O Outro Lado - A Verdade
23 Reconciliação?
Notas iniciais
“E então Inoue, o que você tem pra me contar?” Ichigo perguntou totalmente frio.
“Sua raiva é tanta que voltou a me chamar como antigamente? É, por um lado eu te entendo.”
“Sabe, eu pensei a noite toda sobre o que vocês disseram ontem.”
“E?”
“Sei lá, isso tudo parece um tanto quanto ridículo.”
“Então pra você faz mais sentido que eu tenha deixado o W fazer lavagem cerebral em mim e virei uma completa pirada que sai por ai machucando pessoas por prazer de propósito?”
“Observando a situação, isso parece mais lógico, principalmente porque você só começou a agir assim quando começou a andar com ele e usar essas roupas diferentes.”
“Eu não era feliz naquela época, e já disse que parecia mais uma bomba relógio do que um ser humano. Essa pessoa maluca e cheia de problemas de agora, pode ser uma droga, mas é a verdadeira Inoue Orihime.”
“Não sei se posso acreditar quando você diz isso. A verdade é que eu não sei mais quem é Inoue Orihime. Não, talvez eu nunca tenha sabido.”
“Do que está falando?”
“Desde antes, você sempre fingiu não é? Ninguém nunca soube que debaixo daquelas roupas floridas e daquele rostinho inocente tinha uma garota assim. Ai você mudou de uma hora pra outra, e mesmo dizendo que seria sincera, continuou escondendo um monte de coisas. Agora eu pergunto só uma coisa: Quem é você de verdade?” Aquelas palavras me atingiram como um trem descontrolado. Talvez nenhuma resposta que eu desse o satisfaria. Dizer que apesar de tudo eu continuava sendo aquela garota de antes era uma total mentira. Aquela pessoa era apenas uma fachada criada pela minha covardia. Dizer que eu era apenas uma pessoa tentando suprimir vontades ruins só pioraria minha situação, isso era praticamente gritar tenha pena de mim. No fim, optei por dizer a coisa mais sincera que consegui.
“Eu... Não sei.” Me aproximei mais de Ichigo, colocando minha mão em cima da dele. “Mas isso não é um grande problema.”
“Posso saber por que não é?” Ele ainda estava irritado, mas não tentou mover minha mão.
“Porque... Não importa quem eu seja... Tem uma coisa que nunca vai mudar... Eu te amo droga. Será que isso não basta? Ou você está até duvidando dos meus sentimentos?” Me esforcei para não chorar, aquela não era a hora adequada.
“Tem certeza que me ama? Você pode apenas estar se enganando e tentando insistir em algo que não daria mais certo. Olha só, mesmo que eu esquecesse minha raiva, será que sou mesmo a pessoa certa para a sua vida?”
“DO QUE ESTÁ FALANDO? ACHA MESMO QUE EU VOU ME IMPORTAR COM O QUE É CORRETO OU IDEAL PARA MINHA DROGA DE VIDA NESSA DROGA DE MOMENTO?” Minha voz era uma mistura de raiva e tristeza. “A ÚNICA COISA QUE IMPORTA PRA MIM É QUE EU TE AMO E NÃO CONSIGO FICAR SEM VOCÊ INFERNO! NÃO TÔ NEM AI SE ISSO VAI ME FERRAR OU ME MATAR!” Gritei tão alto que fiquei meio sem ar quando finalmente parei.
“Inoue...”
“Chega de me chamar assim! Olha eu vou entender perfeitamente se ficar longe de mim por ter medo ou por não querer se envolver com alguém assim. Eu estou razoavelmente preparada para nunca mais te ver ou pra você chamar a policia e contar tudo pra eles. Só não suporto que fique com raiva de mim por achar que eu fingi meus sentimentos esse tempo todo. Isso já é demais.” Agora eu tinha feito besteira, deixei a raiva tomar conta de mim, e talvez pudesse perder Ichigo para todo sempre. Fiquei completamente chocada quando senti algo encostando nos meus lábios. Foi apenas por milésimos de segundos e não teve todo o carinho de antigamente, mas já era alguma coisa. Ele tinha me beijado.
“Ichigo você...”
“Eu já estou indo.”
“Mas... Eu ainda quero... O que você vai fazer?”
“Pensar.” Ele se restringiu a dizer apenas isso. Ichigo levantou e limpou algumas folhas que haviam ficado presas em sua calça, se preparando para ir embora. “Amanhã tem aula, tente não faltar, sim?” Pela primeira vez naquele dia nossos olhos se encontraram. Sem nenhuma tristeza profunda. A magoa continuava ali obviamente ela demoraria a ir embora, mas já haviam esperanças que poderíamos voltar ao que éramos antes. Corrigindo, poderíamos ser algo completamente novo, e talvez melhor ainda. Fiquei observando enquanto ele ia embora, simplesmente por não saber bem o que fazer agora. Estava completamente abobada de tanta felicidade. Em tempos como esse, era até bom se sentir assim as vezes. Cheia de esperança num futuro melhor. Mesmo que provavelmente, uma boa parte dele não fosse possível. Mesmo que provavelmente eu acabasse destruindo alguns aspectos dele graças as minhas vontades mais profundas. E mesmo que o tempo apenas nos afastasse. Nesse momento, eu ia me dar a liberdade de sonhar um pouco.
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