O Outro Lado

6 Cap.5 História


—"O que fazer quando você não tem mais nada a fazer?" era essa a pergunta que eu me fazia todo momento, eu tinha voltado a estaca zero novamente e desta vez sem a ajuda de Leo para me apoiar e segurar meu choro. -Sara pensa-

Como única suspeita do assassinato de Leo, Sara é levada ao interrogatório da delegacia -Entendemos que você pode estar meio...traumatizada pelo que aconteceu mas...-o delegado se senta na cadeira lentamente -Precisamos primeiramente saber o que aconteceu, pode colaborar Sara?-

Sara não conseguia se mexer ou falar apenas olhar para ele, tão pálida e gelada.

—Eu gostaria muito de poder te ajudar- ele aponta para o espelho da sala -Do outro lado daquele espelho só tem gente querendo o seu mal e eu sou o único que quer realmente te ajudar então por favor colabore!-

—Só fique longe dos livros!- Sara

—Livros? Que livros? Não vimos nenhum livro...- Delegado

—Você não pode me ajudar.- Sara

Ele dá uma longa respirada – Olha...- Marta a mãe de Math entra pela porta com uma cara não muito amigável.

—Você já se esqueceu dos direitos de um suspeito delegado? Falar somente na presença do Advogado te diz alguma coisa?- Ela encara o delegado jogando uma pasta de papéis em cima da mesa .

—O que é isso?- o Delegado pega a pasta e abre com muita pressa.

—É uma ordem de soltura para responder o processo em liberdade.- Marta

—Como? Isso é impossível, a garota foi pega em flagrante!- O delegado se levanta da cadeira com os papéis na mão.

—Reclama com seu Juiz e não comigo...- ela destranca as algemas de Sara. -E você vem comigo, temos muito o que conversar.- as duas saem da sala.

Elas vão direto para a casa de Marta, ao descer do carro Sara olha para a casa e se lembra de bons momentos que teve com Math, se lembra do balanço que construíram juntos na velha árvore do quintal, da pintura que fizeram juntos do símbolo do Nirvana atrás do muro, da vez que ele tentou ensinar ela a andar de skate, ela então olhou para o anão de jardim em forma de palhaço que ele tinha comprado e se lembra do exato momento em que ele resolve o colocar na grama quase como um flashback:

"-Por que ao invés de colocar um anão normal você resolveu colocar um palhaço?- Sara

—Porquê somos todos palhaços!haha!-Leo"

—Sara? Tem algo errado?- Marta diz tocando seu ombro.

Sara retoma sua atenção e olha serenamente para Marta -Ah não eu só tava...me lembrando ...-

As duas então entram para dentro da casa, Sara logo se senta na primeira poltrona queque, posição ereta e bem formal, já Marta vai rapidamente até a cozinha e busca um chá. Ela se aproxima de Sara entrega um copo para ela e se senta na poltrona da frente.

—Bem, por onde eu começo...- ela olha para os lados procurando ter alguma coisa em mente. -Eu sei que você esteve procurando pelo Math, quero pedir que pare.-Marta-

—Como sabe? Só contei para o Leo sobre isso!-Sara-

—É eu sei, e ele me contou...sei que você está desesperada atrás dele mas você tem que deixar essa história para os profissionais ou você vai acabar se machucando seriamente como seu amigo Leonard.- Marta

—Você não tem o direito de falar dele dessa forma!- Sara começa a chorar.

— Eu tenho mais direitos aqui do que qualquer uma!- Marta aumenta seu tom de voz como se tivesse dando um sermão e abaixa novamente. -Até mesmo mais do que você...- ela diz tentando disfarçar algumas lágrimas que rolaram sem querer.

Sara olha para ela com uma cara desconfiada. -Como assim?-ela pergunta.

Ela limpa o rosto com as mãos – A nossa vida em família nem sempre foi pacífica como você costumava ver, a minha família era muito pobre e para n morrermos de fome eu fui obrigada a me casar com um homem, antes mesmo do meu atual falecido esposo.- Marta

—Ele nunca me contou isso...- Sara

—Eram tempos difíceis e nós não tínhamos muitas escolhas então eu aceitei a proposta do homem, tempos depois eu tive a notícia que estava grávida, meu marido não era gentil e muito menos amável, mas minha família estava bem e isso que importava pra mim. Certo dia uma das empregadas ouviu uma conversa entre ele e um dos seus capatazes em que ele dizia que abominava a ideia de ter uma filha mulher e que a mataria com as próprias mãos caso acontecer. Uma delas mais velha disse que não era a primeira vez que isso acontecia porque ele já tinha feito isso 2 vezes inclusive na segunda a mãe das crianças se matou; eu fiquei desesperada mas não podia fazer nada além de esperar. 9 meses se passaram e finalmente o bebê nasceu...era garota, meu coração gelou na hora, tinha que fazer algo, não poderia simplesmente deixá-la morrer, felizmente ou infelizmente, nós sabíamos de um casal que tinha vindo da Inglaterra que tinham acabado de perder uma filha recém nascida por causa de uma doença e estavam voltando para o seu País, sem pensar 2 vezes eu pedi para que uma das empregadas levasse o bebê até o casal que a acolheu com muito amor, quando ele veio até mim me perguntando sobre o bebê eu disse que não havia resistido. Quase 2 anos se passaram eu recebi outra notícia, estava grávida novamente mas desta vez eu não poderia ficar sem meu bebê novamente, aquela altura eu já tinha apanhado demais daquele monstro para aturar mais alguma coisa, eu havia roubado milhões dos cofres dele sem que ele percebesse e enviei todos os meu familiares para longe e em segurança e fugi... Eu e meu bebê estávamos indo em busca da liberdade. Um tempo atrás já nos dias atuais Math já bem crescido encontrou a sua irmã na internet que pediu a sua família para vir até aqui, eles vieram e compraram uma casa grande na cidade e voltaram deixando ela aqui por um tempo... mas na viagem de volta o avião caiu e os pais dela morreram...- Marta-

—Não pode ser ...- Sara

—Math então começou a se aproximar dela até que eu o vi pela última vez...ela não gostava de mim por tê-la abandonado, ou melhor ela não entendia, mas não tinha nada contra o Math, na verdade eles até se davam bem e pra mim estava tudo ok.- ela diz começando a chorar.

—Ah Meu Deus! Ele não estava me traindo ou algo do tipo ... Ela... Bruna era irmã dele...- Sara se levanta da poltrona com sua mente que parecia estar tudo tão claro naquela hora.

—Sim... Ela era a irmã mais velha e minha filha... Filha que eu acabei perdendo de toda forma...hoje ela faria 22 anos.

Notas finais
Obg por ler volte sempre pfv :3