Notas iniciais
Fico bastante contente com os novos leitores e favoritos! Aos que comentam, muito obrigada pela opinião, ela é de grande ajuda para mim. Espero que gostem!

Não demorou muito e o display do celular acendeu, apitando que uma nova mensagem havia chegado. Meu coração quase pulou para fora, tanto quanto o vômito que estava preso na minha garganta. Abri a caixa de entrada e lá estava uma nova mensagem, de Margareth Walls.

Quem é você? Jamie?

_ E então? – Perguntou Liam, na expectativa.

_ Ela perguntou… quem é… — Falei, os olhos apertados para conseguir ler apenas uma frase enquanto várias cópias pairavam no ar. Levantei a cabeça para Liam, aguentando para não chorar. – Ela deletou meu número, cara. Ela nem pensou… em guardar para me… me ligar algum dia…

Joey me deu outro abraço apertado inesperado, e desta vez eu fiz de tudo para manter meu estômago comportado, mas não deu. Livrei-me dos braços monstruosos de Joe e corri para o banheiro, ao mesmo tempo em que meu abdômen se contraiu com força e o líquido quente foi despejado para a minha cavidade oral. Pus a mão na boca e senti meus dedos empapados pelo vômito ao passo que com a outra fechei a porta do banheiro.

Encurvei-me diante a pia e coloquei tudo para fora, e o cheiro intenso de álcool inundou o cubículo rapidamente. Permaneci na mesma posição por alguns minutos, até ter certeza de que a ânsia não iria voltar. Limpei minha boca e minhas mãos, bochechei um pouco de água para melhorar o hálito e depois esfreguei pasta de dente na minha língua para tirar o gosto ruim.

O celular vibrou dentro do bolso da calça, e respirei fundo antes de voltar para aquela dolorosa conversa. Abri novamente a caixa de texto e respondi Marge:

Sim, sou eu. Você deletou meu número? Não quer mais lembrar que eu existo?

Saí do banheiro, e Liam estava na frente da porta, esperando-me com Andrés o segurando pelos ombros para mantê-lo em pé.

_ Tudo bem? – Perguntou Andrés com uma aflição verdadeira, e eu assenti com a cabeça.

Eles me levaram de volta para o sofá, e senti o celular vibrando novamente na minha mão.

Eu deletei seu número temporariamente porque eu quero seguir com a minha vida. Nós passamos dois anos juntos e não está sendo fácil para mim.

Mostrei a mensagem para Liam, que abriu um sorriso amplo do tipo “eu sabia que estava certo”.

_ Viu, ela também está na pior que nem você, irmão. Agora corre para o abraço.

Eu continuei parado, não sabendo o que escrever de volta. Então foi quando cometi um dos piores erros da minha vida, a minha humilhação e massacre da minha dignidade total.

Eu ainda te amo Marge Walls.

Enviei a mensagem, com uma ponta de esperança ressurgindo em meu ser. Algo me dizia que a resposta também seria recíproca, e eu já estava até me sentindo melhor do enjoo e do nó no estômago. Aguardei a resposta, esperando que viesse na mesma rapidez que as duas primeiras, porém não veio.

_ O que você mandou para ela? – Indagou Andrés, com uma expressão de contrariedade.

_ O que eu estou sentindo. – Respondi, soltando um riso débil de convicção.

Quanto mais tempo decorria, mais a minha esperança era assassinada. Comecei a andar em volta da sala, acenando para os novos melhores amigos que eu tinha feito, e aproveitei para pegar uma bebida. Eu estava me sentindo melhor após ter vomitado, e tive até a sensação de que já estava sóbrio.

Eu estava muito longe da sobriedade.

Caminhei até a janela, e vi um cara debaixo da árvore na frente da casa, abaixado e com as mãos na cabeça, gritando para que os índios americanos o deixassem em paz. Aí foi quando eu tive a certeza de que eu estava bem, e que havia muita gente pior do que eu.

Meu celular vibrou, e automaticamente enfiei a mão no bolso a procura dele. Era somente uma notificação do Facebook.

_ Parece que está ansioso – Falou uma voz por trás de mim, mansa e carregada de sensualidade.

Quando virei para trás, vi que era a garota loira da boca de vermelho. Ela parecia excepcionalmente mais bonita agora.

