O Outro Lado - A Verdade
17 Volta pra casa
Notas iniciais
Acordei com um vento gelado me incomodando muito mais que o normal. Isso era estranho, normalmente meu corpo era resistente ao frio. Comecei a me mexer e percebi que algumas coisas estavam bem estranhas. Primeiro, havia menos roupas do que deveria cobrindo o meu corpo. Para ser mais exata, não havia NENHUMA roupa. Segundo, mesmo no escuro dava para perceber que aquele não era o meu quarto. E terceiro, passando meus dedos pelo meu pescoço conseguia sentir vários hematomas. O QUE DIABOS TINHA ACONTECIDO?
Tentei lembrar da noite anterior, mas não me veio nada até ouvir alguém se aproximar da porta do quarto. O QUE EU DEVIA FAZER? Sair correndo? Me preparar para atacar? Isso era meio lógico, mas por algum motivo meu corpo não conseguiu se mover, pelo menos não até a porta ser aberta lentamente e as memórias voltarem com força total. Uh-oh.
“Que cara assustada é essa, viu um fantasma?” O ruivo perguntou.
“Não é que... Eu tinha esquecido onde diabos estava.” Respondi e comecei a rir, até perceber uma coisa... Se tinha passado a noite aqui, isso queria dizer que... “Ah não, eu deixei Aoi e Kei sozinhas!”
“Tenho certeza de que suas primas vão ficar bem.” Eu também ficaria tranquila, se elas fossem realmente minhas primas. Só de pensar no estrago que Kei poderia ter feito em Karakura enquanto eu não estava... Era capaz de ter uma trilha de tripas indo em direção a minha casa. Peguei minhas roupas no chão e as vesti rapidamente.
“Mesmo assim, eu fico preocupada com elas...”
“Tudo bem, fica tranquila.”
“Desculpa ir embora assim depois... Do que aconteceu.” Corei instantaneamente ao lembrar da noite anterior.
“Já disse que está tudo bem.”
“Depois eu vou te ligar para marcar a hora para esclarecer aquele assunto, mas provavelmente vai ser de noite.” Eu ainda tinha de falar com W, nem sabia direito como ele reagiria.
“Certo. Olha Ori, eu estava pensando, se você não quiser mesmo contar eu...”
“Não Ichigo, eu já decidi você e a T-suki tem que saber a verdade. Mas agora já vou indo, espero que a Kei não tenha destruído minha casa.”
“Qual é, ela não parece tão má assim.” Quase tive uma crise de riso com o comentário inocente de Ichigo, mas me contive.
“De qualquer maneira, é melhor eu ir para casa. Até mais tarde.” Dei um abraço em Ichigo, mas aquilo me fez corar de uma maneira totalmente inacreditável.
“Até depois.” ele falou no meu ouvido, e graças a apenas isso eu derrubei um cesta de roupas, uma prateleira e quase cai escada abaixo antes de sair da casa. Por sorte, ainda era cedo demais para o resto das pessoas da casa estarem acordadas, especialmente por ser sábado.
Andei em passos lentos para minha casa, ainda me sentia tão bem pelo que tinha acontecido que as vezes até esquecia novamente onde estava. Abri a porta com a chave reserva no meu bolso, e fui recepcionada por duas garotas ainda com as mesmas roupas do dia anterior.
“ORI! O QUE ACONTECEU? VOCÊ ESTÁ BEM?” Era a primeira vez que eu via Aoi sair de seu tom sério de sempre.
“Sim estou.” Joguei o casaco no sofá.
“Viu Aoi sua boba, eu disse que não tinha acontecido nada.”
“Não estou convencida. Foi o Kurosaki Ichigo não foi? Ele te sequestrou, algemou e prendeu num porão, mas você conseguiu fugir dele. Foi isso não foi?”
“Aoi, eu sei que não gosta do Ichigo, mas isso já é demais. Eu estou bem. O que aconteceu ontem depois que eu... Fui embora?” Tentei mudar de assunto.
“Ajudamos o W a terminar a mudança, e já que você não voltou viemos para casa.” Kei explicou, me entregando uma xícara com café, aquilo realmente seria útil.
“E ninguém saiu para “brincar” de noite, certo?”
“Fica tranquila, eu infelizmente me comportei bem.”
“Tem certeza? Eu não estou nem um pouco a fim de ver a policia batendo na minha porta.”
“Fica fria, acha que eu seria burro o suficiente para deixar uma dessas duas aprontarem. Viram o que eu disse malucas, essa idiota está muito bem, na verdade acho que está até melhor do que a gente.” Uma voz sarcástica falou da entrada da cozinha, revelando o rapaz descabelado segurando um copo de suco. Que ótimo, parece que nossa conversa tinha sido mais adiantada do que eu previa. Me pergunto como ele ira reagir? E como eu devia contar isso? As perguntas deixaram minha mente confusa, e eu virei a xícara de café antes de falar alguma coisa, fazendo o liquido marrom queimar um pouco minha garganta, e esperando que a cafeína me ajudasse a pensar melhor.
“Aoi, Kei, vão lá pra cima, eu preciso conversar com o W.” Falei, tentando parecer o mais tranquila possível.
“Tudo bem.” As duas responderam quase ao mesmo tempo, subindo as escadas. Agora só restava arrumar um jeito de começar um assunto tão delicado.
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