Notas iniciais
EU AMEI ESSE! Espero que vocês gostem e que compense o looooooooooongo tempo sem postar, boa leitura!

Uns dois dias se passaram sem eu ver ou ouvir sobre ele, eu já estava ficando preocupada porque por mais que fosse difícil admitir, acho que eu tinha uma quedinha por ele. Eu não tinha visto Vinícius nem no mirante, nem no Home, nem perto da escola. Será que ele tinha se mudado de volta para o Rio? Eu realmente esperava que não, depois do meu último namorado nunca tive coragem de realmente conversar e conhecer alguém, e Vinícius fez eu perceber que era isso que eu deveria fazer, deixar a insegurança e o medo de ser rejeitada de lado e seguir com a minha vida. Eu ligaria pra ele, se tivesse o número. Eu iria visitá-lo, se soubesse onde ele morava. Eu não sabia nada sobre ele, a não ser que ele ia aos mesmos lugares que eu, e esse hábito, aparentemente tinha mudado.

Às seis e meia da manhã do meu terceiro dia sem receber nenhuma notícia ou ver o Vini, meu despertador tocou, mesmo sendo um sábado. Irritada, eu desliguei e joguei-o de volta na cabeceira, mas não consegui dormir. Então, resolvi ir até o Home, pegar dois cafés e ir visitar minha prima, que morava no maior (e único) condomínio de casas da cidade. Só gente rica e esnobe morava lá, mas a minha prima era diferente. O nome dela era Roberta e ela realmente merecia morar onde morava. Ela trabalhava duro, acordava às seis da manhã todos os dias, incluindo fins de semana, tomava banho, comia e ia direto trabalhar. Voltava pra casa as nove, jantava e ia dormir. Sua vida era baseada no trabalho, e ela se dava muito bem profissionalmente, mas se a família não fosse visitá-la, ela ficaria sem vê-la. Então, eu estava a caminho da casa dela, já dentro do condomínio, quando vi ele encostado na ponte sobre o lago que havia ali.

– Então você mora aqui?

Ele se virou assustado, mas quando viu que era eu, disse:

– É, eu moro. Você também?!

– Não! Vim visitar a minha prima. Trouxe esse café pra ela, mas se quiser pode pegá-lo e ir dar uma volta comigo para me explicar o seu desaparecimento de três dias.

– Como eu poderia recusar essa oferta? Afinal, eu desapareci porque achei que quisesse que eu desaparecesse, o jeito que você se despediu aquele dia foi meio... Bem, me deixou confuso.

–É... eu só tinha mesmo que ir, não era nada contra você.

Ele parou de caminhar e olhou pra mim, não pra minha boca ou pro chão, muito menos pro meu corpo, ele olhou nos meus olhos e disse:

– Eu estou muito feliz por ouvir isso. – Se virou pra frente, e continuou andando. Demos uma volta inteira no condomínio assim, caminhando em silêncio e bebendo nossos cafés, quando nos deparamos com um bando de pássaros parados bem no meio da calçada, alguns cantando e outros comendo, então ele disse:

– Você me chama de observador de pássaros, mas sabe o porquê de eu ser assim? Veja – Ele correu em direção aos pássaros, espantando-os. – Eles são felizes, tem laços incrivelmente fortes uns com os outros e quando as coisas ficam complicadas, eles simplesmente voam para longe, para um lugar onde possam ser felizes sem ser incomodados. Eu os observo pra tentar aceitar que deixar o Rio foi a coisa certa a fazer, que eu não abandonei minha família lá e que eu não vou perder os laços com eles, pois são laços fortes e indestrutíveis. Eu só voei pra longe para que pudesse ser feliz.

...

Na manhã de domingo, acordei no meio de um terreno vazio do condomínio de minha prima, em uma toalha de piquenique, com Vinícius deitado ao meu lado em um sono profundo, mas sorrindo. Ao ver aquele sorriso, não pude evitar sorrir também.

