O Orfanato: Orfanato Ou Hospício
4 O Encontro
Notas iniciais
Há algumas semanas Lilly começou a ser patrulheira noturna. Está sendo paga com doces. Nove pirulitos por noite.
Ainda não descobri a hora e o lugar onde será o meu encontro com o Hayden. “Encontro”... adoro essa palavra. Agora já é noite. Quase meia noite, provavelmente. Tento, mas não consigo dormir com esse dilema na cabeça.
Ouço um barulho. Acho que alguém bate à porta. Vou até ela e abro-a. Não há ninguém. Fecho a porta e algo chama-me a atenção. Um pequeno pedaço de papel passou por baixo da porta. Vou até ele e o pego. Em uma letra inclinada e caprichada, escrita em verde (o que me fez lembrar daqueles olhos...) está escrito:
Amber, honestamente, passei a semana inteira tentando escrever este pequeno bilhete de um jeito que quando você o lesse, sorriria. Porque eu adoro quando você sorri. Quando você sorri, o meu dia se completa e todos os dias de manhã eu penso: levanta, cara! Só faltam alguns minutos pra você ver aquele sorriso. Mas, voltando ao ponto. Eu ficaria muito feliz se você me encontrasse amanhã à meia noite no jardim perto da piscina. Por favor me mande a resposta escrita pois eu gostaria de conhecer a sua letra e saber se você escreve tão amavelmente quanto fala.
– Hayden.
“Quando você sorri, o meu dia se completa”... sinto algo dentro de mim, bem no fundo, bater mais forte. Me derreto como manteiga e me sinto mais feliz do que nunca. É impressionante como cada palavra sua me faz sentir tão bem...
Me deito novamente pronta para dormir. Acredito que era isso que o meu corpo estava esperando para enfim poder dormir. Fecho os olhos quando de repente me lembro: DEVO RESPONDER!
Levanto-me como se alguém tivesse me empurrado para fora da cama. Pego um pedaço de papel lilás e começo a escrever com uma caneta roxa.
Hayden, obrigada pelos elogios, me sinto mais importante por um momento. Não faço ideia do que escrever então vou direto ao ponto. Sim, amanhã eu estarei no parque à meia noite e aprecio sua escolha pois acho muito romântico um encontro à luz do luar. Não se esqueça de desligar o alarme do jardim, senão seremos pegos. Agradeço o convite.
Ps: por que você escreveu em verde?
– Amber.
Abro a porta e saio calma e lentamente para que não fizesse barulho.
Estou no corredor. Está escuro e a única luz por perto é uma pequena e fraca lâmpada branca pendurada no teto que ilumina este grande corredor cinza. Mas para que lado devo ir? Lembro me de outro dia quando Kyle disse que não gosta de dividir o quarto 15 com outros cinco garotos pois o quarto em si já é pequeno. Viro à esquerda e sigo em frente olhando para as portas numeradas até que acho a número quinze. Bato e arrasto o bilhete por baixo da porta. Ouço passos em direção à porta quando me escondo atrás de uma planta cuja não havia reparado até agora.
Por entre as folhas eu vejo Hayden que acaba de abrir a porta olhar para os lados esperançoso e então ver a cartinha no chão. Ele a pega e começa a ler cuidadosamente. Ele termina de ler e esboça um sorriso bobo no rosto. Hayden por fim entra e fecha a porta. Já ia me levantando quando vejo Lilly andar pelo corredor chupando um pirulito. Me abaixo rapidamente antes que ela me veja e espero ela passar. Depois de um tempo quando já é seguro sair, eu me levanto e volto a andar pelo corredor em direção ao quarto 21.
Ao chegar, deito me cansada e, com mais rapidez do que esperava, caio no sono.
De manhã, Kate me acorda.
Kate: Bom dia flor do dia!
Amber: Bom dia, princesinha linda do meu coração!
Kate: O que você quer?
Amber: Nada, florzinha.
Kate: Então porque tanta bajulação?
Amber: Não é bajulação, eu só estou de bom humor!
Alex: Que milagre! A quem devo agradecer?
Amber: Não é um milagre.
Lilly: É sim!
Alex: Fale UMA vez que você já acordou de bom humor além de hoje.
Amber: Aquela vez que... aquela que... TEM QUE TER UMA.
Todas começam a gargalhar.
Amber: Eu ainda VOU lembrar de alguma!
Megan: Boa sorte!
Megan: Vai precisar.
Nos arrumamos e desta vez, Agnes chegou na hora H.
Ela fica parada na porta e como sempre diz no seu walk talk.
Agnes: Todas de pé no quarto 21.
Ela sai e saímos logo em seguida. Chegando no salão principal, a primeira coisa que vejo é na verdade uma pessoa, Hayden. Ele está olhando para mim com aqueles olhos cujos me fazem derreter como manteiga. Eu coro e ele parece ter percebido.
Sentamos junto com ele e os meninos.
Hayden: Bom dia, Amber. Dormiu bem?
Amber: Na verdade não. Fiquei acordada até meia noite.
Hayden: Eu também.
Alex: Bom dia pra vocês também, meninos!
Will: Xiiii, alguém ta de TPM!
Alex: Poxa, Will. Coitadinho de você! Eu tenho uns remédios pra cólica se você quiser.
Todos riem e Will fica vermelho de raiva.
Will: Vai ter volta, Alex!
Alex: Ai, que medinho!
Kyle: Nossa, você se assusta fácil.
Alex: É sarcasmo, Kyle.
