O Outro Lado - A Verdade
22 Hora de por as cartas na mesa Parte I
Notas iniciais
A casa estava silenciosa como uma mansão mal assombrada, conseguia ouvir meus passos procurava algumas roupas. Acordei na minha cama, mesmo não lembrando como tinha chegado lá. Quando desci para a sala encontrei Aoi e Kei dormindo desajeitadamente no sofá.
“Já levantou? Achei que fosse dormir mais.” Aoi alcançou seus óculos na mesinha e me perguntou.
“Não estou mais com sono. Porque não foram pro quarto?” Desde que elas duas chegaram, nós revezávamos a cama e um colchão.
“Achamos que você precisava descansar.”
“Obrigada. Eu só vou beber um pouco de agora na cozinha e volto para a cama, então pode ir dormir.” Mal terminei de falar Aoi apagou de vez. Eu obviamente não iria dormir, aquela foi apenas uma desculpa para elas não descobrirem meu paradeiro. Odiava deixar aquelas duas sozinhas, mas dessa vez era totalmente necessário. Fui para a cozinha e comi qualquer coisa só para não sair com o estomago vazio. Peguei meu casaco que estava abandonado na sala, minha chave extra e um capacete reserva que eu deixava guardado, assim ele não me reconheceria antes da hora. Sai de casa e empurrei a moto até o final da rua, se Aoi ou Kei ouvissem o barulho do motor iam sacar na hora que eu não estava dormindo coisíssima nenhuma.
Dirigi na máxima velocidade possível, e parei na frente da casa da família Kurosaki, na verdade num beco perto de lá que me dava uma boa visão da residência. O fato é que eu não ia conseguir esperar Ichigo ir atrás de mim, eu o encontraria e espero que já esteja com a cabeça fria para poder me permitir explicar tudo corretamente. Apesar de o resumo do assunto já estar exposto para ele, eu quase não havia falado nada ontem, fiquei tão apavorada com a situação de expor toda a verdade que cedi a minha covardia.
Estava tão distraída com os meus pensamentos que quase não percebi quando Ichigo saiu de casa, e por sorte ele estava sozinho. Não ia falar com ele ali, iria esperar chegar em algum lugar onde fosse impossível que ele fugisse de mim.
Liguei a moto e comecei a segui-lo, me perguntando a que tipo de lugar ele iria naquela hora da manhã, e acabei parando na frente de uma cafeteira. Ichigo ficou lá por bastante tempo, e eu conseguia vê-lo de longe. Aquele olhar distante e as olheiras grossas marcando o rosto tão bonito faziam meu corpo se contorcer de dor, mas aquela não era hora pra chilique. Por nós dois eu tinha que ser forte. Depois de deixar a cafeteria ele começou a andar pela cidade, e pelo caminho tive certeza que ele não estava indo para casa. De repente recebi uma mensagem no celular.
“Onde você está?”
“Em casa W, onde mais seria?” Mandei a resposta quase que imediatamente.
“Tudo bem então. Aoi pediu para você comprar detergente antes de voltar pra casa. Boa sorte com o Ichigo.” Quase arremessei o celular na rua, as vezes essa esperteza sacana do W me incomodava, mas eu estava preocupada demais agora para me importar muito.
Ichigo acabou indo para o parque principal da cidade, e começou a entrar na parte mais afastada onde ficavam as arvores, me obrigando a deixar a moto parada na calçada e começar uma perseguição a pé. Andei por alguns metros me guiando apenas pelo barulho dos passos dele, obviamente não podia chegar muito perto, mas em algum momento, acabei perdendo minha pista.
Me encostei numa arvore, me concentrando para tentar localizá-lo, mas não havia nenhum barulho, apenas das folhas balançando.
“Onde você está Ichigo? Provavelmente se escondendo de mim...” Falei, pra ninguém e ao mesmo tempo para mim mesma.
“Quem aqui está se escondendo Inoue?” Ouvi a conhecida voz, e quando me virei vi Ichigo parado do lado contrario da arvore. Ele evitava me olhar nos olhos. E estava me chamando pelo sobrenome como antigamente. As coisas estavam indo de mal a pior.
“Podemos conversar?” Falei com as forças que me restavam, esperando apenas uma resposta, mesmo que fosse negativa. Eu só queria que ele falasse comigo mais uma vez. Ficamos em silêncio por um bom tempo, nenhum se arriscava a olhar para o rosto do outro. Eu por estar completamente desesperada e angustiada, ele provavelmente por estar com ódio de mim. E ficamos nessa situação desconcertante até ele finalmente dar um suspiro longo e falar. “Está certo.” Isso era para ser bom, mas eu não conseguia detectar nenhuma emoção na sua voz, nem mesmo ódio. E isso me preocupava muito mais. Ele se aproximou de mim e sentou encostado na arvore, esperando que eu começasse a falar. Era minha ultima chance de consertar as coisas, e definitivamente não podia estragar tudo, mas eu não sabia mesmo o que fazer. Mais uma vez estava incapacitada de tomar uma atitude, mas perder não era uma opção.
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