Notas iniciais
Oi oi, gente bonitaaa! Eu queria agradecer à Lillith, pela primeira review da história e a todos que leem, favoritam ou acompanham. Obrigada, gente! Espero que gostem do capítulo. Boa leitura.

Os meninos conseguem apartar a briga.

Hayden: Hoje, Peter, hoje você conseguiu. Você quebrou toda a confiança, todo o respeito que eu tinha por você. Você era meu amigo! NÓS CRESCEMOS JUNTOS! COMO VOCÊ PÔDE? OLHA NOS MEUS OLHOS E DIGA O QUE VOCÊ FEZ? OLHA PRA MIM!

Peter o olha.

Peter: Não toquei nela.

Hayden: MENTIROSO DESGRAÇADO!

Peter: EU NÃO TOQUEI NELA!

Hayden: NÓS ERAMOS IRMÃOS! TALVEZ NÃO DE SANGUE, MAS ERAMOS IRMÃOS DE CORAÇÃO! DE CORAÇÃO! E VOCÊ OLHA NOS MEUS OLHOS! NOS MEUS OLHOS E MENTE!

Peter: Não é mentira! Pergunta pra ela! Pergunta!

Hayden: Eu não consigo mais, Peter. Eu não consigo mais confiar em você.

Ele diz em tom decepcionado.

Hayden: NUNCA, nunca mais fale comigo!

Peter coloca a camisa e sai. Ele para e olha pra trás.

Peter: Vocês todos? Vocês todos acreditam nele?

Meninos: Sim.

Peter: Até você, Kyle?

Jason: Peter, você tem ofendido ele. Você pode até não perceber, mas você machucou ele. Não ouse achar que depois de tudo ele vai te ajudar.

Peter: Vocês todos são idiotas!

Ele se vira e sai, dessa vez, sem olhar para trás.

Hayden corre na minha direção.

Hayden: Você está bem? Ele te machucou? O que aconteceu?

Amber: E-eu est-tou bem...

Eu falo soluçando devido ao choro recente.

Hayden me olha com preocupação.

Hayden: Tem certeza que está bem?

Amber: T-tenho.

Ele me puxa pela mão e me leva ao seu quarto. Ele abre a porta e nós entramos, nos sentando frente a frente em uma cama que eu julgo ser a que ele dorme pois sinto seu cheiro ali presente.

Hayden: O que aconteceu lá dentro? Ele te machucou? Porque se ele te machucou eu juro que o mato!

Amber: E-ele não... n-não me machuc-cou.

Hayden: Tem certeza? O que aconteceu? Ele não... vocês não... você sabe...

Amber: NÃO! N-não... e-eu estou b-bem...

Ele parece aliviado.

Hayden: O que aconteceu?

Eu conto tudo o que aconteceu desde que entramos e quando estou quase acabando, começo a chorar e soluçar.

Ele me olha com um olhar preocupado e me abraça. Eu sinto, no fundo do meu coração que isso é tudo o que eu mais precisava. Não me bastam palavras como “eu sinto muito” ou “você está bem” porque eu não estou bem, eu pareço forte por fora, mas eu sou sensível e estou destruída por dentro, eu só quero um abraço e isso é o que ele me dá. Ficamos assim por um bom tempo, minhas lágrimas rolando por suas costas e seus braços me envolvendo, me protegendo em um abraço caloroso e seguro. Segurança, é o que eu sinto agora.

Hayden P.O.V

Hayden: Está tudo bem, tudo bem.

É o que eu digo, mas na verdade, é mentira. Não está tudo bem. Peter poderia tê-la machucado, só de pensar que se eu tivesse chego alguns minutos mais tarde, ele poderia ter feito “aquilo”, mesmo que por alguns minutos, ele teve acesso a ela, a minha vida, ele poderia ter feito qualquer coisa. Ele, na verdade, a machucou. Peter a feriu, por dentro, isso é o que eu sinto agora. Sinto fúria. EU O ODEIO! É por causa dele que ela está chorando. A partir de hoje, juro a mim mesmo, eu a protegerei com a minha vida. Ninguém vai toca-la. Ela estará segura. Olho para ela, ainda em meus braços. Ela é tão frágil, embora não admita, sinto isso quando a olho. Seus cabelos, seus cabelos estão presos em uma trança comprida que se estende por suas costas. Sinto suas lágrimas rolando pelas minhas costas e isso me faz sentir mais ódio ainda.

