O Palacete
2 Tim
– Ah, quanta saudade! — um homem dos cabelos loiros que acabara de atravessar a rua dizia sorridente a uma jovem donzela:
– Nem faz tanto tempo assim, nos vimos a três dias — explicava a jovem — Mas a propósito, meu querido Timmy, por onde esteve ?
– Alayne, minha bela, você sabe mais do que ninguém, que eu nunca faria você esperar a toa — Tim respondeu com uma das mãos no bolso — Se demorei é porque foi preciso.
– Ahh, e qual foi o motivo de tal demora ? — ela replicou.
– Nada de importante, acredite em mim, amada.
– Então... Podemos Jantar ?
– Sim, vamos. Ali na outra esquina tem um ótimo ristorante, eles servem comida fancesa, você vai adorar.
Enquanto os postes urbanos engoliam a escuridão da noite. Sobre as ruas de Londres, um homem e uma jovem seguiam acompanhados até um ristorante bem próximo.
– Ohhh, Mr. Chandler, é uma honra recebe-lo — cortejava-o o garçon — O que deseja desta vez ?
Analisando o cardápio sobre a mesa por alguns minutos, Tim tomou uma decisão:
– Que tal uma sopa ?
– Sim — o garçon respondeu — E para a donzela ?
– Vou querer o mesmo — Alayne respondeu confiante.
– E para beber traga-me o seu melhor vinho — Tim ordenou ao garçon.
Minutos depois, matando o longo silêncio Alayne dirigiu a palavra a Tim:
– Não está com raiva, está ?
– Oh, não querida, não mesmo.
– Eu só perguntei sobre o seu atraso, pois estava preocupada com você — ela explicou — E além disso temia pela minha vida, dizem que Londres é perigosa a essa hora da noite.
– Você está absolutamente certa, amada — Tim admitiu — o errado sou eu.
– Espero que esteja tudo bem entre nós. Isso tinha de acontecer logo hoje, que tinha algo a lhe contar ? — lamentou a jovem Alayne.
–Conte-me amada, do que se trata ?
– Eehhh.... hum... Não sei nem por onde começar.
– Comece do início — Tim foi direto.
– É que nós nos conhecemos a um mês talvez, e eu... odeio admitir, mas acho que estou apaixonada.
Antes que Tim pudesse reponder, o garçon interrompeu trazendo em uma bandeja: dois pratos com sopa, e um vinho acompanhado de dois cálices.
– Bom apetite, senhores! — o garçon se retirou.
Novamente depois de um longo silêncio, Alayne continuou:
– Não consigo parar de pensar em você, não consigo tirar você da cabeça. Eu não sei o que fazer. Tentei até tirar minha própria vida.
– Shhh... Não diga mais nada — Tim falou — Depois de tudo que ouvi aqui, tenho certeza que esta é a noite certa.
– N-n-noi-te certa ? Pra quê ? — Alayne perguntou morrendo de curiosidade.
Tim não respondeu nada, mas nem precisou pois sua atitude já respondia tudo. O homem se levantou da cadeira, tirou do bolso uma pequena caixinha, se ajoelhou na direção da jovem, abriu a caixinha. E pra surpresa dela havia uma linda aliança com um enorme e exuberante diamante. Ele então perguntou gentilmente:
– Minha amada, Alayne Martin, aceita se casar comigo ?
No que a jovem Alayne supreendida respondeu:
– Não é cedo demais pra isso ? — tentou falar baixo pra que ninguém ao redor ouvisse.
– Nunca é cedo ou tarde para o amor — ele respondeu certo — Mas se você recusar eu irei entender.
– Então, eu aceito.
Tim a deu um abraço e um beijo, e no seu dedo anelar esquerdo colocou a aliança. Ela estava só sorrisos.
– Eu sou a mulher mais feliz do mundo — ela disse.
– Não, eu sou o homem mais feliz do mundo — ele respondeu.
Depois do jantar, Tim e Alayne saíram felizes do ristorante, ele deixou a moça na porta de sua casa. E ela toda cuidadosa tentou entrar pela porta silenciosamente para que nem seus irmãos, nem sua mãe acordassem. Assim que entrou, ela acenou para Tim, que devolveu os cumprimentos com um outro aceno.
Tim continuou a seguir pelas ruas londrinas. Assim que saiu da rua de Alayne, todo o riso e felicidade sumiram do seu rosto, como se tivessem sido expulsos, agora só o que permanecia era uma cara séria. O rosto de Tim prosseguia da mesma forma, sério, como se estivesse com muita raiva de algo ou alguém.
Tim rasgou seu próprio terno e calça, e a roupa que vestia por baixo ganhara agora mais destaque, uma roupa preta que lembrava uma túnica. Esfregou a mão sobre a bochecha e de lá sua possível pele caiu como se fosse um pó, revelando uma estranha marca na sua face: uma linha torta em formato de "s" que tinha um fim com duas pontas.
Depois de muito tempo caminhando e caminhando, Tim decidiu por entrar numa ruelazinha escura e sem fim, no final dela só se enxergava uma única porta. Tim seguiu e adentrou a porta. Lá dentro a imagem que via era de um edificio abandonado, sujo, com cheiro de mofo, e cheio de teias de aranhas. Mas Tim parecia conhecer o local.
Ele foi diretamente aos fundos onde se encontravam dois homens deitados, um em cada canto, eles lembravam ser mendigos. Quando Tim se aproximou os homens se levantaram sicronizadamente, e perguntaram juntos, parecendo conhecer Tim:
– Quem é a escuridão ?
– A escuridão é nossa mãe — ele respondeu.
– A escuridão é nossa mãe — eles repetiram.
De repente a parede sumiu correndo, Tim adentrou pelo grande buraco deixado pela parede. E tudo que se via era uma longa e bela mansão cinza, cheia de escadas e corredores. No andar de baixo havia um enorme salão com milhares de pessoas, pessoas com a mesma roupa de Tim e com a mesma marca no rosto.
Assim que avistaram ele, abriram um caminho no meio do salão, agora podia se enxergar o fundo, onde encontrava se sentado em uma enorme cadeira, um homem com a mesma roupa e marca no rosto de Tim, a diferença é que este tinha sobre a cabeça um chapeu estranho que lembrava uma grande lata de atum amassada.
Tim seguiu pelo caminho deixado pelas estranhas pessoas, na direção do homem sentado. Quando chegou perto, o tal homem se levantou de sua cadeira e anunciou alto:
– É bem vindo de volta ao seu refúgio, Mr. Timothy Chandler. A escuridão é nossa mãe.
– A escuridão é nossa mãe — Tim repetiu.
– A escuridão é nossa mãe — todas as pessoas presentes repetiram em coro.
– Como anda sua missão, Mr. Chandler — o homem da cadeira perguntou.
– Perfeitamente bem, senhor — Tim respondeu.
– Então, a jovem virgem já acredita ?
– Acredita.
Hahahahahahahahhahhahhhahahah !!!!!!!!!!!
Todos riram ao mesmo tempo, inclusive Tim que parecia descontrolado. E naquela altura da madrugada não se ouviu nenhum barulho tão assustador quanto aquela risadaria.
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