Kyle: Ahh... Mas o que é sarcasmo?
Alex: Nada não.
Alex diz dessa vez se referindo ao Will.
Alex: Mal posso esperar pela sua “vingancinha”.
Will: Espere e verá.
Aquelas novatas sentaram conosco e mesmo tendo dormido no mesmo quarto que nós não conversamos até agora.
Amy: Oi, eu sou a Amy. E esta é a Eileen.
Amber: Eu sou a Amber, prazer.
Lilly: Lilly.
Alex: Pode me chamar de Alex, diva ou Lexi, mas eu NÃO vou contar o meu nome.
Peter: Peter.
Will: Will.
Jason: Jason.
Kyle: Eu sou o Kyle e tenha paciência comigo.
Hayden: Sou o Hayden.
Ryan: Sou o Ryan.
Megan: Eu sou a Megan.
Nós conversamos por um tempo e depois ficamos esperando os casais chegarem (como sempre).
Hoje quase ninguém veio. Então já dá pra imaginar que não fui adotada.
Acaba de dar meio dia, portanto, vamos para o salão principal e escolhemos a mesma mesa de hoje de manhã.
Começamos a conversar, mas eu não presto atenção. Me perdendo nos meus pensamentos aleatórios acabo pensando em Hayden e seus olhos encantadores.
Acho incríveis essas pegadinhas feitas pelo cérebro. Eu juraria que posso ver aqueles olhos olhando diretamente a mim.
Hayden: Amber?
Nossa! Brincalhão, quase me convenceu que o Hayden estivesse me chamando.
Hayden: Amber?
Espere um momento. Ele ESTÁ me chamando de verdade! Não acredito que eu estava tão distraída que não reparei que os meninos haviam chego! Eu realmente estava olhando para aqueles olhos! E ele está me olhando de verdade. Diga alguma coisa! Digo para mim mesma como um mantra.
Amber: OI, ESTOU VIVA!
Todos começam a rir devido à minha atitude inesperada.
Peter: Boiando na maionese...
Eileen: Você ouviu alguma coisa que nós dissemos?
Amber: Não, foi mal. Eu tava distraída.
Amy: Ela faz isso com frequência?
Alex: De vez em quando, as agora tem estado mais frequente.
O sorriso ainda não deixou os lábios do Hayden, o que me faz acreditar que ele esteja aguardando ansiosamente pelo anoitecer.
Ele agora olha para mim, o que me faz corar e então desvio o olhar. Não posso afirmar que não gosto quando me olha, isso seria uma mentira. Mas são esses os momentos em que lamento não ser mais bonita.
Acho que ele reparou que eu corei, pois agora ele me olha repreensivo e confuso.
Comemos lasanha hoje. Isso me deixou mais contente ainda (gosto de lasanha). Me pergunto se esse dia pode melhorar...
Conversamos por um bom tempo até que o horário do almoço acaba e vamos para a sala de aula, pois agora temos aulas de etiqueta.
Chegando à sala, todos estão muito agitados sem parar de conversar por nem um segundo.
A professora, Nancy, entra e pede silêncio e assim que o faz, todos ficam quietos.
Nancy é uma senhora de meia idade, que usa um pincenê, os cabelos grisalhos que um dia foram loiros, diz ela, e olhos negros exigentes. Ela é muito formal não admite ser chamada de tia ou mesmo de professora.
Sra. Nancy: Boa tarde, primeiro ano.
Todos: Boa tarde, Senhora Nancy.
Sra. Nancy: Hoje ensinarei a vocês a se portar à mesa.
Ouve-se murmúrios e gemidos em reprovação.
Sra. Nancy: SILÊNCIO!
Todos se calam novamente.
Sra. Nancy: É minha obrigação como professora, ensinar. E eu não posso fazê-lo se a sala não estiver em silêncio absoluto. Fui clara?
Todos: Sim, senhora.
Sra. Nancy: Pois bem. Alguma pergunta?
Eileen ergue a mão pedindo permissão para falar.
Sra. Nancy: Sim.
Eileen: Senhora, por quê decidiu ensinar boas maneiras? E por que em um orfanato?
Sra. Nancy: Me faço essas perguntas todos os dias. Mas, respondendo sua pergunta, escolhi ensinar boas maneiras pois acredito que uma criança educada, ao crescer, se torna um adulto educado. E decidi ensinar neste orfanato em particular pois a Sra. Hattie é uma velha e querida amiga e percebo que ela não conseguiria cuidar de um orfanato tão grande sozinha. Esclareci sua dúvidas, mocinha?
Eileen: Sim, senhora. Admiro muito seu trabalho.
Sra. Nancy: Obrigada. E a propósito, qual é o seu nome, minha jovem?
Eileen: Eileen, Eileen Bullock.
Sra. Nancy: Senhorita Bullock, acredito que será uma aluna brilhante. Não me desaponte.
Eileen: Não senhora.
Sra. Nancy: Srta. Bullock, poderia por favor chamar o cozinheiro?
Eileen: Com prazer, senhora.
Eileen sai.
Alguns minutos depois ela volta acompanhada pelo cozinheiro.
Sra. Nancy: Classe, digam boa tarde para o cozinheiro.
Todos: Boa tarde, cozinheiro.
Joseph: Já disse para me chamarem de Joseph. “Cozinheiro” não é o meu nome.
Diz ele, impaciente.
Os alunos começam a rir.
Sra. Nancy: Silêncio, classe!
Como se ela nem tivesse aberto a boca, todos continuam a rir.