Hayden: Eu vou cuidar de você.

Amber P.O.V

Eu me solto de seu abraço e enxugo as lágrimas do meu rosto com o verso das mãos.

Amber: E-eu d-deveria ir... Jj-á é t-tarde.

Hayden: Se é o que você quer...

Amber: O-obrigada p-por t-tudo.

Hayden: De nada. Quando precisar, já sabe.

Eu aceno com a cabeça e ele me dá um beijo na testa.

Hayden: Se cuida.

Kyle, Jason, Ethan e Will entram.

Jason: Ahh... Estamos interrompendo?

Amber: N-não, e-eu j-já est-tava de s-as-ída.

Will: Tá bom...

Hayden: Will, agora não.

Will levanta as mãos em rendição.

Kyle me abraça e Hayden ferve de ciúmes.

Kyle: Ta tudo bem, o Peter é um idiota.

Hayden: Acho que ela já entendeu.

Kyle me solta.

Amber: O-obrigada a t-todos... e-eu est-tou melhor ag-gora.

Will: De na-nada.

Ele finge um soluço.

Hayden: WILL, AGORA NÃO!

Will: Tá bom, parei...

Eu saio e vou para o 21 passando pelo corredor cinzento que nunca pareceu tão vazio...

Abro a porta e entro. Eileen, Amy e Lilly estão dormindo.

Megan: Amber!

Ela corre ao meu encontro.

Megan: Você esta bem?

Amber: To. Eu to bem...

Megan: Tem alguma coisa que eu possa fazer?

Amber: Só preciso de uma boa noite de sono...

Alex: Eu ia fazer isso, mas como a Megan já fez, eu vou toar um banho.

Alex entra no banheiro.

Megan: Agora que ela já foi, você pode falar o que você realmente sente. Não ache que eu acredito que você esteja bem. Você sabe que eu te conheço bem demais para cair nessa.

Amber: Eu me sinto péssima. Imagine uma estatueta de vidro em formato de anjo.

Megan: Estou imaginando.

Amber: Agora imagine que o Peter empurrou a estatueta morro abaixo.

Megan: Está só os cacos...

Amber: É assim que eu me sinto.

Megan: Ô amiga, pode chorar. Ponha pra fora o sofrimento. Pode chorar.

Amber: Eu choraria, mas as lágrimas acabaram...

Ela ri.

Megan: Então dorme. Espero que tenha sonhos doces.

Amber: Obrigada.

Megan: Lembre-se que eu sempre estarei junto de ti, se não ao seu lado, no seu coração.

Eu sorrio.

Amber: Boa noite, Megan.

Megan: Boa noite, amiga.

Ela sorri. Eu subo as escadas do beliche e me deito. Pensamentos me levam todos ao mesmo destino, Peter. Decido me desligar deles e caio no sono.

Estou de volta na dispensa. Peter também está lá. Eu escuto seu riso malicioso, estamos de volta na parte que o Hayden abriu a porta e me puxou para fora. Eu espero, mas ele não aparece. Peter apagou as luzes e eu não consigo vê-lo. Eu grito por ajuda, mas ninguém aparece. Respiro desesperadamente enquanto minha visão está embaça devido às lágrimas. Tento abrir a porta, que está trancada, e me lembro que a chave está com Peter. Ele me prensa na parede e eu começo a chorar e gritar.

Amber: Peter, por favor, me deixa sair. Por favor?

Ele ri. Escuto uma voz me chamando, mas não é a de Peter.

Alex: Amber? LEVANTA, BALOFA!

Eu me levanto. Estou suada e tremendo. Meu rosto está molhado, devo ter chorado de verdade.

