O Orfanato: Orfanato Ou Hospício
5 As Audições
Notas iniciais
Alex: Desabafa, conta tudo! Eu quero detalhes!
Megan: É, Amber. Você segurou isso por uma semana e nós queremos saber.
Eileen, Amy, Megan, Kate, Lilly e Alex estão ao meu redor me encarando.
Amber: Tá bom, eu falo.
Esperançosas e curiosas, elas continuam a me encarar.
Amber: Não aconteceu nada demais. Nós nos encontramos no jardim. Eu estava atrasada então fui correndo. Quando ele me viu, ele ficou boquiaberto -obrigada pela a ajuda, Alex- quando eu estava à sua frente, ele ainda estava de queixo caído. Conversamos e depois nadamos na piscina.
Amy: Mas você foi de biquíni?
Amber: Não, eu nadei de roupa.
Lilly: Ah, ta.
Alex: Não podia ter voltado para buscar um biquíni?
Amber: Podia, mas eu não quis.
Alex: Claro que não!
Amber: Retomando, nós nadamos e ele me beijou!
Digo saltitante.
Todas: Own!!!
Kate: Amber, o tio Hayden é o seu príncipe encantado?
Todas: Own!
Amber: Eu não sei, Kate. Ainda é muito cedo pra dizer.
Kate: Quando vocês se casarem, eu quero levar as alianças montada em um unicórnio.
Eu sorrio.
Amber: Paciência, Kate. Algum dia eu vou me casar, mas não será tão cedo e eu não sei com quem vai ser.
Kate: Tá bom, tá bom.
Todas nos levantamos e nos arrumamos. Quando terminamos, Agnes para na frente do quarto em que estamos.
Agnes: Todas de pé no quarto 21.
Ela sai e nós também. Vamos em direção ao salão principal, passando pelo corredor cinzento. O qual tem cheiro de limpo. O cheiro é fresco, o que significa que fora limpo há pouco tempo. Me pergunto à que horas os faxineiros levantam...
Ao chegar ao salão principal, nos sentamos à mesa escolhida pelos garotos.
Amber: Bom dia, meninos.
Peter: Com “meninos” você quer dizer Hayden, né?!
Eu sorrio.
Amber: Não, me refiro a todos.
Meninos: Bom dia, Amber.
Megan: Vocês não vão dar bom dia a nós outras?
Meninos: Bom dia, meninas.
Meninas: Bom dia.
Hayden acena para que eu me sente ao seu lado.
Eu o faço.
Ele se aproxima e beija-me a bochecha.
Eu ruborizo. Não estou acostumada a demonstrações de afeto em público.
Ele olha para mim com aqueles olhos verdes vivos e sorri levemente.
Eu olho para baixo e retribuo o sorriso.
Hayden: Não vai fazer o seu prato?
Amber: Ahn, vou. Claro.
Me levanto e vou em direção à pilha de bandejas.
Pego uma e me sirvo com duas fatias de pão tostado com manteiga, um copo de suco de laranja com açúcar e uma fatia de abacaxi.
Volto a sentar-me ao lado do Hayden e como.
Volta e meia aceno a cabeça em afirmação enquanto as meninas falam de como estão nervosas com as audições de hoje para a peça.
Quando termino de comer, começo a conversar junto.
Amber: Para qual papel vocês vão concorrer, meninas?
Alex, Lilly, Eileen, Amy e Megan: Julieta.
Os meninos e eu começamos a rir.
Kyle: Vocês sabem que é uma Julieta só, né?
As meninas (exceto eu) olham entre si.
Alex, Lilly, Eileen, Amy e Megan: Sabemos.
Rimos de novo.
Hayden: Para qual papel você vai concorrer, Amber?
Amber: O menor papel feminino disponível. Não quero arriscar desafinar na frente de todos ou cair do palco.
Peter esboça um sorriso maligno em seu rosto.
Peter: Isso me divertiria.
Hayden o encara com um olhar fuzilante e Peter o encara de volta.
Lilly: E... qual papel vocês meninos querem fazer?
Ethan: Romeu.
Peter: Romeu.
Will: Romeu.
Jason: Romeu.
Hayden: Romeu.
Kyle: Jack Sparrow.
Todos começam a rir escandalosamente.
Kyle: Mas, qual é a graça? Eu tenho todo o direito de concorrer para o papel de Sparrow!