Sra. Nancy grita desta vez se descabelando e deixando o pincenê cair
Sra. Nancy: SILÊNCIO!!!
A sala se aquieta.
Sra. Nancy: Se eu ouvir mais um pio, eu falarei com a Sra. Hattie para cancelar o recreio.
A sala permanece em silêncio até que alguém o quebra.
Rupert Gaslow, o ruivo magricela que está sempre atordoando os professores diz.
Rupert: PIU!
Com o ato inesperado, a sala fica desnorteada. Não sabem se rir ou se permanecer em silêncio então metade da sala ri e a outra metade se cala.
Sra. Nancy: Senhor Gaslow, me acompanhe!
Os dois saem e a classe continua em silêncio. Sabemos que ele ficará de castigo e por isso, percebo que um leve sorriso é estampado no rosto de Joseph.
Já até imagino o que deve estar pensando – menos trabalho para mim.
Alguns minutos se passam quando alguns garotos começam a fazer apostas com relação ao castigo de Rupert.
Depois de mais alguns minutos, a Sra. Nancy volta e a sala se cala novamente.
Sra. Nancy entra na sala sozinha, o que me leva a crer que Rupert não assistirá à aula.
Sra. Nancy: Que isto sirva de exemplo.
Ela diz pegando seu pincenê que havia esquecido no chão.
Sra. Nancy: Meninos, encontrem uma parceira para o exercício.
Os meninos se espalham pela sala chamando as meninas assim como a professora pediu.
Eu espero, mas ninguém aparece. Eu só quero que UM menino me chame, o Hayden. Isso é pedir demais? Já estava perdendo a esperança quando eu ouço.
Hayden: Amber Rose Thomas, gostaria de ser meu par?
Sorrio ao vê-lo e digo entrando na brincadeira.
Amber: Eu adoraria, Sr. Hayden Blake.
A professora chama a atenção de todos e diz.
Sra. Nancy: Alunos, eu e o cozinheiro demonstraremos o que deve ser feito e depois quero que repitam.
Joseph: Já disse que esse não é o meu nome!
Diz ele zangado.
Joseph começa o exercício.
Joseph: Bom dia, moça.
Ele estende a mão para ela e ela a segura delicadamente. Ele se aproxima e beija sua mão.
Sra. Nancy: Bom dia, senhor.
Joseph: Gostaria de um chá?
Sra. Nancy: Sim, obrigada.
Joseph vai em direção à mesa e puxa a cadeira para que a professora sente. Depois que ela o faz, ele também se senta.
Sra. Nancy: Agora, repitam.
Hayden abre um amplo sorriso que deixaria muitos qualquer dentista orgulhoso e estende a mão para mim.
Eu a seguro. Ele tem uma pele quente e macia como pele de neném. Ao invés do que esperado, ele começa a correr em direção à mesa no centro da sala me puxando pela mão.
Hayden estende sua mão novamente. Eu a seguro como a professora fez e ele beija minha mão. Sinto o meu sangue circular com mais intensidade e meu rosto cora. Ele, ainda com o rosto perto da minha mão, me olha por entre os impossíveis cílios com um sorriso brincalhão.
Ele agora se aproxima do meu rosto e sussurra ao pé da minha orelha de modo com que eu sinta seus lábios roçarem o lóbulo da mesma.
Hayden: Não precisa se envergonhar, eu detesto o jeito que as mulheres acham que tem o direito de julgarem a si mesmas.
Sorrio de um jeito bobo.
Amber: Já disse que gosto do seu jeito de ver o mundo?
Hayden: Já, mas diga mais uma vez.
Amber: Gosto do seu jeito de ver o mundo.
Hayden: Obrigado.
Ele se senta à minha frente.
Sra. Nancy: Agora, observem que à mesa há vários talheres. Inclusive, poucos que são familiares a vocês.
Olho para os talheres que estão à minha frente. Rapidamente reconheço alguns como a colher, o garfo e a faca. Continuo a olhar os talheres em busca de algum que eu reconheça de algum filme antigo, mas não reconheço-os.
Olho para frente, para o Hayden, mas ele parece tão confuso quanto eu.
Sra. Nancy: reparem que há um guardanapo à esquerda do prato.
Olho para a esquerda, para o guardanapo de tecido vermelho, que cheira a hortelã.
Sra. Nancy: Meninas, estendam o guardanapo sobre o colo. E meninos, pendurem o guardanapo na gola da camisa.
E assim fizemos.
Sra. Nancy: Muito bem, agora iremos aprender as funções de cada um dos talheres.
Ao dizer isso, o sino toca. Isso significa que a aula acabou.
A professora sai e Rupert, o ruivinho encrenqueiro volta.
E agora é a aula de filosofia.
O professor, Phillip Yacull, é bem legal e até que é bonito. Ele tem cabelos pretos cacheados que vão até os ombros e tem heterocromia (aquela doença que um olho é de uma cor e o outro é de outra), um de seus olhos é verde e o outro é azul. Eu gosto das aulas dele porque ele sempre traz uma poesia ou um poema e lê para nós. Ele também pede para lermos um determinado livro por mês e no final do mês, nós discutimos sobre o livro em sala. Mês passado foi A Menina Que Roubava Livros. E hoje ele passará outro livro.
Prof. Phillip: Boa tarde, classe.
Todos: Boa tarde, professor Yakult!
No começo do ano, os alunos não sabiam a pronúncia do sobrenome do prof. Phillip. Então, o professor disse que a pronúncia é igual Yakult mas sem o “t”. Os alunos o chamam de prof. Yakult desde então.
