P.O.V. Hope.

Tenho que conversar com a minha tia. Tem alguma coisa muito errada acontecendo comigo.

—Tia Becky a gente tem que conversar.

—Claro querida o que foi?

—Acho que estou com defeito.

—Defeito? Como assim tá com defeito?

—Eu... não gosto dos meninos como eu devia gostar e não gosto das meninas como devia gostar.

—Como assim querida? Do que estamos falando?

—Eu gosto... eu sinto atração pelas meninas e não pelos meninos.

—Você acha que é lésbica Hope?

—Mais ou menos isso. Mas, eu não tenho cara de lésbica tia, eu uso salto e sou feminina.

—Isso não quer dizer nada querida.

—E como eu vou falar isso pro meu pai? Ele vai surtar.

P.O.V. Rebekah.

Coitada da minha sobrinha mais nova. Ela não tem nenhum defeito, ela é perfeitamente normal, só é diferente.

—Rebekah, onde está Hope?

—Lá encima no quarto.

Nik subiu as escadas e foi até o quarto dela.

P.O.V. Klaus.

Assim que coloquei os pés em casa ouvi ela andando nervosamente de um lado para o outro em seu quarto.

—Se continuar andando assim vai fazer um buraco no chão.

Era como se ela não me ouvisse, estava perdida demais dentro dela mesma.

—Querida?

Ela começou a chorar um choro de desespero.

—O que aconteceu querida? Quem fez isso com você?

—Deus fez isso comigo. Acha que eu queria ter nascido com isso?!

—Nascido com o que querida?

Ela pegou no meu terno com força e me sacolejou dizendo:

—Porque eu não podia gostar de meninos como qualquer pessoa!?

—Calma, querida. O que ta acontecendo?

A resposta veio da minha irmã que estava encostada na porta:

—Ela é lésbica Niklaus é isso o que tá acontecendo.

—Isso é verdade minha filha?

—É. Você não vai me bater vai?

—Não.

—Vai me expulsar?

—Não. A quanto tempo você sabe disso?

—Desde que tinha dez. Comecei a perceber que gostava mais das meninas do que dos meninos.

—Incrível.

—E eu conheci uma garota, ela é incrível e é como eu. O nome dela é Bay Kannish, ela estuda na mesma escola que eu e ela e uma outra garota foram trocadas na maternidade. Agora elas dividem a casa. Ela, a mãe biológica, o pai adotivo, a mãe adotiva, a outra filha e o irmão.

—Isso não é legal?

—Vocês estão se relacionando?

—Somos amigas por enquanto. Mas, o futuro á Deus pertence né?

—Você quer conhecer a família dela?

—Pai, somos amigas! Não somos namoradas! Estamos nos conhecendo, por favor não estrague tudo. Eu te amo, mas por favor fique fora disso.

Ela pegou a mochila e saiu.

—Quem é o adulto e quem é o adolescente?

—Vai se danar Elijah!

Meu irmão deu risada. Criar uma adolescente não é fácil, criar uma adolescente gay, bruxa e lobisomem é pior ainda.

Eu amo a minha filha, mas ela é uma adolescente! Ela me dá medo ás vezes.