O Outro Mundo

3 3º Capítulo: Procurar


Notas iniciais
Do Atlântico para um lugar totalmente inesperado e diferente. O mais curioso são as criaturas que habitam nele. Tony já pode perceber que as coisas não serão nada fáceis.

Aos poucos, os olhos de Tony foram se abrindo. Seus sentidos estavam retornando ao normal e ele já conseguia sentir a ardência de alguns arranhões que estavam espalhados pelo seu corpo. Levantou-se, conferindo se estava inteiro e percebeu que, ao menos com ele, estava tudo bem. Quando olhou em volta mais atentamente, custou a acreditar no que estava vendo. Uma lagoa logo adiante, o céu em uma mistura de azul e nuvens, florestas por todos os lados e a aeronave, encalhada na margem das águas e bastante destroçada. Sem delongas, ele correu urgentemente até a aeronave, mas ao chegar e entrar no seu interior, se deparou com uma cena nada agradável; Nove corpos em sua frente. Tony respirou fundo, como se não quisesse acreditar em tamanha tragédia. Analisou corpo por corpo, para conferir as causas da morte e, sobretudo, as identidades dos mesmos, pois alguns estavam irreconhecíveis.

-Também não consegui acreditar nisso, capitão. –Disse uma voz de repente, fazendo Tony sacar a arma, se virar e mirar na pessoa que havia lhe falado, em um instinto extremamente rápido e implacável.

-Ah, é você... –Conformou-se Tony quando viu que se tratava do tenente Bride, abaixando a arma, mas não desviando os olhos do tenente que olhava surpreso para ele.

-Pensei que fosse me matar. Um susto e tanto, afinal.

-Você bem que merecia por chegar tão sorrateiramente. –Repreendeu-lhe, o capitão.

-Perdão, senhor. –Disse o tenente, constrangido e passando por Tony. Em seguida, pegou uma arma no chão e várias munições. A arma, ele guardou consigo e as munições, entregou boa parte para o capitão. –Acredite senhor. Vamos precisar disso.

-O que quer dizer? E, afinal, me explique o que está havendo.

-Sim, senhor. –Disse o tenente, com uma expressão nada feliz no rosto. –Assim que nossa aeronave foi engolida pelo ciclone, lembro-me de ter visto vários raios e flashes de luz no interior. Depois, não me lembro de nada até que acordei e já estava aqui, nesse lugar. Faz umas três horas que estou acordado. Então comecei a procurar por sobreviventes, mas a única pessoa que encontrei foi a sargento Takada. Depois, ambos fomos procurar pelo senhor e por informações sobre a área, mas não te encontramos.

-E onde está a sargento?

-Aqui, senhor. Sargento Louise Takada se apresentando, senhor! –Disse uma voz feminina firme, vinda de uma mulher loira, cabelos curtos, uma altura bem similar a do tenente Bride, olhos verdes-claros e com a farda e situação não muito diferente dos outros dois oficiais, tendo arranhões e leves sinais do acidente.

-Você demorou, hein?! –Disse o tenente para a mulher, em tom de implicância.

-Não enche! Um homem que abandona uma mulher sozinha em uma busca por informações não tem direito de falar, mas de latir. –A mulher respondeu com um tom de voz sarcástico, olhar perigoso e se aproximando dos dois oficiais.

Tony somente observava a cena que, para ele, não era nenhuma novidade. O tenente Bride e a sargento Takada tinham uma rivalidade antiga no quartel. Ela tratou de recolher uma arma e algumas munições também. Depois, os três saíram da aeronave em um clima tenso pela troca de olhares perigosos entre os oficiais, exceto Tony, que se preocupava em observar cada detalhe daquele lugar tão estranho.

-Ainda não me disse por que vamos precisar tanto das armas, tenente. –Cobrou-lhe, o capitão.

-Eoráptor. Vimos alguns deles passando logo à frente, uns três, eu acho. –Disse o tenente com uma tranquilidade que não era compatível com a expressão no rosto do capitão.

-Como assim, Eoráptor? Isso aí é um dinossauro, tenente. -O capitão afirmou, indignado e a sargento disfarçou um sorriso.

-Sei disso, senhor. Mas não estou brincando, juro. Tenho certeza que eram Eoráptor. Mais ou menos um metro de comprimento, coloração esverdeada, bípedes e rápidos.

-Capitão, eu posso confirmar essa informação. Eu mesma também os vi. –Disse a sargento Takada.