Prof. Phillip: Hoje, como sabem, entregarei os livros para a leitura do mês.
Todos gritam em comemoração.
Prof. Phillip: Ronald, chama a atenção de um aluno do programa musical que toca bateria, que rufem os tambores!
Ronald começa a batucar na mesa com suas baquetas.
Prof. Phillip: Romeu e Julieta!
As meninas festejam enquanto os meninos reclamam.
Prof. Phillip: E tem mais!
Todos ficam em silêncio.
Prof. Phillip: Ao invés de discutirmos sobre o livro, faremos uma peça de teatro!
Os alunos vibram de emoção. A primeira peça encenada no orfanato!
Amy levanta a mão curiosa.
Prof. Phillip: Sim, mocinha.
Amy: É Amy. Eu queria saber quem vai ser a plateia.
Prof. Phillip: Vocês apresentarão para o orfanato.
Todos festejam enquanto eu, ainda em choque, estou boquiaberta. Começo a me imaginar como Julieta e no meio da peça, caindo do palco. AI MEU DEUS!
Já sei! Vou pegar um papel pequeno, e então, a atenção não estará voltada para mim.
Prof. Phillip: Ah, esqueci de avisar. Outro dia, eu assisti à aula do programa musical e ouvi vocês cantarem. Percebi que vocês cantam muito bem, então, será um usical!
Todos voltam a comemorar.
Eu levanto a mão.
Prof. Phillip: Amber.
Amber: Professor, quando serão as audições para os papéis?
Prof. Phillip: Terça da semana que vem.
Isso me dá uma semana para escolher a música que eu vou cantar e treinar.
Prof. Phillip: Nas audições vocês cantarão uma música de sua escolha e eu escolherei que papel será interpretado por quem. E acho que não há necessidade de dizer, mas os melhores, ficarão com os melhores papéis. Os resultados serão ditos em sala na sexta da semana que vem. Ah, e na saída das aulas, peguem um livro nesta caixa.
Ele aponta para uma grande caixa de papelão ao lado da porta.
O sino toca, indicando que mais uma aula se foi.
O tempo vai passando e quando me dou conta, a última aula acabou e todos os alunos já estão saindo correndo para seus dormitórios como uma manada em um estouro.
Eu, a última na sala, me levanto calmamente e recolhendo o meu material. Vou até a porta e pego o último livro no fundo da caixa.
Um livro de aproximadamente 200 paginas, com uma capa de couro vermelho. Escrito em dourado está o título: Romeu e Julieta, uma história de William Shakespeare.
Guardo-o em minha bolsa, penduro-a em meu ombro e saio da sala.
Hayden: HA!
Grito espantada, derrubando a minha bolsa e tudo que nela estava se espalha pelo chão.
Hayden ainda está rindo quando nos abaixamos para pegar o que caiu e batemos de cabeça.
Hayden e Amber: Ai!
Hayden e Amber: Me desculpe.
Começamos a rir enquanto coletamos os cadernos e papéis e guardamos na minha bolsa.
Agradeço aos céus por não haver mais ninguém no corredor.
Hayden: Me desculpe.
Amber: Pelo susto ou pela bagunça?
Hayden: Por bater de cabeça! Do susto eu não me arrependo e a bagunça foi culpa sua. Quem mandou derrubar a bolsa?!
Começamos a rir novamente.
Quando terminamos de arrumar a bagunça, ele se levanta e estende a mão para mim com um sorriso meigo no rosto.
Eu pego-a e ele me levanta rapidamente, tão rápido que caio em cima dele.
Estamos no chão de novo quando começamos a rir.
Ele me olha com aquele olhar doce que me faz suspirar.
Amber: Que clichê!
Ele começa a rir novamente e nos levantamos.
Amber: Obrigada.
Hayden: Por te ajudar a levantar, pelos risos ou por ajudar a recolher os materiais?
Amber: Por tudo.
Ele sorri.
Hayden: Foi um prazer.
Eu coro.
Amber: Como posso recompensá-lo, cavalheiro?
Hayden: Sua gratidão é o suficiente.
Eu sorrio e beijo-lhe a bochecha.
Ele olha para baixo e cora. ELE corou!
Eu sorrio.
Hayden: Te vejo de noite?
Amber: Te vejo de noite.
Ele sorri e sai.
Observo-o andar até o fim do corredor e depois saio.
Chegando ao quarto 21, reparo que todas já estão lá.
Alex, Lilly e Megan comem vorazmente um pote de nutela cada enquanto assistem algum filme de comédia. Eileen lê um livro cujo não presto atenção ao nome. Amy está sentada em sua cama jogando algum joguinho no celular.
Amy: COME O COGUMELO!
Ela diz raivosa.
Amy: Comeu!
Ela festeja e começa a gargalhar.
Eu já estava prestes a me juntar à Alex, à Lilly e à Megan quando uma voz doce de criança me chama.
Kate: Amber, você demorou!
Olho para ela. Está tão bonita... vestida com o uniforme de escoteira marrom e amarelo caramelado.
Amber: Não sabia que você estava me esperando.
Kate: Penteia o meu cabelo por favorzinho?
Amber: Claro, princesinha.
Ela me entrega a escova e o creme para pentear. Coloco uma quantia generosa de creme na mão e espalho-o pelos seus cabelos molhados e depois começo a escová-los delicadamente.
Amber: Vai deixar o cabelo solto?
Kate: Vou.
Escovo até ter desembaraçado todo o cabelo.
