O Outono é a Cor dos seus Olhos
17 Pesadelos
Notas iniciais
Saímos da Tim Hortons e prosseguimos pela agitada Bloor Street, circulada pelo aglomerado de pessoas que entravam e saíam das lojas com suas sacolas de compras das mais variadas grifes e pelo tráfico intenso. Ava observava tudo em volta, erguendo a cabeça para visualizar melhor o labirinto dos modernos prédios espelhados que entrecortavam o azul do céu e as pessoas de diversas nacionalidades.
– Esta rua é conhecida pela variedade de lojas internacionais em Ontário. Muita gente vem aqui, mas é só para olhar mesmo. Os preços não são muito amigáveis... – Expliquei, enquanto desviávamos da fila de bicicletas estacionadas na calçada.
– Então equivale a uma Fifth Avenue de Nova York, ou uma Oxford Street em Londres... quer dizer, compras em Londres é sem dúvida a melhor opção do mundo! – Ela impôs, acentuando seu sotaque britânico. – A Oxford Street tem uma arquitetura colonial e possui vários prédios antigos que dão um charme clássico e único. Sem falar do Oxford Circus! Meu pai sempre me levava lá quando era pequena. Sabe o que me fascina nessas megacidades? Nós podemos encontrar um pedacinho de todos os países do mundo aqui! – Ava exclamou, girando o braço em torno de si mesma. – Ah, tive uma ideia. Vamos brincar de adivinhar a nacionalidade das pessoas!
– Como? – Perguntei, franzindo a testa.
– Basta olhar para uma pessoa e dar um palpite de qual país ela veio. Você começa! – Ava determinou, cutucando-me com o dedo indicador no ombro e com um sorriso maroto estampado no rosto.
– Eh... tudo bem. Vejo uma garota ruiva de boina ao meu lado. Ela é inglesa. Pronto, ganhei.
– Não é justo! – Ela retorquiu soltando uma gargalhada, batendo um dos pés no chão. – Minha vez. Vamos lá, quem eu irei escolher... – Ava colocou a mão na boca, apoiando um dos cotovelos sobre o outro braço cruzado. – Eu vejo um russo de olhos azuis e cabelos loiros, vestindo um paletó. Hmm... de onde será que ele é?
– Ava.
– O que foi?
– Acho que você já deu a resposta.
– Ah! Nossa, como sou estúpida. Bem que minha professora da quarta ou quinta série disse para os meus pais que eu tinha déficit de atenção! Eles não acreditaram nela até que um dia eu fui para a escola de pijama. Posso tentar novamente?
– Quantas você precisar.
– Hmmm... eu vejo um cara alto de cabelos lisos e negros, com lindos olhos claros. – Ela descreveu com o olhar direcionado para o horizonte, formulando um sorriso malicioso nos lábios tocados pelo seu dedo mindinho.
Automaticamente meu rosto corou, sentindo minhas bochechas arderem. Mais uma vez praguejei por ter uma pele tão clara, e torci para que Ava não olhasse diretamente para mim e notasse meu rubor. Como ela tinha tanta coragem para falar tais coisas tão facilmente? Ava achava meus olhos lindos.
Sim, eu realmente tinha olhos muito bonitos.
Sim, Ava White estava atraída por mim.
– Bem, obrigado pelo elogio. – Agradeci, cheio de si, provocando risadas em Ava que me deixaram confuso.
– Convencido! Estou falando daquele cara em frente à estação de metrô. Tenho quase certeza absoluta de que ele é britânico também! – Ela disse, apontando para um rapaz que segurava várias bolsas de compras, provavelmente esperando por alguém.
Analisei a vítima da brincadeira, aturdido com o golpe da realidade. Sinceramente, ele nem entrava nas características que Ava descrevera. Inicialmente, ele tinha cabelos castanhos escuros, que não eram tão escuros quanto o meu. Alto? Fala sério, jogando para baixo eu tinha dez centímetros a mais que ele. Quanto aos olhos, eu nem tinha o que comentar. Com a grande distância entre o alvo e nós era impossível determinar qual a cor de sua íris. Acabei soltando uma risada falsa, para disfarçar o meu equívoco.