Amy: Mas o Jack Sparrow não está na história.
Kyle: Não tá?
Ethan: Não, Kyle.
Kyle: Então, eu quero ser uma armadura de cavaleiro.
Peter: Menos concorrência para mim.
Lilly: Aposto que você não vai ser o Romeu.
Peter: Aposta quanto?
Lilly: Se você não conseguir o papel, você me dá a sua sobremesa por uma semana. Se você conseguir, eu te dou a minha sobremesa por uma semana.
Peter: Feito.
Lilly: Feito.
Peter: Já ganhei essa bagaça.
Lilly: Veremos.
Ela diz semicerrando os olhos.
Já estava indo para o Cantinho assim como as outras meninas quando Hayden segura o meu ombro e rapidamente me puxa para si. Estou em seus braços quando ele me vira e segura o meu queixo de modo que eu olhe em seus olhos. Desta vez, seus braços me seguram com firmeza, sem me conceder aquela liberdade de escapar. Ele me observa esperando minha reação. Eu olho para ele esperando para ver se ele vai me abraçar ou me beijar.
Hayden: Quer sentar conosco?
Essa pergunta foi inesperada mas instantaneamente respondo como se eu estivesse esperando pela mesma.
Amber: Quero.
Ele agora me segura suavemente a cintura. Sinto seu perfume forte, mas não aqueles que são tão fortes que incomodam, esse, é cheiroso. Queria que o ar tivesse esse cheiro...
Ele passa os dedos pelo meu cabelo, enrolando-os e fazendo cachos no mesmo, mas ao retirar os dedos do meu cabelo, os cachinhos se desfazem. Ele sorri, mostrando aquele sorriso cujos dentes parecem pérolas.
Hayden: Farei disso um hábito.
Eu sinto minhas bochechas ferverem.
Hayden: Está constrangida?
Amber: Não... eu só não estou acostumada a demonstrar carinho em público.
Olho em volta e percebo que chamamos a atenção de uma boa parte das panelinhas, incluindo a dos populares.
Ele segura delicadamente o meu queixo de modo que eu volte a olhá-lo.
Hayden: Então vamos devagar, ok?
Amber: Ok, devagar.
Essa palavra me acalma.
Hayden me solta de seu abraço e me puxa pela mão, levando-me até sua “panelinha”.
Dentre os vários amigos do Hayden, reconheço Peter, Jason, Ethan, Kyle e Will.
Hayden me apresenta pelo meu nome e isso me tranquiliza. Me acalma o fato de ele não ter me apresentado como sua namorada. Ouço suas palavras ecoando na minha mente – Então vamos devagar, ok?
Agora ele começa a apresentar seus amigos e amigas à mim. Ele me apresenta alguns garotos e algumas garotas até que ele me apresenta uma das meninas que estavam nos encarando mais cedo.
Hayden: Amber, essa é a Brihanna.
Então esse é o nome dela...
Ela é loira, tem olhos castanhos escuros, seus cabelos vão até um palmo dos ombros. Ela é magra e esbelta. Usa uma blusa regata decotada verde, uma calça jeans azul, saltos marrons e um par de brincos de argolas grandes e douradas.
Brihanna me encara da cabeça aos pés e depois de volta para a cabeça com cara de nojo.
Brihanna: Qual é o nome disso mesmo?
Uma garota morena de cabelos Chanel pretos que usa uma calça jeans preta, uma blusa de manga curta roxa decotada, sapatilhas roxas e batom roxo a dá uma cotovelada.
Garota: Não seja tão rude.
Brihanna: Mas ela nem deveria estar aqui, ela não pertence a este lugar.
Amber: Hayden, eu acho que é melhor que eu volte para o Cantinho...
Hayden: Não seja boba, nós apreciamos a sua companhia. Bem... eu gosto.
Amber: Eu... eu não quero causar problemas...
Brihanna: É, Hayden. É melhor a Amanda voltar para as suas coleguinhas.
Hayden: Eu quero estar ao lado dela e se ela não é bem vinda aqui, eu também não sou.
Brihanna: Mas, mas... não foi o que eu quis dizer. Vocês podem ficar.
Ah! Essa é a Susan.
Ele aponta para a garota de cabelo Chanel.
Susan: Oi.
Amber: Oi, Susan.