Amber: Pronto.
Kate se vira e me abraça.
O ato inesperado me pega de surpresa, expulsando todo o ar de meus pulmões. Inspiro fundo e ela ainda me abraça. Eu a abraço de volta e em algum momento durante isso, uma lágrima desceu pelo meu rosto. Sei disso pois meu rosto está molhado e sinto seu gosto salgado em meus lábios.
Kate: Não chore, ta tudo bem.
Eu não sei o porquê ela tinha que ser tão parecida com a nossa mãe. Mais lágrimas escorrem por entre os meus cílios e eu continuo a chorar.
Kate: Amber, você tem que me soltar ou eu chegarei atrasada para a venda de biscoitos.
Eu tento dizer que compreendo, mas tudo que sai da minha boca é ar. Com as palavras sufocadas na garganta, aceno a cabeça em afirmação e solto-a. Ela olha para mim e eu beijo-lhe a testa com a mão em suas bochechas.
Amber: Não fale com estranhos, siga a professora, conte o troco e tome cuidado ao atravessar a rua. Não se esqueça de olhar para os lados antes de atravessar e atravesse na faixa.
Ela sorri.
Kate: Essa é a Amber que eu conheço.
Ela já ia saindo quando eu a paro.
Amber: Espera, leve um casaco em caso de você sentir frio.
Ela sorri e veste um casaco.
Amber: Tchau, pequeno passarinho.
Kate: Tchau, mamãe pássaro.
Fazemos as despedidas assim dês de quando éramos pequenas. Todas as quintas, o orfanato inteiro fazia uma excursão a um zoológico chamado O Paraíso Dos Animais. Na primeira vez em que Kate foi ao zoológico, passamos a maior parte do tempo em uma área em que prevaleciam os animais grandes como o leão, os gorilas, as zebras, os elefantes e entre outros. Mas os animais que ela mais gostou foram os pequenos passarinhos que estavam em uma árvore perto da saída do zoológico. Um dos passarinhos estava aprendendo a voar e quando ele conseguiu, ele voou para longe e não o vimos mais. Kate ficou triste por que o passarinho foi embora sem se despedir da mamãe passarinho. Na semana seguinte, em sua segunda excursão ao zoológico, o zoológico havia sido vendido e já havia começado a ser demolido. A árvore dos passarinhos havia sido derrubada e o ninho estava despedaçado no chão. Kate ficou triste e ficou procurando a mamãe passarinho e eu a ajudei. Eu achei a mamãe passarinho morta no chão mas não queria falar isso para ela, ela era tão pequena... Então eu disse que a mamãe passarinho tava em um lugar melhor e que eu tinha certeza que logo ela encontraria o seu pequeno passarinho. Dez de então, nos despedimos assim, em homenagem a aqueles pássaros.
Kate: Tchau, meninas. Me desejem boa sorte.
Todas: Tchau Kate, boa sorte.
Ela sai.
Eu vou ao banheiro e lavo o rosto. Pego minha toalha, uma blusa branca de alcinha e uma calça jeans azul. Então vou tomar banho.
Entro no banheiro cuja a porta fica ao lado da cama da Kate. Ele é todo branco exceto pelo boxe, que é verde claro.
Tranco a porta e dispo-me. Abro a porta do boxe e entro. Fico na ponta dos pés para mudar a temperatura da água para quente e depois que o faço, desmancho a trança que a Alex fez nos meus cabelos pela manhã, entrando debaixo do chuveiro.
A água quente tranquiliza-me de modo que chego a imaginar que esta levaria consigo as mágoas para o ralo.
Depois que termino, abro o boxe e me enxugo na toalha verde clara. Este verde me lembra dos olhos do Hayden mas, pela primeira vez, afasto esses pensamentos da minha cabeça. Visto-me e enrolo a toalha nos meus cabelos, fazendo um turbante. Destranco a porta do banheiro e saio do mesmo.
Megan: Até que enfim!
Alex: Achamos que você tivesse morrido aí dentro.
Levanto a mão em sinal de rendição.
Amber: Estou viva, obrigada pela preocupação!?
Lilly: Se você tivesse morrido, como você ia querer seu enterro?
Amber: Eu não quero ser enterrada, eu quero que minhas cinzas sejam jogadas ao mar.
Lilly: Hmm... Qual é sua flor preferida?
Amber: Eu tenho duas preferidas – as rosas e os jasmins.
Lilly: De que cor?
Amber: Rosas brancas ou vermelhas, ficam lindas nas duas cores, e jasmins brancos. Mas, porque a pergunta?
Lilly: Por nada não.
Passa-se um tempo até que o sino toca, indicando que é hora de jantar.
Saímos e andamos pelo corredor cinza até chegarmos ao salão principal.
Ao chegar, vejo que Kyle, Jason, Ethan e Peter estão sentados, mas Will e Hayden estão de pé.
Nos aproximamos. Hayden sorri ao me ver.
Hayden: Boa noite, Amber.
Amber: Boa noite, Hayden.
Ele puxa a cadeira para mim e eu me sento.
Amber: Parece que as aulas de etiqueta serviram para alguma coisa!
Ele ri e se senta.
Will puxa a cadeira para Alex e quando ela está quase sentada, ele puxa a cadeira e ela cai de bunda no chão.
Todos riem.
Peter: Estou tão orgulhoso... Meu pequeno aprendiz.
Alex se levanta xingando e resmungando.
Alex: Então, você se vingou?
Will: Gostou?
Alex: A vingança é um prato que se come frio.