– Sim... ele deve ser britânico. – Concordei.
Paramos diante a faixa de pedestres e aguardamos para que o sinal ficasse vermelho. O Royal Ontario Museum se encontrava do outro lado da rua, com os raios solares resplandecendo sobre a sua estrutura espelhada.
– Veja, Jim! Veja! – Bradou Ava vibrantemente, puxando a manga do meu suéter. – Aquilo é a CN Tower, não é? – Ela apontou para a torre pontiaguda que estava erguida entre os grandes prédios do centro da cidade, ao longe.
– Sim, Ava. Finalmente você encontrou a CN Tower, meus parabéns. – Eu falei, com voz desanimada. Eu ainda estava ruminando sobre o mal-entendido e não sabia o porquê.
– ELA É TÃO LINDA! A vista lá do alto deve ser simplesmente per-fei-ta. – Ela comentou, com um brilho no olhar ao admirar a silhueta da torre. Ava me contemplou, como se esperasse que eu a convidasse para um passeio até a atração turística. Porém me mantive calado.
O sinal abriu e atravessamos a rua, finalmente chegando ao museu. Ava andou com passos largos até alcançar as portas automáticas de entrada, permanecendo em frente a elas. A inglesa ergueu a cabeça e fitou a gigante construção acima dela, com seus grandes vidros que refletiam o chão onde estávamos.
– Não se parece com um livro aberto? – Ela indagou, em um leve tom de fascínio.
Ergui o rosto igual a ela, e analisei por alguns segundos.
– Não. – Respondi secamente, perguntando-me como Ava conseguia visualizar um livro naquelas altas paredes listradas.
– Então o que parece, para você?
– Hum... – Pensei, mas eu ainda estava instigado.
Ela havia me descrito, eu estava convicto. Aquele homem não tinha nada a ver. Ava havia me zombado, retribuindo a brincadeira que eu fiz, ou ela realmente havia me elogiado e alegou que estava se referindo àquele cara, para não parecer tão óbvio. Ela já havia me chamado de gracinha. Além do mais, escreveu um bilhete e deixou no banco do meu carro, uma atitude considerada duvidosa. Sim, Ava me achava atraente. Tudo havia ocorrido em um curto espaço de tempo, o que era o suficiente para interligar os três fatos. Eu era uma gracinha de olhos lindos.
– Me parecem três diamantes incrustados. – Eu disse, por fim.
– De fato, parecem! – Admitiu Ava.
Adentramos ao museu e compramos os tickets, seguindo pelo salão principal de piso parquet que continha sofás espalhados para as pessoas se acomodarem e alguns artefatos exibidos em cubículos de vidro. Ava estudava tudo em torno de forma maravilhada, levemente boquiaberta.
– Você nunca foi a um museu? – Perguntei, não entendendo o motivo de ela estar tão impressionada.
– Conheço mais museus do que países, Jim. Em cada lugar em que eu morei, fiz questão de visitar todos os museus possíveis. Estes locais são mágicos… é a forma mais próxima que nós temos de conhecer o nosso passado. – Ela parou diante de um grande esqueleto de algum animal que presumi ser um dinossauro. – E pensar que houve uma época em que os seres humanos não existiam e eles eram nós.
Atravessamos a primeira galeria que era constituída de coleções das artes chinesa e coreana. Avistei todos os objetos rapidamente, fazendo uma breve análise. Porém, levamos cerca de uma hora para conseguirmos sair dali, graças a Ava que fazia questão de revirar cada peça de cima para baixo. Ela ficava na ponta dos dedos, outrora ficava agachada, no intuito de observar cada detalhe que pudesse fugir de seus olhos curiosos. E sim, ela tinha bastante disposição para ler todos os textos enormes que explicavam as obras. Havia uma parede amarela onde ficavam expostas onze pequenas esculturas, as quais ela perdeu em média de vinte minutos as estudando.