Na noite passada, eu resolvi fazer uma pequena loucura. Vini me convidou para um almoço-piquenique, já que tínhamos passado a manhã inteira caminhando. Sim, das seis e meia até o meio-dia. Eu aceitei, e no meio da nossa conversa durante essa refeição, que apesar de serem apenas dois sanduíches de queijo e presunto, um suco de laranja pra cada um e uma barra de chocolate, ele chamou de almoço, eu disse:

– Isso aqui está perfeito! Um piquenique ao ar livre em um dia ensolarado com meu amigo, rindo e sem ter que me preocupar com o horário, tudo o que eu quero fazer pro resto da vida. Só é uma pena que não seja noite, acho as estrelas tão lindas!

– Amigo? –ele disse, com meio sorriso provocativo no rosto.

– Amigo.

– Então, se somos só amigos, o que acha de dormir aqui?

– Oi?! Dormir contigo?! – Eu disse meio indignada.

– Somos amigos, não somos? Não vai acontecer nada que seja contra sua vontade. Qual seria o problema?

– Nenhum. Amigos fazem isso. Na verdade, estou indo na minha vó avisa-lá.

Mas é claro que não foi isso que eu contei. Se contasse eu teria que ouvir uma explicação sobre como eu deveria agir se ele tentasse alguma coisa que eu não quisesse e esse tipo de conversa não é o tipo que se espera ter com sua avó. Então, eu disse que iria a uma festa com uma amiga e depois dormiria na casa dela. Arrumei uma mochila com um pijama, maquiagens e uma roupa mais arrumada, de modo que realmente parecesse que aqueles eram meus planos.

– Se divirta querida! – Ela disse antes de eu sair. Eu me sentia mal por mentir pra ela, mas não havia motivos pra preocupá-la e causar um momento constrangedor sem necessidade.

Às oito horas eu estava de volta no terreno vazio do condomínio, que por sorte era bem afastado da casa de Roberta. Ele continuava ali, mas agora estava deitado, dormindo.

– O que andou fazendo pra cansar tanto? Acorda, Vinícius! – joguei a barra de chocolate ainda fechada nele.

– Tão carinhosa – Ele disse, ironicamente. – Estava guardando energia pra ficar acordado até tarde com você. E pra que esse monte de coisas? – Ele pegou minha mochila e começou a olhar tudo o que tinha dentro sem a maior preocupação em me perguntar se podia. Ele tirou minha saia de dentro. — Opa, que saia é essa? – Ele me olhou tentando fazer uma cara sexy, mas tudo o que conseguiu foi me fazer rir.

– Eu disse para minha vó que iria a uma festa, o que em parte é verdade, já que eu vou fazer disso uma festa do pijama e revelar o espírito feminino dentro de você. – Eu arranquei a mochila da mão dele e tirei o pijama comprido e de bolinhas que tinha levado. Isso é o que vou usar hoje. É o que uso quando estou com as minhas amigas.

– Ok então, mas se quer revelar o espírito feminino dentro de mim vai ter que começar logo, porque com você aqui comigo durante a noite, mesmo usando esses pijamas, vai ser complicado realizar essa tarefa.

ESTAVA. FLERTANDO. COMIGO.

– Hm, vamos começar então! Conte-me sobre as séries que você assiste e os seus últimos namorados...ops, namoradas!

A conversa foi indo, indo e indo, como se fossemos melhores amigos de infância que não se viam a muito tempo. As duas e meia da manhã, parecíamos dois zombies de tantas olheiras, mas eu era a única que parecia cansada, provavelmente porque ele havia dormido durante a tarde.

– Vini, eu estou morrendo de sono, acho que vou dormir — Eu disse, já deitando.

– Você está sem o pijama! – Ele disse.

– Verdade, que bom que sei me trocar colocando uma roupa por cima da outra. – foi o que eu fiz.

Então, me deitei na toalha de piquenique, sem travesseiro mesmo, e virei para o lado. Eu senti o braço dele na minha cintura e rindo, eu me virei pronta pra dizer para ele parar, achando que fosse uma brincadeira, mas me deparei com aqueles olhos azuis me encarando do mesmo jeito que tinham me encarado na ponte, naquele mesmo dia.

– Sabrina, você é...

– Shhh. Sou sua amiga, lembra? – eu disse, encostando meu dedo no nariz dele, como uma brincadeira. Depois disso, a única coisa que ouvi ele dizer foi “maravilhosa”, bem baixinho, e então eu peguei no sono.

Notas finais
Então... gostaram tanto quanto eu?