Nós sentamos e esperamos. Muitos casais passam por essa mesa, me perguntam o meu nome, são gentis e simpáticos conosco. Alguns perguntam se Hayden e eu somos irmãos ou um casal.
Hayden: Nem um, nem outro.
Ele me olha e pisca um de seus olhos verdes e brilhantes.
Alguns dos garotos que acabo de conhecer foram adotados, algumas garotas também. Essa mesa é a mais movimentada de todas. Porém, hoje não fui adotada.
Já estava de saída quando uma mão me segura o ombro. Porém, ao contrário do esperado, a mão não pertencia ao Hayden. Era uma mão muito menor do que a dele. Eu me viro e reparo que a mão na verdade pertence à Susan.
Susan: Me desculpe, a Brihanna não é sempre assim.
Amber: Tudo bem, eu entendo. Ela só deve estar brava por eu ter me sentado com os populares tão facilmente.
Susan: Eh, deve ser isso. Obrigada pela compreensão. Tchau.
Amber: Tchau.
Susan sai e Brihanna vem em minha direção.
Brihanna: Se gosta de viver, fique longe do Hayden.
Amber: Uma ameaça foi detectada.
Eu digo imitando o antivírus Avast!
Brihanna: Eu falo sério, garota. Eu jogo para vencer.
Amber: Você acha que isso é um jogo?! Isso é a vida real. E se você ta com tanto medo de “perder” ao ponto de precisar eliminar a concorrência para “ganhar” por falta de competidores, acho que você deveria desistir.
Brihanna: Eu não estou com medo de perder. Só estou te avisando antes que se machuque.
Amber: The odds are set, bitch.
Não costume xingar mas essa garota passou dos limites.
Brihanna: I’ll win this shit, bitch.
Amber: We’ll see.
Brihanna: Yes we will.
Ela sai e eu também.
Quando chego ao quarto 21, todas já estão se arrumando para o almoço.
Eu entro. Percebo que todas expressam nervosismo.
Amber: Por que essas caras?
Megan: As audições são hoje. Você se esqueceu?
Amber: Ah, é.
Termino de me arrumar e guardo a letra da música When The Darkness Comes – Colbie Caillat (a música que eu vou cantar nas audições) na minha mochila (que na verdade também não é minha).
O sino toca e voltamos ao salão principal.
Nos sentamos junto aos meninos (já dá pra iaginar que me sentei ao lado do Hayden).
Kyle: Por que vocês meninas demoram tanto para se arrumar?
Alex: Por que arrumamos o cabelo, usamos maquiagem, escolhemos a roupa, sapato e acessórios.
Kyle: Ah... tá.
Eileen: Que música vocês vão cantar?
Peter: Never Say Never – The Fray. A DO THE FRAY E NÃO A DO JUSTIN.
Jason: All The Right Moves – One Republic.
Ethan: Burning Bridges – One Republic.
Will: Boulevard Of Broken Dreams – Green Day.
Kyle: Songs About Love – Jake Bugg
Jason: E vocês?
Lilly: Born To Die – Lana Del Rey
Eileen: Human – Christina Perri.
Amy: Stronger – Kelly Clarckson.
Alex: Only For A Night – Florence And The Machine.
Amber: When The Darkness Comes – Colbie Caillat.
Ethan: São boas músicas.
Lilly: As de vocês também.
Começo a conversar com Hayden. Quero falar sobre a Brihanna para conhecer o inimigo.
Amber: Então Hayden... você é amigo da Brihanna desde quando?
Hayden: Eu não sei... faz muito tempo... mas, ela sempre foi minha melhor amiga. Por que o interesse repentino?
Amber: Nada não...
Ele fala dela como se fossem irmãos. Não a considero uma ameaça.
O sino toca e todos vamos às aulas, ou seja, as audições.
Chegamos na sala e nos sentamos enquanto o professor escreve algo no quadro.
O professor Phillip se vira, nos permitindo ler o que ali estava escrito – AUDIÇÕES.
Prof. Phillip: Boa tarde, classe!
Todos: Boa tarde, professor Yakult!
Prof. Phillip: Como podem perceber, eu pedi para a professora Nancy que me emprestasse sua aula assim como os outros professores de hoje.
Todos festejam.