_ Estou… aguarrrdando uma resposta.

Ela riu mordendo o lábio inferior, tomando a lata de cerveja da minha mão.

_ Acho que você já tomou muitas dessas, mocinho. – Ela disse, dando um gole na minha bebida de um jeito tão sexy que até cheguei a esquecer Marge por um instante.

_ Que nada, essa é a terrrceira ainda.

_ Você é divertido – Ela elogiou, analisando-me da cabeça aos pés. – E bonito também.

Meu celular vibrou novamente, e mesmo que acabasse de receber a indireta mais direta da minha vida, ignorei-a e abri a caixa de entrada. Uma nova mensagem de Margareth Walls. Meu coração acelerou e cliquei na mensagem, tão vidrado nas expectativas que esqueci da gata que estava me dando o maior mole do século.

Perdoe-me Jamie. Eu não sinto mais o mesmo… mas adoraria tê-lo como amigo.

O chão desapareceu debaixo dos meus pés, o ar fugiu dos meus pulmões e um soco sem remetente foi dado na boca do meu estômago. Puta merda. Amigo. A-mi-go. Há palavra que doa mais? Quando você quer mais que tudo amar uma pessoa mas não pode, pois você foi rebaixado para a categoria amigo?

Que a amizade vá para a casa dos infernos.

_ Com licença. Desculpe. – Eu disse para a loira sem encará-la nos olhos, saindo para falar com Liam.

Ao encontrá-lo na cozinha com Evan e outras pessoas que não reconheci, empurrei o celular na direção do seu peito, enquanto ele me encarava, atônito.

_ Está aí o resultado da sua ideia genial.

Ele leu a mensagem, soltando um arquejo e hesitando várias vezes antes de falar algo concreto.

_ Bem, ao menos você sabe da verdade, ela não está querendo mais nada com você.

Eu torci a cara, indignado.

_ Então eu fiz isso só para saber o que eu já sabia? Eu me humilhei para nada? – Revidei, meu rosto tomando uma cor avermelhada pela fúria. Desvantagens de ser excessivamente caucasiano.

_ Cara, relaxa. Ela não vai contar isso a ninguém e você nunca mais vai vê-la. Pronto. Senta aqui. – Liam puxou um banco de bar para mim, mas recusei.

_ Por que você me deixou fazer isso? – Eu insisti, tentando recobrar o controle porém meus músculos não paravam de tremular com tanta adrenalina correndo pelas veias.

_ Primeiramente, no fundo era exatamente o que você queria fazer. Só estava esperando alguém para te apoiar, e foi o que eu fiz, pois sou seu amigo. – Liam respondeu, colocando cubos de gelo no seu copo de whisky com uma tranquilidade que apenas atiçou ainda mais meus nervos.

_ Ah, muito obrigado, estou incrivelmente melhor! – Ironizei, definitivamente detestando o sentido da palavra amizade naquela noite.

_ Jim, por favor, fica calmo. – Pediu Evan, colocando a mão no meu braço e a deixando por alguns segundos, enquanto olhava fixamente para ela e apertava os nós dos dedos com mais força.

_ O que deu em você? – Perguntei a ele.

Liam soltou um risinho.

_ Relaxa, Jim. Aqui, toma isso só para esquecer um pouco dessa problemática toda. – Liam deixou um pequeno comprimido branco em cima do balcão.

_ Isso é droga? – Perguntei, ficando cada vez mais abismado com Liam.

_ Fala sério, é ecstasy. Só para te ajudar a descontrair. Eu acho que você saiu lá do fim do mundo de Scarborough para isso.

_ Não, acho que já vou indo para casa.

_ Vamos, Jim. Não deixe que ela estrague sua noite. Eu errei, confesso, desculpa. Achei que ela realmente gostasse de você ainda, os dois formavam um casal tão bonito… ninguém esperava por isso. Eu ainda acreditava que veria vocês juntos novamente, que esse término seria um drama feminino passageiro. Eu achei que estava ajudando vocês a reatarem. Agora quero ajudar você a ser feliz. – Ele empurrou o comprimido para mais perto de mim. – Só precisa tomar a metade que já faz um bom efeito.

E pela carência e efeito da bebida influenciados por um discurso sentimentalista, eu acabei tomando o comprimido inteiro.