O Outro Lado do Livro
14 2013!
Notas iniciais
– Devo dizer que você esta linda.
Dou um sorriso, vendo os lindos cabelos dele sendo balançado pelo vento.
Observo algumas crianças brincarem com uma enorme bola colorida a alguns metros de nós, ele para também para encara-las.
Um silencio incomodante fica entre nós. Tento tomar uma iniciativa.
– O que você acha que vai ter no futuro?
– Ã? No futuro? Não sei, nunca parei para pensar nisso.
– Nunca? Nossa. Eu penso direto nisso. Claro que no futuro do meu futuro, não no futuro do seu futuro, pois eu já sei o que acontece no futuro do seu futuro, sacò?
Ele sorri e olha para o céu. Observa as lindas nuvens que vão passando lentamente, e o céu azul límpido.
– Acho que naturalmete eu não terei futuro. — diz ele — Pela doença, sabe?
Olho para as minhas mãos.
Não tenho saliva para responder, e nem resposta para falar.
– O seu futuro é seu. Faça o que quiser com ele. Até mesmo joga-lo no lixo.
Seus olhos encontram os meus, e seu sorriso encontra seus labíos.
– O meu futuro agora é você, mesmo que seja algo arranjado.
Não foi algo que posso dizer que foi errado fazer, mesmo amando outro( o idiota que me traiu). Pois não foi algo devagar.
E sim, o menino ruivo na minha frente, tocou seus lábios nos meus.
Não pude fechar meus olhos, foi rápido...
Ele se afastou e sorriu.
Sorriu até seus olhos irem fechando, e ele cair no chão.
Fiquei ali parada por alguns segundos, achando que era brincadeira.
Ai percebi que era verdade.
Abaixei rapidamente, colocando seu rosto no meu colo.
– Daniel, Daniel ! — gritava sem pensar na minha etiqueta.
Tocava em seu rosto um pouco gelado e pálido.
***
– Ele esta bem? — pergunto para Agnes, que acaba de sair do consultório do doutor.
– Não é conveniente uma mocinha estar aqui num hospital.
– Não me importo. Me diga. Logo!
– Ele não resistiu, meu bem .
Fiquei sem chão, sem teto, sem respiração...
Era como se alguém muito ruim tirasse a unica alegria que eu poderia ter.
Minhas pernas amoleceram, meus joelhos cederam.
– Querida, você está bem? — Agnes nervosa, tenta me levantar do chão.
– Podemos ir para casa?
– Claro.
Sabe aquele momento que você tipo que se imagina num filme, ou livro, quando esta no carro?
Comigo já...
Umas das empregadas abriu a porta da casa. Entrei rapidinho, quero ir para o quarto, me trancar, me guardar.
Agnes atras de mim, estava decepcionada também, mas não tanto quanto eu.
Bem, ele foi um amigo para mim. Sei, eu tinha acabado de conhecer ele, mas, ele foi tão fofo, tão amigavel, tão querido, que ... que ... que... achei que poderia amar ele, amar como irmão, como amigo, era como se eu visse o Matt.
Ja estava para passar pela sala, quando Ester me parou feliz.
– Vocês nem sabem quem chegou!!
Nem pude ouvir ela direito.
Me derramava em lagrimas.
Reiniciei meu andar, Agnes poderia explicar tudo.
Não quero ver ninguém!
Foi ai que meus andares olhando para baixo não renderam, senti minha cabeça bater em alguém.
– Não acredito, Demitri! — Agnes gritou atras de mim.
Levantei meu olhar, ele também me encarava.
Tinha belos olhos castanhos claros, que incrivelmente ficavam azuis. Seus cabelos eram castanhos claros, e sua pele branca.
Ele usava um terno cinza, lindo.
Mas quase nem pude pensar nisso.
Sai correndo para o meu quarto.
Não quero ver ninguém, não quero ouvir ninguém, nem imaginar que tem alguém aqui!
Tranquei a porta, e me taquei na cama.
– Por queeeeeeeeeeeeeee!!!!!! — gritei com um travesseiro na boca.
Sei que é estranho eu nem conhecer o cara direito e ja estar gritando por ele. Mas, eu me vi nele, me vi morrendo, morrendo assim...
E também não é só por isso, eu achei o cara legal, tipo, eu gostei dele, gostei mesmo. Pra falar a verdade, acho que quando eu o conheci, até amei ser noiva dele.
– Mas agora acabou. Só por causa dessa merda de doença!
Vejo meu celular com seu ultimo pingo de bateria, e antes dela acabar, o desligo.
Nossas vidas é igual uma bateria de celular. No inicio forte, parecendo que vai durar para sempre, depois vai se degastando, mas nesse tempo tentamos fazer o maximo de bom, enquanto ainda estamos fortes.
– Meu pai celeste, POR QUEE??? Por que? — paro um pouco, tentando pensar. Ai que me vem na mente o maldito que me trouxe aqui.
Corro para o banheiro e ligo a torneira da banheira na agua gelada, não é para mim.
Vou para aquela bolsa, aquela que trouxe da minha amada era. Pego o livro branco.
Sem pensar duas vezes, o taco na banheira com agua gelada.
Sinto raiva, ódio, medo.
Essa não é a minha vida! Não é aqui que eu deveria estar, não é!
Vejo o 1910 (o livro branco) imediatamente se desmanchar na agua, sinto uma alegria, faço cara de menina travessa. É como se aquele livro fosse o fim dos meus problemas, o fim dos meus medos, e ódios.