Prof. Phillip: Eu vou sortear um aluno e o mesmo deverá vir comigo ao auditório para que eu o ouça e o avalie. Quando o aluno terminar, pedirei a ele que venha e escolha alguém para ir também. E enquanto vocês esperam, lerão o livro do mês: Romeu e Julieta. Quando todos já tiverem sido avaliados, voltarei à sala e darei uma notícia. Um evento que a escola está preparando para o mês que vem para dar início às férias.
Todos ficam em silêncio enquanto o professor olha para a lista de chamada e escolhe o primeiro aluno.
Prof. Phillip: Eileen.
Eileen se levanta com os olhos arregalados e o segue para fora da sala.
Todos os alunos pegam os livros e começam a ler com exceção de alguns bagunceiros que jogam bolinhas de papel uns nos outros.
Leio quietamente até que alguns minutos depois ouço o ranger da porta se abrindo e direciono o meu olhar para uma Eileen que eu nunca tinha visto antes. Uma Eileen pálida como a própria neve, com os olhos esbugalhados que quase pulam para fora do rosto.
Todos ficam calados encarando-a até que ela dá sinal de vida.
Eileen: Alex.
Alex se levanta e deixa a sala.
O silencio se quebra e todos voltam a fazer o que faziam antes da chegada da Eileen.
Continuo a ler. Mais alguns minutos e Alex volta. Eu a vejo abrir a porta que range e com a mesma aparência pasma de Eileen.
A sala novamente se cala.
Alex: Amy.
Amy se levanta tremendo e sai da sala.
O tempo passa e vários alunos saem para sua audição e voltam com cara de defunto. Lilly vai, Megan vai, Jason vai, Ethan vai, Will vai, Kyle vai, Hayden vai, Peter vai e mesmo esse, volta com cara de morto. Depois do Peter, vários outros alunos saem da sala e voltam até que percebo que eu sou a última.
Rupert (aquele ruivinho encrenqueiro) volta de sua audição. Magrelo e pálido do jeito que ele é, agora está tão pálido que pode-se ver suas veias pulsando através de sua pele. Seus cabelos ruivos agora se destacam e seus olhos sem brilho algum me encaram.
Rupert: Amber.
Me levanto. Agora estou tremendo tanto que me custa dar um passo sequer. Saio da sala e ando pelo corredor cinzento até que entro no auditório, me deparando com um salão enorme e escuro com fileiras e fileiras de cadeiras vermelhas vazias com exceção de uma. Professor Phillip está sentado bem no fundo do salão. O salão está mergulhado em escuridão de modo que ao olhar em direção ao professor só vejo seus olhos brilhando no meio da escuridão por trás de seus óculos. A única luz no salão inteiro é um holofote que se localiza acima do palco que aponta para o mesmo.
Prof. Phillip: Aproxime-se.
Eu me direciono ao centro do palco, em baixo do holofote.
Prof. Phillip: Amber Rose Thomas... qual música a Senhorita vai me apresentar e para qual papel você vai competir?
Amber: E-eu eu vou c-cantar a músic-ca...
Ele me interrompe.
Prof. Phillip: Fale direito.
Limpo a garganta e inalo uma quantia generosa de ar (considerando o fato de eu sentir um grande sufoco, como se algo tivesse engasgado na minha garganta).
Amber: Eu quero competir para o papel da ama de Julieta. Vou cantar a música When The Darkness Comes da cantora Colbie Caillat.
Prof. Phillip: Pode começar.
Eu inspiro fundo e começo a cantar a música.
Underneath the echoes
Buried in the shadows
There you were
Drawn into your mystery
I was just beginning
To see your ghost
But you must know
I'll be waiting
Hoping, praying that
This light will guide you home
When you’re feeling lost
I'll leave my love
Hidden in the sun
For when the darkness comes
Now the door is open
The world I knew is broken
There's no return
Now my heart is not scared
Just knowing that you're out there
Watching me
So believe
I'll be waiting
Hoping, praying that
This light will guide you home
When you’re felling lost
I'll leave my love
Hidden in the sun
For when the darkness comes
For when the darkness comes
Be here waiting
Hoping, praying that
This light will guide you home
When you’re feeling lost
I'll leave my love
Hidden in the sun
For when the darkness comes
Hidden in the sun
For when the darkness comes
Nota por nota, palavra por palavra, verso por verso, eu canto a música expressando o que eu sinto. Termino a música e espero a reação do professor.
Seus olhos brilhantes me inspecionam e ele anota algo em uma prancheta que eu não tinha visto antes.