Will: Você está me ameaçando?
Alex: Você se sente ameaçado?
Will: Você só responde com perguntas?
Alex: Você não sabe a resposta?
Kyle: Parem vocês dois! Desse jeito vão explodir o meu cérebro!
Todos começam a rir.
Jantamos e voltamos para nossos respectivos quartos.
E novamente, eu sou a última a sair.
Assim que viro à direita, escuto um grito.
Hayden: HÁ!
Dou um pulo de susto quando o vejo.
Amber: Seu doido, quer me matar do coração?!
Hayden está rindo e isso me deixa brava.
Amber: Para de rir!
Isso o faz rir ainda mais.
Cruzo os braços pisando duro igual a uma criança.
Ele para de rir e me observa.
Amber: Ta olhando o quê?
Hayden: Não sei. O que você acha que eu vejo?
Amber: Uma descabelada emburrada de braços cruzados?
Hayden ri.
Hayden: Não. Eu vejo uma simples garota assustada, de olhos cor de âmbar, cabelos castanhos claros, lisos e que vão provavelmente até o umbigo, um pouco mais baixa do que eu. Ela é tão comum, tão facilmente despercebida, uma em uma multidão. Então isso me deixa confuso. Por que ela chama a minha atenção? Por que eu consigo percebê-la mesmo que no meio de uma multidão?
Eu não sei o que dizer. Eu simplesmente fico ali, parada, olhando para ele.
Ele também não diz nada. Só fica imóvel, me olhando.
Ficamos assim por um tempo até ele quebrar o silêncio.
Hayden: Está brava?
Amber: O quê? Por que eu estaria?
Hayden: Pelo susto.
Amber: Não, eu... eu só não sei o que dizer.
Hayden me abraça, assim, sem avisar. Seus braços fortes se dobram em minha cintura e suas mãos nas minhas costas. Minha cabeça em seu peito de modo que eu consiga ouvir seu coração batendo forte contra seu peito.
Ele repousa sua cabeça sobre meu ombro direito e sinto sua respiração no meu pescoço. Por um momento, um doce pensamento me invade a mente – poderia ficar assim para sempre. Ele novamente quebra o silêncio.
Hayden: O corpo expressa o que as palavras escondem.
Eu sorrio.
Hayden: Seus cabelos cheiram a algo doce...
Levanto a cabeça para que possa olhar em seus olhos. Expresso dúvida.
Hayden:... eu gosto.
Eu sinto minhas bochechas esquentarem e eu coro.
Ele olha para mim com reprovação.
Fecho os olhos e o abraço de volta. Consigo ouvir seu coração batendo mais forte em comemoração. Seus braços... apesar de sua força, ele não me aperta contra si, dando-me liberdade para escapar de seus braços se eu quiser. Seu toque... gentil e suave à minhas costas. Inspiro. Ele cheira a rosas. É possível que alguém cheire a rosas?!
Ele me solta, tirando-me de meus sonhos.
Abro os olhos e ele novamente quebra o silêncio.
Hayden: Até meia noite, senhorita Thomas.
Amber: Até meia noite, senhor Blake.
Novamente vejo-o sair, andando pelo corredor, em direção ao seu dormitório. Assisto-o andar confiante e determinadamente até que não o vejo mais.
Vou andando até o dormitório 21 (o qual não posso e me recuso a chamar de meu).
Ao chegar, abro a porta e entro. Todas estão assistindo TV e Kate está sentada em sua cama a minha espera.
Kate: Você...
Amber: Demorou, eu sei.
Kate ri.
Kate: Você estava com o tio Hayden?
Todas olham para mim na espera de minha resposta.
Amber: Dês de quando ele é seu tio? Ele não é meu irmão nem marido.
Frustradas, todas voltam a assistir o filme.
Kate: Não importa o que você diga, vou continuar chamando ele de tio Hayden.
Suspiro em frustração e me jogo na cama que eu costumo dormir (que também não é minha).
Kate: Tia Alex, faz uma trança no meu cabelo?
Alex: Não me chame de tia! O que foi que eu te ensinei?
Kate: Alex diva divosamente divosa, faz uma trança no meu cabelo?
Alex: Agora sim! Vem cá, minha súdita.
Eu caio na risada e a Alex me encara, o que me faz rir ainda mais. Alex não é ameaçadora, muito menos medonha.
Ela se vira e começa a fazer a trança nos cabelos da minha irmã que agora está sentada na frente da Alex.
Pego um pijama azul celeste composto por um short e uma blusa de manga curta. Penteio meus cabelos e escovo os dentes. Depois disso, coloco um despertador para 23:45h e vou até Alex, que acaba de terminar a trança de Kate. Cochicho em seu ouvido.
Amber: Alex, eu preciso da sua ajuda.
Alex: Fala, praga.
Eu normalmente ficaria zangada, mas, como preciso de sua ajuda, não posso reclamar.
Amber: Eu preciso da sua ajuda com relação a roupas e maquiagem.
Essas palavras chamam a atenção dela, que agora olha para mim. Posso ver em seus olhos que seu interesse foi despertado.
Alex: O que planeja?
Amber: Quero que me ajude a escolher uma roupa e me maquie.
Alex: Qual é a ocasião?
Consigo sentir sua curiosidade.
Amber: Um encontro.
Alex começa a fazer a dancinha da vitória.
Amber: E aí, tá dentro?
Alex: Pode apostar!
Vamos até o guarda roupa e ela olha criticamente para as roupas.
Amber: E então?
Alex: Hmm... Onde vai ser?
