O Outro Mundo
2 2º Capítulo: A tempestade
Notas iniciais
Às três horas se passaram lentamente para Tony. Ele não tinha para quem ligar e avisar que estaria em uma operação que poderia durar, talvez, dias. A única coisa que ele poderia fazer era esperar e somente esperar. A angústia tomando conta do seu coração, enquanto seu rosto se mantinha inexpressível, afinal, a última coisa que ele iria querer eram perguntas ou desconfiança sobre estar preparado para a operação. Ele tinha que estar nessa operação, tanto por ser capitão, quanto pelo fato da tenente Nyah estar desaparecida.
-Capitão Hyeras! Por favor, venha. A aeronave já está pronta para operação. –Disse um homem com uma expressão de urgência no rosto.
-Certo, tenente Bride. Estou indo. –Tony respondeu prontamente se levantando e seguindo o tenente.
O tenente Max Bride era um homem um tanto mais baixo do que Tony, mas que também possuía um excelente físico. Tinha cabelos loiros, pele clara e olhos verdes. Diferente de Tony, que tinha cabelos negros, uma pele bronzeada e olhos azuis. Os dois não conversaram durante o trajeto até o hangar, onde estava a aeronave da operação.
-Capitão Hyeras e tenente Bride, em posição! –Ordenou o coronel.
-Sim, senhor! –Responderam Tony e Max em uníssono.
O coronel começou a repassar as especificações técnicas. A equipe havia sido escalada em cinco cabos, quatro sargentos, dois tenentes – um deles no comando da aeronave junto com um dos sargentos – e o capitão. Doze pessoas na aeronave que continha, até mesmo, segredos militares de ataque e defesa. Será suficiente? – Pensou o coronel, inexpressível, enquanto todos entravam a bordo.
Minutos depois, a aeronave já estava no ar e seguia rumo ao seu destino, o local das ondas estranhas e do acidente, no oceano Atlântico Norte. O céu estava em um azul marinho meio acinzentado e já começava a chover forte. No interior da aeronave, Tony estava sentado ao lado do tenente Bride e demais oficiais. Não havia poltronas, eram somente dois grandes bancos fixos, um frente ao outro, onde todos os oficiais, exceto o piloto e copiloto, ficavam sentados.
-Disseram que essa aeronave é bem resistente. Mas, a outra também não era nada mal. — Comentou o tenente Bride, em voz um pouco alta por causa do barulho da aeronave.
-Insinua que vamos cair, tenente? –Perguntou Tony com o mesmo tom alto de voz, olhando para o tenente com total tranquilidade.
-Não, de maneira alguma, capitão. Mas, eu fiquei curioso. Afinal, que ondas são essas que podem derrubar uma aeronave militar como aquela?
-Seja lá o que for, tenente, vamos descobrir e resolver isso de uma vez. Assim que retornarmos para a base, vai ser com a declaração de “missão cumprida”. –Respondeu Tony, olhando todos com um ar de confiança que só ele tinha.
A aeronave estava se aproximando do destino indicado pelo GPS, o local das ondas estranhas de energia. A chuva já havia se transformado em uma forte tempestade que balançava violentamente as águas do mar e dificultava a pilotagem da aeronave. Estava escuro, eram quase dezenove horas. E no interior da cabine, piloto e copiloto conversavam entre si.
-Tenente, eu nunca havia visto tantos raios caindo em pontos tão próximos. –Disse o sargento, também copiloto.
-Sargento, seja lá o que for, é exatamente naquela direção que devemos ir. Acho melhor ligar o escudo de repulsão. É a nossa melhor defesa e um dos segredos militares. –Respondeu o Tenente, ligando o tal escudo que formou uma espécie de capsula oval quase transparente e envolveu toda a aeronave, repelindo as gotas de chuva.
-Tenente, se isso não funcionar, o que faremos? –Perguntou o sargento, notavelmente preocupado.
-Por favor, sargento! Esse escudo dá e sobra. Vamos passar brincando no meio daqueles raios. –Respondeu o tenente, confiante ao extremo e sorrindo, quase que debochando do perigo.
Cada vez mais, a aeronave se aproximava do destino. O primeiro raio caiu sobre o seu escudo e esta balançou bem pouquinho, de um lado para o outro, quase não dando para perceber, não fosse o atenuado barulho que todos no interior precisaram escutar. Veio o segundo raio e o terceiro, quase que ao mesmo tempo, fazendo a aeronave balançar um pouco mais.
-Estamos nos aproximando. Em pouquíssimos minutos, estaremos lá. –Disse o tenente e piloto, sorrindo para o sargento que ainda estava preocupado.
Por outro lado, Tony não sorria e nem os demais oficiais. Mas ele mantinha um olhar confiante e por dentro, em seu coração, era como se ele estivesse mais perto de reencontrar Nyah. De repente, a luz de alerta vermelho tocou junto com a sirene que disparou violentamente. Por fora, a aeronave estava perdendo altitude e uma de suas asas estava danificada, sem falar no escudo que havia desaparecido.
-O que está acontecendo? –Perguntou Tony ao chegar à cabine de pilotagem as pressas.
-Fomos atingidos, senhor. O escudo desapareceu e estamos perdendo altitude. –Respondeu o piloto, agora, com uma expressão de terror, bem diferente daquela de antes.
Tony estava visivelmente preocupado, enquanto assistia a aeronave perdendo cada vez mais altitude e sem poder fazer absolutamente nada. Como se não bastasse, outro raio atingiu a cauda da aeronave que começou a cair violentamente e já estava próxima do mar. Era possível ver uma espécie de ciclone gigante e imponente, causando grandes efeitos no céu e no mar.
-Ciclone? Mas isso não estava previsto. Nenhum satélite detectou esse ciclone. –Indignou-se Tony, enquanto os pilotos tentavam reestabelecer o controle da situação.
A aeronave já estava sendo puxada pela força do ciclone e não demorou muito para que fosse engolida. No seu interior, momentos antes, Tony avisava para todos se prepararem ao máximo e não considerarem aquilo como uma condenação a morte. O tenente Bride olhou para Tony com admiração por alguns instantes, até que a aeronave começou a ser despedaçada e engolida totalmente, desaparecendo no interior do ciclone.
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