Alex: Nossa, como você está acabada... O que foi? Teve pesadelos?

Eu a abraço.

Amber: Foi o Peter. Eu tive um pesadelo com ele!

Alex: Ahh, amiga...

Ela fala, tristemente.

Alex: Foi só um pesadelo. Por que você não vai tomar um banho e eu faço uma trança no seu cabelo?

Amber: Mas, nós vamos chegar atrasadas para o café...

Alex: Não vamos não. Eu te acordei por que você estava chorando. As meninas ainda estão dormindo.

Amber: Ahh, tá. Eu topo.

Me levanto, desço as escadas do beliche e percebo que a Kate não está lá, na verdade, sua cama está arrumada. Ela deve ter dormido no quarto de uma das suas amigas...

Pego as minhas roupas e a minha toalha para então entrar no banheiro e fechar a porta. Penduro a toalha no boxe e deixo a roupa em cima do balcão abaixo da pia. Entro no boxe e fecho a porta do mesmo. Fico na ponta dos pés para que possa alcançar o medidor de temperatura da água e coloco na água morna, levemente puxada para quente. Depois que termino o meu banho, desligo o chuveiro e saio do boxe, pegando a minha toalha e me enxugando. Visto a roupa que eu trouxe e saio do banheiro. As meninas estão acordadas e, para a minha surpresa, a tia Hattie e uma garotinha estão no quarto também.

Tia Hattie: Amber, essa criança é uma das amigas de Kate e ela tem algo importante para dizer.

Garotinha: E-eu estava com a Kate e-e estávamos atravessando a ru-rua ontem pa-para a venda d-de boli-linhos. A r-rua que fic-ca de frente p-para o antigo zo-zoológico, sabe, aqu-quele que nós visi-sitávamos de vez e qu-quando. E ent-tão a Kate p-parou n-no meio da r-rua e e-eu chamei ela m-mas t-tudo o qu-que ela disse foi “passarinho, o passarinho voltou pra casa” enq-quanto ela apont-tava pro passarinho no m-muro do ant-tigo zoológico. E-eu at-travessei a r-ru achand-do q-que el-la t-tava me segui-guindo m-mas qu-quando e-eu me vir-rei, e-ela aind-da tav-va no me-meio d-da r-rua ent-tão o ca-carro v-veio e... e... o c-carro t-tava m-muit-to r-rápid-do e...

A menina começa a chorar.

Garotinha: E-ele bat-teu! Bat-teu nela!

A tia Hattie a abraça.

Tia Hattie: Julie, você já pode ir.

Julie sai do quarto enxugando suas lágrimas com os pulsos.

Tia Hattie: O que a Julie quis dizer é que Kate sofreu um acidente de carro e está em coma.

As palavras me perfuram o coração, mais afiadas do que qualquer outra lâmina. Lágrimas petulantes escorrem pelo meu rosto. Sou surpreendida por um abraço... da Tia Hattie!

Tia Hattie: Acalme-se, ela está em boas mãos. Ela ficará bem. Você quer visita-la?

Amber: Eu gostaria muito.

Tia Hattie: Eu posso te levar depois do almoço.

Amber: Obrigada, Tia Hattie.

Ela me solta.

Tia Hattie: Então, esteja pronta esperando na minha sala depois do almoço. De acordo?

Amber: Sim senhora.

Por fim, ela sai. Depois da morte do papai e da mamãe eu prometi cuidar dela. Ela é tudo que me resta. Não podem tirá-la de mim. Não podem. Mais lágrimas escorrem pela minha face.

Eileen, que também está chorando, me abraça. Elas tentam me consolar, mas o que dizer para alguém que está a ponto de perder uma pessoa amada? Como todas já se trocaram, esperamos quietamente pela Agnes.

Agnes: Tá faltando uma...

Essa doeu.

Megan: Ela está hospitalizada.

Agnes: Todas de pé no 21.