Amber: No jardim.
Alex: Hmm... Alguma possibilidade de usar uma saia?
Amber: Só com meia-calça.
Alex: Ok. Já sei!
Ela separa uma meia-calça preta, uma saia xadrez vermelha e preta, uma blusa vermelha de malha com a gola em “V” e uma jaqueta preta.
Eu olho para a roupa que ela escolheu e penso se a saia não ficaria muito curta.
Alex: Eu sei no que está pensando e a saia não é curta demais. Ela vai até a metade da coxa.
Eu me visto e realmente, a saia não ficou curta demais.
Amber: E a maquiagem?
Alex esfrega as mãos como um vilão que planeja algo maligno.
Alex: Venha.
Ela me leva até o banheiro e abre o balcão debaixo da pia.
De lá, ela tira uma maleta azul escura com pedrinhas douradas.
Ela coloca a maleta (que é do tamanho de uma caixa de papelão) em cima da cama que durmo.
Alex: Sente-se.
E eu o faço.
Ela abre a maleta e eu arregalo os olhos ao ver tanta maquiagem.
Ela começa pela base, depois o pó compacto, depois o blush, então a sombra e aí vai.
Observo-a dando pinceladas precisas com diversos pincéis no meu rosto. Concentrada, ela pega um pincel fino, passa-o no batom vermelho sangue e contorna a minha boca com ele. Depois, ela pega o batom e termina de colorir meus lábios de vermelho. Ela passa rímel nos meus cílios e em um suspiro ela para.
Ela pega um par de sapatilhas vermelhas, um frasco de perfume e uma maquininha em formato de tubo.
Eu calço as sapatilhas, ela borrifa o perfume no meu pescoço e pluga a máquina na tomada. Ela espera uns minutos, pega uma mecha do meu cabelo, penteia e a enrola na máquina. Sai um vaporzinho da máquina e ela começa a contar os segundos. Depois de vinte segundos, ela desenrola a mecha e a mesma sai caracolada. Ela repete o processo com as outras mechas até que o meu cabelo inteiro esteja com cachos do comprimento até as pontas.
Alex: Terminei.
Corro até o banheiro e me olho no espelho. Não me reconheço. Ao invés de me ver, vejo uma moça de cabelos lisos com cachos nas pontas, soltos, olhos cor de âmbar, cílios longos e negros, lábios vermelhos como sangue, as maçãs do rosto coradas e ela é muito mais bonita do que eu.
Me viro e vejo uma Alex cansada, encostada na porta do banheiro com um sorrisinho torto ao ver seu trabalho.
Alex: Ah, esqueci de dizer que o batom e o rímel são a prova d’água.
Amber: Alex, obrigada! Você TEM que e ensinar a fazer isso!
Alex: De nada. Você sabe que a missão da minha vida é desencalhar as minhas amigas.
Eu olho para ela franzindo o cenho.
Amber: Boa sorte para desencalhar a Lilly!
Alex ri.
Alex: Vai logo!
Eu sorrio.
Amber: Boa noite.
Alex: Boa noite.
Ela diz entre um bocejo.
Ela se deita em sua cama e desliga a TV.
Todas as outras estão em suas camas dormindo menos a Lilly e a Kate. Lilly está patrulhando e Kate, no chão perto da TV.
Vou até Kate, pego-a no colo e a carrego até sua cama.
Deito-a, cubro-a e beijo seu rosto.
Amber: Tchau, pequeno passarinho.
Não há resposta.
Olho para o relógio. São meia noite e dez. Olho para o despertador e percebo que ele está sem bateria.
Saio correndo do quarto e quando chego no corredor, ando na ponta dos pés, tentando não fazer barulho para não acordar Lilly, que está com um pirulito na boca e em seu uniforme de patrulheira, ela dorme encostada na parede do corredor.
Finalmente chego ao salão principal. Vou até a cozinha e saio para o jardim.
Estou no jardim. Não venho aqui com frequência. Bem, eu deveria! É tão bonito! A grama verde e molhada do gotas de orvalho, lembra-me dos olhos do Hayden... HAYDEN! ESTOU ATRASADA! Corro pelo jardim, passando pela piscina, até que o vejo.
Ele olha para mim eu seu queixo cai.
Agora estou andando, quando chego até ele, que está sentado em um balanço, ele ainda está boquiaberto.
Ele me olha da cabeça aos pés e para a cabeça de novo.
Hayden: Ahn... você... err, ahmm...
Ele diz gaguejando.
Eu rio e ele cora, olhando para o chão. Sento no balanço ao lado do dele e levo minhas mãos até seu rosto.
Ele treme ao meu toque, mas não paro. Levanto seu rosto, de forma que consiga olhá-lo nos olhos.
Amber: O que há de errado?
Hayden: Nada! Err... ahmm... é que... hum...
Eu sorrio.
Amber: Você se sente intimidado? Por que está tão nervoso?
Hayden: É que... isso é mais difícil do que eu pensava...
Amber: Se você não enxergasse ajudaria?
Hayden: Acho que sim...
Eu tiro minha jaqueta e a amarro em sua cabeça, vendando-o.
Amber: Melhorou?
Hayden: Mais ou menos.
Amber: Já é alguma coisa.
Hayden: Mas agora quero vê-la.
Eu coro e agradeço aos céus por ele estar vendado.
Ele desamarra a jaqueta de sua cabeça e me devolve.
Ele me olha da cabeça aos pés novamente.
Hayden: Tão linda!
