O Paraíso é Somente uma Utopia....Ou Não
1 Flocos e Flocos à Parte 1/3
Notas iniciais
5 de Novembro, inverno, e como sempre nessa época o baile se aproximava, eu nunca me importei com esse tipo de coisa, já havia me acostumado a ficar sozinha em casa assistindo maratonas de filmes, quase tudo que estava passando na cidade eu consegui facilmente acharonline, e como já era de se esperar, eu sempre me entediava, os enredos, os atores, até mesmo os efeitos para mim eram tão clichê quanto encontrar com parentes distantes no Natal, as mesmas perguntas assim como as respostas. Não que eu nunca fosse chamada para o baile, alguns aqui e ali até me convidavam, mas eu nunca me interessava o bastante para aceitar, eu só não via motivo em aceitar ir num lugar chato, com gente chata, que possivelmente tornaria a minha noite mais chata do que ela já seria. Quando todos os filmes acabavam, eu geralmente saía pra comprar alguma coisa para comer, afinal eu não ia sair com ninguém mesmo, que mal faria me empanturrar de besteiras?
E como um plano do destino pra tentar alegrar a minha noite, uma loja de conveniências novinha tinha aberto essa semana algumas quadras mais à frente, era só andar uns 200 metros, o que era chato mesmo era a neve, havia começado a nevar algumas horas atrás mas não imaginava que ainda estaria. A rua estava toda branca, alguns resquícios de verde e marrom eram vistos nas árvores, vermelho, azul de algumas casas ali pela vizinhança, qualquer cor diferente ficava em destaque naquele lugar. Como era de se esperar às 2 da madrugada, a rua estava deserta, ou quase, haviam 3 pessoas na verdade, eu, e mais 2 de preto que pelo canto do olho percebi me seguírem já há alguns minutos. Se havia algo que tantos filmes me ensinaram era não me desesperar e sair correndo feito uma louca ensandecida, eu continuei andando e olhando pelo canto do olho, eles apressavam o passo atrás de mim, eu podia sentir o desespero nascendo, "Se acalme Sue" eu dizia a mim mesma,"eles podem simplesmente estar passeando" então o meu desespero começava a gritar em minha cabeça "AH CLARO! APOSTO QUE DEVEM SER TESTEMUNHAS DE JEOVÁ ESPALHAR A PALAVRA! ATÉ PORQUE É SUPER NORMAL PESSOAS PASSEAREM POR AÍ AS 2 DA MANHÃ NO INVERNO" acelerando o passo eu podia ouvir-los atrás de mim fazendo o mesmo "Eles podem estar indo comprar alguma coisa pra comer assim como você" mas a voz do desespero era mais alta "EU SEI O QUE ELES QUEREM COMPRAR, E NÃO TEM NA LOJA!" nessa hora eu já tinha deixado de caminhar e andava como se precisasse urgente ir ao banheiro "Não Sue, faça o que fizer nã-" "CORRAAAA!!!!!!!!" quase escorreguei ao disparar em linha reta, minha bolsa tinha caído e eu não tinha planos de voltar para buscar-la, podia ouvir passos rápidos atrás de mim, ele tinha razão. Eu não podia parar, não sabia o que fariam comigo, ou até imaginava, mas não ia ficar para descobrir, eu já estava cansando, ofegava muito e já havia perdido velocidade, porém os passos atrás mantinham o pique, virei a esquina me agarrando ao poste de luz para não escorregar, e então, pude sentir uma mão agarrando o meu braço e outra tapando minha boca, eu tentei gritar e me soltar, mas não tinha força suficiente, lágrimas vieram ao meu rosto quando ele me arrastou para um beco. Ele se jogou comigo na parede de modo que fiquei em seu colo, como um abraço por trás, eu ainda lutava mas parei ao ouvir aquelas passadas que me seguiam.
–Shhhh!- Ele fez pra mim quando o barulho começou a ficar mais alto, não era ele quem estava me seguindo? que diferença fazia?! Ele ia me estuprar ali e me matar de todo jeito. Reparei no lugar onde estávamos, havia uma caçamba de lixo e uma porta que levava a algum lugar, vi umas embalagens de salgados no chão e isso poderia ser minha salvação, estávamos nos fundos da loja de conveniência, se eu conseguisse escapar dele eu poderia pedir ajuda lá dentro.
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