Minha mente toda para ao ver algo estranho saindo do livro.
– Luz? — me pergunto ao ver o livro emanjar luz de si próprio.
Fico observando as paginas ficarem secas de novo, mesmo estando de baixo d'agua.
Tento voltar a traz, ao tentar devolver o livro para o ar seco.
Quando coloco as mãos na agua, ela some, não vejo mais meus dedos finos e meu braço até o cotovelo.
– Não sinto. — alerto ao não sentir agua gélida em nenhuma parte do corpo que deveria sentir.
Uma ideia maluca surge na minha mente. Mesmo que seja maluca, tenho que tentar, para então assim testar.
– Se ao menos eu pudesse ver meu irmão Matt só por cinco minutos.
Sem pensar mais que uma vez, me jogo na banheira.
Sinto-me cair no chão, a mais ou menos 60 centimetros do ar.
Olho ao meu redor e me sinto mais que feliz ao ver onde estou, onde encontrei aquele maldito livro...!
Me levanto, ajeitando o vestido branco que ainda uso.
Olhei ao meu redor, vendo tudo como a ultima vez que vi.
– Que lindooo!
Dou varios pulinhos de felicidade, levo minhas mãos a boca e junto-as como uma reza. Fecho os olhos.
"Obrigada meu pai, obrigada obrigada obrigada obrigadaaa!"
Abri os olhos, e assim vi um velho senhor deitado no chão assustado. Vi pela seu chapeu e roupa que era um zelador.
– Desculpe, senhor. Queria poder explicar, mas não tenho tempo, não tenho!
Sem ao menos ajuda-lo, sai correndo.
Senti um alivio ao ver a escada que subi com Matt.
"– O que foi Emily? — pergunta Matt.
– Vamos lá encima? — aponto para a porta a nossa frente.
– Não. Precisamos ir com ela. — nós olhamos para a atendente, que continuava andando, como se tivéssemos atras dela.
– Ela nem vai notar. — falei.
O puxei pela mão, e fomos andando pela escadaria."
Dei um sorriso, e sem pensar corri, corri o mais rápido possível.
Sai da biblioteca, vendo os maravilhosos carros, carros sem as pessoas terem medo de andar nele.
– Que vestido lindo, olha mamãe! — apontou uma criança para mim.
Não importe em que era esta, sempre as crianças dirão o que pensam.
Dei um risadinha para ela, e acenei. Logo eles se interteram com outra coisa e saíram da minha visão.
Vi um TAXI e logo o chamei.
– Que lugar senhorita? — perguntou o Taxista quando eu ja estava dentro do carro.
– Bairro Hope, e Rua Criança Feliz.
– Ta.
– E por favor rápido.
Ele deu marcha e foi mais rápido do que eu esperava.
– São U$25,00. — diz o motorista ao parar o TAXI.
– Ta legal.
Mexi no meu sapato, onde secretamente eu guardava o dinheiro. Peguei tudo o que eu tinha e joguei no banco da frente.
– Tudo seu.
Abri a porta e sai do carro, mas pude ver a alegria do cara ao ver o tanto de dinheiro que eu lhe dei, tanta alegria que sem ver colocou tudo no porta luvas. Tadinho, mau sabe que é dinheiro tudo antigo.
Bati a porta, e vi o carro indo embora com o volume no máximo. Vi também o cara parar, sair do carro, tirar a plaquinha de cima dele que esta escrito TAXI, jogar numa lata de lixo e entrar no carro numa velocidade absurda, e com o volume máximo de som agitado.
Ri com aquilo.
Meus pensamentos foram interrompidos por estar NA MINHA ERA!!!!!
Sai correndo pela estradinha de pedras.
Imaginando o rosto de Matt, Jenna, tudo!
Toquei na maçaneta, imaginei todos os momentos em que toquei NESTA maçaneta, em todos os momentos em que cheguei do cinema com os meus amigos e encontrei Jenna no sofá preocupada comigo. Também os momentos em que saí com Jenna para fazermos compras, chegamos em casa e vimos Matt dormindo no sofá quando estudava.
Momentos inesquecíveis, que por um único objeto, que consideramos insignificantes, lembramos de tudo.
Toco a campainha, ninguém atende.
Toco mais uma vez, ninguém...
Tento abri a porta, mas esta trancada.
– O que eu faço? — pergunto para mim mesma.
De repente sinto algo me incomodar embaixo do tapetinho de palha, em que estou pisando. Abaixo e pego o que incomoda.
Me surpreendo ao ver a CHAVE! Minha mãe nunca quis deixar a chave assim, exposta, achava que era como se estivesse pedindo para se roubada.
– Presente dos céus. — falei.
Sem pensar, peguei a chave e tentei abrir a porta, com felicidade consegui.
Passei pela porta, colocando meu vestido junto ao corpo, para não ficar preso.
Corri para a sala, que saudades.
Coloquei a mão no coração, sentindo ele bater mais e mais, até sentir ele ficar diferente, como uma maquina, que depois de fazer esforço começa a ficar fraca. Meus pulmões não ajudavam, cada vez mais não funcionando como eu queria, ou como deverião funcionar.
Ajoelhei no chão, para poupar o cansaço.
Por que isto esta acontecendo? Por que?
Coloquei a palma da mão na testa. Ja sei o que é.
– Câncer...
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