Prof. Phillip: Vai ficar aí parada, volte para a sala e diga a todos que as aulas acabaram.
Amber: Mas o senhor não ia dar um aviso sobre algum evento?
Prof. Phillip: Diga também que mudei de ideia e colarei os resultados das audições na porta da sala amanhã depois do café.
Amber: Sim senhor.
Minhas pernas estão rígidas mas ao menos o sufoco passou. Ando em direção à sala, entrando e dizendo a todos o que o professor me disse.
Depois disso, vou em direção ao meu quarto (permito-me chama-lo de meu por somente esta vez). Não quero que Hayden me veja nesse estado. Preciso da Kate. Quero vê-la.
Entro no quarto 21 e lá esta ela, vestida em seu uniforme para a venda de bolinhos. Com seus cabelos molhados ela me observa com aquele olhar meigo que toda criança tem.
Kate: Penteia o meu cabelo?
Ela pede me oferecendo o creme e a escova. Eu dou um leve sorriso torto em agradecimento à ela não ter feito perguntas. Eu não saberia como responder.
Eu pego a escova e o creme. Passo o creme em seu cabelo e começo a escová-lo sentada na cama que não me pertence. Me recuso a deixar que lágrimas escorram dos meus olhos marejados.
Kate: Seja forte, por mim.
Estou exausta e sinto um vazio por dentro. Deixo meus pensamentos fluírem até que acho uma frase que resume tudo o que sinto agora – Quero a minha mãe!
Não posso vê-la, não posso tocá-la. Sei que ela não está aqui e diferentemente de algumas pessoas aqui neste lugar, sei que ela não virá me buscar. Deixo que as lágrimas rolem pelo meu rosto. Ela não vem me buscar, ela não pode. Ela está morta. Pare de chorar, repito para mim mesma na minha mente. Você precisa ser forte pela Kate. Limpo meu rosto com os pulsos e me controlo. Termino de pentear os cabelos da Kate.
Ela se vira e eu beijo sua testa.
Kate: Obrigada, irmã.
Eu sorrio torto novamente.
Amber: Foi um prazer.
Kate começa a fazer suas tarefas enquanto eu vou tomar banho antes que as meninas cheguem.
Pego a toalha, uma calça jeans azul e uma regata em um tom de salmão alaranjado além da roupa de baixo, um par de All Stars pretos com cadarços laranjas e um par de meias brancas. Entro no banheiro e tranco a porta. Deixo a minha roupa em cima da bancada da pia, penduro a toalha no gancho ao lado da porta do boxe. Abro a porta do boxe, entro, fecho a porta do mesmo e fico na ponta dos pés para mudar a temperatura da água para quente. Tomo um banho demorado, me enxugo, me troco o saio do banheiro cheio de vapor.
Ao sair, vejo que as meninas estão conversando sentadas no chão, perto da televisão com exceção da Eileen que está sentada em uma das camas lendo Romeu e Julieta e a Kate que continua a fazer suas tarefas sentada na cama.
Amber: O banheiro ta liberado.
Eileen levanta a cabeça como se eu tivesse gritado – doces grátis – perto de um monte de crianças.
Ela pega sua toalha, suas roupas e corre para o banheiro, fechando a porta e trancando-a em seguida.
As meninas continuam a conversar enquanto eu e Kate rimos do ocorrido.
Amber: Ainda não terminou, Kate?
Kate: Tô acabando.
Amber: Quer aju...
Ela me interrompe.
Kate: E... acabei.
O tempo passa até que um pouco depois de todas terem acabado de se arrumar, o sino toca, chamando a todos para o jantar.
Saímos e vamos em direção ao salão principal.
Chegando lá, sentamos à mesa que os garotos escolheram.
Megan: Como vocês acham que se saíram?
Todos: MAL!
Megan: Eu também... ele foi tão rígido...
Amber: É, eu nunca imaginei que o prof. Yakult poderia ser assim.
Kyle: Eu to feliz. Isso significa que eu vou conseguir o papel que eu queria!
Eileen: Você queria ser uma armadura de cavaleiro, né?
Kyle: É.
Peter: ENQUANTO VOCÊ FESTEJA, NÓS FICAMOS COM PAPÉIS RUINS!
Ethan: Peter, não desconte nele. A culpa não é dele... E afinal, não existem papéis ruins. Todos os papéis são necessários se não, não há peça.
