas, a cor deles era de um vermelho vivo, olhei tanto que ele percebeu e encarou de volta agora ficando vesgo e com um sorriso bobo, desviei o olhar de vergonha, mas tinha visto o suficiente para perceber que não eram lentes, ele usava uma Jaqueta de couro preto e por baixo uma blusa branca, parecia que ele tinha pegado essas roupas dos anos 80 mas, elas até que deixavam ele bem bonito, uma calça jeans e um par de All-stars pretos, nada chamativo, mas mesmo assim aquele conjunto o deixava bem atraente. Depois de analisar-lo por completo percebi que estávamos andando a um tempo.

–Ei! Para onde estamos indo?- exclamei olhando para os lados, estávamos um pouco longe da loja de conveniências a qual a placa reluzia Your Choice.- Para onde você está me levando?

–Pro meu apartamento!- disse ele olhando pra frente como se tivesse dito uma coisa super comum no seu dia-a-dia.

–Como é?!!-Empurrei ele pro lado e caí no chão

–Olha, eu sei que é estranho mas eu não sei onde você mora, está tarde, você está machucada e meu apartamento é logo aqui, não tem problema você passar a noite e mais tarde eu te deixo em casa que tal?-Ele estendeu a mão para me ajudar.

–Você ta louco se pensa que eu vou passar a noite no apartamento de um estranho que eu conheci num beco escuro.

–Bom, seja o que quer que esteja pensando, considere que eu já poderia ter feito isso naquele beco sem que ninguém nos visse!- Ele sacudiu o braço esticado e eu o encarei com um olhar confuso. -Vamos, eu não quero congelar aqui sabia?!

–A perna...

–É mesmo!-Ele se agachou e me carregou nos braços.

–Ei! Ei! Ei! o que pensa que está fazendo?- Perguntei me segurando nos braços dele para não cair

–Me certificando de que você não cai e se machuque de novo!- Ele me olhou sorrindo, os dentes eram tão brancos que quase reluziam.

–É mais provável que você caia!!- Encarei com a cara fechada e ele riu

–Chegamos!- Disse ele abrindo a porta de um prédio com um chute, o prédio era vermelho e tinha escadas de incêndio do lado, qualquer coisa que ele tentasse eu poderia fugir, mas não iria longe com a perna desse jeito.

–Você poderia subir nas minhas costas?

–Como?! -Ótimo, eu ali preocupada de que ele poderia me estuprar e ele pergunta se eu quero fazer cavalinho nele, definitivamente o sujeito não era normal.

–É que o lance de escadas até o meu andar é longo e eu não vou conseguir desse jeito!- Ele disse enquanto me balançava em seus braços.

–Hum, O.K então, se você diz...- A sensação de estar nas suas costas era estranha, ele não era um daqueles caras super musculosos e jogadores de futebol americano, mas também não era magricela, seu cheiro era de chocolate quente, e seus cabelos eram bem macios, quando me dei conta já tinha me deixado levar e adormeci enquanto ele falava alguma coisa sobre ficar com dores nas costas de manhã, mas o sono não me permitiu dar um tapa na cabeça dele.

Notas finais
Bom, não sei se tem alguém lendo, mas enfim espero que tenha gostado e se interessado pela história.