– Está tentando encontrar algum ancestral seu por aí? – Perguntei, começando a ficar aborrecido. No entanto, Ava estava absorta em seus pensamentos de tal maneira que não conseguiu me escutar, ou ao menos fingiu que não estava escutando.
Seguimos para a galeria de Paleontologia e Zoologia, no andar subsequente. Esta me agradou mais, devido aos enormes esqueletos de dinossauros expostos e os corpos de animais empalhados, além de um belo aquário.
– Imagine um bicho desses correndo atrás de você? – Falei para ela, enquanto observávamos os ossos de um grande Tricerátopo que possuía um chifre maior que nós dois juntos.
– Eu tentaria me agarrar ao chifre dele e o abraçaria bem forte como Indiana Jones faria, assim ele nunca conseguiria me atacar. – Solucionou Ava, em tom confiante.
– Mesmo? E como pretenderia subir até o chifre?
– Muito simples. Eu correria bastante para ganhar distância e assim que ele se aproximasse, eu daria um salto bem alto com os braços esticados e me seguraria ao chifre. – Ela explicou, como se fosse a coisa mais fácil de se fazer na era mesozoica.
– Bem, acho que você analisou tanta coisa nesse museu que perdeu a percepção do básico. – Peguei Ava pelos seus ombros delicados – a extensão das suas clavículas compreendia metade do meu tórax – e a coloquei em frente ao esqueleto, deixando-a o mais próximo do fóssil que a área de proteção podia permitir. – Agora, peço que olhe gentilmente para cima.
Ava obedeceu, rindo. O longo chifre se projetava acima dela, tão largo que fazia sombra sobre sua cabeça.
– Viu, é tão grande que eu poderia morar ali dentro e o dinossauro nunca iria perceber! – Ela brincou.
Ao ver todas as exibições daquela galeria, prosseguimos para a Caverna dos Morcegos, cuja entrada tinha uma tela transparente acima de nós que possuía um efeito pitoresco de morcegos sobrevoando. Era uma área constituída de túneis entremeados e pouco iluminados, com paredes que imitavam rochedos e um teto baixo, no qual havia várias réplicas de morcegos penduradas em nichos. Para mim aquilo tudo estava mais para uma casa mal-assombrada dos parques de diversões, faltando somente uma câmera escondida para fotografar as pessoas aterrorizadas como no Nightmares Fear Factory. Embora eu tivesse essa opinião, Ava parecia bastante desconfortável.
– Você está bem? – Perguntei em voz baixa, como se corrêssemos o risco de acordar alguma criatura maligna adormecida no escuro.
– Ah… fisicamente sim. Emocionalmente nem tanto. – Ela respondeu, com aflição. Seus passos cautelosos diminuíam cada vez mais à medida que penetrávamos para o interior do túnel, seu olhar estava fixo nos morcegos suspensos. – Eu estou legal, estou beeem legal. – Ela afirmou, mais para si mesma do que para mim. Eu percebi que gotas de suor frio começaram a brotar de suas têmporas.
De repente, senti meu pé pisar num objeto duro, porém flexível, no qual meu tênis afundou e provocou um forte som oco de estalo, que repercutiu por toda a caverna. Ava soltou um berro agudo no mesmo instante, que quase estourou meus tímpanos. Ela pulou em minha direção e deixou sua boina cair no chão, colando seus braços em meu peito, enquanto protegia o rosto com as duas mãos.
– Calma, eu só pisei num copo de plástico… como isso veio parar aqui? – Indaguei retoricamente, segurando-me para não rir da situação na frente dos outros visitantes curiosos que congelaram seus passos para nos espiar.
