O Outro Lado - A Verdade
16 Noite
Notas iniciais
Chegamos até a residência da família Kurosaki de algum jeito que eu não faço a mínima ideia. Só estava me concentrando naqueles beijos e naquela sensação boa que dominava o meu corpo. Mas foi só Ichigo me soltar por um minuto para trancar a porta que meus pensamentos me atingiram em cheio com a realidade. Será que talvez não estávamos apenas usando um ao outro naquele momento como uma droga para esquecer dos nossos problemas? Apesar de por um lado, eu já ter confessado pra ele que realmente tenho um segredo, ele ainda não sabe o que é, e com certeza já deduziu que é bastante grave. Quanto a mim, sou muito pior, pois estou tentando esquecer o assunto tão grave usando um momento que deveria ser baseado no amor, não na dor insuportável que estamos sentindo nas nossas almas. Por isso, quando Ichigo tentou me beijar de novo, apenas me afastei.
“O que foi?” ele me observou, com olhos preocupados, retirando uma mecha de cabelo dos meus olhos.
“Nada... É que... Ichigo, você acha que esse é o momento certo para isso? Quer dizer, não é como se você ainda não estivesse meio chateado com o que aconteceu.” Eu estava extremamente tensa, mas de algum jeito as palavras acabaram saindo.
“Eu só quero esquecer isso.” Então ele estava assumindo que estava usando nosso carinho como válvula de escape? Doloroso, mas bem sincero.
“A questão é que não podemos esquecer. Por mais que por algumas horas apaguemos isso de nossas mentes, o problema vai continuar lá. E eu não quero fazer um avanço desses na nossa relação como uma distração.” Algumas lágrimas insistiram em cair.
“Orihime, do que está falando?”
“Do que você falou, do que mais seria?”
“Tsc, essa sua coisa de levar as palavras sempre pelo lado lógico e literal está aumentando.”
“Como assim...”
“Não é que eu queira fingir que não temos problemas por agora. O que eu quis realmente dizer é que eles não importam, a coisa mais importante de todas é que eu sempre vou amar você. Não importa o que aconteça ou o que diabos esse segredo seja. Mas se ainda não estiver pronta para algo do tipo, eu sinceramente vou entender.” Dei um sorriso desconcertado, ele podia me surpreender tanto às vezes. Para ser sincera, estava morrendo de vergonha de dizer que queria ir adiante, então apenas o puxei para um beijo mais uma vez.
Subimos a escada sem nem mesmo olhar o caminho, minhas pernas estavam presas na cintura de Ichigo. Quando chegamos no quarto, tirei a blusa que em cobria, mas logo que percebi o que tinha feito, corei feito um tomate.
“Isso é engraçado.”
“O que?” Eu fiz uma cara feia e joguei uma almofada em Ichigo.
“Sei lá, desde que toda essa mudança começou a acontecer você sempre se comporta de um jeito tão forte. Acho que outras pessoas não acreditariam que a garota que dá uma surra em criminosos tem seu lado fofo.” Ele me provocou. “Fica fria é só brincadeirinha.” Eu sentei na cama fazendo bico, mas ele logo cobriu meus lábios com os dele. A cada toque meu corpo se enchia de vergonha, mas eu lutava com ela, apesar de ser bem difícil, principalmente depois que a camisa de Ichigo sumiu de uma hora para outra. Desde quando ele tinha ficado tão musculoso? E meu Deus, o que tu tô falando?
“Ori, você tem certeza que quer seguir com isso? Se ainda estiver indecisa podemos parar e...”
“Está tentando discretamente me dispensar Kurosaki Ichigo?” De uma risada exageradamente maliciosa.
“Ei, a vergonha passou e você já está sendo a mesma de sempre... É melhor assim.”
“Obvio, porque eu sou fantasticamente demais.” Comecei a rir enquanto ele alisava meus cabelos.
“Está ficando convencida demais...” Longos minutos de silencio se passaram até alguma coisa acontecer, era como se estivéssemos parados no tempo.
“Então...” Falamos ao mesmo tempo.
“Eu te amo.” Deixei escapar com uma vergonha enorme, como se fosse a primeira vez que dizia aquilo.
“Eu também.” Ichigo me respondeu, selando meus lábios com um beijo.
Agora eu finalmente entendia totalmente o que ele tinha me dito antes. Não importavam os problemas, as desconfianças, o que diabos causava meu problema.... Nós tínhamos um ao outro, pra sempre, e era aquilo que importava. Por esse motivo, naquele começo de noite, a vergonha foi esquecida num canto junto com o resto das nossas roupas. Durante algum tempo não precisaríamos delas. Meu coração batia forte por causa da extrema adrenalina, e eu acabei descobrindo que haviam outros jeitos além da carnificina para meu corpo se encher de endorfinas. Pois é, essa era mais uma da lista gigantesca de coisas que eu tinha aprendido com Kurosaki Ichigo, a única pessoa no mundo que talvez tenha a capacidade de me puxar da escuridão que pouco a pouco me afunda.
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