O Palacete
5 Gregory
A família Johnson continuava a ser uma das melhores e mais ricas famílias de toda a Inglaterra, e pensar nisso, só deixava Greg mais preocupado.
“Eu sou um Johnson” – ele pensava – “não posso parecer estar tão fracassado.”
Os Johnsons conseguiram toda sua fortuna nas confecções de tecidos, um antigo negócio de família. Eles sempre foram uma família muito conservadora.Greg fora ensinado desde pequeno, por seu pai o patriarca da família: Albert Reuel Johnson, que deveria se casar com uma moça de sua mesma cor e classe social, para assim prosseguir a linhagem da família. Greg sempre foi tão bonito quanto seu pai: com cabelos castanhos levemente encaracolados, olhos azuis esverdeados e pele branca.
Sua mãe, Carolyn, morreu quando ainda tinha 8 anos, portanto, sempre foi filho único, por este motivo Greg era pressionado o dobro por seu pai, não podia ser visto com más companhias, tinha sempre que sair com o brasão da sua família estampado em seus ternos, e muitas outras regras.
E nunca foi da vontade de Greg quebrar alguma das regras de seu pai, mas quando se trata de “amor”, não há nada que podemos fazer. E o que aconteceu depois, foi que Greg conheceu a nova criada da casa, Zoraida, e naquele momento nasceu um amor recíproco. Porém, Zoraida tinha tudo que Albert, seu pai, não queria em uma nora, cabelos negros, pele morena, origens humildes.
Greg tentou lutar contra aquilo que sentia pela criada, mas em certo momento não aguentou mais, ele resolveu assumir a seu pai que sentia algo por Zoraida e que queria casar-se com ela, mas seu pai ficou furioso. Ele o deixou de castigo por quase um mês, e expulsou Zoraida da sua mansão.
Greg então, na maior de suas loucuras resolveu sair escondido de casa, encontrar Zoraida e fugir com ela, deixando uma carta para seu pai. Os dois saíram de Londres, e foram morar em uma cidade vizinha, lá Greg, conseguiu abrigo na casa de seu tio.
Seu tio oferecia casa, comida e um lugar pra dormir, em troca Zoraida tinha que realizar serviços domésticos em casa, enquanto que Greg trabalhava em uma filial da empresa de seu pai naquela cidade.
Depois de longos meses, Greg e Zoraida tiveram um filho, a quem Greg chamou de Gregory Jr, o pequeno Greg, o nome serviu perfeitamente já que Gregory Jr parecia muito com Greg, tinha os mesmos olhos, os mesmos cabelos, o mesmo nariz, era como uma versão mais nova dele, nem parecia que era filho de uma mulher morena.
Greg e Zoraida conseguiram manter essa vida por cinco longos anos, até que Albert descobriu tudo obrigou seu irmão a expulsarem de sua casa. Desabrigados, Greg e Zoraida voltaram para Londres depois de 5 anos, passaram 4 dias vivendo em um casebre abandonado, e comendo comidas jogadas no lixo, de uma cantina.
E durante todo esses dias, Greg só conseguia pensar em como havia chegado no fundo do poço, mas agora não tinha mais escolha, tinha que arranjar um jeito. Agora não tinha somente uma mulher para sustentar, tinha um filho, sangue de seu sangue.
Foi então que Alfred teve um ideia:
– Zô, acorde! Tive uma ideia! – exclamou Greg cutucando a moça sonolenta.
– O que é? – ela perguntou curiosa – Diga, amado!
– Vamos a casa de papai, vamos pedir abrigo.
– Você está louco? – Zoraida perguntou – Ele nunca nos abrigaria.
– Posso convecê-lo, posso persuadi-lo. Ele é meu pai. Não nos dará as costas, não dará as costas á seu neto.
– É melhor não arriscarmos, amado – ela respondeu – Não queremos acordar a fera.
– Não temos outra escolha – ele discursou como se sua vida dependesse disso – Não temos outra saída. Não podemos mais continuar vivendo essa vida. Eu quero que meu filho viva muitos anos, pelo amor de deus, ele só tem 4 anos, não pode continuar comendo comida do lixo, nós não podemos.
– E você sugere então que devemos nos humilhar para seu pai?
– Esta é a nossa única oportunidade, – ele continuou – e se tem uma coisa que eu aprendi na vida, é que sempre que tivermos uma oportunidade devemos agarrá-la.
– Está bem, você ganhou, nós vamos lá. Mas depois não se decepcione quando ele nos der as costas.
– Correremos este risco – ele comentou.
Já era tarde quando Greg e Zoraida decidiram deixar o casebre abandonado rumo á mansão Johnson. Zoraida levava uma bolsa contendo as únicas coisas que eles ainda tinham, enquanto que Greg carrgava no colo o seu filho, o pequeno Gregory Jr.