-Não estou em posição para discordar, pessoal. Mas, vamos combinar que essa informação é realmente absurda.

Os três oficiais seguiam para o interior da floresta que esbanjava um verde vivo e também um ar de mistério sem igual. Tony, Max e Louise tinham suas armas carregadas e estavam, decididamente, preparados para o pior. O capitão ainda não conseguia acreditar na informação dos outros dois, sobre o dinossauro pequeno e carnívoro que era o Eoráptor, até que moitas mais a frente se moveram e fizeram barulho. Abruptamente, os três pararam de caminhar e apontaram suas armas para a moita.

-Seja lá quem for, é melhor sair daí! –Deu o aviso, o tenente Bride, em alta voz.

A moita se mexeu novamente e, lentamente, uma criatura foi saindo detrás da mesma. Seus olhos meio esbugalhados fitavam os três e sua boca, repleta de dentes certamente afiados, estava entreaberta. A criatura não era de grande porte, mais ou menos um metro de comprimento, mas nem o número de adversários e nem a altura de cada um foi suficiente para aplicar medo no Eoráptor que correu em disparada para atacar o grupo de oficiais. Sem pensar duas vezes, os três atiraram na criatura que, bem atingida pelas balas, caiu no chão e começou a se contorcer de dor, gritando e depois de alguns segundos, morrendo.

-Isso é incrível! –Disse o capitão Tony, com um olhar incrédulo que durou poucos instantes.

-Eu disse, capitão! Mas essas criaturas não são de nada. –O tenente zomba e a sargento Takada revira os olhos com a atitude do mesmo.

-Não diga isso, tenente. Você não está considerando o fato de que se estamos em um local com criaturas tão incríveis, certamente podemos acabar encontrando os demais que são bem maiores e perigosos. –Disse Tony.

-Vocês querem dizer, algo como aquilo? –Questionou-lhes, a sargento Takada, que apontava para algo realmente assustador. Um dinossauro com mais ou menos quinze metros de comprimento, destacando-se pelo pescoço realmente cumprido e que estava parado, comendo folhas nas margens da lagoa de onde eles vieram.

Os dois homens olharam na direção que a sargento indicava e ficaram realmente surpresos. Mas, o tenente Bride parecia que estava louco para sair correndo na direção contrária da criatura e quando Tony percebeu isso, segurou no ombro do tenente e disse:

-Ora, vamos! Aquilo é um Brontossauro. Até onde sei, eles são herbívoros. O que significa que esse daí não vai dar a menor atenção pra gente.

-O que está dizendo, capitão? Eu não estou com medo desse bicho aí. –Respondeu o tenente, aliviado e convencido.

-Que idiota! –Disse a sargento para o tenente, com um olhar de reprovação e logo ambos começaram a discutir.

Enquanto isso, Tony se aproximou do Eoráptor, analisando a criatura, mas não deixando de apontar sua arma, para o caso dela ainda estar viva. Fascinado com aquilo, mas não menos preocupado com a situação em geral, o capitão chamou os outros dois e eles, então, voltaram a caminhar pela floresta.

Depois de alguns minutos caminhando, os três encontraram uma espécie de construção, aparentemente uma pequena base que estava em estado de abandono. Sem receio, eles entraram em um cômodo e presenciaram algo nada comum. Restos mortais de dinossauros e seres humanos, indicando pertencer a mais ou menos uma criatura e duas pessoas. Tony, diferente dos outros dois, não ficou muito tempo preso à cena e seguiu logo para o fim do cômodo que dava acesso a uma espécie de garagem a céu aberto. Não demorou muito para os outros dois chegarem até Tony e assim que todos já estavam de fora do cômodo, à porta fechou-se violentamente.

-Quem está aí? Abra e apareça! –Exclamou Tony em alta voz, tentando abrir a porta que era feita de aço e fechava automaticamente, sem nenhuma fechadura ou maçaneta que pudesse ajudar a abri-la manualmente.

-Pessoal, olhem aquilo! –Disse o tenente em voz de pavor, apontando para um pouco mais a frente.

Cerca de dez metros adiante, uma criatura realmente grande e assustadora que deveria medir em torno de cinco metros de altura e aproximadamente dez de comprimento. Era, sem dúvida nenhuma, o predador mais temível que eles poderiam imaginar em um ambiente como aquele; o Tiranossauro Rex.

Notas finais
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