O Palacete
1 Prólogo
Notas iniciais
O sol estava nítido ao céu, mas não fazia calor, o tempo permanecia límpido. A bela donzela continuava a caminhar cada vez mais rápido pelas ruelas, trajando um vestido cor de rosa com desenhos de flores e uma longa calda. Sobre a cabeça um chapéu e um véu realçavam o brilho vermelho de seus cabelos. De repente alguém pareceu chama-la:
– Jude ! Volte aqui ! — uma voz desesperada gritou — Não pode contar o que viu !
Jude Whigs, a donzela parou, virou na direção da estranha voz e respondeu:
– Não, eu devo contar !
– Pense bem, Jude — o dono da voz continuou — contar isso, pode destruir a vida de muitas pessoas, inclusive a minha.
– Se destruir a vida de algumas pessoas é o preço que se deve pagar por Justiça. Então que seja.
Jude continuou sua jornada, andando cada vez mais apressadamente e deixando para trás o tal homem que tinha o horror no rosto.
Ela entrou em um bonde qualquer que havia passado, e seguiu caminho. "Você é a menininha mais bonita de toda Inglaterra." lembrava como se fosse ontem das palavras que seu pai lhe dizia. "Nem um mal acontecerá a você, pois nada de ruim acontece a donzelas bonitas."
Seu pai estava morto havia 15 anos, tomado da família por uma doença mortal, sua mãe morrera ainda mais cedo no parto de seu irmão mais novo. Até mesmo seu irmão, quando completou 15 anos deixou Londres rumo a América acompanhado por um tio, em busca de uma melhor educação. No final das contas a única pessoa que permanecia com Jude, era sua avó materna, a Sra. Maggie Oldman.
Mesmo com todas aquelas memórias, Jude não conseguia tirar da cabeça tudo que havia visto, cenas repugnantes, coisas horríveis de se ver. "Não era verdade, papai" ela pensou "o mal está acontecendo a mim, e não há nada que eu possa fazer, se ao menos estivesse aqui pra me defender."
Jude quis chorar, mas dentro de si não encontrou forças nem mesmo pra isso. Ela simplesmente continuou a viagem calma e silenciosamente, aparentemente normal pra qualquer pessoa que a visse, mas morrendo por dentro. O que faria ? Contaria á todos aquela verdade imunda ? Destruiria mesmo a vida de muita gente ? De que pessoas ele estava falando quando disse isso ?
Naquela altura do dia somente uma coisa era certa, Jude não sabia o que fazer, e continuar pensando nisso era pior ainda. Ela enfim tomou uma decisão. Vou pra casa, vou descansar ela pensou amanhã estarei melhor, tomarei uma decisão.
Já era quase noite, o céu já se tornara escuro. E Depois de algumas horas de viagem, Jude saiu do bonde, atravessou algumas ruelas, e adentrou a uma em especial, em direção a uma casa meio velhinha. Tirou de uma pequena bolsinha, um molho de chaves, e com uma das chaves abriu a fechadura da porta.
Dentro da casa tudo estava escuro, ela seguiu por um longo corredor, com um pequeno candelabro nas mãos.
– Vovó !!! — ela gritava — A senhora está aí ? Vovó !!! Vovooóó !!!
Não parecia haver vida naquela casa, Jude continuou a seguir no corredor. E mais a frente, o que viu fez com que o pequeno candelabro que segurava caísse no chão e se espatifasse, aquela era uma das piores imagens que já vira na vida, tão perturbadora quanto a que vira mais cedo.
Sua avó jazia morta no chão, o sangue ao seu redor formava uma pequena poça, sua pele estava ressecada e cinza, fria e morta. Ela estava nua, despida de qualquer veste e sobre seu ombro havia um símbolo estranho. Jude não conseguia parar de gritar, mas o que a deixou mais assustada naquela noite foi uma mensagem escrita com sangue na parede. A mensagem dizia: "Você não sabe quem eu sou, mas eu sei muito bem quem você é, e acredite, podem acontecer coisas piores se você contar a alguém uma palavra do que sabe".
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