Ela disse, fria, como se Kate estivesse morta. Senti uma pontada no coração. O quarto permanece quieto. Em fim o silêncio é quebrado pelo sino que nos chama para o café. Ao chegar no salão principal (que limpamos ontem), nos sentamos na mesma mesa de ontem, junto de Jason, Kyle, Will, Hayden e Ethan. Eu, como de costume, me sento ao lado do Hayden.

Hayden: Você está bem?

Alex: Kate está no coma.

Megan a dá uma cotovelada.

Alex: Ai!

Amber: Tudo bem, não adianta fingir que não aconteceu nada. ACONTECEU! E a maior prova disso é que hoje, quando eu visita-la, Kate estará em um hospital, deitada em uma maca em um sono profundo do qual ela pode não acordar! É isso! Não importa o quanto todos digam que está tudo bem, NÃO ESTÁ! ESSA é a verdade.

Todos me olham perplexos.

Hayden P.O.V

Eu que achava que a situação não podia piorar depois do incidente com o Peter, agora percebo o quanto eu estava errado. Posso ver em seus olhos o quanto está arrasada, está destruída. Sei que ela tenta parecer forte, tenta ser forte, mas ela é tão frágil... Eu não sei o que dizer... o que se diria nessa situação? Eu a abraço e sinto que ela está prendendo as lágrimas.

Hayden: Amber...

Sou interrompido por uma voz que vem do alto-falante.

Tia Hattie: Um minuto de atenção, por favor?

Todo o barulho de conversas e risos presentes no salão, que eu não havia notado até então, se cessa.

Tia Hattie: Gostaria de chamar na minha sala, Megan, Amber, Jason, Amy, Peter e Ethan.

Amber P.O.V

O que mais falta pra piorar esse dia?! Eu nem fiz nada pra ir para a sala da Tia Hattie.

Me solto dos braços do Hayden, me levantando e indo até a sala da Tia Hattie, acompanhada pelos outros que também foram chamados no alto-falante, com exceção de Peter. Ao entrar, percebo que Peter já está lá, sentado em uma das cadeiras à frente da mesa de madeira da Tia Hattie. A mesma se senta em uma poltrona de couro marrom atrás da mesa. Seus cabelos grisalhos, presos em um coque muito bem feito, de modo que nenhum fio escape do mesmo. Seus olhos cinzentos nos olham gentilmente. Sinto o olhar de Peter pesar sobre mim e, no início, tento evitar olhá-lo. Olho-o de solsaio e ele ainda me olha, ou melhor, me encara. Seus olhos azuis me encaram com desprezo, ódio.

Tia Hattie: Devem estar se perguntando por que eu os chamei...

Tia Hattie: Pois bem, eu os chamei para dar um aviso. Um aviso muito importante.

Peter: Prossiga...

Ele diz secamente.

Tia Hattie: Chamei-os porque queria que soubessem que serão adotados.

Finalmente um pouco de felicidade! Mas, espera... E o Hayden?

Tia Hattie: Megan, um casal vem busca-la daqui a pouco. Para os outros, a data ainda não foi estabelecida. Isso foi só um aviso prévio. E, Peter, você e o Ethan serão adotados pelo mesmo casal.

Megan: Eles vem hoje?! Por que não me avisou antes?

Tia Hattie: Sinto em avisar de última hora, mas eu acabo de ser informada. Isso é tudo. Já podem ir.

Megan: Am, eu vou logo para arrumar as minhas coisas. Até mais tarde, eu prometo que não vou sem me despedir.

Jason a acompanha e eu também saio. Caminho lentamente (perdida nos pensamentos, pra variar) em direção do salão principal, até que alguém me puxa pelo ombro, entrando em uma sala vazia e me empurrando contra a parede. Peter!

Peter: O que foi que você disse pra ele?

Amber: Nada, agora me solta. Não to com paciência pra falar contigo.

Ele me prende contra a parede com força. Eu tento escapar, mas ele é muito mais forte do que eu.

Peter: Daqui você não sai até me responder.

Amber: Peter, você está me machucando...

Peter: O QUE VOCÊ DISSE PRA ELE?