Eles caminharam, a viagem não foi curta, mas até que depois de algumas horas, eles chegaram. O segurança do portão, logo anunciou a inesperada visita. Eles adentraram no jardim da mansão, até que foram recebidos pelo patriarca.
Estava se aproximando um homem branco com aparência de uns 50 anos, cabelos grisalhos meio encaracolados, olhos azuis esverdeados, trajando terno e calças formais, sobre a cabeça um chapéu coco, na mão direita um pequeno mastro de bronze com o brasão da família Johnson na ponta: uma águia carregando um ramo de uvas com o bico
– Gregory, meu filho, a quanto tempo – o homem lançou um longo abraço em Gregory
Naquele momento pareceu a Greg que tudo estava resolvido.
– Papai, como você está? – ele falou ao pai – Senti sua falta.
– Estou bem melhor agora – Albert respondeu – E a partir de agora tudo irá ficar bem.
– Este é seu neto – Greg falou indicando Gregory Jr á Albert.
Albert pegou o pequeno Greg no colo, e disse quase que emocionado:
– Oh, meu deus, é como ver você pequeno.
Aquele foi um dos melhores momentos da vida de ambos, mas todo o carinho e emoção sumiram como o vento, quando Albert percebeu a presença de Zoraida. Mas antes que pudesse comentar alguma coisa, Greg foi logo começando seu discurso.
– Papai, estamos passando fome, não temos abrigo, não temos onde dormir. Seria muito importante se deixasse que ficassemos aqui. Eu lhe prometo que trabalharei com o senhor.
– Francamente Greg, não acredito que todos esses anos, não tenham lhe ensinado nada. Então quer dizer que ainda dorme com esta cadela??? – Albert percuntou, citando Zoraida.
Zoraida não conseguiu dizer nada, porém Greg não ousou em defender sua amada:
– Não chame ela assim, ela não é cadela!!! Ela é o amor da minha vida!!! AMMOOOORRR!!!! Sabe papai? Aquilo que você nunca conhecerá.
– Ah, Amor... Então é amor? – Albert respondeu – Amor não sustenta uma família, amor não paga impostos, amor não dá poder. O amor é uma fraqueza, e enquanto existir pessoas fracas no mundo, o amor viverá e se espalhará como uma praga. Mas já que prefere esta prostituta negra á seu pai, então faça bom proveito, seu ingrato.
Albert virou as costas e saiu andando. Greg então o chamou:
– Não importa o que você acha dela. Você ainda não me respondeu, nós podemos ficar?
Albert virou em direção a Greg:
– Acho que respondi sim, fui muito claro – ele afirmou – Você, meu filho, pode ficar. Seu filho também, ele deverá ser criado como um cavalheiro, seguindo regras como você, e nós esqueceremos as origens maternas ruins dele. Enquanto á essa vadia de esgoto, nunca mais entrará em minha casa.
– Então, nenhum de nós ficará, papai – Greg respondeu – Vamos Zoraida, vamos embora.
– Espera! – Zoraida falou.
– O que foi? – Greg perguntou.
– Temos uma solução – ela falou baixinho de modo que só Greg pudesse ouvir – Minha única preocupação eram vocês dois, você sempre foi criado no luxo, estava sofrendo muito, e o nosso filho é só uma criança, merece uma vida melhor. Já eu não, eu sempre me virei sozinha, desde os 12 anos.
– Não estou entendendo – Greg respondeu – O que você quer dizer com isso?
– Quero dizer que vocês podem ficar aqui, eu arranjo um lugar onde trabalharei em troca de um teto, pode ser até nesta cantina aqui da frente.
– Não! – Greg respondeu – Não vamos nos separar, iremos continuar juntos, para sempre.
– Você não está entendendo amado, essa é nossa única chance – Zoraida discursou – É nossa oportunidade, lembre-se do que disse hoje mais cedo, não devemos desperdiçar nenhuma oportunidade.
– Mas nós não devemos nos separar, devemos ficar juntos como uma família.
– Devemos sim. Vai ficar tudo bem, eu prometo, deve ser desse jeito. Por favor, deixe-me ir – Zoraida implorou.
– Devemos ficar juntos, amor – Greg respondeu.
– Não, fiquem aqui, estarão seguros. Deixe me ir.
– Mas quanto a você, ficará segura? – Greg perguntou quase chorando.
– Ficarei, agora deixe me ir.
– Está bem, você me convenceu. Mas só me prometa uma coisa. Eu lhe verei novamente?
– Sim, você verá, eu prometo –Zoraida prometeu.
Em seguida eles deram o beijo mais longo e mais triste de suas vidas, ela lhe abraçou, abraçou Gregory Jr e partiu.
Passou quase uma semana, depois que Greg voltou a morar com seu pai e Zoraida partiu. Mas Greg nunca parou de lembrar dela, uma hora se quer.
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