– EU ODEIO, ODEIO O ESCURO! QUERO SAIR DAQUI AGORA! – Ela bradou exasperadamente, ainda cobrindo o rosto, se refugiando embaixo da minha axila.
– Como quiser, vamos embora agora... – Eu respondi, espantado pela reação de Ava cujo coração palpitava fortemente enquanto grudava seu corpo ao meu, praticamente pulando para fora da boca.
– Me desculpe por isso. – Ela se afastou de mim após alguns segundos de silêncio constrangedor, percebendo o quão vergonhoso fora o seu comportamento e deu meia-volta com a cabeça baixa.
– Não há problema, Ava. Eu também acho esse lance de morcegos bem bizarro. – Menti para fazê-la se sentir melhor, abaixando-me para apanhar a sua boina.
– Não se trata dos morcegos, e sim do escuro. – Ela disse com voz falhada, mantendo o rosto voltado totalmente para o chão e os braços cruzados como um escudo. Ela praticamente estava correndo dali e eu apertei o passo para segui-la.
Uma luz de lanterna emergiu repentinamente no meio do túnel, e um segurança do museu a apontou para nós como se fôssemos suspeitos de algum crime.
– Que barulho foi esse? – Ele interrogou, aparentemente aborrecido.
– Jogaram um copo aqui e eu acabei pisando. Foi mal. – Expliquei, chutando o copo no chão com a ponta do tênis.
– Você está bem? – O funcionário perguntou para Ava ao notar seu acanhamento, apontando a lanterna irritante para sua face. Ela assentiu com a cabeça sem erguer o olhar.
Saímos da Caverna dos Morcegos, quando a luminosidade dos letreiros que explicavam o que os morcegos faziam, comiam e agiam quando ninguém estava olhando invadiu meu rosto. Levei alguns momentos para me acostumar com a claridade novamente, enquanto Ava passava a mão sobre a raiz dos seus cabelos.
– Sua boina – Eu entreguei a ela, que colocou o acessório novamente e permaneceu quieta.
Caminhamos até o elevador e subimos para o nível 5, onde havia um restaurante estilo lounge, chamado Crystal Five. Comprei uma garrafa de água para Ava, que sentou em uma das mesas. Puxei uma cadeira e permanecemos em silêncio, enquanto ela bebericava o líquido transparente direto do recipiente.
– Obrigada.
– De nada. – Respondi, e nos mantemos calados por mais um tempo. Seja o que fosse, o escuro era o antídoto para a tagarelice da inglesa.
– Mais uma vez, desculpe por tê-lo feito passar vergonha. Eu agi de forma ridícula, igual uma criancinha – Ela continuou, rodando a tampinha da garrafa sobre a superfície da mesa.
– Você não foi ridícula. Muitas pessoas têm medo do escuro.
– Não como eu tenho. – Ela retorquiu, sua voz cada vez mais grave.
– Algum trauma específico? – Perguntei, dando de ombros.
– Sim. – Ela respondeu, após titubear. – Eu não costumo comentar sobre isso, mas após o vexame que dei na sua frente, acho que você merece explicações…
– Eu já disse que está tudo bem.
– O.k. – Ela deu um sorriso sem dentes obrigado, em forma de agradecimento a minha compreensão forçada. – Bem, não é uma história muito agradável. Aconteceu quando eu era pequena, tipo, bem pequena… antes de completar seis ou cinco anos. Eu costumava a ter um pesadelo, o mesmo pesadelo, quase todos os dias. No início, eu o tinha uma vez por semana, e depois a frequência foi piorando. Eu acordava apavorada, suando frio e chorando. Só que eu sentia as minhas bochechas e minha garganta totalmente molhadas, significando que eu já estava chorando há bastante tempo antes de acordar. Eu corria para o quarto dos meus pais e eles me colocavam para dormir entre os dois, mas eu tinha tanto medo de voltar ao sonho que permanecia acordada até o cansaço me vencer. – Ela fez uma pausa, bebendo um gole da água. – Eu não sabia explicar para os meus pais que eu tinha o mesmo pesadelo sempre, então eles concluíram que deveria ser normal para a minha idade, me proibindo de ver certos programas de televisão e outras coisas que poderiam influenciar nos meus sonhos. Mas eu continuei tendo o pesadelo, e a constância se tornava cada vez maior… então minha mãe me levou a um psiquiatra e o diagnóstico foi uma espécie de pavor noturno, algo assim. Com o passar do tempo os pesadelos deixaram de existir, e graças a Deus nunca mais os tive.