Amber: Eu disse exatamente o que aconteceu... que você não fez “aquilo”...

Peter: CALA A BOCA!

Ele aperta os meus ombros contra a parede. AI!

Peter: SUA DESGRAÇADA! NÃO MINTA PARA MIM!

Amber: Eu não estou mentin...

Ele coloca as mãos no meu pescoço, me enforcando. Eu instintivamente coloco as minhas sobre as dele, na (falha) tentativa de tirá-las e ele aperta mais. Eu estou sem ar e sinto meus pulmões queimando. Eu tento me defender, chutando ele em... digamos, um lugar “sensível”. Ele me solta, gemendo de dor e cai de joelhos. Eu aproveito a deixa para fugir, mas ele me puxa pela perna. Eu caio. Me levanto e antes que eu escape, ele me puxa pelos cabelos e volta a me prensar na parede.

Peter: AGORA VOCÊ TÁ FERRADA!

Eu começo a gritar por ajuda.

Peter tampa a minha boca com sua mão, a qual eu mordo.

Peter: ARG!

Ele começa a me xingar e eu o estapeio, mas ele não parece sentir dor alguma. Ele segura os meus pulsos e me olha.

Peter: Você realmente achou que isso me machucaria?

Ele ri.

Peter: Me fala, como você pôde? Como você pôde mentir na cara dele?

Amber: Eu já disse que não menti!

Peter ri.

Peter: Amber.

Ele diz devagar, saboreando letra por letra e me encarando venenosamente.

Peter: Você pode até mentir para o Hayden... mas você não me engana. Por culpa sua eu perdi o meu melhor amigo!

Essa foi a gota d’água!

Amber: Você não consegue ver, Peter? Não enxerga? Você sabe que eu não menti para nenhum dos dois. Você sabe! Você só está me culpando porque não tem coragem de admitir que o único culpado é você! Você faz toda essa pose de machão quando na verdade você não passa de um covarde!

Ele me dá um tapa estalado no rosto. Fico um pouco tonta e caio quando ele me solta. Espera aí! Ele me soltou?! Minha visão está um pouco embaçada e eu ainda estou caída no chão. Eu vejo alguém segurando ele. Olhos verdes furiosos... é o Hayden! Ele joga Peter contra a parede, segurando-o pelo colarinho da camisa.

Hayden: O QUE É QUE VOCÊ FEZ AGORA?

Peter: E-eu...

Ele parece desnorteado.

Hayden: Não tem coragem de falar na minha cara, né? Eu já imaginava. FICA LONGE DELA!

Ele solta Peter e vem na minha direção.

Hayden: Você está bem?

Amber: E-eu estou um pouco tonta.

Ele me estende a mão, a qual eu aceito. Então ele me puxa para si, me levantando. AI! Ele está segurando o meu pulso.

Amber: Hayden, você está me machucando.

Hayden: Me desculpe.

Ele solta o meu pulso e segura a minha mão gentilmente.

Hayden: Melhor?

Eu aceno com a cabeça em afirmação.

Hayden: Vamos, a Megan quer se despedir.

Peter P.O.V

Saio da sala. Estou furioso! Sinto o meu sangue queimar de ódio pelas minhas veias. Eles não perdem por esperar. O Hayden vai ver!

Hayden P.O.V

Estamos andando pelo corredor e o único som que permanece, rasgando ousadamente o silêncio, é o som dos nossos passos. Os meus, firmes e os dela, assustados, cautelosos. Eu não quero falar sobre o que acabou de acontecer, e acho que ela também não quer...

Hayden: Então... por que a Tia Hattie te chamou?

Amber: Me avisou que eu serei adotada...

Eu paro. Estou em choque, minha cabeça está a mil. Ela não pode... ela não pode ir... ela não pode me deixar.

Ela me olha, triste. Espera... por que seus ombros estão vermelhos? E seu pescoço?

Hayden: Amber, o que aconteceu com os seus ombros?

Amber: É-é que... O Peter me empurrou contra a parede e... você sabe... ele é forte...