Eu coro e olho para baixo, para os meus pés.
Amber: Obrigada.
Hayden: É a verdade.
Hayden: Um pássaro verde me disse que você gosta de rosas.
Ele estende um buquê de rosas vermelhas e brancas envolvidas por um plástico rendado branco com uma fita vermelha fazendo um laço.
Eu as aceito e cheiro-as. Sorrio.
Amber: Têm cheiro de Hayden.
Ele ri.
Hayden: Então quer dizer que eu cheiro a rosas?!
Eu sorrio.
Amber: Obrigada, eu adorei.
Ele sorri.
Hayden: De nada.
Amber: Sobre o que você quer falar?
Hayden: Hmm... fala de você.
Amber: De mim? Não há muito o que falar.
Hayden: Deve ter alguma coisa.
Amber: Hmm... eu tenho 15 anos, tenho cabelos castanhos claros, olhos cor de âmbar e acho que é isso.
Hayden: Fale algo que eu não saiba.
Amber: Hmm... eu sou honesta, gosto de fazer as pessoas rirem, gosto de filmes, amo música, tenho uma irmã menor, minhas cores preferidas são azul escuro, vermelho, preto e ultimamente tenho tido um repentino interesse pelo verde.
Ele sorri.
Hayden: Isso não seria por minha causa, seria?
Amber: Talvez... talvez não...
Hayden me olha com um olhar divertido.
Hayden: Talvez sim!?
Amber: talvez sim...
Ele abre um sorriso malicioso.
Amber: Sua vez!
Hayden: Como assim “minha vez”?
Amber: Fale de você!
Hayden: Tenho 15 anos, faço 16 em março, sou determinado, confiante, engraçado, brincalhão, gosto de filmes, música, uma coisa que admiro na minha personalidade é que não desisto facilmente do que quero. Minhas cores preferidas são preto, verde e agora, estou considerando o vermelho.
Eu sorrio.
Ele estende o braço e enrola um dos meus cachinhos (artificiais) em seu dedo e depois desenrola. Ele repete o processo.
Hayden: Fez tudo isso para me impressionar?
Amber: Funcionou?
Hayden: Com certeza.
Hayden: Pode, por favor, parar de morder o lábio?
Eu não havia percebido que mordia o lábio. Com o passar do tempo, virou um hábito.
Amber: Te incomoda?
Hayden: Me distrai.
Eu rio.
Hayden: Não é engraçado que você me distraia.
Amber: Eu acho engraçado porque eu acho que está bem na cara que eu sou pouca areia para o seu caminhãozão.
Ele ri.
Hayden: É engraçado porque eu acho que você é muita areia para o meu caminhão, mas se eu me esforçar, eu consigo levar toda essa areia.
Eu sorrio.
Ele sai do balanço.
Amber: Aonde vai?
Hayden: Nadar.
Amber: NADAR? Já passa de meia noite!
Hayden: Você quer nadar comigo?
Ele diz ao tirar a camisa, o que me permite ver sua costas nuas. MEU DEUS! Ele tem ombros largos e costas incríveis.
Ele se vira, mostrando seu abdômen que eu juro que foi esculpido por Michelangelo.
Hayden: Você não vem?
Eu saio do transe (quando uma pessoa está hipnotizada, nem vem com essa de mente poluída).
Amber: Mas, a água deve estar um gelo!
Hayden: A piscina é térmica, eu liguei a água quente.
Eu checo a temperatura com o pé para ter certeza e a água realmente está quentinha.
Hayden: E aí?
Amber: Mas, eu não estou de biquíni.
Hayden: Entra de roupa.
Ele diz levantando os ombros. Ele se vira.
Eu tiro a meia calça.
Hayden: Terminou?
Amber: Pera aí.
Eu me aproximo silenciosamente, descalça piso na grama molhada, e o empurro em direção à piscina.
Amber: HÁ!
Ele continua de pé no mesmo lugar onde estava. Esse garoto é feito de que? De pedra?
Ele se vira e me olha com uma sobrancelha levantada com um ar de confusão.
Hayden: Vingança?
Amber: Parece que não funcionou.
Ele ri e depois de um tempo me olha da cabeça aos pés. Eu sinto o meu coração bater em um ritmo parecido com um galope. O sangue parece correr mais rápido pelas minhas veias. Eu coro.
Ele olha nos meus olhos. Ele ao contrario do que muitos esperariam, não me olha com malícia, mas com gentileza.
Hayden: Seu cabelo realmente vai até o umbigo.
Eu sorrio.
Hayden: Você não vai entrar?
Eu entro e ele depois de mim.
Mergulho na água quente e quando volto á superfície, Hayden está me olhando.
Meu cabelo, que está liso novamente, se fecha como uma cortina escondendo o meu rosto.
Ele sorri e coloca as mechas do meu cabelo atrás da orelha.
Eu coro.
E ficamos novamente naquele silêncio que muitas pessoas achariam estranho e incômodo, mas eu achei confortável.
Ele descansa a mão em meu rosto. Sua mão é grande, maior que a minha. Seu toque suave me acaricia a bochecha esquerda. Meu coração bate mais forte e o espaço entre nós parece infinito. Aqueles olhos verdes parecem brilhar. Ele se aproxima e roça seus lábios nos meus, como um aviso. Eu coloco minha mão em seu peito, sentindo os batimentos do seu coração desesperado por algo. Sinto que tenho o que ele procura, sou eu.
Traço uma linha partindo do seu peito em direção à sua nuca. Puxo-o para perto. Nos beijamos.
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