Peter: Tá, eu não vou gritar com você, Kyle.
Permanecemos em silêncio enquanto comemos. Quando terminamos, nos despedimos e nós começamos a sair.
Eu já estava de saída quando Hayden me segura o pulso e me puxa para si. Ele me abraça forte, seus braços na minha cintura e eu também o abraço, colocando minhas mãos sobre seus ombros. Ele me olha com aqueles olhos verdes grama e um sorriso é estampado em seu rosto. Aquele sorriso que deixaria qualquer um com inveja.
Eu sinto o sangue nas minhas bochechas esquentar e eu ruborizo. Sorrio e olho em seus olhos. Ele beija-me a testa.
Hayden: Boa noite. Não se preocupe, sei que você vai conseguir um bom papel.
Amber: Eu não quero um bom papel... eu quero ser a ama de Julieta.
Hayden: Então você vai conseguir.
Amber: Eu não teria tanta certeza... Você nunca me ouviu cantar...
Hayden que voltou a sorrir agora me olha pacientemente.
Hayden: Espero fazê-lo algum dia...
Ele diz enquanto enrola uma mecha do meu cabelo em seus dedos.
Amber: Você irá. Algum dia...
Ele me solta dos seus braços e quando ele já ia em direção ao corredor, eu o paro.
Amber: Boa noite, Hayden.
Hayden: Doces sonhos para você, Amber.
Amber: Difícil... eu teria de sonhar com você...
Ele ri.
Amber: Até amanhã.
Ele segue seu caminho confiante, com os passos calculados e precisos. Continuo a observá-lo até que ele vira à esquerda na bifurcação e some da minha vista.
Vou em direção ao quarto 21, passando pelo corredor cinza. Ao entrar, vejo que a pequena Kate já estava de saída (para a venda de bolinhos). Eu ajoelho para ficar à sua altura e a abraço.
Amber: Tchau, passarinho.
Kate: Tchau, mamãe passarinho.
Eu a solto e beijo sua testa.
Amber: Está levando algum casaco?
Kate pega um casaco no guarda roupa e volta.
Amber: Não se esqueça de olhar para os dois lados antes de atravessar. Conte o troco, atravesse na faixa, fique perto da sua professora. Não fale com estranhos e tome cuidado.
Kate: Tá bom, tá bom.
Amber: Boa noite.
Kate: Boa noite.
Ela sai e eu entro no quarto.
Todas já estão dormindo apesar de ainda serem 21h00min. Eu não as culpo, hoje realmente foi um dia cansativo.
Eu visto um pijama cinza que na verdade não é meu. Escovo os dentes com a escova que na verdade não é minha e a pasta de dente que também não é minha. Deito na cama que também não é minha e me cubro com os cobertores que não são meus. Perco-me nos pensamentos até que acabo pensando que algum dia, terei minha própria cama, minhas próprias roupas, minha própria escova de dente, minha própria escova de cabelo, uma casa... uma família que poderei chamar de minha. Com esses pensamentos na minha cabeça, permito-me cair no sono.
Lilly: ACORDA, SUA BALOFA!
Eu pulo de susto e então todas começam a rir.
Kate: Bom dia, Amber.
Amber: LILLY, SUA VACA! VAI TER VOLTA!
Lilly: Espero pacientemente.
Todas nos arrumamos. Eu coloco um short jeans não muito curto, uma regata em um tom de vinho com bolinhas pretas, um bolerinho preto e All Stars pretos com cadarços também em vinho. Deixo os cabelos soltos, usando apenas uma faixa vinho e passo um gloss em um tom levemente mais claro do que o vinho. Hehe... adoro cores escuras...
Depois de prontas, Agnes nos observa enquanto fala e seu Walk Talk.
Agnes: Todas de pé no 21.
Nós saímos em direção ao salão principal, aonde nos sentamos e comemos com os meninos. Depois do café da manhã, todos saímos correndo para ver as classificações para a peça. Eu não tenho muita sorte, tive que esperar a multidão toda ver o pequeno bilhetinho colado na porta.
Quando eu sou a única restante no corredor, caminho tremendo freneticamente em direção à pequena folha. Examino-a. A letra foi escrita à mão e eu passo o dedo pelos nomes enquanto procuro o meu. Achei! Leio o papel para que fui designada. MAS QUE MERDA É ESSA???
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