ELE A MACHUCOU DE NOVO! Eu prometi! Prometi a mim mesmo que não deixaria nada de ruim acontecer com ela! Eu não vou deixa-lo se aproximar dela novamente!

Hayden: Me prometa uma coisa... Não se ponha em perigo...

Amber: Eu prometo.

Eu a abraço. Sou um pouco mais alto do que ela, o que me permite recostar a cabeça sobre a sua. Sinto uma sensação boa, como se em meus braços ela nunca se entristeceria, nunca se magoaria. Infelizmente a sensação dura pouco pois ela se solta do meu abraço.

Amber: Vamos logo, eu quero me despedir da Meg!

Ela sai correndo, puxando-me pela mão.

Amber: Anda, Hayden!

Hayden: Estou indo, estou indo.

Ela é tão fofa...

Megan P.O.V

Anda, Amber...

Estou com uma roupa simples, segurando uma sacola com os meus poucos pertences: uma garrafa d’água que ganhei no início do ano igual às de todos os outros, uma medalha que ganhei quando era pequena “vendedora de bolinhos do mês”, uma caricatura que eu ganhei de um artista de rua e algumas fotos. Entre elas, uma de uma visita ao antigo zoológico, na qual estou rindo de Kyle que derrubou o sorvete, outra de Jason dando o seu para o Kyle, outra da Amber e eu com o uniforme da venda de bolinhos sorrindo, outra da Alex, da Amber, da Lilly, do Peter, do Will, do Jason, do Hayden e do Kyle fazendo caretas quando éramos menores e por fim, mas não menos importante, uma mais recente de nós todos (Amber, Eileen, Alex, Lilly, Jason, Kyle, Peter, Will, Hayden, Amy e eu) sorrindo no início do ano. Vasculho um pouco a sacola e acho o que estava faltando, uma pulseira de amizade que a Amber me deu quando nos conhecemos. A mesma tem várias miçangas vermelhas, com exceção de três pretas: uma com um A em vermelho ( A de Amber), uma com um + branco, e uma com um M (de Megan). Ao meu lado está um casal simpático que eu acabo de conhecer: Mary Jane e George. Eles disseram que vamos morar em Londres! Também disseram que lá tem nevado, então poderemos fazer bonecos de neve, anjinhos na neve e guerra de bola de neve! Eu não vejo a hora, sempre quis ver a neve...

Mary Jane: Megan, temos que ir logo ou perderemos o trem.

Megan: Ela já deve estar chegando.

Mary Jane: Só mais cinco minutos.

Ela chegou! Amber vem correndo na minha direção puxando o Hayden pela mão. Esses dois são tão fofos... Pena que eu não vou estar aqui quando começarem o (tão esperado) namoro...

Amber: MEG! Eu vou sentir tanto a sua falta!

Ela me abraça.

Megan: Eu também vou sentir a sua!

Ela me solta.

Amber: Pra onde você vai?

Megan: EU VOU PARA LONDRES!

Ela dá um gritinho.

Amber: Você tem que me passar o seu novo endereço e telefone! Assim, se algum dia eu for para Londres, eu posso te visitar. E o telefone é só pra bater papo mesmo.

Eu rio.

Megan: George, você pode por anotar o endereço e o telefone por favor?

George: Claro, Meg. Posso te chamar de Meg, né?

Megan: Claro que pode.

Mary Jane: Ahh, também quero!

Ela faz um biquinho.

Megan: Você também pode, Mary.

Mary Jane: Você ouviu, George? Ela me chamou de Mary!

George: Eu ouvi, querida.

Ele diz enquanto escreve e um papel. Quando ele termina, entrega-o para a Amber.

Amber: Obrigada, George.

George: De nada.

Eu a abraço novamente.

Megan: Vou esperar a sua visita.

Amber: Boa sorte em Londres. Vou te ligar sempre que puder.

Megan: ÊBA! Fala para a Kate que eu estou com saudade e relaxa, ela vai ficar bem.

Amber: Ok, obrigada.

George: Vamos, Meg?

Mary, George e Amber me acompanham até o carro.