– E como você associou o escuro ao pesadelo?
– Bem, na verdade meu pesadelo se passava no escuro. Desde o início até o fim. Por conta disso, eu não tinha ideia se eu estava sonhando ou se aquilo estava acontecendo realmente. Eu ficava no meio do breu, enxergando absolutamente nada e não sentindo o chão sob meus pés, como se estivesse flutuando em um vácuo. Aí, de repente, vários olhos vermelhos começavam a surgir em volta de mim, um por um. Eles me encaravam e eu podia sentir que eles queriam me atacar. Não sei como, mas eu sabia que eram olhos demoníacos, talvez pela coloração vermelha. Eles surgiam infinitamente e de forma inesperada começavam a se aproximar de mim, cercando-me por todos os lados e eu simplesmente perdia os movimentos do meu corpo. Para ficar mais aterrorizante, eu escutava uma respiração ofegante e diabólica ao fundo, que não me pertencia. Então os olhos me engoliam totalmente e eu acordava, em pânico. Quando eu abria os olhos e via o escuro novamente, era como mergulhar de volta ao sonho, e eu perdia a orientação do que era irreal ou real.
– De fato, deveria ser algo horrível. – Comentei assombrado, prestando atenção em cada palavra.
– Até hoje eu não consigo permanecer no escuro sem me lembrar do pesadelo. Acho que esse fardo me perseguirá por toda a vida. Eu ainda durmo com o abajur aceso todas as noites – Ela emitiu uma risadinha de embaraço.
Eu a contemplei, e percebi que Ava estava expondo uma de suas partes mais reservadas da sua vida. Eu a conhecia em tampouco tempo e estávamos compartilhando naquela mesa algo tão íntimo para ela, que provavelmente não havia contado nem para os seus melhores amigos. Eu estava ganhando a oportunidade de conhecer a verdadeira Ava, por trás daquela máscara de garota risonha e simpática. Uma gratidão me apoderou, por ter sido confiado de ouvir o seu segredo e achei que deveria retribuir o gesto de intimidade para que ficássemos quites.
– Eu tenho medo de assombrações depois que assisto um filme de terror. Eu vejo vultos em todos os cantos e ficar no escuro me deixa apavorado. Barulhos vindos da cozinha só pioram as coisas. – Eu admiti, sentindo-me um idiota e comecei a rir. Ava me acompanhou com uma gargalhada. – É sério! É um medo irracional e sem motivo aparente ao contrário do seu, mas eu me cago de medo. Encare isso como um consolo, não é a única no mundo que tem um medo. No fundo, todos nós temos um.
– Obrigada. É difícil para um homem confessar que sente medo de filmes de terror!
– Acredite, somos milhares por aí querendo bancar os machões. Até a primeira lâmpada apagada começar a piscar.
Ava riu outra vez, e toda aquela troca de privacidades me deixou descontraído. Eu senti que poderia contar para ela sobre as particularidades da minha vida sem ser julgado, o que me permitiu ficar bastante à vontade. Eu nunca havia vivenciado tal sentimento com Margareth, muito pelo contrário, eu sabia que a cada insegurança ou erro que eu cometesse ela teria uma crítica bem afiada na ponta de sua língua.
Sim, com Ava era tudo diferente. Talvez eu devesse dar uma chance para sua amizade.
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