Amber P.O.V

Eu a acompanho até o carro preto de Mary Jane para então vê-la abrir a porta do mesmo e entrar. Mary Jane e George também entram e depois de ligar o carro, se vão. Megan olha para trás, pela janela traseira do carro e a última coisa que vejo antes do carro desaparecer, é uma lágrima escorrendo pelo rosto da Megan. Sentirei sua falta.

O sino toca, indicando a hora do almoço. Eu me sento à mesa de frente para a sacada e Hayden se senta ao meu lado.

Eileen: Ela vai fazer falta... mas eu fico feliz por ela, afinal, ela vai para Londres.

Alex: Feliz?! Eu fico é triste por ela! Ela vai ficar longe de mim! E eu sou muito melhor do que Londres!

Todas caímos na risada.

Lilly: Melhor que Londres! Ai, ai...

Olho para os meninos, que parecem desnorteados e começamos a rir novamente.

Despeço-me assim que termino de comer e saio em direção à sala da Tia Hattie. Ao chegar, abro a porta e entro.

Tia Hattie: Pronta?

Amber: Aham.

Ela pega a chave do carro.

Tia Hattie: Então vamos!

Eu nunca a vi tão animada.

Nós saímos da sala e seguimos pelo corredor, passando pelo salão principal e enfim, saímos do orfanato. Tia Hattie apertou um botão do controle da garagem e a mesma se abriu, revelando em seu interior uma van verde clara e branca. Ela esboça um sorriso de orelha a orelha.

Tia Hattie: Quanto tempo, Bessie...

Que legal, ela nomeou o carro... (ISSO, Kyle é ironia).

Ela me olha.

Tia Hattie: Vamos?

Amber: Vamos.

Ela abre a porta traseira para mim e eu entro. Depois de fechar a porta, ela se senta no banco do motorista e põe o cinto.

Tia Hattie: Afivele o cinto.

Eu o faço e então ouço o barulho do carro ser ligado.

Durante o trajeto, passamos em frente ao antigo zoológico... apesar de uma loja de artigos esportivos ter tomado seu lugar físico, não ocupou seu lugar no meu coração. Alguns dos melhores momentos da minha infância se passaram lá. Hoje o dia está parcialmente nublado, mas não faz frio. É um daqueles dias nebulosos, cinzas, sem graça nem cor.

Tia Hattie: Chegamos.

Ela me olha com pesar.

Tia Hattie: Sabe... eu já perdi alguém que eu amava.

Tia Hattie: Eu perdi o meu marido em 2004. Ele era piloto e eu era aeromoça. O atual orfanato era a nossa mansão. Nós não tivemos filhos e como eu sempre gostei de crianças, eu decidi transformar a mansão em um orfanato. Ele teria gostado...

Ela fala com um brilho nos olhos de saudade, eu acho...

Tia Hattie: Então vamos.

Ela sai e eu saio em seguida. Ela abre a porta do hospital e nós entramos na recepção. O lugar é agradável. Não faz calor, mas o ar condicionado permanece ligado. Sinto cheiro de citronela... Gosto desse cheiro. As paredes são em um tom discreto de amarelo, o chão, de madeira. Quanto aos poucos móveis que ali estão, dois sofás de couro bege e uma mesa de centro em um tom pastel coberta de revistas. Nós adentramos o local até a mesa, de madeira, da recepcionista. O que chama a atenção das pessoas sentadas nos sofás.

Recepcionista: Boa tarde, em que posso ajudar?

Pergunta a recepcionista, que usa um jaleco branco combinando com seu sorriso meigo. Seus cabelos loiros e compridos se encontram presos em um rabo-de-cavalo. Ela usa um bato vermelho vivo e brincos de argola prateados.

Tia Hattie: Gostaríamos de visitar Kate Thomas.

Recepcionista: O horário de visitas começa daqui dez minutos. Enquanto isso, podem esperar aqui na recepção.

Tia Hattie: obrigada... Janet.

Ela diz, lendo o nome escrito no crachá da recepcionista.

Nos dirigimos a um dos sofás e nos sentamos. Tia Hattie pega um lenço de seu bolço e começa a limpar seu pincenê enquanto eu fico encarando um relógio que fica pendurado acima da porta do corredor. Estranho... Não me perdi nos pensamentos dessa vez.

Finalmente!

Amber: Tia Hattie?

Ela volta seu olhar para mim.

Amber: Acabou o tempo.

Nos levantamos e andamos até Janet, a sorridente recepcionista que nos atendeu.

Tia Hattie: Gostaríamos de visitar Kate Thomas.

O sorriso de Janet se expande.

Janet: Quarto 33. Sigam pelo corredor até a primeira bifurcação e então virem à esquerda. É o segundo quarto à direita.

Tia Hattie: Obrigada.

Nós seguimos pelo corredor, viramos à esquerda e entramos no quarto 33.

Entro em choque assim que a vejo. Kate está deitada a uma maca com um braço e uma perna engessados além de sua cabeça enfaixada com alguns poucos cachos dourados escapando as faixas.

Amber: Oi, Kate.

Falo com uma aperto no coração. Uma lágrima escorre pelo eu rosto.

Amber: Ahh, pequena Kate... Eu avisei para olhar para os dois lados antes de atravessar...

Eu reparo que ela está usando uma cânula, conectada a uma máquina ao seu lado, para respirar.

Amber: Sabe, Kate... Eu ouvi dizer que a pesar de uma pessoa em coma não se mover ou falar, ela escuta. Então... hoje a Megan foi adotada... Ela mandou um beijo e todas te desejam melhoras... Eu não sabia se deveria trazer alguma coisa... na próxima vez, eu trago. E-eu não sei o que dizer...

Começo a chorar.

Amber: É tão difícil... É muito difícil. Você não faz ideia do quanto eu sinto a falta de chegar da aula e pentear os seus cabelos, te abraçar... Eu te amo tanto, Kate... Seja forte... por mim.

Tia Hattie: Você quer voltar pro orfanato?

Eu enxugo as lágrimas e aceno positivamente.

Tia Hattie me acompanha até a porta, quando eu olho para Kate mais uma vez.

Amber: Tchau, pequeno passarinho.

As lágrimas que eu antes tentava conter, agora transbordam por entre os meus cílios e escorrem pela minha face. Tudo o que eu quero é ouvir sua voz dizendo mais uma vez: Tchau, mamãe pássaro. A voz da Kate ecoa na minha cabeça. Quando me dou por mim, estou sentada em u dos bancos de trás da Bessie, com o cinto de segurança afivelado e a tia Hattie está dirigindo.

Tia Hattie: Eu sei que não é o melhor momento para isso, mas podemos voltar amanhã se você quiser.

Amber: Eu quero sim, obrigada. Que horas são?

Tia Hattie: Três e meia.

Fico calada e, por um tempo, Bessie é a única que ousa se pronunciar, com seu barulho do motor.

Tia Hattie: Olha... Eu deveria te mandar de volta para a aula... Mas, vou deixar que você tire o resto da tarde para descansar. Mas vou logo avisando, se eu te vir zanzando por aí, vou te mandar para a aula!

Eu me sinto mais tranquila sabendo que poderei descansar um pouco.

Amber: Obrigada, tia Hattie. É muito gentil da sua parte.

Vou para o dormitório assim que chegamos. Depois de deitada na parte de cima do beliche, fecho os meus olhos e recapitulo tudo que aconteceu hoje. A notícia trágica, o ataque de Peter, a partida da Megan e a visita ao hospital. É muita coisa para um só dia... Perco-me nos pensamentos até que encontro algo reconfortante em meio a tanta tristeza, a única coisa que me lembro antes de dormir, é o Hayden.

Notas finais
Espero que tenham gostado. NÃO ME MATEM se não vocês ficam sem saber como a história acaba. Reviews? Mandem a sua opinião sobre o capítulo, o que acham que deveria ser melhorado. Isso ajuda, sabiam? Bjs, até a próxima.